Irene Pimentel, a partir de um escrito do Daniel Oliveira, tece algumas considerações alegadamente dirigidas às gentes cá da casa.
A propósito, lembrei-me disto:
Não há velório nem morto
Nem círios para queimar
Quando isto der pró torto
Não te ponhas a cavar
Quando isto der pró torto
Lembra-te cá do colega
Não tenhas medo da morte
Que daqui ninguém arreda
Se a CAP é filha do facho
E o facho é filho da mãe
O MAP é filho do Portas
Do Barreto e mais alguém
As aranhas anda o rico
Transformado em democrata
As aranhas anda o pobre
Sem saber quem o maltrata
As aranhas te vi hoje
Soldado, na casamata
Militares colonialistas
Entram já na tua casa
Vinho velho vinho novo
Tudo a terra pode dar
Dêem as pipas ao povo
Só ele as sabe guardar
Vem cá abaixo ó Aleixo
Vem partir o fundo ao tacho
Quanto mais lhe vejo o fundo
Mais pluralista o acho
Os barões da vida boa
Vão de manobra em manobra
Visitar as capelinhas
Vender pomada da cobra
A palavra socialismo
Como está hoje mudada
De colarinho a Texas
Sempre muito aperaltada
Sempre muito aperaltada
Fazendo o V da vitória
Para enganar o proleta
Hás-de vir comigo a glória
O Willy Brandt é macaco
O Giscard é macacão
O capital parte o coco
Só não ri a emigração
De caciques e de bufos
Mandei fazer um sacrário
Para por no travesseiro
Dum cura reaccionário
Não sei quem seja de acordo
Como vamos terminar
Vinho velho vinho novo
Viva o Poder Popular




E está muito bem lembrado sim senhor…
“Vem partir o fundo ao tacho
Quanto mais lhe vejo o fundo
Mais pluralista o acho”… essa é que é essa.
Não gosto do poema. Mas a última vez que a li na blogosfera a senhora Irene Pimentel, ela comparava o facto de o BE e o PCP serem contra a política do Sócrates, com a colaboração com a instauração no poder de Hitler, que, com o seu habitual rigor, atribuia aos tipos que primeiro se opuseram a Hitler: ao Partido Comunista Alemão. Provavelmente, terão sido esses que terão assassinado a Rosa de Luxemburgo…enganei-me parece que foi a extrema-direita, que veio dar nos nazis, com o apoio dos social-democratas… isto do rigor hitórico é mesmo muito complicado. Parece mesmo que a Mota-Engil e a resistência francesa são a mesma gente.
Pois é, caro Tiago Mota Saraiva, vejo que um dia destes ainda acabaremos por nos entender: “dêem as pipas ao povo / só ele as pode guardar”. Exactamente, nem mais nem menos. É a exigência de ser o povo a guardar as pipas, organizando-se para o fazer, para que ninguém, grupo ou classe, Estado ou Partido, Vanguarda ou secretário-geral, o “represente” nesse papel. Porque esse papel só poderá ser legitimamente representado pela cidadania, que o “povo” institui como condição de cada um dos seus membros para poder governar “sem deus nem amos”. Será que “a maré se vai levantar”?
Cordias saudações republicanas
msp
o Estado tecno-burocrata actual não trata de cidadania, trata apenas de felicidade relativa de consumidores tendo em vista os interesses das multinacionais. E nesta perspectiva do mainstream corporativo este blogue tem os defeitos todos: são radicais, cultos e de esquerda
E nesta perspectiva, também como de costume o Daniel faz o pleno à direita. Claro que eles não sabem nem sonham como é caricato “discutir” o Estado, numa altura em que ele já foi sobrelevado por diversas instâncias superiores, do poder global, invisiveis para a a maioria da “populaça” e, nestas circunstâncias, a “Justiça” numa altura em que ela foi sequestrada pelo Estado.
Com a sua concordância a sra historiadora mais não faz que contribuir para o controlo das massas oprimidas, condicionadas dentro do Estado, entre outros agentes também pela estupidificação da ilusão de uma cultura de liberdade inexistente.
(comentário também enviado para o Jugular, embora sem grande esperança que obtenha qualquer reacção)
Caro msp, vamos a isso que como se está é que não se pode ficar.
Dois reparos apenas:
- no “como” os partidos são importantes
- o termo “cidadania” parece-me apontar para outros hemisférios, mas também não encontro melhor.
Caro TMS,
tem razão nos dois reparos: os partidos, correntes organizadas, etc. são importantes se não os transformarmos em canais de passagem obrigatória nem em filtros forçados das eleições e votações necessárias (ou muito menos em representantes e detentores históricos da revolução, suas vias e seus agentes). A “cidadania” anda muitas vezes associada ao reformismo mais serôdio – como a “democracia”, de resto, ou o “socialismo democrático”. Mas também não encontro melhor – daí que a adjective como governante e torne os meus textos pesados, insistindo em que quando falo em democracia e cidadania o faço na perspectiva de uma ruptura com a ordem estabelecida pelo Estado e pela organização capitalista da economia, e, a partir de agora, de qualquer coisa como a “subversão contínua” (bom termo de um post do Viana) da dominação hierárquica.
Maré enchente?
msp
inesquecível Zeca
do “A palavra socialismo
Como está hoje mudada”
cheguei a fazer um “tag”
…
das eleições acabadas
do resultado previsto,
saiu que tendes visto
muitas obras embargadas
…