A fome é a fome e um facto é um facto!

 

No debate entre sistemas surge sempre em defesa do capitalismo dominante o facto de ”ao menos estar a acabar com a fome”. Para os seus adeptos isso justificaria toda e qualquer outra contradição, injustiça ou desigualdade.
A insuspeita FAO é a primeira a confirmar o perturbante facto num relatório datado de Outubro: mais de 1 bilhão de pessoas passa fome no mundo, o que significa um aumento de 9% em relação ao ano passado, atingindo o nível mais elevando desde 1970″.

Apesar do aumento da capacidade produtiva da humanidade, para níveis inauditos na história, o número de pessoas a sofrer de subalimentação não pára de aumentar.
A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e o Programa Mundial de Alimentos (PAM) publicaram um relatório sobre a fome no mundo. As suas conclusões são devastadores e segundo os especialistas fica provado que a última crise económica internacional teve um efeito ainda mais negativo na alimentação de uma parte significativa da população, do que havia tido na maioria das praças financeiras do planeta.
A fome não pára de aumentar desde 1995.
Se desde o fim da segunda guerra mundial até 1995 o número de sub-nutridos fui diminuindo paulatinamente, o aumento nos quinze anos seguintes foi manifestamente mais significativo, elevando o número de pessoas com carências alimentares para valores próximos de anos negros como os anos subsequentes às duas guerras mundiais e mesmo à crise de 1929.
Segundo a FAO, mais de 1 bilhão de pessoas passa fome no mundo, o que significa um aumento de 9% em relação ao ano passado, atingindo o nível mais elevando desde 1970.
Estes dados estão contidos no relatório da FAO e do PAM intitulado “A situação da insegurança alimentar” publicado, de forma pertinente, a poucos dias da celebração do Dia Mundial da Alimentação que se celebrou no passado dia 16 de Outubro.
Segundo o mesmo relatório, a maioria das pessoas que passa fome encontra-se nos países subdesenvolvidos ou mesmo nos países em vias de desenvolvimento. Os números deixam clara a dimensão da catástrofe alimentar: na Ásia e no Pacífico são cerca de 642 milhões; na África subsaariana são 265 milhões; na América Latina e Caribe 53 milhões; no Oriente Médio e na África do Norte 42 milhões e nos países desenvolvidos o registo apesar de menor é ainda de 15 milhões de pessoas.
A organização é de resto muito violenta os responsáveis pelos diferentes governos internacionais e as palavras do seu director, Jacques Diouf não deixam margem para dúvidas: “Os líderes mundiais reagiram com determinação contra a crise económica e financeira e foram capazes de mobilizar bilhões de dólares num breve espaço de tempo. A mesma determinação é necessária agora para combater a fome e a pobreza. O aumento do número de pessoas que passam fome é intolerável. Temos meios técnicos e económicos para acabar com a fome no mundo, mas falta uma maior vontade política a fim de exterminar a fome para sempre”, afirmou.
Jacques Diouf para demonstrar a diferença de critérios da atribuição de verbas faz um paralelo com o que se gasta na indústria militar: “A cada ano, os apoios para a agricultura dos países da OCDE [Organização para Cooperação e Desenvolvimento Económico] atinge os 564 mil milhões de dólares e as despesas de armamento os 1.340 mil milhões”.
Jacques Diouf sugere a aposta no sector alimentar: “No combate contra a fome, o foco deveria recair sobre o aumento da produção de alimentos. É do senso comum que a agricultura deveria ser a prioridade, mas aconteceu o oposto”.
Apesar dos sucessivos alertas da organização o investimento na agricultura tem diminuído ano após ano. No início dos anos 80, os países doadores reservavam 17% da ajuda para o sector da agricultura. Em 2006 esse montante regredia para 3,8%. Para fazer chegar alimentos a uma população projectada de 9,1 mil milhões de pessoas em todo o Mundo, dentro de quatro décadas, Jacques Diouf alerta que “a produção terá de crescer 70 por cento, segundo as estimativas da FAO e os países mais pobres terão de receber 44 mil milhões de dólares em apoios anuais à agricultura, contra os actuais 7,9 mil milhões”, concluiu o alto responsável da organização que combate a fome no mundo.

Este artigo foi publicado em cinco dias. Bookmark o permalink.

19 Responses to A fome é a fome e um facto é um facto!

  1. Renato Teixeira says:

    E o mais dramático é que estes são os números oficiais.

  2. Também é um facto que os Abutres são insaciáveis says:
  3. tarekaziz says:

    Enfim uma vitória para o capitalismo

  4. Mexilhão says:

    Na sua ânsia de atacar o capitalismo como modo de produção – o mais produtivo que a história da humanidade já conheceu e o que proporcionou a maior número de pessoas condições de vida com um mínimo de dignidade – o autor assaca-lhe responsabilidades que cabem a estados e aos seus governos.
    Gostaria de perguntar-lhe que outro modo de produção proporcionou às pessoas submetidas às suas relações de produção melhores condições de existência que o modo de produção capitalista proporciona às submetidas à sua relação de produção – o contrato de trabalho assalariado.
    É que isto de assacar os males da humanidade ao modo de produção capitalista não tem pés nem cabeça. Bastaria pensar que nunca este nosso mundo teve tantos habitantes, e que até isso foi possível pela melhoria das condições de existência que o capitalismo, directa e indirectamente, tem proporcionado, para que esse foi um seu mérito inegável.
    Depreende-se, nas entrelinhas, que para o autor haverá alternativas a este tão malvado modo de produção. O comunismo, talvez. Neste caso, caberia perguntar: comunismo é um novo modo de produção ou um outro regime político de administração do mesmo modo de produção capitalista? Que se saiba, nos regimes políticos comunistas os trabalhadores estavam sujeitos a contrato de trabalho assalariado, tal como nos regimes políticos de democracia parlamentar. E não consta que os regimes políticos comunistas tenham obtido melhores resultados do que a generalidade dos regimes de democracia parlamentar. Por qualquer razão, os regimes comunistas foram todos à falência e os povos a eles submetidos não mexeram uma palha para os manter. Serão tais povos todos uns masoquistas?

  5. Pedro Esteves says:

    Mexilhão: “Bastaria pensar que nunca este nosso mundo teve tantos habitantes, e que até isso foi possível pela melhoria das condições de existência que o capitalismo, directa e indirectamente, tem proporcionado”

    este argumento arruma de uma assentada com o texto de Renato Teixeira

  6. Renato Teixeira says:

    Pedro Esteves e Mexilhão, quando vibram ao dizer que “bastaria pensar que nunca este nosso mundo teve tantos habitantes, e que até isso foi possível pela melhoria das condições de existência que o capitalismo, directa e indirectamente, tem proporcionado”, confundem ciência com capitalismo, que é como quem diz confundem esperança média de vida com a segregação e exclusão crescente da maioria, que era o tema do post.
    Por certo concordarão que é possível maior esperança de vida e simultaneamente aumento da fome. Como terão lido no post é a capitalista FAO a dizer que “mais de 1 bilhão de pessoas passa fome no mundo, o que significa um aumento de 9% em relação ao ano passado, atingindo o nível mais elevando desde 1970”.
    Pode ler-se um texto muito interessante sobre o que esconde a boa samaritana FAO aqui: http://www.revistarubra.org/?page_id=54 e sobre a geopolítica da fome aqui: http://www.revistarubra.org/?page_id=58 .
    Os avanços desta ou daquela esfera produtiva devem-se à humanidade e não aos seus sistemas de turno. Em plena guerra-fria de resto, ambas as potências em confronto disputavam terreno no campo científico, mas não tinham qualquer prurido em usar os avanços científicos uma da outra.
    Ora o problema da bomba atómica, por exemplo, (como a máquina a vapor ou a penicilina entre as muitas descobertas que permitiram o alargamento da esperança de vida), tem que ver com o seu uso e não com a alcofa que lhe serviu de berçário. Marx foi o primeiro a reconhecer que a era industrial garantiu as possibilidades materiais de saciar o reino das necessidades do homem. O que o capitalismo fez, bem como a burocracia estalinista foi segregar a maioria trabalhadora dos avanços produzidos, deixando a minoria especuladora ou aparelhista com o prato cheio de tudo.

  7. Mexilhão says:

    Renato Teixeira.
    Lamento desiludi-lo. Por minha parte, não confundo ciência com capitalismo, porque, simplesmente, a ciência e a tecnologia que existem são a ciência e a tecnologia do capitalismo. É que não existe outro modo de produção que permita a existência de outra ciência e de outra tecnologia. Sem a disponibilização duma parte do produto social, proveniente do modo de produção capitalista, não teríamos a ciência e a tecnologia existente. E convém não esquecer que a parte dela produzida em instituições públicas é financiada pela parte desse mesmo produto subtraído pelos estados como impostos.
    Você é que parece fazer muitas confusões ao pensar que a ciência e a tecnologia são coisas com existência autónoma do modo de produção dominante. Aliás, a sua tirada de que os “avanços desta ou daquela esfera produtiva devem-se à humanidade e não aos seus sistemas de turno” demonstra precisamente o seu lirismo, para não dizer o seu delírio. É claro que quem faz a parte do que usamos para além do que a natureza nos fornece é a humanidade (haveria de ser quem?). Mas como estas coisas se fazem com tempo para pensar nelas, nos problemas e na sua superação, e para realizá-las, e nesse tempo dedicado a tais actividades os seus actores têm de viver e de usar os mais variados meios, a humanidade cria a sua ciência e a sua tecnologia precisamente pela disponibilidade de recursos que o modo de produção dominante permite, e fá-lo para o servir.
    Não ponho em causa, sequer, a existência de 1000 milhões de famintos no conjunto dos 6000 milhões de seres humanos existentes. A confirmar-se, é mau, de facto. Noutras épocas, porém, o número de famintos foi eventualmente igual ou superior aos menos de 20% actuais; se não o foi, certamente isso ficou-se a dever à baixa taxa dos sobrevivos, porque grande parte dos potenciais famintos não chegava sequer à idade adulta para ser contabilizada, morrendo, pelas causas mais diversas, na primeira infância. Mas a que relação de produção estão sujeitos esses 1000 milhões de pessoas? À relação de produção capitalista, o contrato de trabalho assalariado? Sinceramente, não o creio, porque a realidade o desmente claramente. Ainda que o modo de produção capitalista esteja a produzir nalgumas formações económico-sociais um número crescente de trabalhadores pobres (não de famintos, o que tem a sua diferença), o que constitui uma regressão em relação ao que acontecia até há uns poucos anos e é um problema do capitalismo actualmente existente, que os seus ideólogos e dirigentes terão de resolver se não quiserem conhecer males maiores do que a actual crise económica e financeira, no conjunto das formações económico-sociais existentes o modo de produção capitalista atravessa ainda uma fase de expansão, trazendo para a sua relação de produção cada vez maior número de novos trabalhadores assalariados, que antes eram produtores artesanais independentes (arruinados por múltiplas razões, uma delas a falta de competitividade por baixa produtividade) ou produtores de subsistência que se fartaram das condições miseráveis em que existiam, para não falar da integração em regimes de capitalismo privado concorrencial dos 2000 milhões que se fartaram da pobreza franciscana que o comunismo lhes proporcionava. É de facto muita gente, e isso constitui um mérito do capitalismo privado concorrencial.
    Basta ver onde existem os famintos e qual a relação de produção dominante nessas formações económico-sociais para se constatar que a causa das suas precárias condições de existência e da fome com que se defrontam não residem na submissão à relação de produção capitalista, mas precisamente na sua ausência ou na insipiência do desenvolvimento e expansão dessa relação de produção. Tomara a muita dessa gente poder vender o seu trabalho e submeter-se ao regime despótico da fábrica ou do escritório do trabalho assalariado. Acontece que uma parte dessa gente não quer submeter-se a condições de disciplina exigentes, porque envolta ainda em tradições económicas, sociais e culturais arcaicas, e outra parte não pode submeter-se a elas, porque o estádio de desenvolvimento do capitalismo nessas formações económico-sociais não tem capacidade para integrá-las. E as condições de existência dessa gente não são piores, levando-a a morrer de fome e à extinção, precisamente pelas ajudas de organizações como a FAO e outras, que lhes fornecem as sobras das sociedades desenvolvidas e assim lhes permitem irem existindo, mesmo que em tão dramáticas condições.
    A diferença no desenvolvimento económico-social ou o desenvolvimento desigual, esse é que me parece constituir um problema da humanidade. Julgo que nem tão pouco constitui um problema novo ou do modo de produção capitalista, mas de todos os tempos e de todos os modo de produção, já que a emergência de um modo de produção progressivo, pela sua dinâmica de desenvolvimento, conduz inevitavelmente a esse resultado, porque é essa a forma de se expandir e de se desenvolver. Tanto é assim que em todos os tempos houve “civilizações” contemporâneas com diferente grau de desenvolvimento económico-social, uma das razões que conduziram à construção de impérios político-administrativos. Mas, como se tem visto ultimamente, e o caso da China é um exemplo paradigmático, o desenvolvimento desigual pode ser muito atenuado. Precisamente, pela opção pelo capitalismo privado concorrencial. É que com todos os males que acarreta, não existiu, em qualquer época, outro modo de produção mais produtivo e mais progressista.
    O que nos choca é o contraste entre a nossa existência em condições de vida minimamente satisfatórias e a existência de outros em condições de vida tão precárias e degradantes. Apesar da separação e do desconhecimento mútuo entre as diversas sociedades, antes do desenvolvimento do capitalismo esse contraste era bem menor; não porque os famintos não o fossem, mas porque os outros viviam em condições não tão diferentes quanto a diferença que se verifica hoje. O problema, portanto, não resulta da existência do modo de produção capitalista, mas da sua não existência ou do seu fraco desenvolvimento nas sociedades onde existem os famintos.
    É claro que o próprio modo de produção capitalista não será eterno e acabará por esgotar as suas potencialidades de desenvolvimento. Nada é eterno e o trabalho assalariado em que ele se baseia também não será. Um dos sintomas da decadência do modo de produção capitalista será, eventualmente, a disponibilização permanente de cada vez maior número dos trabalhadores que emprega. O que não é o que acontece ainda actualmente, em que o número de trabalhadores assalariados não tem parado de crescer. Mas quando, nas formações económico-sociais desenvolvidas, o desemprego permanente crescer e cada vez maior número de pessoas se vir confrontada com condições de existência difíceis ou até com a fome, elas terão de encontrar outras formas de se relacionarem para produzirem e para assegurarem melhores condições de existência.
    O contexto económico-social em que então existirem permitir-lhes-á encontrarem saídas relacionais para viverem condignamente e para alcançarem os níveis de vida que já conheceram, ao contrário do contexto em que existem os actuais famintos, os quais nunca conheceram condições de vida muito diferentes. Então, outros tipos de relações de produção emergirão, convivendo durante o seu desenvolvimento e expansão com o modo de produção capitalista, e até confundindo-se com ele nalguns valores por algum tempo, mas distinto e mais progressivo em todos os campos do relacionamento social e na organização política. É que isto, com mais ou menos aquecimento global e poluição industrial, não pára, ao contrário do que você parece pensar. O mal das nossas ansiedades presentes é que o futuro é mesmo muito tempo, mais do que o tempo das nossas vidas.
    E, já agora: deixe lá o Marx descansado. Ele produziu uma narrativa interessante sobre o modo de produção capitalista, importante no seu tempo, porque constituía uma resposta aos naturais anseios dos explorados e dava forma à sua esperança. O seu projecto político de um capitalismo de estado monopolista, vulgo comunismo, só teve possibilidades de existir em países atrasados, precisamente onde o desenvolvimento do capitalismo estava bloqueado, e não nos países de capitalismo privado concorrencial desenvolvido e como seu sucessor, contrariando a sua profecia, e já se viu o que tinha a dar: sociedades totalitárias de pobreza franciscana. E a sua crítica da economia-política do capitalismo e o seu esboço de teoria da revolução social estão no essencial erradas. É desnecessário persistir nos erros do Marx; e é ridículo gente jovem estar a seguir o conselho de gente velha para um retorno às ideias do Marx. Você e muitos dos seus camaradas são jovens, têm ainda muito futuro pela frente; comecem mas é a fazer o que é devido, a pensar pelas vossas cabeças. Chegarão a muito melhores resultados, mesmo que não sejam geniais, porque serão fruto do vosso pensamento e não do pensamento alheio, velho de cento e muitos anos.

  8. alcachofra, vá says:

    Este mexilhão deu-me a volta ao estômago. Demasiado paleio.
    Porque é que alguém que tem uma ideologia pró-comunista pensa menos pela sua cabeça do que alguém pró-capitalista? Demasiada arrogância. Parece-me que no sistema capitalista em que nos encontramos, difícil é abstrairmo-nos da lavagem cerebral que ele nos impõe todos os dias. Nas ruas. Na televisão. Nas universidades.
    Quanto à fome, continuo sem perceber como é que um sistema com tantas qualidades e tantos avanços, vem desde 1995 a deixar pessoas à fome? Demasiada ganância.
    É duro pensar que o mundo que temos também é fruto de pessoas que pensam como o senhor mexilhão. Tenho fome de um outro mundo.

  9. alcachofra, vá says:

    correcção: “vem desde 1995 aumentando o número de pessoas famintas(milhões, por sinal)?”

  10. Pedro Esteves says:

    alcachofra, não sei se percebeu, mas a demografia mundial sobe a um ritmo avassalador, e como é óbvio, e se puxar minimamente pelo o intelecto, perceberá que a pressão demográfica cria automaticamente uma pressão sobre os recursos, por aí é simples perceber a fome, até porque se tiver em atenção, os países mas afectados pela fome, são precisamente onde existe maior crescimento populacional, e outro qualquer tipo de sistema económico que não o capitalismo.

    Um exemplo paradigmático é a Etiópia, que na altura criou-se um movimento à escala mundial para ajudar os coitadinhos, resultado, o país vive apesar da ajuda em proporções industriais, da mendicidade internacional e o numero de população quase duplicou e continua como é óbvio a haver fome.

  11. Renato Teixeira says:

    Mexilhão: Quando diz que o projecto político de Marx era “um capitalismo de estado monopolista” o debate está encerrado. Não distingue os teóricos dos seus apóstolos e profetas. Culpa Darwin pelos crimes que em seu nome fizeram na filosofia política? Imagino que sim.
    O seu último comentário pretende vencer um debate pelo cansaço o que me leva a citar uma célebre tira do Calvin: “Oh Hobes… estás para aí a falar há horas e eu não te entendo. O que não se consegue explicar em cinco minutos não vale a pena ser percebido”.
    Eu estive 20 minutos a ler o seu texto e só tenho um comentário a fazer: Você não defende o capitalismo, na verdade você tem fé no dito cujo. Repete à exaustão um palavreado livresco que nada acrescenta ao debate embora acrescente tudo à missa que pretendeu pregar.
    Para lá disso o seu lastro anti-comunista dá fastio e também tem muito pouco de laico.
    Foi da sua cabeça ou de cabeças alheias que chegou a esse resultado? É que idade pela idade, as ideias que o senhor defende são de cabeças bem mais velhas que a cabeça do Marx.
    Pedro Esteves: Não puxe tanto pelo intelecto. Se já percebeu a fome explique-a aos seus responsáveis. Com tanta clarividência vão por certo dar seguimento às suas conclusões.

  12. Pedro Esteves says:

    sim, sim… para alguém que faz uma dissertação sobre a temática da fome, e imiscuiu-se de abordar o fenómeno do crescimento demográfica, você será certamente a pessoa indicada para opinar sobre a temática, até porque, pelos vistos você já têm “responsáveis” para mandar para a fogueira .

  13. António Figueira says:

    O que significará “imiscuir” para Pedro Esteves?

  14. Renato Teixeira says:

    Pedro Esteves: Prometo continuar a (Verbo i.mis.cu.ir; pronominal; tomar parte em; meter-se no que não lhe diz respeito) no fenómeno do crescimento demográfico. Quanto à fogueira não se preocupe. Estou longe dos afazeres beatos e franquistas.

  15. Mexilhão says:

    Renato Teixeira.

    O Marx não só cometeu erros teóricos, como todos os que se dedicam a especular sobre objectos complexos, como foi o primeiro dos profetas do “socialismo científico”, distinto do chamado “socialismo utópico”. Como sabe, ele não foi apenas um teórico, mas também homem de partido, panfletário. Apesar de tudo, distingo os teóricos dos apóstolos e profetas. Por isso, acho que a obra teórica do Marx ainda vale a pena ser criticada, pondo a nu os seus erros; a sua componente de profeta, não vale um chavo, e a prática, a realidade, encarregou-se de o mostrar a todos. Também não confundo o Marx com os marxistas. Em cento e muitos anos, nenhum deles chegou aos calcanhares do Marx. De outro modo, já teriam detectado e evidenciado os seus erros teóricos.
    De facto, não defendo o capitalismo; para ir existindo, este modo de produção não precisa que o defendam, muito menos necessita das minhas modestas opiniões acerca dos seus méritos e deméritos. As suas potencialidades de desenvolvimento ainda não se esgotaram, razão pela qual continua sendo o modo de produção dominante e detém ainda capacidade de inovação. Tenho tanta fé no dito cujo que lhe prevejo um fim próximo, em tempo histórico, claro, sem chegar a outro tanto tempo de vida, porque o tempo corre veloz e a sua capacidade de continuar a empregar a capacidade de produzir trabalho disponível na sociedade tenderá a diminuir, devido precisamente à grande produtividade do trabalho que possibilita. Não sou é apologista do comunismo, a versão estatista do capitalismo monopolista. Esse já mostrou o que valia e já deu o que tinha a dar desbloqueando o desenvolvimento do capitalismo em sociedades atrasadas. Nesse aspecto, você tem razão: sou anti comunista.
    Você, provavelmente, não conheceu a falta de liberdade e talvez por isso não lhe saiba dar o devido valor. E a falta de liberdade e a repressão que por cá se viveram sob o fascismo salazarista foram uma brincadeira de crianças comparadas com a falta de liberdade e com a repressão nos regimes políticos comunistas. Com pequenas cambiantes, em todos eles, não apenas na URSS. Não acha estranho terem tido tal característica em comum? Sem essa experiência vivida, a sua admiração pelo comunismo só pode derivar dum idealismo poético, totalmente livresco. Tal como idealismo livresco é a sua pretensão de que as relações de produção se podem inventar teoricamente e que o Marx é o criador da pretensa relação social do futuro, que afinal não passa duma variante da relação de produção do presente. Faça um esforçozinho e tente descortinar quais os projectos teóricos que inventaram o modo de produção esclavagista, o modo de produção feudal e o modo de produção capitalista. Depois, conte prá gente, para aprendermos consigo.
    No seu seu post falava em factos. Apontei-lhe alguns factos que contrariavam as causas que você apontava para o facto da fome existente no mundo, atribuindo-as ao modo de produção capitalista. A realidade mostra que ainda não é o modo de produção capitalista que causa, directa ou indirectamente, a fome no mundo. Que, ao contrário, é ele que tem possibilitado a existência de tanta gente vivendo em condições nunca antes conhecidas. A estes factos você disse nada; limitou-se a contrapor o fastio que lhe causa o meu anti-comunismo e a pretensa fezada que eu teria no dito cujo capitalismo.
    Porque disse que o projecto político do Marx era um capitalismo de estado monopolista, para si o debate está encerrado. Só por si é revelador da sua disponibilidade para o debate e da sua capacidade de discussão. Também dou o “debate” por encerrado, não porque você seja um apologeta do marxismo e tenha uma fezada no comunismo, porque essas são questões que me interessam debater, mas porque você demorou vinte minutos a ler e a compreender o meu comentário. Demonstrou não estar à altura de dar luta, e qualquer debate com um interlocutor tão incapaz torna-se enfadonho. Boas leituras.

  16. Renato Teixeira says:

    Mexilhão: Enfadonho é muita lata para quem precisa de 20 mil caracteres para desenvolver uma ideia. Lamento não estar à altura de polemizar consigo mas receio por quem esteja. Quantos caracteres usa para lhes responder?
    O debate está encerrado porque você quer discutir capitalismo vs comunismo e o tema do post era provar a fome como facto político. Mais nada. Acredite que, por estar nas fileiras da dissidência estalinista, não me é alheia a repressão desse lado do muro. Apesar disso, julgo saber distinguir o trigo do joio e não deixo de comer maçãs se porventura trinco uma com bicho. Boa cruzada anti-comunista e melhor caça às bruxas. Para quem gosta tanto de pensar coisas novas essa está bem fora de moda.
    Prezo contudo que tenha moderado os termos no decurso da sua argumentação. Só lhe fica bem.

  17. Pedro Esteves says:

    sim é verdade sou um burro iletrado e nem sei ao certo o que pretendia dizer.

    mas agora explique-me quem é o capitalismo ?

    “O que o capitalismo fez, bem como a burocracia estalinista foi segregar a maioria trabalhadora dos avanços produzidos, deixando a minoria especuladora ou aparelhista com o prato cheio de tudo.”

    o que vejo é que o capitalismo é uma ferramenta que pode ser bem ou mal usada, cabe aos estados democráticos legislarem a sua acção/conduta

  18. Mexilhão says:

    Admiro a sua capacidade para descortinar a moderação de termos nos meus comentários. Foram alguns imoderados?
    Faça-me a justiça de não me atribuir o envolvimento em qualquer cruzada anti comunista. Sou ateu, não me envolvo em qualquer religião. Apenas argumento. Sou céptico, não acredito em bruxas, não as posso caçar. E não desprezo comunistas, muito menos os persigo, seja por que razão for. Combato as suas ideias, que não passam de ideiazinhas, de simplismos idealistas.
    Ah! Sobre isso do estalinismo, aqui no blog prefiro as posições do Vidal. Esse, ao menos, compreendeu que o comunismo foi obra do estalinismo. Sem estalinismo não haveria comunismo para ninguém. Trotskismo, conselhismo e outros anarco-comunismos ou são variantes ou são ainda mais idealistas sem ponta por onde se lhe pegue. Mas, é claro, os seus adeptos são os bafejados pela sorte deste mundo: fazem parte do povo eleito, e dos seus melhores, a vanguarda da classe social predestinada a salvar a humanidade. Amen.
    Desejo-lhe boas leituras e bons exercícios de argumentação.

  19. Renato Teixeira says:

    Amen. Aos dois.

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

*

Pode usar estas tags HTML e atributos: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>