O dia em que eu acordei mais novo, gay e morto a tiro

Eu já tinha morrido uma vez, quando um francês salafrário me partiu os dentes à coronhada, deu-me um tiro pelas costas, à queima, e enfiou-me esvaído em sangue debaixo da cama dele, para morrer de morte lenta. Depois, à custa de muito exercício espiritual, melhorei e voltei à vida; esqueci o perigoso mundo dos supermercados e dediquei-me aos blogs, e logo a coisa torna a acontecer: em Outubro, foi um brasileiro tresloucado que acabou comigo em Caparicuíba, estava eu na flor da idade e gostava de meninos, à noite, no parque da cidade. Vocês brincam, mas eu levo isto muito a sério: vão ver que, um dia, ainda morro de vez.

About António Figueira

SEXTA | António Figueira
Este artigo foi publicado em cinco dias. Bookmark o permalink.

6 Responses to O dia em que eu acordei mais novo, gay e morto a tiro

  1. yussuf says:

    Não é fácil ser-se António Figueira… se passares a usar o segundo nome próprio e o penúltimo apelido, mudarás alguma coisa no tenebroso (e trágico) destino que o teu nome, evidentemente, acarreta?

  2. JMG says:

    E o seu advogado francês tem também problemas, embora não tão graves.

  3. João Santos says:

    é preciso cheirar muita branca para se construir uma posta destas…

  4. António Figueira says:

    Yussuf,
    Perigoso, perigoso, é o primeiro nome próprio e o penúltimo apelido…

  5. Gayy?s mortos a tiro?! Isso vai ser numa nova fase da violência doméstica.

  6. Pingback: cinco dias » Ainda a notícia da minha morte

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

*

Pode usar estas tags HTML e atributos: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>