Violência: o meu resumo de uma discussão recente


JEFF WALL. “Dead Troops Talk”. 1992.

1. O que me separa da perspectiva de Daniel Oliveira

Com o Daniel Oliveira, devo confessar, as questões são e têm sido liminarmente claras. A polémica e discussão que tem decorrido nestas páginas, direccionada ao “arrastão” ou ao próprio Daniel Oliveira, polémica e discussão que não irrompeu apenas por causa de Berlusconi (é anterior), discussão mais acalorada (e, por vezes, insultuosa, porque não?) em textos meus e do Renato Teixeira, mais amena, embora também discordante, em textos do Ricardo Noronha ou do Zé Neves, tal discussão tem uma matriz: acho de um extremo conservadorismo os chamados “princípios” do Daniel Oliveira (a não violência, o respeito absoluto e sem brechas pelo “Estado de Direito” e pela democracia representativa alicerçada em decisões eleitorais pouco ou nada representativas, no fundo).

E não só acho que isto releva do conservadorismo radical, que serve a direita (económica e de todos os interesses nocivos: políticos, morais…), como julgo que este enraizamento em posições de “princípio” como as citadas é acima de tudo um modo de não pensar, não reflectir, não criticar, não desobedecer (ao dono de sempre, sempre o mesmo). Mas, legitimamente, o Daniel Oliveira escolheu enquistar-se nesta posição. Apesar disso, foi/é frontal na discussão, aqui no 5dias e no seu blogue.

2. O que recuso em Irene Pimentel (e seus “métodos”)

O mesmo não se dirá de Irene Pimentel que, oportunistamente, se apropriou de um texto de Daniel Oliveira (DO) para atacar ideias aqui defendidas sobre violência e política, principalmente um texto meu, onde parto de Derrida e das suas teses sobre a Justiça (singular e indivisível) e o Direito (universal e calculável), teses derridianas que extrapolei para colocar o Povo ligado à Justiça, ou seja, a irrupção (violenta) do Povo como fenómeno que não pode ser julgado pela calculabilidade do Direito. A isto respondeu I. Pimentel com insinuações acerca da cobardia de “alguns”, da pretensa vanguarda de “alguns” que falam em nome da Justiça e do Povo (referência ao meu post, sem link). O Ricardo inquiriu seguidamente no post da sra. Pimentel o que significa esse “algumismo”, e eu por lá refiri depois que é próprio da senhora a recorrência a múltiplas “imprecisões”. Cúmulo do ridículo: a historiadora, a sra. I. Pimentel, não publicou o meu comentário (é natural) e apagou o do Ricardo (!!). Há pois nos “textos” de I. Pimentel ausência de rigor, má-fé (não se apagam partes de polémicas já lidas – nem nos blogues, nem em nenhum outro lugar), e falta de entendimento de enunciados complexos (não entendeu nem e minha explicação nem a extrapolação que fiz do texto de Derrida).

Não é por acaso que no seu A História da PIDE (2007), deparo, logo na 2ª página da Introdução com uma “boca” que não entendo como um orientador de tese minimamente atento pode deixar passar: acusa-se (claro!) o PCP de se ter “aproveitado” dos Arquivos da PIDE, e de parte desses arquivos terem sido entregues ao KGB. Cita-se em seguida nomes de elementos do KGB como confirmação, mas… não é aberta nenhuma nota nem se faz referência a nenhuma fonte credível, pelo menos nenhuma das fontes que o texto indica (os elementos do KGB). Ou seja, I. Pimentel não falou com ninguém do KGB e disse o que disse apenas sustentada num artigo da… Visão (e no mais do que suspeito “Arquivo Mitrokhine”). Veja lá o leitor como se faz história e quem se premeia.

3. Porque suspeito da democracia representativa (“domesticar” a espécie)

Adiante. Diz I. Pimentel que partilha com DO o facto da violência dever ser exercida apenas pelo “estado democrático” (o monopólio de que falava criticamente o Zé Neves, e muito bem). Ora, a minha posição é diametralmente oposta: é precisamente ao “estado democrático” que não se deve dar essa prerrogativa, porque para amansar e domesticar (Peter Sloterdijk) o homem já existe a “democracia”. A “democracia” e o seu “humanismo”. Portanto, chega.

Gostaria a este propósito de citar um espantoso texto de Sloterdijk, Regeln für den Menschenpark: Ein Antwortschreiben zu Heideggers “Brief über den Humanismus”, 1999 (Normas para o Parque Humano: Uma Resposta à Carta Sobre o Humanismo de Heidegger), conferência de 1997.


DELACROIX

Que nos diz então Sloterdijk sobre o humanismo (a democracia, poderia eu acrescentar) e o amansar da espécie humana?

Em primeiro lugar, radicaliza a crítica heideggeriana da cultura humanista. Sloterdijk, resumindo Heidegger: “é preciso abandonar a palavra ‘humanismo’, se é que se pretende recuperar a verdadeira tarefa do pensar, que na tradição humanista ou metafísica se pretendia dada como resolvida. (…) para quê voltar a exaltar o homem e a sua exemplar auto-representação filosófica no seio do humanismo como solução, quando é precisamente o homem, como todos os seus sistemas de auto-sobreelevação e autoexplicação, o verdadeiro problema, tal como no-lo evidencia a catástrofe presente?»

Portanto, o “humanismo”, o “pacifismo”, o “democratismo” de DO são formas autocomplacentes que excluem a reflexão e o pensamento. Já o de I. Pimentel (que se apropria de Daniel Oliveira) não tem, na minha opinião, credibilidade. Voltemos a Sloterdijk (é bem melhor).

O “amansar humanístico do homem”, através de uma educação fundada nos textos (e comportamentos) canónicos da humanidade fracassou, quer perante a ampliação da sociedade da informação, quer no seio do actual e progressivo embrutecimento das massas através de novos meios de desinibição e acrescida expoliação (diria Agamben que o capitalismo já não rouba apenas a força de trabalho, mas também a linguagem).

Este modelo das “sociedades literárias” humanistas gera uma permanente desigualdade na vida dos homens: o acesso ao saber torna-se uma forma de exercício do poder. Este exercício do poder tem duas conhecidas faces: ou a tirania ou o cuidado e governo voluntário de seres voluntários, este exercido por uma “monarquia” (ou oligarquia, como também lhe chama Castoriadis) de especialistas cujo fundamento jurídico passa pelo conhecimento de como organizar e agrupar os homens (domesticados) da melhor maneira, sem – ironia, digo eu – causar dano sobre a sua “livre vontade”.

O que Sloterdijk conclui acerca do humanismo é que, actualmente, não só os deuses como ainda os sábios se “retiraram”, “deixando-nos a sós com a nossa escassa sabedoria e parcos conhecimentos. No lugar dos sábios ficaram os seus escritos, de brilho opaco e obscuridade crescente”. Ora, a democracia representativa capitalista não é hoje mais do que isto: um belo discurso cada vez mais obscuro. Por isso, o humanismo é actualmente não apenas uma representação empobrecida, como ainda um “arquivo morto”.

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25 Responses to Violência: o meu resumo de uma discussão recente

  1. asinus says:

    A esquerda a citar Sloterdijk para defender a sua posição é obra!

  2. Carlos Vidal says:

    A meio do seu “First as Tragedy, Then as Farce”, Zizek diz uma coisa muito certa: Peter Sloterdijk não é um dos nossos, mas não é um idiota qualquer.
    Compreendido?

  3. “e pela democracia representativa alicerçada em decisões eleitorais pouco ou nada representativas, no fundo”.

    – As decisões dos eleitores pouco ou nada representam?

    E se o PCP ou o BE alcançassem a maioria absoluta? Também não representavam nada ou pouco?

  4. Party Program says:

    Sendo dos nossos ou não falta muito sloterdijk a todos estes debates.

  5. asinus says:

    Pois não, não é um idiota qualquer. Heidegger também não era. E Leo Strauss também não. E a Riefensthal? Daí a citá-lo para DEFENDER posições de esquerda é intelectualmente “não olhar a meios para atingir os fins”.

  6. xatoo says:

    Sloterdijk sai-se a determinado ponto com mais ou menos o seguinte: “a cisão do capitalismo consigo próprio dar-se-á quando este atingir o ponto que culmina com a sua auto-superação; quando atingir o ponto que culmina com a criação fora de si próprio do seu oposto mais radical” embora com roupinhas novas, onde é que já ouvimos isto? este gajo é, pois claro, um dos muitos canibais de Marx que andam por aí à solta…

  7. Carlos Vidal says:

    Em primeiro lugar, um abraço cúmplice ao colega (destas andanças que os outros – sempre os mesmos – chamam “radicais”) Party Program. De facto, a filosofia de Sloterdijk é-nos deveras útil. Costumo descrevê-la como um delicioso veneno poético. Irresistível, portanto. E quantas vezes certeira.

    asinus, não concordo consigo. O Sloterdijk não é o “nazi” que o mole Habermas pintou. Não aprecio nada Habermas e a sua tese de que um conflito aponta sempre para um trabalho subsequente de busca de consensos (“acção comunicativa”). Não suporto esse palavreado.
    Saber então que este Habermas veio de Frankfurt, de onde vieram Adorno e Horkheimer ainda mais me indigna. É uma degenerescência do pensamento crítico. Sloterdijk goza com Habermas dizendo-nos que para H. tudo parece poder resolver-se com uma conversa numa mesa de café.
    É aqui, na ruptura com esta debilidade que Sloterdijk faz falta.
    E com isto creio que Party Program está de acordo.
    (E asinus, não?)

  8. marilu says:

    Donde,Dª Irene Pimentel(aki,não é drª nenhuma,(arcaísmo,mui usado em portugal-osucateiro Godinho,tb deve ser Dr.-em gamanço e corrupção desde,pelo menos 1993!)pq esta é uma discussão da res publica,eu professional/ sou canalizador…),’portantos’,depreendo q uma coisa votada em grande parte pelos cidadões(sic!),como na Colômbia em que o p ‘presidente’ tem curricula nos anais da CIA sobre o narcotráfico,a violência exercida pelas elites esclarecidas(Bilderberg,dona!não se esqueça q é uma sociedade secreta,q.b.)tem tido uma ‘politica’ de assassinatos sendo contudo,democrático(caufcauf)assim como o estdo vergonhoso de Israel para com os Plestinos e também por muitos judeus de esquerda,dona.Assim,posto creio q a srª não prima por principios éticos(lembro-lhe,essa ignominia do estado do kosovo,antro de mengeles e,compreendemos,’hub’ da morfina q vem do Afeganistão,aleatoriamente,aumentada desde q as forças de defesa da NATO,lá estão,em nome da democracia e contra os meliantes).Ahahahah,vorcemercê,faz-me rir,faz-me lembrar aqueloutra qq coisa de matos e otraficante de armas para a Unita,cujo filho partiu os cornos numa transa.Obviamente,para mim,os xuxas,são meros bandidos!

  9. asinus says:

    Caro Carlos Vidal,
    Não sei a que propósito chamou para esta liça o Habermas. Mas já que falou de Adorno… A leitura dos textos de Sloterdijk, as suas entrevistas (Sloterdijk não resiste ao palco dos media), artigos de opinião serão úteis à esquerda, penso, só no sentido de as conhecer para as melhor combater. Só um pequeno exemplo. Fascinado pelos soundbytes, já em 1999 Sloterdeijk decretou ” a morte da teoria crítica” – todos os conservadores espumam de raiva só em ouvir o nome de Adorno – e há algumas semanas num artigo para o FAZ afirmou que na Alemanha domina uma “cleptocracia de Estado”, que esvazia os bolsos dos ricos a favor dos pobres invejosos . E exigiu, contra este estado de coisas, uma “Revolução da mão doadora” („Revolution der gebenden Hand“): os ricos devem, por razões de orgulho, dar aos necessitados. Deve ser mais um exemplo de “delicioso veneno poético”. Apesar de a discussão ser interessante ela não cabe numa caixa de comentários. Digamos só que a pujança da Teoria Crítica se demonstra facilmente no exemplo de Sloterdijk. Ele quer substituir o Estado cobrador de impostos por contribuições voluntárias. (Naturalmente que não o quer realmente – quem pagaria a sua pensão para na velhice continuar a pensar de forma vigorosa?) Porém, actualmente são necessários profetas de grandes teses deste género: lançar uma proposta destas numa altura em que seria indispensável (já que ainda não se vislumbra a “batalha final”) impor um imposto sobre as fortunas dos ricos e dos super-ricos, que desde há três décadas saqueiam o Estado é de se lhe tirar o chapéu.
    Valha-nos Adorno! A força da Teoria Crítica, dizia Steinert, consisitiu sempre no seu potencial auto-reflexivo e na sua crítica ao/do Poder. Ao contrário do Iluminismo anglo-saxónico e francês, o Iluminismo alemão remeteu sempre para a reflexão e análise do Poder, dos seus mecanismos e das dependências deles resultantes. Os fundadores da Teoria Crítica, como antes Marx, cultivaram isto ao mais alto nível e com muita sensibilidade. Em vez de pessimismo e desespero, a Teoria Crítica esforça-se por encontrar uma orientação num terreno que não oferece abrigos seguros. Portanto, quando por um lado a teoria neoliberal entrou em declínio, por outro a esquerda se restabelece lentamente da sua derrota histórica e ainda procura os seus temas e projectos, resta aos profetas das grandes teses, comprometidos com o Mainstream e o Poder, pouco mais do que lançar a confusão e espalhar o Nonsens. Disfarçam-se de questionadores de tabus, mas entretanto não passam de running gags.
    Quem não quer perder a perspectiva, compreender as manobras do adversário e não deixar o raciocínio turvar-se tem uma grande aliada na Teoria Crítica. Não espanta que seja odiada e dada como morta por coveiros como Sloterdijk.

  10. ezequiel says:

    ” Quem não quer perder a perspectiva, compreender as manobras do adversário e não deixar o raciocínio turvar-se tem uma grande aliada na Teoria Crítica.”

    —they’re out there. the adversaries. BEWARE. ALERT 9. LOL :)

    nunca deixes o raciocínio turvar-se. tem que andar sempre direitinho, o raciocínio. que limpidez. dogmática, quase.

    dada por morta?? nunca se leu tanta teoria crítica na história da humanidade, asinus.

    why les exageres?? induzir a ilusão da existência de uma espécie de bovinidade submissa e alienada que deveria ser iluminada por todos os que persistiram, heroicamente, na Kritische Theorie…

    o Iluminismo Alemão remeteu sempre para a reflexão das análises do poder??

    A KT faz parte do Iluminismo Alemão??? ou será do contra-iluminismo? questão interessante. Weber, Marx, KT e uhhmm…mais quem, na tradição do Iluminismo Alemão, a analisar as questões relacionadas com o Poder???? Kant?? Hegel?? Leibniz? uhhh, não. Repara no mix da KT, asinus. it aint merely german, homes. who is it that cultivates critique to the point of exaustion??

    Não te precipites na caracterização do Iluminismo Alemão, meu caro. A não ser que optes pelas inovações pós-modernas que criticas, com razão, dos Sloterdijks e companhia…

  11. Carlos Vidal says:

    Pós-modernidade?
    Sloterdijk?
    Então, na década de 80 (a década da “coisa”), o homem escreveu uma portentosa “Crítica da Razão Cínica”!….

  12. albertino says:

    mas o vidal-das-leituras-relevantes não tinha dito que se recusava a debater com o daniel oliveira?

  13. almajecta02 says:

    Qual coisa? qual coisa? a das especialistas sem coração com certeza. Mais os Khun-Bordieu-Habermas, estou a ver bem?
    Porreiro pá, este pintor da cruz a pintar em Olhão.

  14. ezequiel says:

    Prof Vidal,

    considerar-lhe-ia o quê?? um moderno/ista???

  15. Carlos Vidal says:

    ezequiel, considerá-lo-ia um homem “fora da cidade”, no sentido platonista (ou num sentido que Platão gostaria de aplicar – referindo-se ao poeta), porque como diz Huyssen, Sloterdijk (que, atenção asinus, não abandona a Teoria Crítica, mas lhe acrescenta a “corporalidade”) é um “anarquista somático”. Ora, o que é um “anarquista somático”?
    Mudemos de assunto para tentar um paralelo (uma minha extrapolação).
    Permita-se-me uma comparação com os regimes da ocularidade que até ao século XX fundaram e ligaram entendimento-conhecimento-percepção no paradigma da câmara-escura correspondente ao conhecimento como oriundo de uma retino-passividade. Quer dizer, foi preciso aparecer Bergson e Ponty para se ligar a percepção ao corpo (todo, em movimento e para todos os lados direccionado), o “quiasma”. O “anarquismo somático” estabelece alguns paralelos com isto: acrescenta corpo e somatismo à política. Leia-se Huyssen, de novo:

    “With Adorno [atenção asinus, com ADORNO], Sloterdijk insists that one of the main problems with the Enlightenment was its inability to include the body and the senses in its project of emancipation [portanto, valoriza-se a emancipação da Teoria Crítica]. He therefore attempts to reconstitute ‘Aufklarung’ on the limited basis of what he calls physiognomic thought, embodied thought, arguing for enlightenment as ‘Selbsterfahrung’ [auto-consciência] rather than self-denial.”

    E uma das teses chave da sua “Crítica da Razão Cínica” (que se dirige à actualidade pós-moderna):

    “The mythic model for the kind of somatic anarchism he advocates is the Greek kynic Diogenes, the plebeian outsider inside the walls of the city who challenged state and community through loud satirical laughter and who lived an animalist philosophy of survival and happy refusal”.

    Ou seja, trata-se aqui de um anarquismo animalizado, de alguém que se encontra claramente fora das muralhas do modernismo e do pós-modernismo.

    Um trocista solitário.

    O seu megaprojecto “Sphären” seria a última coisa que eu classificaria como modernista ou pós-modernista. Daí a confusão: uns chamam-no anarquista, outros fascista. Mas não modernista nem pós-modernista (ou pós-moderno).

    (Ver edição americana, Minnesota University Press [1987], de “Kritic der zynischen Vernunft”, 1983.)

    Cumps.
    CV

  16. ezequiel says:

    Brilhante resposta, prof Vidal. Gostei particularmente da analogia com Ponty.

    Sr. Prof, o trocista solitário é a grande metáfora do pós-modernismo. Rorty e o seu sentido de auto-ironia. a invocação permanente de Nietzsche. (tudo isto, claro, para dar corpo à política)

    a corporealidade da Teoria Crítica não tem que ser derivada da crítica que Ponty fez ao intelectualismo (cognitivismo) cartesiano. esta ponte é muito interessante, mas não é necessária, ou até é debilitante, se considerarmos que o grande mérito da reconstituição do AUflklarung é a auto-consciência, ou, melhor, o reconhecimento que a consciência é corporaelizada no SOCIAL. Bravo! What an achievement!?

    não é necessário incluir o corpo e os sentidos no projecto da KT porque os sentidos e o corpo – no sentido da Fenomenologia- não são os temas verdadeiramente importantes. o projecto da KT é infinitamente mais ambicioso do que uma mera reabilitação, via Ponty ou Gestalt psych ou Dasein belonging, da corporealidade (mundo-social) da acção humana.

    Sr Prof. o sr parece-me genuinamente confuso:

    “O seu megaprojecto “Sphären” seria a última coisa que eu classificaria como modernista ou pós-modernista. Daí a confusão: uns chamam-no anarquista, outros fascista. Mas não modernista nem pós-modernista (ou pós-moderno).”

    Bem, se ele é anarquista é modernista. Se é fascista também é modernista. Além disso, Slodie, tal como Habermas, propõe a REABILITAÇÃO DO iluminismo. (incluir sentidos e corpo, diz o Huyssen, aqui citado por si)

    Ele é um pós-moderno, meu caro. Nem que seja pela incapacidade dos seus leitores o definirem como deve ser.

    A conceito do “trocista solitário” como categoria existentiell-historica?? Bravo, sr prof.

    Já viu??: A EDIÇÃO AMERICANA da Minnesota Univ Press. É só BD, sr prof. conhece a northwestern univ press? e Indianna Univ Press?

    a plebeian outsider?? no way. he is inside the walls. LOL

  17. ezequiel says:

    de alguém que se encontra claramente fora das muralhas do modernismo e do pós-modernismo….

    onde é que está o Slodie??? (se não está no modernismo nem no pós-modernismo…procuremos no ?)

    a german in a lalaland, a beyond, the no-one knows about??? terra incognita!!

    don’t be absurd, professor.

    LOL

    PS: uma tentativa patética de ser, por momentos, um trocista solitário.

  18. ezequiel says:

    pós-moderno: é o que elege o modernismo como objecto da sua crítica. é neste sentido que eu o interpreto como pós-moderno. há pós-modernos para todos os gostos, evidentemente.

  19. almajecta02 says:

    quase quase no threshold, depois da “das ding” a semelhança com o modelo de Feyerabend para o anarquista epistemológico, bravo. Enquanto resumo esta posta era escusada, com Vernunf te digo.

  20. ezequiel says:

    “com vernunft te digo”

    LOL

  21. asinus says:

    “Sloterdijk (que, atenção asinus, não abandona a Teoria Crítica, mas lhe acrescenta a “corporalidade”)”
    Caro Carlos Vidal, parece-me que anda a tresler Sloterdijk no que diz respeito à Teoria Crítica. Se acrescentar “corporalidade” é passar-lhe a certidão de óbito…então não tenho mais nada a comentar, mas sempre pode rever esta sua posição lendo as cartas de Sloterdeijk a Habermas sobre este assunto no Die Zeit, (http://www.zeit.de/1999/37/199937.sloterdijk_.xml) , já de 1999, já para não falar na mais recente polémica com Axel Honneth (http://kritikdermoderne.blogsport.de/2009/09/28/sloterdijk-vs-honneth/)

  22. almajecta02 says:

    quem é o piqueno de branco que vai à frente da mole? Algum colaborador de agência independente, não?
    E lá em cima, não estão a interrogar nem a torturar alguem injustamente, pois não?
    Já consigo vislumbrar aquela Vénus de Milo cheia de gavetas, mui instrumental.

  23. asinus says:

    Quanto a si Ezequiel e ao Iluminismo alemão permita-me que lhe diga o seguinte quanto a esta sua”tirada”: “A KT faz parte do Iluminismo Alemão??? ou será do contra-iluminismo? questão interessante. Weber, Marx, KT e uhhmm…mais quem, na tradição do Iluminismo Alemão, a analisar as questões relacionadas com o Poder???? Kant?? Hegel?? Leibniz? uhhh, não. Repara no mix da KT, asinus. it aint merely german, homes. who is it that cultivates critique to the point of exaustion??”
    1º não vislumbro (problema meu certamente) como pode a KT pertencer ao que chama contra-iluminismo;
    2º como sabe, apesar de só ler livros de receitas, o iluminismo alemão, ao contrário do iluminismo “de projectos” anglo-saxónico e o iluminismo revolucionário francês, DETERMINADO pela impotência dos intelectuais desde a sua condição de mestres da(s) corte(s) no século XVIII, remeteu sempre para a reflexão e análise do Poder, os seus mecanismos e consequentes dependências.
    3º Penso ser necessário ser rigoroso nas afirmações. Não afirmei que a KT não era lida. (Apesar de me parecer que ela tem feito muito falta a muito boa esquerda). Afirmei que Sloterdijk tinha decretado a morte KT. Para “anarquista somático” (?!) não está nada mal.
    4º Quanto ao Sloterdijk parece-me que as suas críticas têm muita razão de ser. Não é só pós-modernista, é também pós-democrata, o que deve ser a razão das simpatias que desperta no CV. (Com isto não quero dizer que considere a Democracia, que cada vez mais se parece com uma Democratura, o “fim da história”)

  24. ezequiel says:

    asinus,

    é contra-iluminismo porque o objecto da critica (dial. do esclarecimento) é o iluminismo itself. nada de misterioso.

  25. harrison says:

    Os neurônios, tem como base a vontade, que evidenciam a intenção.
    Suas estruturas são: o sutil, o subliminar e o subjetivo. A sinuosidade nos leva à desconfiança e a dúvida é a essência do continuo.

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