Custa-me afirmá-lo (mesmo muito): prefiro Sócrates a António Costa

É shakespeariano: há sempre uma “fundura” maior em face do que nos parece ser a maior das “funduras”, cavidades, buracos, alçapões…

E também foi mais ou menos isto que eu aprendi, entre muitas outras coisas, com Estaline:

«A luta contra a social-democracia é uma das tarefas fundamentais da Internacional Comunista. Mas não chega. Para que a luta contra a social-democracia prossiga com sucesso, é necessário sublinhar a luta contra a ala dita de “esquerda” da social-democracia, contra esta mesma ala “esquerda” que, jogando com frases de “esquerda” e enganando habilmente o mundo do trabalho, trava o abandono da social-democracia por este último». [1929, ontem como hoje]

Correctíssimo, como eu já aqui citei: Costa é pior – na minha modesta opinião - do que Sócrates, que é quem (e como) é naquilo que é, e acho sinceramente que a “Red Bull Air Race” (que nunca vi e não me interessa nada) em tudo corresponde aos padrões de cultura e “arte” (mobilização popular, festa, cosmopolitismo, progresso turístico… que sei eu?) do actual presidente da Câmara de Lisboa. É importante que quem apoiou A. Costa veja e reveja isto, e depois medite na opção que fez por uma “esquerda menos má” (foi isto, não foi, apoiantes?). Assim, ainda acabam todos a votar Alegre contra Cavaco, e o PS (ou lá o que é) a rir-se de todos vós.

“Daqui a bocado sou eu que me vou embora” [memorável, gostei muito]

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11 Responses to Custa-me afirmá-lo (mesmo muito): prefiro Sócrates a António Costa

  1. almajecta02 says:

    prefiro o PCP ao BE, afinal de contas a indigência não é apenas com a cultura.

  2. manuelmgaio says:

    Afasta de mim esse cálice …
    Já engoli um sapo com o Mário Soares, enganei-me com o Jorge Sampaio e … será muito contrariado que alguma vez mais volte a fazer algo de semelhante, embora respeite a decisão da maioria e já tenha aprendido a nunca dizer: nunca!

  3. Carlos Vidal says:

    Caro manuelmgaio, eu compreendo-o. Também engoli um sapo em 1986/Soares e foi o único.
    Entre Alegre e Cavaco, aceite o meu conselho. Abra o último Philip Roth, leia e esqueça que na rua se está a passar algo.

  4. miguel serras pereira says:

    Pois foi, Carlos, a política do “social-fascismo” e do “nazi-trotsquismo” de Estaline teve a eficácia que se sabe: em Espanha, a vitória de Franco foi compensada brilhantemente pela caça ao anarquista e pela ilegalização do POUM; na Alemanha, a tomada do poder por Hitler contribuiu com incomparável didactismo para dissipar as “ilusões das massas”…

    msp

  5. almajecta02 says:

    não estou a ver, mas enfim.
    Ambos fãs do dinamismo, vorticismo e futurismo do patego olhó balão, em velocidade arquitonta à la paul virillio, desta feita sustentado pelos auspiciosos ideais iluministas da lista de apoiantes alfacinhas. Será um abrir de janelas pró desenvolvimento do futuro em realismo utópico.
    Apoiemos o grande e patriota presidente-conde. Viva o capitalismo hedonista e narcisista permissivo. Apagar comentários, dar conselhos e tratar os comentadores por vossêzes? A fasquia individual elevou-se demasiado, não?

  6. Antónimo says:

    Mas então quem pode vencer Cavaco? Estes niilistas…

  7. Zorro says:

    Cavaco Silva não se vai recandidatar.
    É lixado para os apoiantes do Pateta, não saber contra quem irão estar. É mais um Tabu à Cavaco. Tomem e Embrulhem!
    Grande Cavaco. Assim é que é. Um desapego total ao Poder e uma lealdade para com os compromissos assumidos. Se houve alguma instabilidade ou mal estar, foi da inteira responsabilidade das máfias socialistas no governo.
    Está aberto o caminho à Monarquia!
    Viva o Rei!

  8. almajecta02 says:

    o niilismo realizou-se na simulação, e em a cultura de massas, de comunicação generalizada lá vem a via da emancipação, mas ver-como é que é o mais difícil.

  9. Carlos Vidal says:

    Caro Miguel,
    Citar Estaline não me faz estalinista (ainda que eu o fosse, o que não é o caso; como não tenho de ser badiano ou “badiouano”, ou platonista ou cantoriano…). Repara, esta citação, aqui, é uma epígrafe, e ainda por cima correctíssima. Diz apenas respeito a uma suposta “ala esquerda” do que temos o direito de desprezar por ser uma “direita bem camuflada” (precisamente, o PS).
    De uma coisa de direita, eu tenho o direito de suspeitar acima de tudo de uma sua “ala esquerda”.
    Lembra-me um amigo meu, do PS, mas um intelectual muito decente, que dizia que entre um sacerdote conservador e um outro “progressista” (entre um Ratzinger e um Padre Borga, para caricaturar a coisa), ele preferia sempre o conservador. Isto, curiosamente a propósito de dois autores que bem conheces: o Bloom e o Steiner. Dizia o meu amigo que, destes, preferia sempre o Bloom.

    E eu, no post, apenas chamava a atenção para uma suposta “ala esquerda” da coisa PS.
    Uma “ala” inverosímel, evidentemente.

  10. miguel serras pereira says:

    Caro Carlos,
    já está melhor assim. Não que não discorde radicalmente das tuas novas afirmações, mas porque as poderemos discutir um destes dias, se te quiseres dar a esse trabalho. Mas entre o Ratzinger e o Padre Borga, eu prefiro o Frei Bento Domingues, ou o Anselmo Borges, etc. E só espero que, apesar de tudo, tu não prefiras o bispo negacionista cujo nome me escapa, como o Bernanos dizia do nosso pequeno ditador de Santa Comba. Porque é que os prefiro? Para começo de discussão, direi que porque (ah, grande Camões) estão do meu lado na exigência de dessacralizar o poder político, na defesa da liberdade de expressão e associação e outras bagatelas democráticas (às vezes, todavia, mais portadoras de carga eruptiva do que imaginas). E a propósito: pouco ou nada aproveito da esquerda oficial italiana, não ignoro as suas responsabilidades na entronização de Berlusconi, mas ao contrário do que tu terás de pensar, se aprovas o aspecto do “pensamento” de Estaline (essa liberdade poética que de bom grado te consinto) que citas, penso que o inimigo principal é Berlusconi e não o reformismo.
    À tua escuta.
    msp
    P.S. Também prefiro o Steiner e as angústias do seu padre-operário de “Provas” ao Bloom e às suas pós-nietzcheanas angústias de influência.

  11. almajecta02 says:

    e a pesar de tudo ” preferiria de não”.

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