Concursos MP3

Raramente vejo televisão. Problema de trabalhar numa. Por gosto, perco o tempo a piratear documentários. Tropecei no outro dia no ídolos. Parece MP3. Como se sabe, os formatos digitais permitiram a massificação da música, mas com determinados custos. A compressão formata a música e torna-a ‘transportável’, mas faz de todos os sons, coisas medianas, sem arestas nem brilhos. O jurí do programa, justificando estar a escolher ídolos para um determinado mercado, usa os critérios da mediocridade, perpétua uma música de plástico, sem surpresas. É uma espécie de compressão mental, para cérebros pequeninos. És bonitinho(a), abanas-te e fazes uns trinados ‘à la’ moda, tens aqui os teus 5 minutos de fama. Não deixes que os teus neurónios se interponham, entre ti, e o sucesso de plástico. Se correr bem ainda apareces no mama show.

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TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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6 Responses to Concursos MP3

  1. Raul says:

    Reconheçamos que no meio da canalhada até há uns que escapam, mas como em todos os conscursos também é preciso passar alguns para depois serem reprovados. Tempos idos era assim que o juri votava, agora com as escolhas do publico e com as minhas devidas dúvidas, quem ganha nem sempre é aquele que merece…digo eu.

  2. antónimo says:

    Também não sou grande frequentador de TV, mas já me cruzei uma ou outra vez com os Ídolos e ouvi história.

    Pior do que a massificação plástica da música, é o tratamento absolutamente enxovalhante que naquele programa é dado aos concorrentes.

    Os jurados tratam os candidatos abaixo de cão, achincalham e e tentam humilhar, perante o aplauso e gozo das audiências.

    Sob o pretexto de que aquilo é um painel de exigência e de qualidade, banaliza-se uma forma de tratar o outro absolutamente indamissível. Porque é feio, porque não tem estilo, porque se veste mal, porque não tem postura, porque não tem atitude, porque não sabe cantar, porque não fica calado quando o insultam – e até era suposoto já saber que era ao que vinha -, porque não aceita as críticas, porque é respondão.

    Um verdadeiro tratado de luta. Ídolos mostra bem como é o cidadão desejado e mostra ao cidadão que ele deve esperar ser tratado daquela maneira. Uma escola que faz escola e que os mais novos (bebés e crianças) vão inculcando

  3. JDC says:

    Caro antónimo

    Sobre o tratamento que o juri dá aos concorrentes:
    Embora não concordando com a forma com que é feito, juntando-me a si na sua crítica, não posso deixar de dar alguma razão a quem diz que os concorrentes já sabem ao que vão. Se na primeira edição dos ìdolos a novidade permitiria a ida ao engodo, nesta segunda edição já toda a gente sabia o formato e modos com que o juri trataria os concorrentes. Assim sendo parece-me parvo que alguém escolha ir lá, voluntariamente, e depois se queixe que foi mal tratado. É como entrar num rio com piranhas e queixar-se que foi mordido…

  4. antónimo says:

    Caro JDC, Que seres humanos admitam deixar-se enxovalhar daquela maneira não é tão simples quanto parece.

    Ao deixarem-se enxovalhar eles, enxovalham-me a mim também que não é nada comigo e fico envergonhado com a maneira como se deixam tratar. Enxovlaham a humanidade porque abrem caminho a muitos para que achem normal e natural serem humilhados daquela maneira.

    A falta de coluna também se treina e incute.

  5. agent says:

    Devia ter tropeçado ontem lá para o final do programa e deparava-se com uma pitinha de 16 anos a brilhar numa versão muito própria de um clássico de Ella Fitzgerald.
    Afinal, nem tudo me parece plástico por ali.

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