Ainda a Janela Indiscreta do Pedro Rolo Duarte

O Pedro Rolo Duarte responde, nos comentários ao meu  post, à crítica que aí fiz ao seu programa. Entende que o insultei e responde-me na mesma moeda. Diz ainda que o programa não é jornalístico mas sim de opinião. Se o Pedro Rolo Duarte entende as minhas palavras como ofensivas, admito que a culpa possa ter sido minha. Mas gostava, ainda assim, que os alegados insultos não impedissem que o Pedro Rolo Duarte se centrasse nos dois pontos que eu referi no post anterior. Em primeiro lugar, é ou não incompetência que alguém que tem um programa (jornalístico, opinativo, humorístico, o que queiram) acerca de blogues, ao dedicar uma peça ao 5dias, diga que este é um blogue próximo do BE? Em segundo lugar, não será o preconceito, apenas e só o preconceito, que permite ao Pedro Rolo Duarte sugerir que o Daniel Oliveira, quando não defende o recurso à violência, fá-lo por oportunismo e não por convicção? O facto do Pedro Rolo Duarte não estar ao abrigo do estatuto de jornalista não legitima nem o erro nem o preconceito. Ou só os jornalistas é que podem almejar o céu?

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16 Responses to Ainda a Janela Indiscreta do Pedro Rolo Duarte

  1. Espero que não esteja em discussão o facto que só os jornalistas poderem almejar o céu.

  2. não entendo sequer como possas ter dúvidas sobre a natureza ofensiva das tuas palavras. Elas são claramente ofensivas.

    mas em vez de desculpas, deves reafirmar o sentido dessa mesma ofensa.

  3. Simão diz:

    Toma, vai buscar.

    E no domingo à noite o céu foi nosso.

  4. Antónimo diz:

    Pedro Rolo Duarte (PRD) tem também num qualquer canal televisivo um programa onde a opinião de umas senhoras parte sistematicamente do “ouvi dizer” e do “pré-conceito” tecendo umas teorias a partir daí.

    O post de Zé Neves tem de facto uma séria de acusações graves que PRD pode considerar insultuosas, mas que fazem todo o sentido. O jornalista Pedro Rolo Duarte (quase de certeza brilhante e inteligente como todos os jornalistas que conheço e que por isso nunca dará o braço a torcer) bem se pode escudar na opinião mas convém que essa parta de alguma ligação com a realidade. A não ser que seja mesmo uma crónica onde a ligação com a realidade não é assim muito exigível.

    É um método muito alimentado por publicistas como Pacheco Pereira, que partem de um ponto de vista alterado ou errado para contruírem um raciocínio aparentando alguma lógica interna. No caso dele a coisa é premeditada, no caso das senhoras do PRD talvez nem tanto.

    Acrescento ao rol Filomena Cautela que no 5 para a meia-noite (do 2º canal) faz a figura da apresentadora que quando tenta ser séria acaba por se estatelar ao comprido. Parece ter agora começado a pensar, assentando todos os raciocínios sobre política ou jornalismo numa credulidade embevecida em meia dúzia de publicistas falaciosos e de figuras que mitifica.

  5. xatoo diz:

    sinto-me marginalizado. Eu é que me referi primeiro “àquela coisa que fala na antena1” e a mim ninguém me insulta. De facto estes ultras direita pateta funcionam apenas com base em ideias preconcebidas. Nada de insultar a verdade. Seria ridiculo o tipo contestar a sua função coisificante (ou como se diz na giria popular) papel de embrulho para oferecer dicas sobre a blogosfera neocon

  6. Antónimo diz:

    Xatoo tem razão. Quanto ao meu texto anterior e ao post que o originou: PRD é jornalista, pelo que está sempre ao abrigo do estatuto e quando no quarto parágrafo digo que “No caso dele a coisa é premeditada” estou a referir-me ao caso do Pacheco e não do Rolo.

  7. anónimo
    o programa chama-se Fala com Elas é um verdadeiro panegírico à emancipação feminina!

  8. Antónimo diz:

    antónimo, nuno castro, antónimo

    a emancipação feminina parece-me bem o que não me parece bem é que parte das paineleiras construam um discurso sobre política, justiça e sociedade com base em ideias erradas e em preconceitos.

  9. miguel serras pereira diz:

    Viva, Zé!
    Durante o debate em torno da violência política, cujo tema se enriqueceu e alargou, encetando uma reflexão sobre o Estado, as condições do poder político democrático, as formas de luta que convêm à construção da autonomia individual e colectiva, etc., um vento de liberdade inabitual começou a soprar nos posts e comentários do 5dias. Esta maré alta de livre pensamento pelos vistos assusta, e tanto mais quanto mais não cabe nos esquemas de classificação gerados a partir da cena política dominante. Pôr em causa a compatibilidade entre a democracia e o Estado, ou a natureza democrática do Estado que temos nos países da CE; afirmar que a construção de um “Estado democrático” implica a generalização da cidadania activa nas esferas tanto da política que se confessa como tal como na actividade económica (como fez o Viana nos seus comentários), ou que a democracia requer, entre outras coisas, um poder político exercido pelo conjunto dos cidadãos organizados, um poder político que só seja consentido na medida em que seja igualitariamente exercido e participado; pôr em causa a democraticidade das formas de representação vigentes, etc., etc. – tudo isto parece, com efeito, não poder ser, desestabilizar as ideias feitas que correspondem nos espíritos ou mentalidades à ordem estabelecida e à interiorização dos “pactos de regime”. E assim vemos o cronista que o Zé Neves cita intervir na Antena 1 para denunciar como partidária da violência sem mais gente que, com perspectivas diferentes, se empenhou na discussão das relações entre violência e política revolucionária ou das condições que podem legitimar o recurso à violência. E vimos antes o José Pacheco Pereira, mais subtil (mas desta vez não muito) tentar encurralar a esquerda na alternativa: ou violentistas ou reformistas mais ou menos envergonhados – pois quem quer uma mudança revolucionária tem de querer a violência, e quem não acha a violência divertida ou agradável (como disse o Ricardo) não tem o direito de se dizer revolucionário. Como se a questão da violência ou do uso político da força não se pusesse também para as posições ou regimes – sejam quais forem – que PRD ou JPP defendem e fosse uma maldição exclusiva da esquerda revolucionária (seja lá o que for que eles entendem por ela). Mas o medo não é precisamente um sentimento que promova a lucidez nem a honestidade intelectual. E assim fica a ideia que para PRD e JPP, contra a esquerda revolucionária vale tudo – menos discutir seriamente, porque isso seria reconhecer ideias, propostas e projectos nos quais se pretende que ninguém se atreva a pensar. Por mim, acho que devemos continuar a atrever-nos.
    msp

  10. Rui F diz:

    Afinal na Esquerda também há lavadeiras de tanque a céu aberto!

  11. pvc diz:

    E agora numa de Janela Indiscreta: sabeis que o Pedro Rolo Duarte foi militante do PCP?

  12. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Foi militante da UEC do D. Pedro V. Mas isso de ser da UEC … até o Passos Coelho

  13. Antónimo diz:

    Serras Pereira, pq não verte antes a opinião em post em vez de o fazer aqui nos comentários?

  14. antónimo

    estava a ser irónico. se quiser veja esta minha posta http://nunocastro.wordpress.com/2009/12/22/cale-te-com-elas/

  15. Antónimo diz:

    Nuno Castro, subscrevo-o de uma ponta até ao futebol onde eu que não ligo peva ao desporto me revejo de alguma forma.

    Quantas vezes olho para os paineleiros de comentário político e zappo para os donos da bola ou assim, eu que sou do benfica e nem sei dizer o nome de 5 jogadores do clube

  16. miguel serras pereira diz:

    Caro Antónimo,
    porque foi o post do Zé Neves que funcionou como ponto de partida às duas ou três coisas que pensei, e provavelmente por ser mais fácil assim – é que “postar” eu próprio é sempre um problema complicado – há uma quantidade de coisas que não sei fazer, e engano-me muito nas poucas que sei.
    Cordialmente
    msp

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