Não ao “ateísmo seco” (II)


ANDRES SERRANO. Piss Christ. 1987.

 
ANDRES SERRANO. The Interpretation of Dreams. 2000.


ANDRES SERRANO. The Morgue. 1992.

É verdade, lembrei-me hoje de Andres Serrano, um fotógrafo já um pouco esquecido, se considerarmos as mais significativas mostras colectivas do momento (de Veneza a Sydney, passando por Gwangju ou Santa Fe), ou destes últimos 8 ou 9 anos, mas Serrano foi um dos artistas americanos mais polémicos da primeira metade de 90. Sobretudo por causa da primeira imagem reproduzida, o “Piss Christ”. Um terramoto na altura. Um dos méritos desta obra parece-me ser o seguinte: Serrano liga de tal modo o sagrado à blasfémia (no sentido comum da palavra) que, nele, o sagrado é sempre blasfemo e a blasfémia é sempre sagrada.

(NOTA: Quem conhece o artista e quiser ler um ensaio que sobre ele escrevi, data:1997, publicado no meu livro Imagens Sem Disciplina [Lisboa, Ed. Vendaval, 2002], vire a página e continue.)

ANDRES SERRANO

RELIGIÃO CORPORAL

 

                               Cifra viviente de la extrañeza del universo y de su radical

                                    heterogeneidad, la mujer esconde la muerte o la vida ? 

 

                                              OCTAVIO PAZ, El Laberinto de la Soledad

 

Depois de recentes exposições em Paris, Andres Serrano, um dos mais polémicos fotógrafos da primeira metade dos 90s, trouxe ao Museu de Gronninger, na Holanda (em colaboração com a Galeria Paula Cooper de Nova Iorque), a sua última série, A History of Sex. Daí editou-se um interessantíssimo volume igualmente intitulado A History of Andres Serrano. Cuidadosamente encadernado em papel Bíblia, uma extraordinária ideia que confere um sentido muito coerente – como se perceberá — aos treze anos de produção deste artista americano de ascendência cubana.

No seu belo El Laberinto de la Soledad (1950), Octavio Paz descreve a forma bizarra, peculir e única, sem paralelo com situações afins, da conquista e colonização dos territórios posteriormente denominados de «Nova Espanha». Bizarra, desde logo porque comparticipada pelos próprios povos dizimados. Estes preparavam-se (in)voluntariamente para a sua implosão, numa vivência celebratória da autodestruição progressiva, fazendo obsessivamente da morte uma forma de vida; testemunhando de algum modo a veracidade das especulações de Georges Bataille em torno do erotismo, do sexo e do sacrifício, e também em torno desse colapso da terra anterior à «Nova Espanha» em ensaio publicado na histórica Ducuments.

Em Bataille, o sexo e o erotismo são, como se sabe, práticas anti-entrópicas, actividades cujo dispêndio de energia para a sua consecução implica permanentemente uma superação, onde a finalidade é a de um ganho posterior. Existe um processo de vitalidade associado ao dispêndio (de Bataille, ver La Part Maudite, ou L’Érotisme), do mesmo modo que o sacrifício é um resgate da inevitável descontinuidade que nos enforma e perturba exponencialmente. A violência instalar-se-ia, especulo agora, no temor que uma eventualmente conquistada continuidade não deixaria de suscitar – a violência instalar-se-ia aí, nesse beco sem saída da temida continuidade e do ritual superador da descontinuidade.

Mas lemos seguidamente em L’Érotisme: «a morte é, para nós, a violência maior, pois que nos arranca da obstinação que temos em ver durar o ser descontínuo que somos». Neste território, só a morte espectacular cumpre essa função de nos libertar do pesadelo da descontinuidade. A morte espectacular associada ao sacríficio institui assim o sagrado: «O sagrado é exactamente a continuidade do ser revelada àqueles que, num rito solene, fixam a sua atenção na morte de um ser descontínuo».

Mas voltemos a Octavio Paz e ao seu labirinto de solidão, nomeadamente aos capítulos «Los hijos de la Malinche» e «Conquista y Colonia». «Nova Espanha» foi primeiramente habitada por povos nómadas, os Chichimecas, e por populações sedentárias distribuídas por fronteiras instáveis. Os Aztecas teriam sido os últimos a fixar-se no Vale do México, constituindo uma sociedade teocrática e fortemente militarizada, onde a religião era sinónimo de unificação política forçada. Sobre a sua sede de violência e o prazer do seu desaparecimeno (ou o prazer que experimentaram os povos submetidos no seu desaperecimento) comentei atrás, no texto dedicado a Ana Mendieta, as especulações de Georges Bataille e do seu ensaio alucinado de 1928, «L’Amérique disparue».

Para Paz, entretanto, esta situção era já um claro prenúncio e um espaço literalmente permeável à subsequente colonização espanhola e cristã: «A Conquista do México não seria explicável sem estes antecedentes. A chegada dos espanhóis transformou-se numa libertação para os povos submetidos pelos Aztecas». É com alegria («nuestras respuestas como nuestros silencios son imprevisibles, inesperados. Traición y lealtad, crimen y amor se agazapan en el fondo de nuestra mirada») que todas estas populações vêem cair a sua cidade mais poderosa: Tenochtitlán.

Paz: «Quando Moctezuma abre as portas de Tenochtitlán aos espanhóis e rece Cortés com vários presentes, os Aztecas perdem a sua jogada. A sua luta final é um suicídio (…). Porque cede Moctezuma ? Porque se sente estranhamente fascinado pelos eapanhóis e experimenta perante eles uma vertigem à qual não é exagerado chamar sagrada – tratar-se-á da vertigem lúcida do suicida perante o abismo ? Os deuses abandonaram-no».

Há, como vimos, um cruzamento possível com as teses sobre o mesmo evento histórico desenvolvidas por Georges Bataille, mas este vai ainda mais longe, fornecendo-nos um substracto interpretativo precioso para a série, na minha opinião, mais significativa (e certamente a mais «escandalosa» e polémica, tendo levantado uma tempestade raras vezes vista em torno de uma obra de arte) de Andres Serrano.

«Piss Christ», de 1987, obra de referência, é uma fotografia obtida a partir da imersão de um crucifixo numa tina de sangue misturado com urina. Foi no título desta peça que o famigerado senador Jesse Helms, o líder da extrema direita americana, viu o «escândalo» que no final dos anos 80 o mobilizaria para a mais radical movimentação a favor da censura prévia à arte contemporânea, dos Estados Unidos em particular.

Apenas no título se detiveram estes zelotes, porque a imagem é portadora de uma espiritualidade absorventente e cósmica — trata-se da fotografia mais conhecida da série Immersions, de Andres Serrano, desenvolvida entre 1987 e 1990 com situações afins mas não tão poderosas, algumas abeirando-se mesmo da estetização. Considere-se que este impacto (ainda hoje) é causado por uma ambiguidade proveniente de tal exaltação da perecibilidade pútrida do corpo ligada à religiosidade e à regeneração orgânica e sagrada (e a regeneração é a finalidade do dispêndio), ou à        imortalidade.

Morte e regeneração. Vida e morte. Vida como morte. Medo da continuidade e da descontinuidade: «Não aceitamos os limites desse ser que em nós morre. Por qualquer preço, queremos transpor esses limites mas, ao mesmo tempo que os queremos exceder, queremos mantê-los». Ora o que explica a busca de Serrano, ou a sua perigosa aproximação à estetização (embora essa aproximação seja positiva e assumidamente destemida) ? Trata-se, como em Bataille, de crer que a beleza é a síntese de impulso criativo do angustiante impasse descrito: «Há na procura da beleza, ao mesmo tempo que um esforço para aceder, para lá da ruptura, à continuidade, um esforço para escapar-lhe. Nunca esse esforço deixa de ser ambíguo». É dessa ambiguidade que parte Serrano e o erotismo, cuja marca central reside na mancha, sabemo-lo.

A vida está contaminada por duas velocidades extremas – morte e decomposição, por isso é que Bataille descreve o nascimento acompanhado de podridão: «Essas matérias movediças, fétidas e tépidas (…), essas matérias onde fervilham os ovos, os germes e os vermes, estão na origem das reacções decisivas a que chamamos náuseas, enjoo, nojo. Para lá da destruição futura (…) a morte anunciará o meu retorno à purulência da vida. Por isso posso pressentir — e viver na expectativa dela — essa purulência multiplicada que, antecipadamente, celebra em mim o triunfo da náusea». Isto é, o retorno à purulência da vida, é o estabelecimento das condições para que de um ser em decomposição, ou para que da decomposição tout court, saiam as novas formas da vida — a própria vida, enfim. Por outro lado, é da consciência de que a vida apenas se gera em presença da morte anunciada (a da mulher que amamenta, ou que na Pietá chora a morte do filho nos braços: veja-se de Serrano a foto «Pietá», onde a bela amante de Serano segura um enorme peixe-corpo de Cristo), é da morte anunciada, dizia, que surge esse vómito, que antecipa o momento da própria morte. Antecipação do triunfo da náusea.

E porquê sublinhar este lado «da projecção do ser no horror» (L’Érotisme)? Porque monstruoso não é este aparente prazer de Bataille na fixação do Mal, monstruoso é o não olhar a própria podridão ou, pelo menos, a própria finitude (bem como a ambivalência do que nos cerca), para querer acreditar no «maravilhoso» de André Breton (contra Bataille). Só neste contexto podemos entender o que Bataille escreve quase a terminar L’Érotisme: «Se a coragem nos falta, nada há de mais supliciante. E nunca o momento supliciante faltará: como, se faltasse, o poderíamos ultrapassar?»

Aqui pode emergir uma leitura que toma estas imagens iniciais de Serrano (ainda nos anos 80) como ligadas a uma visão cristã peculiar, mas ainda assim de uma profunda crença numa reconciliação do homem com o universo. Como escreve de novo Paz: «O exílio, a expiação e a penitência precederão a reconciliação do homem com o universo» (El Laberinto de Soledad). O catolicismo peculiar, inconsciente mas consciente, arquetípico e profundamente genuíno que antevemos nestas imagens, reside na sua atenção à carne física ligada ao símbolo — à carne que Cristo (o «deus filho» lhe chama Paz, por paralelo vitimista com Huitzilopochtli) oferece para redimir o mundo, e Serrano transporta depois para a figuração com fluidos corporais –, num sentido amplo: entendendo o corpo não apenas como o lugar do amor admirável (André Breton), mas de uma reunião (e aqui, uma vez mais, Bataille) entre a perda, a imundície, a morte, o amor sexual, a comunhão e os ciclos da vida.

Por isso Octavio Paz dirá que, para os mexicanos, o culto à vida indistingue-se do culto à morte. Depois, fala-nos assim da deusa azteca da putrefacção: «Tlazoltéotl, a deusa azteca da imundície e da fecundidade, dos humores terrestres e humanos, era também a deusa dos banhos de vapor, do amor sexual e da confissão. E não nos transformámos assim tanto. O catolocismo também é comunhão». Ou, ecoando Bataille: «O nosso culto da morte é um culto à vida, do mesmo modo que o amor, fome de vida, é ânsia de morte. O gosto pela autodestruição não deriva apenas de tendências masoquistas, mas também de uma certa    religiosidade».

E cruzemo-nos com Bataille para percebermos definitivamente uma das motivações que, para mim, explicam a espiritualidade profana e escatológica de Andres Serrano. Um artista que, como vários outros de ascendência latino-americana (veja-se Ana Mendieta, claro), soube ilustrar contemporaneamente a paisagem devastadora dos textos de Bataille sobre o destino dos povos pré-hispânicos, e que Michel Surya sintetiza desta maneira: aos seus deuses, o povo mexicano fez sacrifícios aos milhares, decepou corpos, abriu-os ao meio e deles extraiu corações a bater, tudo isso cozinhou e comeu; tudo para seu maior júbilo e em troca ser coroado. Sublinho esta passagem, porque é do passado imemorial que também se alimenta Serrano. Não foi o invasor Cortés quem os destruiu, mas, ao invés, os próprios Aztecas que, «chegados ao mais alto grau da sua feliz vertigem quiseram, por sua vez, sumir-se no abismo».

Serrano responde a isto com o silêncio e a serenidade estelar das suas fotografias de fluídos corporais, mantendo simbolica e fisicamente, como disse, submersos os despojos (alegorizados nos líquidos) de tal era de flagelações infindáveis. Daí constrói a sua paisagem artística, que se cruza numa segunda fase com momentos da história da arte recente: como nas peças de Fluid Abstractions (1987–1990), onde compõe de forma precisa revisitações do abstraccionismo e do Expressionismo Abstracto. Com sangue, urina, leite e esperma, submetidos composicionalmente a figuras geométricas.

Antes das Fluid Abstractions, já Serrano não moderava a sua vocação para redesenhar a paisagem visual e iconográfica do cristianismo. A hibridez das suas fotografias resulta, portanto, de um encontro e cruzamento de religiões. Vejam-se as obras «Cabeza de Vaca», a citada «Pietá» ou «Meat Weapon» (1984–85). Carcaças de animais são troféus simbólicos mas são ainda as figuras da nossa carne transfigurada, esteticamente transsubstanciada.

O católico com sentimentos mistos, como Serrano se define tomando como referência essa figura emblemática do imaginário sacrílego que é Luis Buñuel, trabalhou depois durante algum tempo, em 1992, num depósito de cadáveres noutra conhecida série The Morgue, prolongamento certo das séries anteriores.

Serrano recusa a crítica que lhe fazem de estetização da morte e de oportunismo pictórico nessas imagens: «As pessoas que aí fotografei não eram cadáveres para mim, não se tratavam de corpos sem alma, sentia a sua personalidade e a sua humanidade. Embora não existisse neles sinais físicos de vida, sempre os tratei como se estivesse perante um ser humano» («Andres Serrano: autoretrato en primer plano», Lapiz, 124).

Depois das séries Budapest e Istanbul, somos chegados a History of Sex, realizada maioritariamente o ano passado. Na evolução do trabalho de Serrano, esta série parece óbvia e demasiadamente previsível. Contudo, até agora não encontrou ecos semelhantes à tormenta desencadeada pelas imersões em sangue, água e urina das estatuetas de Cristo. A History of Sex não provoca a nossa paisagem religiosa recalcada e o seu medo, também não se deixa conduzir por uma cumplicidade estetizante, ela é demasiadamente anedótica e, por vezes, kitsch. A fantasia de uma mulher imaginada por Serrano a segurar o membro sexual erecto de um cavalo, arrisca-se a nem sequer ser fantasia sexual, muito menos bizarra. Depois de um longo percurso ambíguo, religioso e inter-étnico no mais fundo dos imaginários, Serrano arrisca aqui uma «estética de calendário».

No entanto, em alguns momentos de serenidade, retorna uma reconhecível religiosiodade híbrida. É esse o termo para classificar a admiração do autor por uma mulher de 86 anos que mantém a sua actividade sexual, a qual, nua e de rosto junto ao sexo do seu companheiro, encerra a sequência de A History of Sex.

Uma reaparecida religiosidade que tem feito a fortuna conceptual e plástica de vários trabalhos do artista. É caso para aguardar com expectativa as próximas séries de Serrano, receando contudo a espectacularização que ultimamente o tem tentado.

 

 

                                                                                                  (1997)

 

 

 

Bibliografia (selecção)
Georges BATAILLE (com Michel Leiris), Documents: Archéologie, Beaux-Arts, Ethnographie, Variétés (1929-1930), repub. e ed. fac-similada: Documents (2 Vols), Paris, Jean-Michel Place, 1991.
Georges BATAILLE, La Part Maudite, précédé de La Notion de Dépense (1949), Paris, Minuit, 1995.
Georges BATAILLE, L’Erotisme (1957), Paris, Minuit, Paris, 1995, ed port. O Erotismo, Lisboa, Antígona, 1980.
Steven C. DUBIN, Arresting Images: Impolitic Art and Uncivil Actions, Nova Iorque, Londres, Routledge, 1992.
Hal FOSTER, The Return of the Real: The Avant-Garde at the End of the Century, Cambridge, Mass., The MIT Press, 1996.
Lucy R. LIPPARD, «Andres Serrano: the spirit and the letter», Art in America, 4 (78), Nova Iorque, Abril, 1990.
Patrick T. MURPHY (org. comiss.), Andres Serrano: Works 1983-1993, Filadélfia, Institute of Contemporary Art, University of Pennsylnania, Novembro, 1994.
Octavio PAZ, El Laberinto de la Soledad (1950), edição crítica E. Mario Santí, Madrid, Cátedra, 1995.
Octavio PAZ, Los Signos en Rotación y Otros Ensayos (org. e prólogo de Carlos Fuentes), Madrid, Alianza, 1983.
Maud SULTER, «Life’s a bitch and then you die: the art of Andres Serrano», Portfolio, 21, Aberdeen, 1995.
Andres SERRANO, «Autorretrato en primer plano» [depoimento recolhido por María Otamendi], Lapiz, 124, Madrid, Verão, 1996.
Andres SERRANO, [livro antológico] A History of Andres Serrano: A History of Sex, Gronninger Museum, Fevereiro, 1997.
Marcia TUCKER, «Andres Serrano: a retrospect», em Patrick T. Murphy, ob. cit.
Este artigo foi publicado em cinco dias. Bookmark o permalink.

16 respostas a Não ao “ateísmo seco” (II)

  1. isto é paper ou artigo para jornal? já foi referee ou não?
    Assim não consegues espevitar a anomia geral.

  2. Carlos Vidal diz:

    Calma Grande Jecta, calma!

    Mas vê bem a que ponto isto chegou: em 2009 (acho eu que é o nosso “ano”), ainda é preciso defender a coisa da arte e a sublime “inutilidade” da coisa da arte.
    A luta é dura, mas a vitória avizinha-se (breve).

  3. Carlos Fernandes diz:

    Bem, a arte e as artes em geral, sempre foram usadas para agredir sentimentos, sejam ele políticos ou religiosos…

    Penso que a resposta correcta a estes Serranos tarados e doentios que degradam a arte e as mentes do sex.XX e XXI é haver outros pintores a responderem e pintarem de uma certa maneira, por ex., a mãe do Serrano, queria ver se ele gostava de ver um quadro intitulado o “pintor filho da…”.

    Se ele fizesse um quadro destes contra Maomé e o Islão, há muito que as tintas do ateliar dele já tinham secado ou que já tinha sido obrigado a bebê-las, não era assim Professor Vidal?

  4. Deus te oiça e já agora os Filipes tambem pois trouxeram o que havia de muito bom em termos de arte para esta terra de pequeninos e atrevidos. Não vale a pena começar com as habituais rábulas visto já estarmos cercados entre outros pelos Vasconcelos e tal, o Santander e o BBVA. Repara no ar de tédio, aborrecimento, cansaço da Rainha Grega, passa a vida em Londres, não liga peva Há latinada.

  5. Carlos Vidal diz:

    caro Carlos Fernandes, aqui discordamos totalmente.
    A arte não agride nada nem ninguém, o máximo que lhe cabe, ou o máximo que com ela podemos fazer é um exercício de juízo: é conseguida, não é conseguida; é entusiasmante, é pobre e gratuita, etc. Nada mais. Depois, há que tentar, dependendo da opinião/juízo, justificar minimamente (“minimamente”, pois o “totalmente”, isso não existe aqui).

  6. Já lá vão uma dúzia de anos e esta dicotomia dos secos e molhados continua a provocar o riso a bandeiras despregadas, por cá é mais o cócó, ranheta e facada.

  7. Carlos Vidal diz:

    Claro Jecta, a rainha a que te referes, julgo que é a Sofia (claro), faz muito bem, há de facto que mandar tudo isto para a pior das merdas.
    Refiro-me sobretudo aos “jugulentos” e não a comentadores aqui presentes: até porque é a ciência que nos leva à lua. E – agora é contigo Jecta – aiarte leva à pedra, às pedras. Boa definição.

  8. anunciou este governo que nesta legislatura reduziria o investimento na ciencia e investigação ( ler, bolsas da FCT) e aumentaria na cultura ( ler, apoiantes e servidores do eterno socialismo), com a gripe A, a bronquite generalizada mais as terraplanagens por baixo, cada vez faz mais falta a iarte mesmo a Porno e a Kitch, tal é a anomia geral.

  9. assim de repente para alem daquele exemplo do Plotino com pedra, não estou a ver mais nada para alem de Pedro, ah! recordo-me d’aquele trompe l’oeil do Rafael com um tumulo ao centro e duas raparigas uma nua outra vestida em cada estremo do mesmo, eis o que já sabia antes, mais próximo da engenharia de almas.

  10. Credo! diz:

    Prefiro a Julieta Serrano e o “Entre Tinieblas” de Almodóvar, a Ordem das Redentoras Humilhadas, com a Madre superiora a chutar para a veia, as noivas de Cristo numa infindável trip e a inenarrável banda…

    http://www.marakka2000.com/pictures/EntreTinieblas.jpg

  11. estremoso este “érase un ombre a una nariz pegado…” Gongora.

  12. e o paper lá acima está assinado?
    Em vida do autor?
    Tem direitos registados?
    Foram pagos à filha ou ao pai da SPA?
    E royalties? Em Mem-Martins ou na Amadora?
    Autorizas a transtextualidade, a desconstrução e a paráfrase hibrida?
    Posso Cortar e Colar o biegrief para ofertar à multitude?
    compôr e aliterar doppelgangers em escrita creativa, não?
    e vilezas de Jacob?
    me estoy preparando para mi verdadera profesión: “despellejar gatos o torturar seres humanos (pavos y gente parecida)”.

  13. Meu caro Carlos Vidal, espero que nenhum membro da Igreja Católica veja estas imagens, se não, é certo e sabido que será acusado de heresia e condenado às chamas do inferno. Pelo menos, a julgar pelas posições da Igreja perante alguns “temas tabu” que, aliás, só são considerados tabu para gente retrógada como eles.

  14. Ah! e quanto à hermeneutica iconologicaa da imagem indisciplinada do entre, é que as freiras são pobres, por isso usam lingerie sintética.

  15. os pobrezinhos diz:

    SR.Prof.dr.fotografoVidal
    É pá, insira por aí optimo matrimónio do cavalo marialva de santarem.

  16. Ironia diz:

    Avé!
    Sublimando a heresia e a blasfémia: Nada como uma Avé Maria, divinamente rezada: Franz Schubert.
    Este poema na voz de Barbara Booney é belíssimo ou sublimíssimo??
    Para mim, teorias de “Belo versus Sublime” à parte, é belíssimo e sublimíssimo- íssimo-íssimo!!!

    http://www.youtube.com/watch?v=2bosouX_d8Y

    Ave Maria!
    Jungfrau mild,
    Erhöre einer Jungfrau Flehen,
    Aus diesem Felsen starr und wild
    Soll mein Gebet zu dir hin wehen,
    Zu dir hin wehen.
    Wir schlafen sicher bis zum Morgen,
    Ob Menschen noch so grausam sind.
    O Jungfrau, sieh der Jungfrau Sorgen,
    O Mutter, hör ein bittend Kind!
    Ave Maria!

    Ave Maria!
    Unbefleckt,
    Wenn wir auf diesen Fels hinsinken
    Zum Schlaf, und uns dein Schutz bedeckt,
    Wird weich der harte Fels uns dünken
    Du lächelst, Rosendüfte wehen
    In dieser dumpfen Felsenkluft.
    O Mutter, höre Kindes Flehen,
    O Jungfrau, eine Jungfrau ruft!
    Ave Maria!

    Ave Maria!
    Reine Magd,
    Der Erde und der Luft Dämonen,
    Von deines Auges Huld verjagt,
    Sie können hier nicht bei uns wohnen
    Wir woll’n uns still dem Schicksal beugen,
    Da uns dein heilger Trost anweht;
    Der Jungfrau wolle hold dich neigen,
    Dem Kind, das für den Vater fleht!
    Ave Maria!

Os comentários estão fechados.