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Pobreza

19 de Dezembro de 2009 por Zé Neves

Pedro Rolo Duarte dá prova de uma extraordinária incompetência e de uma abundante má-fé na peça radiofónica (procurem o programa desta sexta-feira) que dedica ao debate que foi sendo tido aqui e no Arrastão. Primeiro a incompetência: Rolo Duarte considera os dois blogues próximos do Bloco de Esquerda, qualquer coisa que alguém minimamente atento não faria. Dir-me-ão que é um erro, seguramente que é, mas eu, sinceramente, não compreendo como isto é possível. Que o meu avô dissesse isso, eu percebia, mas alguém que é pago para fazer um programa acerca de…blogues?!?! No fundo, acho que a culpa é nossa, de todos nós. Muitas vezes dizemos que na origem dos disparates de alguma (ou muita, nem sei) comunicação social encontram-se razões político-ideológico-económicas de qualquer espécie. E, no entanto, o que se passa neste caso, e eventualmente em vários outros, é a burrice que resulta da pura e simples ignorância, da falta de rigor e seriedade profissional. Já no fim da peça temos o comentário engraçadote, claro, que se limita a surfar a onda com total desprezo e falta de respeito pelas razões travadas pelos intervenientes no debate. Isto é que é jornalismo? E alguém tem o email do provedor da coisa?

Comentários

Comentário de Antónimo
Data: 19 de Dezembro de 2009, 1:36

http://ww1.rtp.pt/wportal/grupo/provedor_telespectador/contactos.php

Comentário de Miguel Andrade
Data: 19 de Dezembro de 2009, 2:28

O título que deste ao post diz tudo… e de facto, não há enganos aqui na adjectivação dos blogs, ou sou eu que acredito em teorias da conspiração…

Comentário de josepedromonteiro
Data: 19 de Dezembro de 2009, 3:37

prova acabada da violência truncada sem septos nasais deslocados… mas por que raio é alguém pago para recitar prosa de blogs no serviço publico?

Comentário de Renato Teixeira
Data: 20 de Dezembro de 2009, 16:59

Para as parvoíces que andam para aí a ser pagas e outras tantas ditas à borla, até que não foi um resumo terrível. Para lá da falha de caracterização (errónea mas nem tão disparatada assim para explicar o debate aos “avozinhos”) não deixou pegar o boi pelos cornos.

Pingback de Arrastão: Pólvora Seca
Data: 21 de Dezembro de 2009, 15:18

[...] é de esquerda ou não diz o que pensa. Com a mesma argúcia, outro vulto do pensamento político, Pedro Rolo Duarte, segue exactamente a mesma lógica: há uma esquerda que é partidária da violência e a outra que [...]

Comentário de Pedro RD
Data: 21 de Dezembro de 2009, 18:14

Caro Zé Neves:
Insultos à parte, o que eu faço na Antena 1 diariamente chama-se “crónica”. Como qualquer enciclopédia ou manual poderá iluminar, uma crónica não é matéria informativa/jornalística, na medida em que convoca análise e opinião, é assinada, e compromete apenas o seu autor.
O que escrevi e li na rádio é o que penso, a partir do que leio nos diversos blogues. Não retiro uma palavra à minha crónica – e só lamento que o registo usado por si (e pelo Daniel Oliveira) recorra ao insulto barato e à desqualificação. A cada um a atitude que toma – e a violência verbal que o justifica. Estão bem um para o outro.
Pedro Rolo Duarte

Comentário de josepedromonteiro
Data: 21 de Dezembro de 2009, 21:12

Renato (se me é permitido o tom coloquial),há um erro terrível, se bem me lembro do programa, que reduz todas as considerações sobre política a uma formulação mecanicista do interesse. A mesma coisa no texto do Pacheco Pereira, tendo a concordar com o Daniel Oliveira aí, estando no resto do debate longe dele. E que o Pedro Rolo Duarte reproduz, que é qq coisa deste género: a esquerda como não pode abraçar a ideia de um desenvolvimento harmonioso, como insiste em sobrepujar ganhos relativos em detrimento de absolutos, etc, etc, é necessariamente violenta. Segue-se a interpretação literal de luta de classes, fazendo escala nas mentes totalitárias. Ou seja, o Arrastão é violento mas esconde-o, o 5 dias é violento mas é verdadeiro. Lá porque alguém dá um toque de “interesse” ao DO, que tacticamente renega a sua natureza violenta (supostamente) passa a fazer sentido, só porque fala menos mal do 5 dias. É essa interpretação abusiva que me faz alguma confusão.
Só acho que admitir a utilidade de uma análise destas ou de JPP é desconsiderar quem participou e quem assistiu À discussão, e chegar a um ponto em que os meios são mais importantes que os fins (já não me espanta, tanto se gasta a proposição invertida como frase feita)…

Comentário de Renato Teixeira
Data: 22 de Dezembro de 2009, 1:35

É precisamente isso com que concordo. A esquerda da que DO faz parte faz da aparência principista a melhor fuga às suas reais posições, tendencialmente oportunistas e não raras vezes violentas. Diz-se o que se pode para não perder contacto com as massas e sempre, sempre, em nome do sacrossanto poder eleitoral. De tanto medo de andar à frente das vanguardas acabam sempre por andar a passo, e pior que isso, das tantas vezes em que diz que não fuma acaba a fumar sem sequer escolher a palha que fuma. Quando aterram neste ou naquele governo, em nome do pragmatismo da tal maioria democrática e social que tanto procuram, aceitam as maiores violências. Assim aceitou a Refundação Comunista em Itália a participação das tropas italianas no Afeganistão, assim mandou Lula tropas para o Haiti, assim guerreia Obama nos mesmos palcos onde guerreou Bush. É talvez por isso que acho que a esquerda anti-capitalista é mais responsável (ou menos irresponsável) do que a negocista. Ainda que entenda e concorde com as fronteiras que o NRA traçou por dentro do que entende ser a responsabilidade, acho que quem anda, por vias travessas a levar a direita para o poder são os senhores dos socialismos democráticos, que quando se sentam no poder usam e abusam da cadeira, aplicando demasiadas vezes a política da direita, política essa que tem direitas (como a do Santana) que não a conseguem aplicar. Irónico e confuso, mas é isso mesmo que eu acho.

Comentário de josepedromonteiro
Data: 22 de Dezembro de 2009, 2:31

Voltando à vaca-fria, a questão não é a existência ou não de violência. Tendo a concordar que a violência existe no preciso momento em que há qualquer forma de organização política, mais coisa menos coisa, quando dois tipos se juntam e aceitam qualquer tipo de compromisso. A questão é o mais que evidente objectivo de tanto um como o outro apresentarem a esquerda como violenta por oposição à “normalidade” asséptica dos moderados (eu juro que tinha prometido não me meter na discussão), e que eles estão fora da crise existencial da violência. E eis provavelmente o que me pode estar a fazer confusão: custa-me a dar para um peditório que transporta uma afirmação teleológica muito mais bruta e tosca que aquela “determinista marxista” contra as quais verberam.
Não há, da parte de nenhum deles a negação do conceito de violência como o imediato, fungível, ou seja violência pornográfica.
Agora, se por exemplo entendermos a violência como tudo aquilo que cria um hiato entre o potencial humano e a sua efectivação ( a definição é do Galtung e carece de operacionalização), tanto o JPP como o PRD acabam por defender formas violentas: ou seja, a violência perde qualquer carga valorativa. Ainda assim, e não me meti na discussão por causa disto, é que uma abordagem holista do conceito de violência tem repercussões que não consigo aferir. E que obriga a uma valoração das violências (coisas que algum rejeitam), uma hierarquização. Hierarquização que pode implicar exclusividade em determinados momentos mas nunca no todo. Cada um prioriza as diferentes violências, com a diferença que uns não reconhecem essa tipologia ascendente. Por outro lado, parece-me, como em tudo, que por muito que me custe, essa escolha resume a acção política…acho que eu é que já me troquei todo. Um exemplo, para os tipos dos Estudos para a Paz, a violência doméstica é um tipo de violência tão grave como uma guerra inter-estatal: isto faz-me confusão. E só acho que a discussão acaba por nunca conseguir sair daquilo que a gerou, é tautológico: cada um quer legitimar a sua violÊncia, e como é evidente quem está por cima apresenta a sua violência como paz, e esta convicção alastra, se não não estaria por cima, através exactamente do exercício da violência.
Enfim, não devia ter entrado na discussão…

Pingback de cinco dias » Ainda a Janela Indiscreta do Pedro Rolo Duarte
Data: 22 de Dezembro de 2009, 12:03

[...] a Janela Indiscreta do Pedro Rolo Duarte 22 de Dezembro de 2009 por Zé Neves O Pedro Rolo Duarte respondeu à crítica que fiz ao seu programa. Entende que o insultei e responde-me na mesma moeda. Diz ainda [...]

Comentário de Daniel Oliveira
Data: 23 de Dezembro de 2009, 2:15

Caro Pedro Rolo Duarte,
Extraordinário é quem chama oportunista político a alguém se sinta ofendido com a resposta. Até acho que fui bastante simpático atribuindo a Pacheco Pereira a responsabilidade do seu, por assim dizer, raciocínio.

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