Desejo satisfeito, no dia – hoje – em que um blogue da “esquerda democrática” me chama de “fascista” e outro de uma direita desprezível (que nunca leio, mas vi que de lá vinha uma referência a um texto meu através do nosso “administrador”), não me podendo chamar “fascista” (eles não des-simpatizam com o termo, de facto) me chama “bárbaro”. Isto por causa do que escrevi em baixo sobre o magnífico post de Renato Teixeira. Vejamos mais de perto. Vou tentar ser pedagogo. Olhemos para este Pollock (detalhe):

Agora, passemos para esta definição de Georges Bataille (autor que admiro e dele necessito e que foi a justificação principal para alguém, num comentário aqui no 5dias, me chamar “proto-fascista”, ainda a propósito de uns pequenos textos sobre o que chamei o meu “ateísmo místico”). Bataille, em Documents, 7 (1929; ed. fac-similada de Jean-Michel Place, Paris, 1991), elabora um “dicionário crítico” onde define magistralmente o conceito de “informe”, que recentemente a crítica Rosalind Krauss (The Optical Unconscious, MIT Press, 1994) trouxe para definir obras como as de Pollock, Fautrier ou Robert Smithson. Assim:
Um dicionário deveria começar no momento em que deixasse de dar o significado das palavras para passar a dar a indicação das suas ocupações. Desse modo, informe não é um adjectivo com um restrito sentido, mas um termo que serve para desclassificar, exigindo genericamente que cada coisa tenha a sua forma. Designa o que em nenhum sentido possui direitos e em todo o lado é esmagado como uma aranha ou um verme. Na verdade, para os homens académicos ficarem contentes seria necessário que o universo tomasse forma. A filosofia toda ela não tem outro objectivo: trata de oferecer ao que existe uma sobrecasaca matemática. Pelo contrário, afirmar que o universo não se parece com nada, e mais não é do que informe, equivale a dizer que o universo é qualquer coisa como uma aranha ou um escarro.
A relação entre Pollock e esta definição batailleana de “informe” é perfeita, pois não se trata aqui de contornar a existência de uma forma, mas de mostrar que uma FORMA, qualquer forma, trabalha, dentro de si, para a sua própria instabilização (e aqui Pollock é perfeito!, e quem não percebe que olhe atentamente). Ora bem, a minha admiração e necessidade de Bataille, ou a minha admiração pela blasfémia em Buñuel, que reconduzi logicamente ao sagrado, levou um comentador a chamar-me proto-fascista, o que eu aceitei desde logo, pois se estar ligado a Bataille (ou Buñuel) é ser proto-fascista, então eu sou-o. Claro, “Daniéu Oliveira”, claro, “cidadão” recto, democrata e exemplar (eleitor bem comportado, pacifista e responsável, etc.). Desse modo, aceitei de bom grado o insulto estúpido e disse mais: sou, sim, sou proto-fascista e comunista. E o “Daniéu” (com sotaque brasileiro não fica mal), pegou nisso e fez um post a propósito da minha compreensão para com a agressão a Berlusconi e o meu elogio ao post do Renato. Por isso digo que me satisfizeram um desejo: ser fascista para o grande defensor do Estado de Direito Daniel Oliveira, e “bárbaro” para a malta que não conheço nem nunca li d’ O Insurgente. Está bem, está certo.
Obrigado malta.




Esta é das tais questões que só interessam aos que nela estão envolvidos. Poderiam trocar os vossos mimos enviando mails uns aos outros sem poluir o ambiente. Todos ficaríamos a ganhar.
Não tem razão nenhuma Carlos Lacerda. Este post é sobre George Bataille e Jackson Pollock.
Maravilhosa a forma como consegue adjectivar um blog que nunca lê.
Não chamei coisa nenhuma. Limitei-me a cita-lo. Fiz apenas um P.S. com a sua frase. Não um post. Ou seja, está a responder a si próprio e bão a mim. Parece-me boa ideia que entre em polémica consigo, já que suspeito que seja o único com paciência para tanto.
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caríssimos
D. Oliveira, pior a emenda do que o original: V. é teimoso.
Se citou como citou, é sinal de que não percebeu nada e continua a não perceber nada.
Carlos G. Pinto, eu escrevi o que escrevi porque visitei o dito blogue, e é de uma pobreza confrangedora: melhora apenas quando se lê a minha longa citação.
” mas de mostrar que uma FORMA, qualquer forma, trabalha, dentro de si, para a sua própria instabilização (e aqui Pollock é perfeito!, e quem não percebe que olhe atentamente).”
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sr professor, assunto fascinante. n me interessa a sua extrapolação política mas a tese acima citada:
- qualquer forma contem um elemento (ou vários) dinâmico?? não me parece. há formas dogmáticas. exemplos???
diga lá, sr professor: como é que a forma trabalha??? conte-nos a história conturbada da forma. (em post, s.f.f)
ezequiel,
Está prometido o post (cap. 5 do phd) de como a forma, o formalismo é a génese e o campo de uma arte que é sempre resultado da autodecomposição da forma; não confundir com o “informalismo” de Michel Tapié, uma coisa dos anos 50 europeus, ligado a Wols, ao catalão Tapiès, etc.; não confundir porque o informalismo pretendia anular a forma, dela prescindir; a partir de Bataille e do “informe”, a forma impõe-se como coisa turbulenta, entrópica, heterológica (Bataille), em perda mas dentro de si, forma.
Dentro de si, isto é, presente.
Abstracto isto? Não é.
Respondo sempre que a arte fascista não concebe a forma desta maneira (não provoque desvios, não pergunte o que é o fascismo ou o totalitarismo nem se a arte realista soviética aqui se inclui que eu digo que não).
Repare nas esculturas de Arno Brecker (o preferido de Hitler). Nada a ver com Pollock, com as descargas de alcatrão em colinas por Robert Smithson, nada a ver com os lixos armazenados por Arman, ou as “Piss Paintings” ou as “Oxidations” de Warhol. O “informe” (proposto por Krauss) são estes e não Brecker. Repare nas esculturas de Brecker (ou, em Portugal, Leopoldo de Almeida).
Resultou?
Sugiro, porque o debate se foi particularizando que se encaminhe a conversa para onde ela foi melhor resumida. Mesmo que não concordem… eu por mim, continuo lá, que não tenho tempo nem vida nem dinheiro para continuar a manter a mesma polémica aberta em meia dúzia de “frentes”: http://5dias.net/2009/12/15/renato-teixeira-e-ou-daniel-oliveira/
Muito obrigado.
Fico a aguardar pelo seu post.
qual é o problema? donde veio o grande Mussolini? não conheces a boa da loura do MSI? Os putos das diversas seitas bárbaras e loucas já lá estão e porque não este? E porque não convidar a raparigota quando ela encaminhou vários e variegados para a assembleia da república? Esquece o informe e o arno mais o All-over e faz-te ao caminho. Começa por reformar e rever, radicalizar-te-às quando lá chegares, tá?
e fiammiferi, tens?
e stuzzicadenti?