Querido Pai Natal,
Vim por este meio pedir-lhe uma boa meia dúzia de prendas com toda a boa educação do mundo. Fiz a barba (mesmo a que ainda não a tenha), vesti um casaco a rigor (mesmo o que ainda não me sirva) e até limpei as botas (mesmo que ande sempre descalço) para lhe mostrar que vim em paz (mesmo que a minha vida seja vivida em guerra). Como são coisas que não se compram nas lojas sei que podem custar a encontrar mas mesmo assim aposto na sua perspicácia e no seu engenho divino.
Começo por lhe dizer que me portei muito bem durante o ano. Deixei as fraldas e aprendi o destino dos meus dejectos pelo que pode testemunhar, por intermédio de nosso senhor que vê tudo, que não mais fiz xixi nem cocó (mesmo que continue a mijar e o resto) fora do penico.
Este Natal quero que faça com que os senhores do mundo, do poder e do dinheiro, se entendam de uma vez por todas com os senhores do gueto, da impotência e da miséria. Quero que os da paz se entendam com os da guerra. Que os ateus se amiguem com os católicos. Que os dominantes beijem os dominados e os dominados se deleitem no colo dos beijinhos. Quero gostar de carne com peixe e de melancia com picante. Quero o Oliveira e o Vidal a jogar às escondidas lá na escola e a trocarem de novo papelinhos na aula de filosofia, sem andarem à bulha para nada. Quero que o burguês veja a filha linda casada com aquele prole sem dentes lá da fábrica dos curtumes (e que seja ela a mais apaixonada) e quero que o judaico-cristão empedernido daquela vila do Minho veja o filho casado com o Abdul (com netos adoptados e tudo), aquele rapaz porreiro lá da escola, que veio para Portugal fugido da Palestina. Quero que a mãe vá às compras com a amante e que o pai leve o corno a ver a bola aos Domingos.
Peço que um dia destes convenças os ricos a abrir os cofres das suas contas e que abdiquem livremente dos seus privilégios de classe sem recurso à violência. Peço-te que os faças distribuir o que lhes sobra por todas as pessoas e todas as necessidades, e peço que consigas com que eles façam tudo isso com bonomia e sem recorrer a nenhuma forma de prepotência. Imploro-te que o filho do pobre tenha as mesmas possibilidades que o dos gorduchos lá da Quinta de Sintra para que todos tenham as mesmas possibilidades no futuro, no intelecto e na barriga. Se o filho do abastado for ligeiramente menos esperto diga que não se preocupe e fale em seu nome com o filho da Raimunda para que não lhe salte por cima nem para cima de qualquer maneira, qualquer dia. Garanta-lhe que aquilo é gente de palavra. Se o elegerem, como elegeram Salvador, talvez até o leve para a Defesa, como foi o Pinochet e jure, desta vez prometa mesmo, que não chama a cavalaria que da outra vez ele ficou melindrado… Peça aos que têm muitas casas para se livrarem das muitas e se eles o aceitarem calminhos deixe-os ficar com aquela onde trabalham e aquela onde viviam nos tempos da meninice. Mas têm que dar todas as outras que sobram. Diga-lhes que não dói nada… lembre-os que até costumam dar sangue todo santo Agosto, para lá das fartas dúzias de rifas que sempre compram na quermesse da paróquia. Aconselhe-os a vender os títulos do mercado e a comprar mercado vivo. Para que servem de todo o modo papéis de valor duvidoso e variável quando se podem trocar pela farinha dos bolos. Ainda para mais nunca se estraga e eu adoro os bolinhos doces e salgados da avozinha. Aqueles que estão a ir para o espaço convença-os a não irem sem que acabem antes com a fome cá na terra. Prove-lhes que na lua não se encontra humanidade. Já que vai estar com eles diga-lhes que quando os convocam para a guerra não alinhem, duvidem, e acima de tudo, não paguem… que as guerras justas fazem-se sem balas, sem mecenas e a dar sempre, sempre o outro lado da cara. Enfim, convide-os a não lucrem com a vida dos outros e que não exorbitem, não exorbitem, não exorbitem.
Já aos pobres peça-lhes que tenham paciência. Falta-lhes tanta paciência meu querido Pai Natal. Diga que anda a ver se fala com os ricos para que tudo se resolva. Ai… fico mesmo tão triste de saber que eles andam sempre assim zangados. Se estiverem com fome que roam as unhas, se estiverem a agonizar que pensem noutra coisa… Tudo menos aqueles desvarios e ideias criminosas. Se lhes falta saúde, que durmam ou que bebam um chazinho. Se lhe falta a saúde aos filhos lembre-os que os que a doença leva podem sempre fazer outros quantos tantos mais. Se estiverem com medo que a tropa lhes entre pela casa adentro armados até aos dentes convença-os a respirar fundo e a receber bem os pastores da segurança e o rebanho da ordem. Diga para não andarem para ai a dizer que viram algo de estranho e que nunca, mas nunca façam comentários. O melhor mesmo, para evitarem as arrelias com que têm andado, é o Pai Natal ensina-los a estarem calados e quietinhos para que percebam que essa é a melhor maneira de precisar de muito menos comida. O que lhes sobrar em raiva e apoquento cure-o com morfina. Como são boa gente diga para responderem com charme à violência e demonstrem que mesmo os pobres sabem ter nível. Se for palestino, afegão ou do Iraque, se foi vietnamita, boliviano ou das párias nações africanas… que se acalmem e acreditem quando lhes dizem que a sua vida é papa. Os que lhe parecem tiranos na verdade são seus amigos, e inimigos são os que o incitam à revolta. Meta-lhes na cabeça de uma vez por todas que se lhes batem é porque os amam e ensines-lhe que o amor não se desdenha, respiga-se. Se o filho do seu vizinho rico virou patrão dos seus mais espertos não se aflijam… as coisas são como são e os ricos mesmo quando estúpidos são bons samaritanos. Se o salário for mau, que não se queixem, que afinal ainda chega para os baptizados, as consoadas e os velórios. Se o salário não existe que não se incomodem, ainda podem vir a ter jeito para pedintes e mesmo que morram mais cedo ao menos morrerão menos cansados e por certo mais bonitos.
Um grande chi-coração deste teu muy crente revolucionário pacifista




Andas a fumar drogas poderosas e não compartilhas nada com os amigos
«Este Natal quero que faça com que os senhores do mundo, do poder e do dinheiro, se entendam de uma vez por todas com os senhores do gueto, da impotência e da miséria.»
Mas eles já se entenderam: os primeiros, ficam com a riqueza, a boa vida e os poderes. Os segundos com a miséria, a fome, a doença e a morte nas campos de batalha que os primeiros engendram.
Existem, evidentemente, os pobres invejosos – os que atiram réplicas de catedrais à cara dos senhores do mundo. Mas a carneirada miserável já o condenou.
duras meu caro… muito duras. Mas guardo um pouco para quando estivermos juntos. Abç.
Há uma certeza, o Renato Teixeira não é rico, caso o fosse, coitados dos pobres.
Caro Renato Teixeira,
Como já não acredito no Pai Natal, nem no Menino Jesus e ainda muito, muito menos no Menino de Ouro, a quem posso dirigir uma carta de auxílio ainda mais sensata?
Obrigada!
Ironia
Alguém me ajuda?, sempre às ordens…
José Manuel Faria… esta deve ter sido feita a pensar em si: http://www.youtube.com/watch?v=8LuF_ZiUZyo&feature=related
Diogo… nem mais, nem menos.
José Manuel Faria, é das Finanças ou da Santa Casa?
Truz-truz, Caro Renato, dá-me licença de entrar na Tasca?
Ora, Muito Boa Tarde a todos os presentes!
Já que ninguém me auxilia num hipotético endereço, para eu enviar uma carta de súplica angustiadamente sentida, ainda mais sensata do que a sua, caro Renato Teixeira (sem desfazer da deslumbrante missiva, aqui exposta…) escolho dirigir-me a um Santo-Fanático-Machão-e-Pavão-Mor-da-Tasca (Oh, Oh, Oh, Oh…as interjeições são espanto incontido pelo São Carlos, senhores!) que se me revelou – ontem – com um Milagre, deslumbrantemente milagroso (foi um milagre, irradiando sensatez, e isso fascina-me, pelo menos eu nunca me apercebi de milagres sensatos, por exemplo, qual foi a sensatez de Nossa Senhora de Fátima aparecer – três vezes- aos pastorinhos e revelar milagres a conta-gotas…e ainda para mais, decorrido um século, quem os entendeu??? Eu, não!) meus senhores, digno de se testemunhar!!! Então, vamos ao que interessa, a minha Súplica Lancinante!!! Ora, aqui vai:
Ó Meu Querido Inimigo de Estimação, São Carlos Vidal da Tasca,
Prometo que vou ser mais breve do que o teu colega, pois sei que andas com muito que fazer, muito para ler… e ainda mais para escrever… (Não quero que deixes de ir ao Nina, alimentar o intelecto, por causa de uma qualquer reles, desprezível sibila Irónica, como eu…)
Como bem sabes, sou Pacifista convicta (i.e., não tenho a mínima sede de sangue… apesar de já sido considerada Vampira e vituperada, nesta tua humilde casinha… e com insultos que fazem corar as pedrinhas da minha calçada…) e que sou simultaneamente Protestante (tenho sede de mudança radical, farto-me de protestar em Livros Amarelos, em julgados de Paz, com a minha vizinhança, contigo, Ó Vidal, etc e tal…), e por isso mesmo, queria-te implorar que, no caso da Sublevação de Massas, que vejo ser fanaticamente defendida por ti e mais alguns no 5 dias,( resumindo, no caso dum “gigantesque évènement” ) o sangue que corresse desta vez… , não fosse o dos que andam revoltados, dos pés-descalços e de corda ao pescoço, vendo a vida a andar para trás… Pretendia que fosse só, isso sim, o sangue daqueles corruptos, que sugam o país, daqueles que se servem dos dinheiros públicos a grande e à portuguesa e não prestam contas à nação, daqueles banqueiros que se abotoaram com milhões, mas que nada lhes acontece, daqueles que ocupam altos cargos na Justiça, mas que a Suprema Justiça garante que não vê nada, nada, nada… pois obedecem às supremas Pressões políticas, entretendo-se nas TVs a inocentar os suspeitos, passando despachos mandando arder escutas, que alguns consideram suspeitas… ficando cegos para os crimes dos que estão no poleiro, com umas umas leizitas muito convenientes, garantindo-lhes a inimputabilidade, sempre o volume do roubo ultrapassa o do pé descalço e pilha-galinhas… e que quando são obrigados a descobrir algum crime gravíssimo, porque os senhores jornalistas puseram a careca à mostra, dão penas de um mês de suspensão (férias???) ou de 5 mil euros… ou deixam passar o tempo para os crimes prescrevam de acordo com as fantásticas leis, as tais, feitas à medida dos em cerimónias solenes juram servir o país, alegando depois o enorme sacrifício pessoal de o servir… enchendo-se!!! Imploro-te ainda que se tiver de haver sangue seja o dos que quebram o segredo de justiça, pondo-o directamente no regaço dos suspeitos no poleiro, esses mesmos do polvo de interesses, facultando-lhes “cagar “para o segredo de justiça do seu exclusivo Estado de Direito/s, movendo influências e apelidando de infames aos jornalistas, perseguindo-os, insultando-os, mas sofrendo de gravíssimo Alzheimer no que toca aos amiguinhos que os avisaram da investigação que os envolvia directamente… Aí, já nunca ouve ninguém “importante” cagar para o justiça nos jornais, aí é INFÂMIA… Imploro-te que não seja o sangue dos Ruis Teixeiras do país que corra, mas, sim, o daqueles que queriam que o dito Guerra, o gajo do jantar e mais o outro lá mais acima, atasse as ao juiz que estava a investigar… e o mandasse para o fim do mundo, sem direito a promoções laborais…
E se o sangue que eventualmente tiver que correr, for obrigatoriamente o dos revoltados (como é habitual…), com a corda ao pescoço, sem futuro à vista…, suplico que seja o do São Carlos Vidal da Tasca, ou seja, o teu próprio sangue – santificado – a esvair-se, primeiro… Eu explico…
Ó São Carlinhos, Inimigo da minha Devoção, se apesar de tudo o que escrevi atrás… ainda queres ser um herói, um genuíno “Lucky Luke”, um verdadeiro “cowboy “à portuguesa, verifica primeiro que és certeiro nos tiros (comigo falhastes muito, até agora… pratica mais e melhor, pazinho, desculpa o lapso, santinho!!!) e cada disparo mais rápido do que o movimento da tua própria sombra… Imploro-te, acima de tudo, que não recrutes, para a causa, um dos meus jovens rebeldes (um que tenho cá em casa e a quem todos os dias oiço dizer: “O que Portugal precisa é dum novo Che-Guevera!!! Qualquer dia avanço eu!!!”), deixa-me o meu puto de fora, sff… (se ele te ouve, dizer “Mata!”, responde-te logo “Esfola!! e os irmãos… não tarda, seguem-lhe as pisadas…). Ó São Carlinhos tenta entender o meu egoísmo… se for o teu sangue a correr voluntariamente, até acredito que vou ficar muito triste, quiçá irei verter uma ou duas lágrimas sinceras (repara bem, serão diamantes, que vos ofertarei, senhor Santo!…Sou pouco dada a choros…), pela enorme perda, daquele que – a esta data – considero o meu Maior e mais Fiel Inimigo de Estimação… (sem ti, Fiel traidor, que me proporcionas a estabilidade confortável de saber me que agrides com Valentia – sempre – faça sol, ou faça chuva… com quem vou andar à tareia, mano-a-mano???), mas “hades” entender, Caro São Carlitos da Tasca, que prefiro mil vezes que te prontifiques a seres, tu, o Mártir da Pátria, a seres tu a derramar o teu precioso sangue… do que o meu querido e amado rebelde, esteve nove meses na minha barriga, que dei à luz e criei… (entendes?? entenderás??) e que quando me dá tareia ou ironiza comigo, consegue ser muito mais certeiro e delicado do que tu… (o meu rebelde, quando se esmera, consegue magoar-me a séria… e divertir-me à séria… e eu amo-o incondicionalmente… Já tu, São Carlos da Tasquinha, disparas muito, mas acertas-me pouco…, serão os copos de três que te farão tremer as mãos?? (Vê lá não arruines a tua rica saúde!) Ah, mas divertes-me à séria! E isso Agradeço Muito, Acredita!!!) Não me leves a mal, São Carlos, eu prometo que, se me perdoares este Egoísta Amor de Mãe, quando tombares, morto e mártir, levo-te diariamente flores à tumba. (Preferes ser “cromado” ou enterrado??? Caso queiras ser cremado, cinzas ao mar??? Ou queres que as guarde numa caixinha para os teus amigos-de-peito poderem “sniffar” a tua energia guerreira??? Se preferires ser enterrado, preferes as mãos postas em prece ao divino??? Ou queres que te ponha a fazer um manguito à sociedade??? O caixão convencional, em “Y” , ou em cruz??? Depositado na vertical??? Ou na horizontal??? Madeira, ferro, plástico ou gesso…??? Pintado com Robbialac ou com Dyrup???. Escolhe, Meu São Carlinhos da Tasca, os teus últimos desejos, serão auto-impostas ordens, aqui, para a Ironia, pá! (Podes confiar!!!) Quais são as tuas flores favoritas??? (As minhas flores favoritas são os girassóis e as papoilas vermelhas, e as tuas??) Vá, São Carlos da Tasca Divertida, oferece lá o teu peito às balas, primeiro… Eu faço-te um poema à séria, sem ser a metro, como os que tens visto… (Juro!Juro! Juro!) e peço a Natalie Cardone que ta cante, combinado? (Preferes o poema em português, castelhano, francês, italiano, inglês, alemão… Queres que eu aprenda russo para te escrever o poema??? Escolhe bem os teus últimos desejos, Caro Inimigo Santinho Carlos da Tasca… Após a tua morte honrarei os meus compromissos!!!)
Com elevada estima e fé, por ti e em ti… (Não duvidas da minha fé em ti, pois não?)
Oremos irmãos, unidos pelo animado/animoso São Carlos Vidal,
Ámen!
Ironia
Ai essa falta de nacionalismo! Portugal primeiro, sempre!
Caro Renato,

Por que não publicou o link logo?
Ora eu escrevi meia-hora mais tarde e o seu comentário não estava publicado.
Esta tasca não está a prestar auxílio em tempo útil…
(Eu escusava de ter massacrado o Meu Querido Inimigo, São Carlos Vidal da Tasca Divertida. Já estou com pena do meu prezado Santinho(!), massacrei-o tanto com as súplicas de mãe…)
Gostei muito da letra. (Um espanto! Eu não escreveria melhor
)
O pior é resto, a imagem, a música e a voz da Floribella , que fere as três partes do corpo começadas por “z”, a saber: os zolhos os zouvidos e as zunhas (que se encarocolam, como diz o aforismo popular).
Caro Renato, aguentou ouvir “aquilo” (sim, aquela coisa) até ao fim? Se sim, admiro muito o seu estoicismo! (Ou é amblíope, surdo e não tem unhas??
).
Muito Obrigada pelo seu esforço, mesmo que já não tenha chegado em tempo útil…
Sempre Grata,
Ironia
Ironia… sua excelência é um bocado chata… começo a perceber a pouca paciencia que outros bloggers têm consigo. É tudo amor?
José Manuel Faria… Já tirou a bandeira da janela? Olé Grécia, olé!
Caro Renato,
Nunca ninguém até à data me tinha tratado por excelência. Gostei.
Tem razão. Às vezes, sou muito chata. Tem dias e tem causas…
Quanto à sua questão: Não, não é tudo amor. (A resposta chega-lhe?)
Chega.