Decretos imperiais

Quando, após um curto interregno de alguns séculos, foi restabelecido o Império e o gosto foi restaurado na plenitude dos seus direitos e prerrogativas, a torpe lírica sentimental foi de pronto substituída por uma jovem e audaciosa prosa, que trouxe um vigor novo às coisas do amor.

Sucessivos decretos imperiais fixaram o índex das palavras agora proibidas e as penas que cominavam o seu uso. O emprego de “fofo(a)” entre lençóis, por exemplo, implicava o banimento de quem tal ousasse para a mais bárbara província do Império, no extremo ocidental da Hispânia, e “fofinho(a)” justificava mesmo a convocação de um tribunal de excepção, conhecido pela severidade dos seus julgamentos.

O rigor da nova ordem amorosa deixou alguns preocupados. O Imperador, porém, não se deteve: – Contra mim falo – lembrou ele aos seus cortesãos – pois, por um uso impróprio da palavra “carinho”, já o Império perdeu uma Imperatriz. E ainda: – Recordai-vos que há em Delfos um novo oráculo que reza assim: “Thou shalt call a spade a spade”.

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SEXTA | António Figueira
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9 Responses to Decretos imperiais

  1. “carinhozinho” dá direito à forca, não? 🙂 E uma espada é uma espada: mortal por definição.
    Abraço

  2. António Figueira diz:

    Caríssimo João,
    Muito bom ler-te como comentador; como “postador” continuo V. fiel leitor.
    Abraço, AF

  3. xatoo diz:

    fôfo, em assuntos de cama um coglione é um coglione e, estás a ovidio? é arrepiante em tal situação pensar em espadas

  4. António Figueira diz:

    fôfo, uma espada is a sword, a spade é uma pá.

  5. jpt diz:

    bom texto, mas continuo a preferir o do kafka.

  6. ezequiel diz:

    “fofinho” LOL LOL

    tás bem disposto, António.

    porra, que desastre, o Sptg.

    já nem sei o que dizer. começo a pensar q aquele grupo de paquidermes tresloucados está a precisar de um forte dose de autoritarismo (benevolente, claro), assim tipo Ferguson. Precisam de levar com botas na tola (assim à Beckham) q falta de genica. que coisa de constrangedora. e, depois, ainda tenho que assistir ao júbilo daquela cambada de carroceiros que dão pelo nome de benfiquistas. galinhas da treta. sorry: vi o jogo rodeado por galinhas. n pararam de cacarejar. celebram as derrotas dos outros. são vis e mesquinhos e, pior do que tudo, mal cheirosos. LOL LOL 🙂

  7. António Figueira diz:

    Não me fales, pá, eu fui a Alvalade (a defesa macia, macia… Deve ser efeito de dormirem com o Sá Pinto, como conta o Record… e as substituições, desastrosas, como contra o Benfica: para que raio saiu o Matias, ou entrou o Postiga? Quanto à malta do clube do frango, já se sabe, o benfiquismo é uma doença do espírito…) Abraços, AF

  8. ezequiel diz:

    Caro António,

    como sei que gostas de poesia, deixo-te aqui esta ref.

    O livro chama-se Um Circo no Nevoeiro, de Renata Correia Botelho.
    (Averno)

    espero que gostes, se decidires dar uma olhadela.

    abraço,

    PS: António, eles, jogadores, estão a precisar de porrada. ponha-lhes a meio campo, a correr com a bola e a passá-la ao primeiro toque (quem der mais do que um toque, leva porrada!! LOL LOL) Há que inculcar o esprit de corps nestes rapazes!! Tem q abdicar dos seus eus inflacionados. Ponham um Drill Sargent das SAS a treiná-los. LOL

  9. ezequiel diz:

    Mas, é vero, o treinador errou. que porra!!

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