É shakespeariano: há sempre uma “fundura” maior em face do que nos parece ser a maior das “funduras”, cavidades, buracos, alçapões…
E também foi mais ou menos isto que eu aprendi, entre muitas outras coisas, com Estaline:
«A luta contra a social-democracia é uma das tarefas fundamentais da Internacional Comunista. Mas não chega. Para que a luta contra a social-democracia prossiga com sucesso, é necessário sublinhar a luta contra a ala dita de “esquerda” da social-democracia, contra esta mesma ala “esquerda” que, jogando com frases de “esquerda” e enganando habilmente o mundo do trabalho, trava o abandono da social-democracia por este último». [1929, ontem como hoje]
Correctíssimo, como eu já aqui citei: Costa é pior – na minha modesta opinião - do que Sócrates, que é quem (e como) é naquilo que é, e acho sinceramente que a “Red Bull Air Race” (que nunca vi e não me interessa nada) em tudo corresponde aos padrões de cultura e “arte” (mobilização popular, festa, cosmopolitismo, progresso turístico… que sei eu?) do actual presidente da Câmara de Lisboa. É importante que quem apoiou A. Costa veja e reveja isto, e depois medite na opção que fez por uma “esquerda menos má” (foi isto, não foi, apoiantes?). Assim, ainda acabam todos a votar Alegre contra Cavaco, e o PS (ou lá o que é) a rir-se de todos vós.
“Daqui a bocado sou eu que me vou embora” [memorável, gostei muito]




prefiro o PCP ao BE, afinal de contas a indigência não é apenas com a cultura.
Afasta de mim esse cálice …
Já engoli um sapo com o Mário Soares, enganei-me com o Jorge Sampaio e … será muito contrariado que alguma vez mais volte a fazer algo de semelhante, embora respeite a decisão da maioria e já tenha aprendido a nunca dizer: nunca!
Caro manuelmgaio, eu compreendo-o. Também engoli um sapo em 1986/Soares e foi o único.
Entre Alegre e Cavaco, aceite o meu conselho. Abra o último Philip Roth, leia e esqueça que na rua se está a passar algo.
Pois foi, Carlos, a política do “social-fascismo” e do “nazi-trotsquismo” de Estaline teve a eficácia que se sabe: em Espanha, a vitória de Franco foi compensada brilhantemente pela caça ao anarquista e pela ilegalização do POUM; na Alemanha, a tomada do poder por Hitler contribuiu com incomparável didactismo para dissipar as “ilusões das massas”…
msp
não estou a ver, mas enfim.
Ambos fãs do dinamismo, vorticismo e futurismo do patego olhó balão, em velocidade arquitonta à la paul virillio, desta feita sustentado pelos auspiciosos ideais iluministas da lista de apoiantes alfacinhas. Será um abrir de janelas pró desenvolvimento do futuro em realismo utópico.
Apoiemos o grande e patriota presidente-conde. Viva o capitalismo hedonista e narcisista permissivo. Apagar comentários, dar conselhos e tratar os comentadores por vossêzes? A fasquia individual elevou-se demasiado, não?
Mas então quem pode vencer Cavaco? Estes niilistas…
Cavaco Silva não se vai recandidatar.
É lixado para os apoiantes do Pateta, não saber contra quem irão estar. É mais um Tabu à Cavaco. Tomem e Embrulhem!
Grande Cavaco. Assim é que é. Um desapego total ao Poder e uma lealdade para com os compromissos assumidos. Se houve alguma instabilidade ou mal estar, foi da inteira responsabilidade das máfias socialistas no governo.
Está aberto o caminho à Monarquia!
Viva o Rei!
o niilismo realizou-se na simulação, e em a cultura de massas, de comunicação generalizada lá vem a via da emancipação, mas ver-como é que é o mais difícil.
Caro Miguel,
Citar Estaline não me faz estalinista (ainda que eu o fosse, o que não é o caso; como não tenho de ser badiano ou “badiouano”, ou platonista ou cantoriano…). Repara, esta citação, aqui, é uma epígrafe, e ainda por cima correctíssima. Diz apenas respeito a uma suposta “ala esquerda” do que temos o direito de desprezar por ser uma “direita bem camuflada” (precisamente, o PS).
De uma coisa de direita, eu tenho o direito de suspeitar acima de tudo de uma sua “ala esquerda”.
Lembra-me um amigo meu, do PS, mas um intelectual muito decente, que dizia que entre um sacerdote conservador e um outro “progressista” (entre um Ratzinger e um Padre Borga, para caricaturar a coisa), ele preferia sempre o conservador. Isto, curiosamente a propósito de dois autores que bem conheces: o Bloom e o Steiner. Dizia o meu amigo que, destes, preferia sempre o Bloom.
E eu, no post, apenas chamava a atenção para uma suposta “ala esquerda” da coisa PS.
Uma “ala” inverosímel, evidentemente.
Caro Carlos,
já está melhor assim. Não que não discorde radicalmente das tuas novas afirmações, mas porque as poderemos discutir um destes dias, se te quiseres dar a esse trabalho. Mas entre o Ratzinger e o Padre Borga, eu prefiro o Frei Bento Domingues, ou o Anselmo Borges, etc. E só espero que, apesar de tudo, tu não prefiras o bispo negacionista cujo nome me escapa, como o Bernanos dizia do nosso pequeno ditador de Santa Comba. Porque é que os prefiro? Para começo de discussão, direi que porque (ah, grande Camões) estão do meu lado na exigência de dessacralizar o poder político, na defesa da liberdade de expressão e associação e outras bagatelas democráticas (às vezes, todavia, mais portadoras de carga eruptiva do que imaginas). E a propósito: pouco ou nada aproveito da esquerda oficial italiana, não ignoro as suas responsabilidades na entronização de Berlusconi, mas ao contrário do que tu terás de pensar, se aprovas o aspecto do “pensamento” de Estaline (essa liberdade poética que de bom grado te consinto) que citas, penso que o inimigo principal é Berlusconi e não o reformismo.
À tua escuta.
msp
P.S. Também prefiro o Steiner e as angústias do seu padre-operário de “Provas” ao Bloom e às suas pós-nietzcheanas angústias de influência.
e a pesar de tudo ” preferiria de não”.