O que faz falta é avisar a malta

José Sá Fernandes ganhou notoriedade enquanto defensor de um conjunto de causas na cidade de Lisboa. Sá Fernandes era sempre dos primeiros a aparecer, a invocar erros procedimentais e a anunciar providências cautelares. Apresentou-se a eleições como o único zelador dos interesses dos cidadãos, contra um poder autárquico autocrático que teimava em não ouvir ninguém. Dizia-se na sua campanha que o Zé fazia falta para mudar a forma como o governo da cidade se relaciona com quem a habita. Quatro anos depois da sua primeira eleição, só o Zé mudou e percebeu-se que não era, certamente, aos lisboetas que o Zé fazia falta. O inadmissível processo do abate de árvores no jardim do Príncipe Real (que hoje o Público aprofunda) é apenas mais uma triste história.

(também publicado no Aparelho de Estado)

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56 Responses to O que faz falta é avisar a malta

  1. Caro Duarte,
    Se dá por encerrada a sua participação nesta discussão só tenho, primeiro, de lhe agradecer a oportunidade de pensar que constituiram os seus comentários, segundo, de lhe expressar a minha expectativa de que tal não signifique o seu desinteresse sobre a questão que nos ocupou e – nessa medida – reiterar a importância que teria a sua participação na Sessão Pública que – em príncipio – se realizará no próximo dia 18 de Novembro, das 21h00 às 23h00 no Auditório Quintanilha da antiga Faculdade de Ciências de Lisboa (no Jardim Botânico – nem de propósito Ricardo!) com entrada pela Rua da Escola Politécnica). Assim que estiver confirmado mesmo o local, data e hora, aqui voltarei.
    Entretanto, Duarte e Caros Todos, foi um prazer esta conversa que continuaria, sobretudo com a resposta a algumas observações do Duarte, mas o que é demais fatiga.
    Espero poder encontrá-los na tal Sessão “Que Futuro para o Príncipe Real”.

  2. Nova Correcção
    Onde no meu comentário anterior se lê: “18 de Novembro”, deve ler-se “18 de Dezembro”.
    Desculpem.
    TT

  3. Duarte d´Araújo Mata diz:

    Clarificando: a discussão foi muito boa e sempre em bom nível e em excelente tom e que serviu tambémn para ficar com este blogue nos favoritos, uma vez que antes não tinha dele conhecimento. Vou continuar atento ao que por aqui for interessante e que foque em matérias para as quais algum contributo meu seja potencialmente relevante. Chamo a atenção para a importância de estar representada nessa discussão de dia 18 a autora do projecto, que sendo técnica da CML, tem um manancial de informação de vários anos que será muito útil se tiver oportunidade de a expôr. Quando a conhecerem, poderão vêr que pessoa que conheça e goste mais do Príncipe Real é difícil e que este projecto, desse ponto de vista, esteve muito bem entregue. Sugiro o contacto com os serviços da CML de Estudos e Projectos para que esta informação lhe possa chegar formalmente, se estiverem interessados. Cumprimentos

  4. zé neves diz:

    bernardino,
    naturalmente, exijo mais do Sá Fernandes do que exigo do Santana Lopes. em relação a este último, o que eu disse, e não referia especificamente a sua passagem autárquica, é que por regra se exige mais dele do que se exige de outros dirigentes do ps ou do psd. Para mim, o caso máximo foi a sua destituição pelo Sampaio, a qual me parece bastante despropositada (isto dentro da lógica dominante, que, como sabes, não é sequer algo que muito me interesse).

    em relação ao sá fernandes, nada de pessoal me move. mais: como sabes, apoiei a sua primeira candidatura e nele votei duas vezes. acho, ainda hoje, que ele não se “vendeu” ao PS, à Skoda ou a qualquer outro interesse. Acho, apenas, que ele tem um problema na relação fins-meios. E acho que ele deveria perceber que não vale tudo para que concretizemos as nossas reformas (plano verde, o que seja). Não vale, nomeadamente, aquilo que foi feito com o espaço púiblico no caso da PRaça das Flores. E não vale, mas essa é outra discussão, integrar-se nas listas do PS.

    abç

    ps – ou muito me engano (mas verificarei) ou a principal tónica do panfleito distribuído aos moradores era relativa às árvores doentes.

    ps 2 – de qualquer dos modos, o que me assusta, em tudo isto, é a falta de vontade em discutir publicamente o projecto de uma imobiliária que anuncia uma profunda requalificação urbana da área. Bem sei que é tudo por via da propriedade privada, mas há limites que o poder público pode colocar a este processo que, repito, me parece vir a ser único. Talvez comparável, apenas, ao caso do Convento dos Inglesinhos…

  5. Caro Duarte,
    Há pouco tempo para procurar quem é quem, por isso lhe pedia o favor de me indicar (pode faê-lo para o meu e-mail: tiago.taron@nullmail.telepac.pt) quem é a pessoa responsável pelo projecto, de forma a que lhe possa fazer chegar o convite para a Sessão.
    Também eu não conhecia este Blog, e também eu o colocarei nos que visito diariamente em cada mês. Aproveito a circunstância para agradecer ao autor do post inicial, dando aos “donos” do sítio os parabéns pelos leitores/comentadores que tem (e que fazem a outra metade de um bom blog).
    Obrigado

  6. Tiago Mota Saraiva diz:

    Caríssimos, raramente um post origina um debate como o que aqui se tem vindo a dar. De qualquer forma não atribuo este feito ao meu texto inicial, mas ao tema para o qual foi derivando.
    Por motivos pessoais não consigui acompanhar todo o debate, mas permitam-me ainda umas linhas telegráficas sobre algumas coisas que me parecem importantes:

    – No plano político parece-me claro que se exija mais a Sá Fernandes no que diz respeito à discussão pública dos projectos que pretende implementar na cidade e, sobretudo, que não se embrulhe em procedimentos administrativos como os relatados na notícia.

    – No que diz respeito ao projecto não o conheço. Não sendo residente da zona costumo circular pelo PR aos Sábados de manhã. É-me difícil entender o argumento que as árvores abatidas estavam doentes, pois não era uma situação visível e rejeito, por completo, tanto o argumento que a técnica que projectou estava a servir um interesse qualquer obscuro como o argumento que é uma pessoa que gosta muito do jardim.

    – Sendo público que existe um promotor privado a desenvolver uma projecto imobiliário no PR, a pressão que efectua sobre a CML para intervir num jardim talvez seja o único benefício público que possamos almejar. Contudo temos todo o direito de questionar as prioridades do governo da cidade, privilegiando este espaço público com tantos outros em muito piores condições.

    – No que diz respeito à questão do Jardim Botânico recordo que é propriedade da Univ. de Lisboa e que o seu acesso é reservado aos moradores de duas freguesias, portadores de cartões da UL, e mais umas quantas prerrogativas. A maioria dos cidadãos que o pretendam atravessar e/ou visitar têm de pagar, o que faz que um espaço do coração da cidade de Lisboa e cuja propriedade é de uma instituição pública seja, na verdade, de acesso privativo.

    – Quanto ao futuro do PR dentro da cidade parece-me que exige uma reflexão mais lata. Se a ideia é que seja o jardim de quem ali mora à volta ou um jardim da cidade. Eu, como deverão calcular, prefiro a segunda hipótese que só vejo que se possa concretizar se houver o entendimento que a reabilitação do Parque Mayer possa dinamizar aquele pedaço de colina entre a Av. da Liberdade e o Príncipe Real. Aliás, esta ideia não é nova e consta, por exemplo, dos planos para os elevadores de Lisboa (séc XIX) onde se previa, para além do elevador da Glória, um outro elevador para esta parte da colina. Toda aquela zona do Parque Mayer pode vir a estender-se até cá acima rematando na Calçada do Patriarcal ou envolvendo o Jardim Botânico.

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