Mais vale tarde…

Só agora, ao fim de horas de combate informático e graças ao denodado auxílio do Zé Nuno, consegui o santo e a senha desta estreia. Pois que a verdade é que este post é a minha estreia como blogger, após algumas preliminares visitas a caixas de comentários e espaços para convidados do 5dias e de outros poucos blogues: Entre as Brumas da Memória (da Joana Lopes, o primeiro blogue, que li regularmente poruqe me desfez algumas ideias feitas, sobre o género ), Ladrões de Bicicletas (à boleia do José Maria Castro Caldas) e Traço Grosso (do Alfredo Barroso) – creio que é tudo. De resto, foi aqui, numa troca de ideias com o Zé Neves nas vésperas das últimas legislativas, que a minha participação na blogosfera – que eu, há poucos meses ainda,  julgaria improvável nesta encarnação – começou. E hoje, com 60 deles em cima, queria agradecer-vos a cooptação e o convite, que me valem esta estreia paradoxal: ser o mais recente e de longe o mais vetusto blogger dos do 5dias.

Enfim, é só para vos dizer que já cheguei e cordialmente aqui deixar – e aos leitores – as minhas saudações democráticas, republicanas e laicas,  libertárias, anticapitalistas e “autónomas”…

msp

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13 Responses to Mais vale tarde…

  1. Carlos Vidal diz:

    Caro Miguel,
    Vamos então andando por aqui e no mesmo barco, como eu acho que deve ser: comunistas-leninistas, autonomistas, anarquistas, heterodoxos, heterológicos, enfim, bem-vindo e grande abraço.
    CVidal

  2. Renato Teixeira diz:

    Bom que o “caçula” deu o “posto” ao mais velho. Mas como a idade não a faz os dias… Abraço.

  3. Niet diz:

    Uma salva de orgãos-de-staline para o Miguel! O guru da cidadania governante – cujo conteúdo socialista aponta inexoravelmente para a Democracia Directa- viu reconhecida a sua heterodoxia e hombridade militantes.E assume a partir de hoje o seu lugar nas barricadas do Cinco Dias. Trata-se, como reconhecia há anos Eduardo Prado Coelho, de um dos mais esforçados e abnegados dos intelectuais portugueses das horas que passam. Com um perfil radical muito exigente e plural, MS Pereira vai agora qualificar a ” guerra ” ideológica na Blogosfera lusitana. E, por certo, ajudará com a sua pedagogia ética e estética de alto valor, a ultrapassar todos os impasses teóricos e políticos que surjam no calor do combate. Já repararam no manancial de análises e revisões- políticas e ideológicas- que a presença do MS Pereira estimulou e suscitou no Cinco Dias, em três meses de intervenção?Avanti! Niet

  4. Miguel,
    Fico muito contente por teres decidido aderir ao vício…
    Lerei tudo, da primeira à última palavra do que escreveres – bem sabes.
    Um abraço.

  5. ezequiel diz:

    Boa decisão Miguel. 🙂
    Tenho gostado bastante de ler o que escreves.

    cumprimentos,
    ezequiel

  6. Ricardo Noronha diz:

    Lasciate ogni speranza, voi ch’entrate.
    Bem vindo a este admirável mundo nem-novo-nem-velho-antes-pelo-contrário. Certamente que não nos aborreceremos. Quando aprenderes a postar vídeos ensina-me, bale?
    Um abraço

  7. xatoo diz:

    Bem Vindo MSP!
    e se me é permitido já de inicio, gostaria de lhe propôr, como antigamente se fazia na rádio com os discos pedidos, um post sobre a questão do crescimento infinito do industrialismo e dos limites da ciência. Um assunto pouco tratado pela esquerda e que radica na filosofia de Nicholas Georgescu-Roegen. Como se vai vendo, regra geral o leit-motiv dos partidos que se conseguiram institucionalizar, para captar eleitorado, giram todos à volta de ofertas de mais e mais desenvolvimento. Pelo que vamos assistindo tal não será possivel e torna a adesão popular incompativel com esses programas. Assim sendo, face aos limites de recursos naturais do planeta como pensa MSP que se pode articular a necessidade de decrescimento com medidas que serão certamente impopulares, e estas com a sua visão de poder autónomo de todos os cidadãos. É que ninguém vai querer abrir mão da qualidade de vida que hoje dispõe, e para implementar essas medidas será necessário produzir legislação de cariz autoritário… A avaliar por este exemplo dado pelo parlamento francês, é até uma coisa diabólica que ninguém vai querer mesmo aceitar:
    http://www.dailymotion.com/video/x7elsy_decroissance
    .

  8. Ricardo G. Francisco diz:

    Caro MSP,

    Libertário e Anti-capitalista? Essa tem de explicar muito bem…

    Bom posts…

  9. miguel serras pereira diz:

    Caríssimos,
    agradeço aos deste café e aos de outras paragens as boas vindas – tentarei honrá-las praticando com a virtude que puder esta arte a que a Joana Lopes chama um vício… Vocês julgarão e irão dizendo.
    Para já, não queria ignorar as questões que me põem o Ricardo G. Francisco e o Xatoo.

    1. Ao primeiro respondo que me digo libertário – democrata libertário, socialista libertário… – retomando uma oposição histórica entre “autoritários” e “libertários” que vem da crítica que os segundos dirigiam aos primeiros, denunciando os perigos e contradições insanáveis da via da conquista do poder de Estado para instaurar o socialismo. A via era perigosa e contraditória porque o Estado tenderia sempre a perpetuar-se, reproduzir-se e reforçar-se, e não a abolir-se a si próprio, e porque acabaria por conquistar os seus conquistadores. Houve momentos em que os libertários eram essencialmente os anarquistas, anarco-sindicalistas e sindicalistas revolucionários – a tal ponto que “libertário” e “anarquista” funcionavam praticamente como sinónimos. Havia também no campo dos anarquistas – tal como no daqueles a que os primeiros chamavam “autoritários”, posições muito diferentes e oposições profundas – mas isso é outra história, cheia de ensinamentos, mas que não posso agora abordar. Em todo o caso, sobretudo depois do triunfo do marxismo-leninismo na URSS e da formação da III Internacional, os libertários passaram a ser – ou a aliar-se a – quase tudo o que, sem renunciar a uma transformação radical e revolucionária, se opunha ao modelo leninista e, mais tarde, estalinista ou maoísta do Partido e do Estado. E assim o termo libertário passou a poder ser usado para definir movimentos e ideias não estritamente anarquistas, mas que insistiam na necessidade de fazer a revolução e avançar nesse sentido usando métodos e formas de organização “democráticos de base”. Ora, é ainda nessa necessidade que insisto e é ela que adianto quando falo de “cidadania governante”, “projecto de autonomia”, “democracia libertária” ou, simplesmente, “democracia”.

    2. Quanto à questão que o Xatoo me põe, só posso dizer que, considerando-a fundamental, não tenho muito a acrescentar ao que escrevia Castoriadis no final dos anos 80 do século passado (“Fait et à faire”, no volume do mesmo nome e com o subtítulo Les carrefours du labyrinthe V, Paris, Seuil, 1997):
    “Chegamos assim ao nó górdio da questão política hoje. Uma sociedade autónoma não pode ser instaurada a não ser pela actividade autónoma da colectividade. Uma tal actividade pressupõe que os homens invistam fortemente outra coisa que não a possibilidade de compra de um novo aparelho de televisão a cores. Mais profundamente, pressupõe que a paixão pela democracia e pela liberdade, pelos assuntos comuns, tome o lugar da distracção e do cinismo, do conformismo, da corrida atrás do consumo. Em suma: pressupõe, entre outras coisas, que o ‘económico’ deixe de ser o valor dominante ou exclusivo. Tal é (…) o preço a pagar por uma transformação da sociedade. (…) o preço a pagar pela liberdade é a destruição do ‘económico’ enquanto valor central e, na realidade, único. (…) Se as coisas continuarem a seguir o curso actual, o preço terá de ser pago de qualquer maneira. Quem poderá crer que a destruição da Terra possa prosseguir por mais um século ao ritmo actual? Quem não vê que se acelerará ainda mais se os países pobres se industrializarem? E que fará o regime quando deixar de poder controlar as populações oferecendo-lhes constantemente novos gadgets? (…) Se o resto da humanidade tem de sair da sua miséria insustentável; e se a humanidade inteira quiser sobreviver neste planeta num steady and sustainable state, teremos de aceitar uma gestão de bom pai de família dos recursos do planeta, um controle radical da tecnologia e da produção, uma “vida frugal”. Não voltei a fazer as contas desde há algum tempo (…). Mas, assentando ideias, podemos dizer: já seria bom se pudéssemos assegurar ‘indefinidamente’ a todos os habitantes da terra o ‘nível de vida’ dos países ricos em 1929. O que pode de facto ser imposto por um regime neo-fascista; mas poderá ser também livremente feito pela colectividade humana, organizada democraticamente, investindo outras significações, abolindo o papel monstruoso da economia como fim e pondo-a no seu justo lugar, o de simples meio da vida humana. Independentemente de muitas outras considerações (…) é nesta perspectiva, e como momento desta inversão de valores, que a igualdade dos salários e rendimentos surge como essencial (…). É verdade (…) que isto não parece corresponder às aspirações dos homens contemporâneos. Devemos dizer ainda mais: os povos são activamente cúmplices da evolução em curso. Continuarão a sê-lo indefinidamente? Quem pode dizê-lo? Mas uma coisa é certa: não é correndo atrás ‘do que se usa’ e ‘do que se diz’, não é castrando o que pensamos e o que queremos, que aumentaremos as probabilidades da liberdade. Não é aquilo que é, mas o que poderia e deveria ser, que precisa de nós”.

    Saudações republicanas
    msp

    P.S. Ricardo Noronha – olha, caríssimo, eu nem sei escrever o nome de um blog a cores e de tal maneira que, clicado, permita o acesso ao seu conteúdo… Mas, quanto ao resto, dispõe.
    Abç

  10. Niet diz:

    Badiou, a Comuna e o Poder Proletário-O dispositivo intercomunicacional facilitado pela Internete,antecipa e acelera a elucidação teórica dos lances decisivos do debate em torno do poder e da fórmula proletária do Estado. No volume V da ” L´Hypothèse Communiste”, Alain Badiou realiza uma síntese estratégica e política da Comuna que, sublinha, pretende ” ” responder ao desafio de pensar a política fora da sujeição ao Estado e fora do quadro dos partidos, ou do Partido “. Uma linha de argumentação cerrada que pode interessar as preocupações de muitos dos intervenientes na actual discussão em curso no Cinco Dias. O que nos remete para a obrigatoriedade de tentar o estudo pormenorizado da Comuna de Paris, confirmando o palpite que encontrei ao reler Bakounine e Henri Lefebvre, citado num post anterior, se bem se lembram. Ora, o que nos diz agora Badiou: que, justamente, a Comuna é um exemplo único, até hoje,de uma forte tentativa de tentar lutar contra a recuperação parlamentar dos movimentos políticos operários e populares.” S´agissant de 1830, de 1848 et de 1870, on doit repérer un trait commun fondamental, d´autant plus fondamental qu´il est encore largement d´actualité. Le mouvement de masse politique est essentiellement prolétaire. Mais il y a acception de ce que le solde étatique de ce mouvement soit la venue au pouvoir de cliques de politiciens,républicains ou orléanistes. Le décalage politique/État est là tangible: la projection parlamentaire du mouvement politique atteste em fait une incapacité politique quant à l´État. Mais on constate aussi que cette incapacité est à moyen terme vécue comme un échec du mouvement et non comme la rançon d´un écart structural entre l´État et l´invention politique”, sublinha Badiou.O futuro do papel de intervenção do Blogue- da sua plataforma de sensibilidades plural- só ganha, no meu modesto entender, aprofundando em voz alta o xadrez das questões decisivas. E onde a experiência de leitura(s) se torna incontornável porque garante da ética e liberdade políticas de base. Niet

  11. Ricardo G. Francisco diz:

    Caro MSP,

    Acredita portanto que homens livres aboliriam espontaneamente o conceito de propriedade privada. Resumidamente é isso, certo?

  12. miguel serras pereira diz:

    Caro Ricardo G. Francisco,
    depende do que você entende por propriedade privada e dos conteúdos dela.
    Mas importa-me antes fazer notar que a liberdade política – pois é dessa que se trata – não é espontânea. É uma construção social-histórica, uma criação, pressupondo a instauração de condições institucionais adequada. A própria “propriedade de si” de cada um, a “propriedade de si” individual, só é um bem ou valor investido positivamente (versus, por exemplo, a de “servo de Deus” ou “súbdito de Sua Majestade”) em certas condições políticas, e à luz de um certo projecto de sociedade. Mas penso que todas as formas de propriedade privada ou colectiva que têm por meio ambiente necessário a subordinação hierárquica e a desigualdade de condições na participação no exercício do poder que vincula o conjunto de uma sociedade e o conjunto dos seus membros são obstáculos à autonomia individual e colectiva.
    É a resposta possível.
    Laicas saudações solsticiais
    msp

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