Não é psicopata e, se o for, não é primeiro ministro

Depois de mais um dia em que Berlusconi foi noticia, a blogosfera nacional divide-se entre violentos (nós) e pacifistas(Arrastão, Insurgente, etc). Os Pacifistas, largamente maioritários, vão dos que apoiam Berlusconi aos que não consideram que a acção directa possa fazer parte da luta de classes.
Ora naquele caso objectivo, parece-me um erro político que beneficia a imagem pública de Berlusconi, mas consigo perceber o estado de espírito italiano contra o seu governo fascista. Numa das frases, no grupo do Facebook de apoio a Massimo Tartaglia, que em poucas horas reúne já dezenas de milhares de pessoas, escreve-se sobre Massimo: “non è psicolabile e se lo è non è primo ministro“.
Recomeçou a campanha eleitoral em Itália.

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18 respostas a Não é psicopata e, se o for, não é primeiro ministro

  1. Carlos Vidal diz:

    Espantosa a velocidade com que o tal Daniel embandeirou em arco com o facto deste homem (poder) ser psicopata.
    É isso que me interessa. Porquê, líder do “arrastão”??

  2. Tiago Mota Saraiva diz:

    E é espantosa a velocidade com que os dois escrevemos sobre o mesmo assunto!

  3. e é espantosa a velocidade…. Que explica a dimensão do disparate. Isto agora até já é acção directa.

  4. Tiago Mota Saraiva diz:

    Daniel, cito @ “Party Program” do Spectrum, que acabei de ler (http://spectrum.weblog.com.pt/arquivo/2009/12/experiments_in.html):

    “Quem viu de perto a Scuola Diaz ou os últimos dez anos em Itália não pode deixar de sorrir, e quem se choca tem a sua quota parte de culpa da criação desse absoluto desastre que é a esquerda institucional italiana e portanto na criação dessa anomalia que é Silvio Berlusconi.”

  5. Ricardo G. Francisco diz:

    É sempre bom lembrar a todos os Portugueses que a “verdadeira esquerda” continua a acreditar que alguns indivíduos não têm direito à sua integridade física.

    Para esta esquerda, quem não está com eles, é para bater e abater. A sua vida não vale nada. É uma pena a malta do Vosso partido os esconder da opinião pública e só poderem demonstrar a Vossa pureza nestes sítios com pouco impacto.

  6. carlos graça diz:

    Ora se o Duce comanda a Imprensa Italiana, como não haveria esta de se insurgir contra tal acto… Quanto á malta do Arrastão, nunca devem ter sido levados até à última das sua forças, por um patrão fascista, por isso falam por falar, aquela coisa do virtual, coisa e tal…

  7. viana diz:

    Eu até tinha a impressão que o Tiago Mota Saraiva pensava antes de escrever, mas este post demonstra que nem sempre tal acontece.

    A que propósito associa o Arrastão e o Insurgente?! Por acaso tem dificuldade em distinguir a posição pacifista, sinceramente pacifista, já manifestada várias vezes pelo Daniel Oliveira a propósito doutras situações, do oportunismo Insurgente, que de pacifista nada tem?! O Tiago tem algum problema com o pacifismo, para tão ironicamente o eleger a “Pacifismo”? Que tal tentar definir pacifismo e depois criticá-lo, para sabermos se realmente já pensou no assunto ou se escreve com base num fantasma que criou na sua cabeça. Termino esta parte com uma citação de Hermann Goering described: “The people can always be brought to the bidding of the leaders. That is easy. All you have to do is tell them they are being attacked and denounce the pacifists for lack of patriotism and exposing the country to danger. It works the same way in any country.”

    A acção directa não envolve necessariamente violência.

    “(…)o estado de espírito italiano contra o seu governo fascista(…)”

    ?!… O que é que as acções dum indivíduo têm a ver com um putativo “estado de espírito italiano”?! Por acaso o dito cujo agiu mandato por voto popular? Terá sido sob influência telepática de algumas dezenas de milhões de italianos?! E, por mais que discorde de Berlusconi e do estado do sistema sócio-político italiano, adjectivá-lo de Fascismo demonstra que o Tiago Mota Saraiva não tem a mínima ideia do que é o Fascismo, insultando todos aqueles que viveram efectivamente em Itália, em Portugal e infelizmente em muitos outros países sob o jugo de regimes efectivamente fascistas.

    E lá porque o Tartaglia tem uma página de apoio no Facebook com alguns milhares de aderentes (um número ridículo para um país do tamnaho da Itália), isso agora quer dizer que o homem foi abençoado? Justificado?!…

    Deve ser do cansaço, só pode ser, pois nunca tinha lido um post do Tiago Mota Saraiva de tal modo indigente e preguiçoso.

  8. rafael diz:

    Reproduzo mais ou menos na integra a minha opiniao sobre esta questao, à qual dediquei um post. A certo ponto parece estar-se a discutir qual das duas formas é que é legitima para a Esquerda “tomar” o poder ou, colocando de outra forma, como o povo ou as populaçoes conseguem ser a parte mais ouvida, mais atendida, aquela que tem a voz determinante na definiçao dos rumos da sociedade (esta é a minha definiçao de a Esquerda tomar o poder, é o que é).

    As duas teses em confronto, embora também me pareceu ler quem partilhe da minha opiniao, seriam, por um lado, um encarar o pacifismo como acto ultimo e derradeiro, verdadeira superioridade da luta dos Povos e, a outra, seria a da necessidade da violência, cruzando-se aqui com se a porrada que Berlusconi sofreu foi um acto licito moralmente ou nao. Pareceu-me em certa altura que, do lado dos “pacifistas”, se condenava o recurso à luta armada. E pareceu-me ler, nao sei se motivado pela intensidade do momento, a condenaçao da acçao nao-violenta como forma de luta.

    Tanto uma como outra posiçao parecem-me algo tolas. Passo a explicar a minha opiniao. Qualquer luta politica e social tem um objectivo concreto: a conquista do poder, reivindicaçoes laborais, apoio a uma medida governamental, enfim, podem ser a favor ou contra instituiçoes, a forma da relaçao com o Estado para a questao importa pouco, pois tanto o Estado como o Povo sao entitades/ estruturas que através de si ou por si conseguem gerar, potencialmente, violência ou nao-violência.

    A prossecuçao desse objectivo ultimo que pode ser atingido na totalidade o parcialmente deve ser conseguido com o minimo de esforço possivel, sendo aqui um pouco abstracto o conceito de esforço, podendo estarmos a falar de vidas humanas (em lutas pela autedeterminaçao, por exemplo) ou em dias de salário (uma greve) ou ainda retaliaçoes sociais e profissionais (a expulsao de universidades, o ser preso numa manifestaçao). Este balanço tem de ser sempre feito durante um processo de luta, de modo permanente, tanto pelas estruturas dirigentes/ coordenadoras desses processos como pelos “reivindicadores” ou seja o Povo, os Estudantes, os Trabalhadores ou os Benfiquistas, nao interessa particularmente nem a luta concreta, nem quais as aspiraçoes.

    E é nesse equilibrio entre auscultar de forma permanente as pessoas, perceber a real capacidade e empenho das mesmas, perceber que vias podem ser mais onerosas à causa defendida e decidir que rumo tomar que creio que se joga o pacifismo com a luta armada.

    Por exemplo, o pacifismo está a trazer para a ribalta o Sahara Ocidental, proporcionando-lhe uma visibilidade assombrosa, grajeando apoios vários e de todo o mundo [à excepçao da direita e centro português (PS incluido)], enfim tornando a sua luta um pouco mais eficaz, um pouco mais perto do seu objectivo. A Frente Polisario deixou a luta armada há 18 anos. Suponho que o tenham feito crentes que existiam condiçoes objectivas para atingir mais facilmente (com menor perdas, o fácil aqui nao é depreciativo, muito pelo contrário) o seu objectivo. No entanto, esta recusa de usar as armas nao parou que pessoas fossem torturadas, assassinadas, perseguidas, ostracizadas. Todas essas pessoas que durante esses 18 anos sofreram a acçao repressiva de Marrocos, muitas pagando com a vida, será que concordam ou concordariam com essa opçao? E, pelo lado contrário, pessoas que teriam morrido ou ficado mutiladas em combates e enfrentamentos entre o exercito marroquino e a Frente Polisario, teriam concordado com a persistência no caminho da luta armada?

    Este é um exemplo bastante dramático, extremo, onde se joga entra a vida e a morte, mas a lógica de funcionamento, a ordem, o comportamento funcional enquanto estatégia de actuaçao aplica-se a qualquer tipo de luta social e politica. Mais que defender o pacifismo ou a luta armada, eu defendo a luta social e politica organizada, unitária, se quiserem dirigida. Uma direcçao que tem de ser fundada nos seus “dirigidos”, que tem força a partir da sua razao de ser, da sua existencia e nao por externalidades mediáticas, amplificadores financeiros e de interesses, por compadrios de vontades.

    Uma direcçao que tem a capacidade de encontrar esse equilibrio que falava acima – entre auscultaçao, ponderaçao e decisao – desde que tenha sempre um forte controlo democrático (mas mesmo democrático, de falar e ser ouvido) terá sempre a sua moralidade como superior, seja a via armada, seja a via pacifica a eleiçao, porque fá-lo consciente da precariedade do seu poder, do seu papel claramente instrumental, da sua insignificância quando comparado com a vontade Popular. A luta social e politica é mais forte, quanto mais forte for a sua Direcçao. A Direcçao terá a força porpocional à democracia verdadeira e efectiva (livre de externalidades) do seu processo. Se nao a luta esvazia-se como um balao sem ar…

  9. Renato Teixeira diz:

    Sugiro, porque o debate se foi particularizando que se encaminhe a conversa para onde ela foi melhor resumida. Mesmo que não concordem… eu por mim, continuo lá, que não tenho tempo nem vida nem dinheiro para continuar a manter a mesma polémica aberta em meia dúzia de “frentes”: http://5dias.net/2009/12/15/renato-teixeira-e-ou-daniel-oliveira/

  10. Tiago Mota Saraiva diz:

    Então vamos lá concentrar o debate/discussão no post do Zé Neves a que o Renato faz referência.

  11. ramón mercader diz:

    tiago, caga nas eleições. é por isso que a esquerda italiana se afundou. sempre a pensar em eleições, eleições, eleições. é preciso pensar na reconstrução de um partido comunista (revolucionário e não oportunista) para que milhões possam fazer aquilo que o massimo tartaglia mas com uma perspectiva insurgente e de classe.

    viana, pacifismo é para hippies ou oportunistas que usam o reformismo para justificar a manutenção do actual estado de coisas. por isso, volta para a caverna donde saíste.

  12. Tiago Mota Saraiva diz:

    Ricardo G. Francisco, leia o texto.

  13. Tiago Mota Saraiva diz:

    viana, por mais que escreva que eu disse o que não disse, reproduzo o comentário que deixei no outro post:

    “… o que sucedeu é um erro político que trará, certamente, consequências nefastas no debate das soluções políticas, campo onde Berlusconi não gosta de se mover.
    Contudo não posso deixar de dizer que compreendo, tal como compreenderia se Fini ou Berlusconi fossem agredidos quando visitam os seus “campos de refugiados” ou as suas prisões.”

  14. Tiago Mota Saraiva diz:

    Excelente comentário Rafael!

  15. Ricardo G. Francisco diz:

    Tiago Mota Saraiva,

    Eu li.
    Apoia a “luta directa”. Entende que este evento se enquadra na “luta directa”. Preve que este evento não ajude na “luta democrática” (eleições).

    Leu o que eu escrevi? Tenho pena que o povo que vota em PC e BE não saiba (porque muitos não sabem os meios a que se propõe os “democratas da verdadeira esquerda”) o que não é dito mas é pensado. Que quem está do outro lado, humano ou cão, é para bater e abater…na prática a tal “luta directa”.

    O Campo Pequeno devia estar cheio é de pessoas em vez de touros não é verdade?

  16. Tiago Mota Saraiva diz:

    Ricardo G. Francisco, para saber se apoio ou não a “luta directa”, preciso de perceber o que será. Pode explicar.

    Há questão de dois meses estive no Campo Pequeno e aquilo estava cheio de pessoas, mas não fiquei satisfeito.

  17. Ricardo G. Francisco diz:

    Tiago Mota Saraiva,

    Acção directa…acção directa. Falhou a palavra, desculpe.

    Talvez me queira explicar se na “acção directa” não inclui a utilização da força física, naturalmente, contra “quem merece”.

  18. rafael diz:

    obrigado, Tiago 😉

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