Os governos mundiais vão reunir em Copenhaga e preparam-se para lançar aos olhos das pessoas mais um monte de patranha como foi o Protocolo de Quioto. É o “diz que faço mas não faço” para poder continuar a ficar bem na fotografia e o “mesmo que faça não deixo de fazer o que tenho feito” para que tudo continue na mesma.
Na verdade, ninguém nas esferas mais altas do poder quer salvar o planeta e a esmagadora maioria das políticas ambientais servem ou para piorar ou para camuflar o problema. Serve ainda para a descoberta de um novo mercado: o verde. Experimentem ver quantos anúncios hoje na publicidade contemporânea vendem os seus produtos a partir de camuflagens ecológicas. Depois da geração light chegou a geração eco. A avaliar pela obesidade das novas gerações imagina-se o verde que o planeta vai estar nas gerações vindouras.
De todas as propostas para dar “sustentabilidade” à relação entre o mercado e a gula, a que me pareceu mais criminosa é a que prevê a criação de quotas de poluição de modo a que o direito a fazer lixo se possa comprar e vender como se fossem bananas ou títulos em bolsa. Para lá do crime que é manter um terço da população subnutrida, é verdadeiramente imoral ir aos seus países comprar o direito a poluir o que fazemos com a matéria-prima oriunda dos seus solos, para a transformar em “coisas e comércio” que nunca chegarão sequer a ser consumidas no local e pelas pessoas que foram saqueadas.
Poluir mais devagarinho ou mais discretamente só resolve a consciência de alguma gente bem-intencionada mas mal-esclarecida e a mais-valia dos dominantes de turno. Não é possível resolver o problema da vida, que é da vida que esses senhores vão falar em Copenhaga, mantendo os paradigmas dominantes. O do lucro sobre as pessoas e o da matéria-prima sobre o planeta.
Não há capitalismo verde nem sobrará verde ao capitalismo.
A escolha é entre os dois.




Tudo verdade. É preciso é não esquecer que a par com o capitalismo o socialismo também não é muito verde.
O que chama socialismo caiu com o muro de Berlim e não me parece que (sem nenhum amor por nenhum dos estalinismos) o que se passava por lá possa ser posto a “par” com o que se passa agora, por cá e por lá.
É estranho porque tenho ouvido essa palavra da boca de muita gente recentemente
Não tenho muitos dados sobre “o que se passava por lá” mas tenho algumas dúvidas que qualquer sistema socio-económico numa era industrial não gerasse/gere muita porcaria.
Já combatemos a fome no mundo, com amplo sucesso, agora podíamos mudar para esta patranha do aquecimento global.
João, claro que qualquer sistema industrial polui. O debate era sobre se podemos pôr a par a dimensão e a voracidade de ambos. Nada mais.
Manuel Gouveia… o seu comentário mereceu a devida resposta num post. Para o caso de querer aprofundar o tema. http://5dias.net/2009/12/06/a-fome-e-a-fome-e-um-facto-e-um-facto/#more-28118
muito bom o seu post. chateia-me à brava que poucas pessoas percebam que o ” aquecimento global ” é apenas um upgrade da velhinha política da “terra queimada” em tempo de paz. aquecimento global está aí em força para cobrar e para dar continuidade ao iva , irc , irs e tal. , sem o qual certos diabinhos não vivem.
Certíssimo Renato!
A aceitação tácita do “aquecimento global” preenche totalmente a agenda dos media e é, de longe, o maior consenso mediático de há muito. Com base nas “conclusões científicas” de um só organismo (IPCC), todo o contraditório é simplesmente descartado. Só por isso merecia desconfiança. A propósito, há duas semanas um pequeno escândalo não obteve, uma vez mais, qualquer eco.
Aqui: http://www.thenewamerican.com/index.php/tech-mainmenu-30/environment/2377-ipcc-researchers-admit-global-warming-fraud
Abraço,
ap
ah, o link que coloquei acima é de um jornal de direita, para não me andarem a acusar de ligações ao Resistir…
Nesta cimeira é necessário que seja feito um acordo vinculativo e um boicote a produção com elevado CO2, contudo sem vontade politica nada será feito, mesmo que tenhamos um tratado de Lisboa não quer dizer que tenhamos uma Europa mais transparente e eficiente e o mesmo se passa para a cimeira, enquanto os lobbies, as grandes corporações, um sistema financeiro irresponsável e uma população não informada o cenário será que enquanto não acontecer uma grande catástrofe nada irá mudar, estamos perante uma grande viragem no nosso modo de vida porque se nada for feito arriscamos-nos a parecer e economicamente é mais viável apostarmos agora em grandes encargos para mudarmos radicalmente as nossa fontes de energia do que esperarmos mais para remediar os danos, Copenhaga é esperança mas acima de tudo é o espelho de nós, somos seres humanos racionais não é? mas, também temos o livre arbítrio, podemos escolher e nisto errar.
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