
O recente referendo realizado na Suíça que proíbe a construção de minaretes é um convite à exclusão e à ira dos muçulmanos. Trata-se da mais significativa vitória da extrema-direita desde a chegada do Hitler ao poder e é um verdadeiro acto de fascismo militante no coração da dita “democracia” europeia.
Se fosse a Palestina, o Irão, o Iraque, o Afeganistão ou qualquer outro país árabe a proibir a construção de igrejas católicas, apostólicas ou romanas, todos acusariam tal feito de ser o mais insano e fundamentalista acto de terror e intolerância fanática que justificaria toda e e qualquer guerra santa.
O terror não está no ressoar dos minaretes suíços mas sim nas bombas continuam a matar de Gaza a Islamabad, de Cabul a Bagdad.
Um crime e uma vergonha!




Mais um fanático com a mania de chamar fanáticos aos outros. Trata-te pá.
Belo post. O polémica encetada pelo referendo Suíço parece já ter contagiado o debate político em França e exacerbado a polémica em torno da identidade (iniciada nas últimas eleições nacionais por Le Pen e Sarkozy).
se me permitem a petulância de citar um post acerca da identidade que publiquei aqui no 5:
http://5dias.net/2008/10/04/le-pen-e-a-questao-da-identidade/
Se juntarmos à obsessão de Le Pen e Sarkozy (últimas eleições) com a questão da identidade nacional o efeito de contágio do referendo Suíço (q confere respeitabilidade democrática a uma posição intrinsecamente anti-democrática) podemos constatar que estamos perante um prob deveras explosivo. (a radicalização política de TODA uma comunidade minoritária e a dificuldade crescente de identificar os verdadeiros fundamentalistas) Uma verdadeira caixa de pandora!!
O referendo suíço poderá ser o primeiro passo na explicitação de um fenómeno político insidioso que é sentido em quase todos países europeus com minorias islâmicas.
efeito contágio:
http://www.france24.com/en/20091208-sarkozy-france-swiss-minaret-vote-fears-loss-national-identity-debate-islam
http://www.france24.com/en/20091208-british-press-sarkozy-quest-define-french-national-identity
http://www.lemonde.fr/politique/article/2009/10/26/l-identite-nationale-theme-recurrent-de-nicolas-sarkozy_1259095_823448.html
http://www.isim.nl/files/paper_Parekh.pdf
Tratarei… se me arranjar um salvo conduto na clinica dos suíços.
Tem muita razão no seu post. Mas, se não me engano, nos países muçulmanos não existe, ou então é muita limitada, a liberdade religiosa, nomeadamente para a construção de igrejas. E então quanto ao proselitismo cristão, nem se fala – ai do muçulmano que queira tornar-se cristão…
A questão é muito complicada – se na Europa temos o receio a aversão ao que é estranho (e o Islão ocupa hoje esse lugar pela sua abissal diferença dos modos de vida europeus), nos países muçulmanos a situação é bem pior – isso não terá também ajudado no referendo suíço?
Creio que a proibição da construção de minaretes não é defensável. Mas creio que há, não apenas nos fundamentalistas do costume, mas no próprio islão “não-reformado” qualquer coisa de “intrinsecamente não-democrático”, e também que é uma grande vitória póstuma de Hitler a negação oficial, imposta como verdade de regime, dos campos de extermínio nazis por parte de governantes muçulmanos e a re-demonização dos judeus empreendida a pretexto da política adoptada pelo Estado de Israel (objectivamente promotora, sem dúvida, do anti-semitismo).
Dar na touca do islão enquanto religião política, cujo triunfo representaria a supressão das liberdades e garantias democráticas e laicas que hoje limitam o poder das oligarquias dominantes na parte do mundo onde vivemos, está bem, e é necessário. Do mesmo modo que dar na touca ou nas tiaras dos protagonistas constantinianos cristãos, que pretendem subordinar o âmbito das liberdades políticas e culturais à verdade de uma igreja e à sua interpretação da “Palavra de Deus”. A defesa das liberdades democráticas e a sua extensão e aprofundamento têm por corolário o combate sem tréguas contra qualquer religião que não se tenha reformado o suficiente para abdicar das suas ambições de conquista do poder político. E isso faz com que a luta contra as religiões que sacralizam ou pretendem sacralizar o poder político continue tão actual como sempre. Acresce que é falso que sob regimes islâmicos – em que o islão é religião de Estado – haja uma liberdade de culto que se possa comparar com a que o imbecil referendo em apreço deixou subsistir na Suíça. É falso que seja possível a um grupo de potenciais cidadãos e efectivos súbditos dos regimes islâmicos fundar, por exemplo, uma associação para a promoção do ateísmo. É falso – infelizmente – que os países da CE se escandalizem com isso ou organizem, como deviam, campanhas de boicote, etc. contra os abusos dos poderes religiosos islâmicos: pelo contrário, sempre que as suas autoridades protestam por causa de umas caricaturas do Profeta publicadas no “Ocidente”, este tende a contemporizar, a compreender, a lamentar o sucedido… A sobrevivência e desenvolvimento das ideias de autonomia e de democratização do poder político exigem a salvaguarda desse traço cultural ou civilizacional distintivo que é o reconhecimento do carácter histórico e social, de “criação humana” dessacralizadora, da actividade política e das instituições da cidade e a existência de um espaço público laico e “ateu” (onde os crentes podem intervir, na sua qualidade de cidadãos, mas onde a revelação ou fé religiosa não podem ditar regras ou fornecer razões). Por muito que isso pese àqueles que se deixam embriagar pelas águas mornas de certo “multiculturalismo” politicamente correcto, há aqui a travar uma luta de morte. Mas, até mesmo no quadro de uma luta de morte, ou sobretudo nesses campos de batalha, é necessário que o campo da liberdade política não se deixe contaminar pelos métodos e processos dos seus adversários. E, abreviando razões, é por isso que devemos apoiar e defender o exercício de qualquer caricatura ou sátira literária que abale ou fira as crenças “teocráticas”, mas denunciar iniciativas como o referendo suíço.
msp
Não temos que escolher entre Deus e o Diabo. O que é mau é mau mesmo que haja algo pior.
Caro Renato Teixeira, perfeitamente de acordo. O referendo suíço é um caso de corrupção more teocratico, ou à maneira dos teocratas, de um mecanismo já de si problemático. Isto só para que não haja dúvidas quanto à minha posição. Assim, estou pronto a combater em defesa do direito dos cristãos a terem lugares de culto – cuja implantação, número e utilização sejam regulamentados por leis gerais -, e ao mesmo tempo a combater pelo direito do humorista austríaco que a hierarquia da ICAR do mesmo país quer processar pela sua intervenção na guerra dos crucifixos.
Saudações libertárias
msp
De acordo no substancial. Quanto a fazer grandes defesas de locais de culto (das igrejas às mesquitas aos centros comerciais) já serei mais temeroso. Mas que quem reza as faça… tudo bem.
Sim, que quem reza as faça, mas respeitando critérios de ordenamento, etc. Era o que eu queria dizer. O poder político não deve financiar as actividades religiosas, e estas não devem ter privilégios em matéria de licenças de construção.