Pobreza

Pedro Rolo Duarte dá prova de uma extraordinária incompetência e de uma abundante má-fé na peça radiofónica (procurem o programa desta sexta-feira) que dedica ao debate que foi sendo tido aqui e no Arrastão. Primeiro a incompetência: Rolo Duarte considera os dois blogues próximos do Bloco de Esquerda, qualquer coisa que alguém minimamente atento não faria. Dir-me-ão que é um erro, seguramente que é, mas eu, sinceramente, não compreendo como isto é possível. Que o meu avô dissesse isso, eu percebia, mas alguém que é pago para fazer um programa acerca de…blogues?!?! No fundo, acho que a culpa é nossa, de todos nós. Muitas vezes dizemos que na origem dos disparates de alguma (ou muita, nem sei) comunicação social encontram-se razões político-ideológico-económicas de qualquer espécie. E, no entanto, o que se passa neste caso, e eventualmente em vários outros, é a burrice que resulta da pura e simples ignorância, da falta de rigor e seriedade profissional. Já no fim da peça temos o comentário engraçadote, claro, que se limita a surfar a onda com total desprezo e falta de respeito pelas razões travadas pelos intervenientes no debate. Isto é que é jornalismo? E alguém tem o email do provedor da coisa?

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12 Responses to Pobreza

  1. Miguel Andrade diz:

    O título que deste ao post diz tudo… e de facto, não há enganos aqui na adjectivação dos blogs, ou sou eu que acredito em teorias da conspiração…

  2. prova acabada da violência truncada sem septos nasais deslocados… mas por que raio é alguém pago para recitar prosa de blogs no serviço publico?

  3. Renato Teixeira diz:

    Para as parvoíces que andam para aí a ser pagas e outras tantas ditas à borla, até que não foi um resumo terrível. Para lá da falha de caracterização (errónea mas nem tão disparatada assim para explicar o debate aos “avozinhos”) não deixou pegar o boi pelos cornos.

  4. Pingback: Arrastão: Pólvora Seca

  5. Pedro RD diz:

    Caro Zé Neves:
    Insultos à parte, o que eu faço na Antena 1 diariamente chama-se “crónica”. Como qualquer enciclopédia ou manual poderá iluminar, uma crónica não é matéria informativa/jornalística, na medida em que convoca análise e opinião, é assinada, e compromete apenas o seu autor.
    O que escrevi e li na rádio é o que penso, a partir do que leio nos diversos blogues. Não retiro uma palavra à minha crónica – e só lamento que o registo usado por si (e pelo Daniel Oliveira) recorra ao insulto barato e à desqualificação. A cada um a atitude que toma – e a violência verbal que o justifica. Estão bem um para o outro.
    Pedro Rolo Duarte

  6. Renato (se me é permitido o tom coloquial),há um erro terrível, se bem me lembro do programa, que reduz todas as considerações sobre política a uma formulação mecanicista do interesse. A mesma coisa no texto do Pacheco Pereira, tendo a concordar com o Daniel Oliveira aí, estando no resto do debate longe dele. E que o Pedro Rolo Duarte reproduz, que é qq coisa deste género: a esquerda como não pode abraçar a ideia de um desenvolvimento harmonioso, como insiste em sobrepujar ganhos relativos em detrimento de absolutos, etc, etc, é necessariamente violenta. Segue-se a interpretação literal de luta de classes, fazendo escala nas mentes totalitárias. Ou seja, o Arrastão é violento mas esconde-o, o 5 dias é violento mas é verdadeiro. Lá porque alguém dá um toque de “interesse” ao DO, que tacticamente renega a sua natureza violenta (supostamente) passa a fazer sentido, só porque fala menos mal do 5 dias. É essa interpretação abusiva que me faz alguma confusão.
    Só acho que admitir a utilidade de uma análise destas ou de JPP é desconsiderar quem participou e quem assistiu À discussão, e chegar a um ponto em que os meios são mais importantes que os fins (já não me espanta, tanto se gasta a proposição invertida como frase feita)…

  7. Renato Teixeira diz:

    É precisamente isso com que concordo. A esquerda da que DO faz parte faz da aparência principista a melhor fuga às suas reais posições, tendencialmente oportunistas e não raras vezes violentas. Diz-se o que se pode para não perder contacto com as massas e sempre, sempre, em nome do sacrossanto poder eleitoral. De tanto medo de andar à frente das vanguardas acabam sempre por andar a passo, e pior que isso, das tantas vezes em que diz que não fuma acaba a fumar sem sequer escolher a palha que fuma. Quando aterram neste ou naquele governo, em nome do pragmatismo da tal maioria democrática e social que tanto procuram, aceitam as maiores violências. Assim aceitou a Refundação Comunista em Itália a participação das tropas italianas no Afeganistão, assim mandou Lula tropas para o Haiti, assim guerreia Obama nos mesmos palcos onde guerreou Bush. É talvez por isso que acho que a esquerda anti-capitalista é mais responsável (ou menos irresponsável) do que a negocista. Ainda que entenda e concorde com as fronteiras que o NRA traçou por dentro do que entende ser a responsabilidade, acho que quem anda, por vias travessas a levar a direita para o poder são os senhores dos socialismos democráticos, que quando se sentam no poder usam e abusam da cadeira, aplicando demasiadas vezes a política da direita, política essa que tem direitas (como a do Santana) que não a conseguem aplicar. Irónico e confuso, mas é isso mesmo que eu acho.

  8. Voltando à vaca-fria, a questão não é a existência ou não de violência. Tendo a concordar que a violência existe no preciso momento em que há qualquer forma de organização política, mais coisa menos coisa, quando dois tipos se juntam e aceitam qualquer tipo de compromisso. A questão é o mais que evidente objectivo de tanto um como o outro apresentarem a esquerda como violenta por oposição à “normalidade” asséptica dos moderados (eu juro que tinha prometido não me meter na discussão), e que eles estão fora da crise existencial da violência. E eis provavelmente o que me pode estar a fazer confusão: custa-me a dar para um peditório que transporta uma afirmação teleológica muito mais bruta e tosca que aquela “determinista marxista” contra as quais verberam.
    Não há, da parte de nenhum deles a negação do conceito de violência como o imediato, fungível, ou seja violência pornográfica.
    Agora, se por exemplo entendermos a violência como tudo aquilo que cria um hiato entre o potencial humano e a sua efectivação ( a definição é do Galtung e carece de operacionalização), tanto o JPP como o PRD acabam por defender formas violentas: ou seja, a violência perde qualquer carga valorativa. Ainda assim, e não me meti na discussão por causa disto, é que uma abordagem holista do conceito de violência tem repercussões que não consigo aferir. E que obriga a uma valoração das violências (coisas que algum rejeitam), uma hierarquização. Hierarquização que pode implicar exclusividade em determinados momentos mas nunca no todo. Cada um prioriza as diferentes violências, com a diferença que uns não reconhecem essa tipologia ascendente. Por outro lado, parece-me, como em tudo, que por muito que me custe, essa escolha resume a acção política…acho que eu é que já me troquei todo. Um exemplo, para os tipos dos Estudos para a Paz, a violência doméstica é um tipo de violência tão grave como uma guerra inter-estatal: isto faz-me confusão. E só acho que a discussão acaba por nunca conseguir sair daquilo que a gerou, é tautológico: cada um quer legitimar a sua violÊncia, e como é evidente quem está por cima apresenta a sua violência como paz, e esta convicção alastra, se não não estaria por cima, através exactamente do exercício da violência.
    Enfim, não devia ter entrado na discussão…

  9. Pingback: cinco dias » Ainda a Janela Indiscreta do Pedro Rolo Duarte

  10. Caro Pedro Rolo Duarte,
    Extraordinário é quem chama oportunista político a alguém se sinta ofendido com a resposta. Até acho que fui bastante simpático atribuindo a Pacheco Pereira a responsabilidade do seu, por assim dizer, raciocínio.

  11. Pingback: cinco dias » Já tinha saudades

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