A vertigem



Façam o favor de não ligar às legendas. Há coisas que não devem ser lidas. Deve-se viver até ao fim. Recusar virar a cara ao choque. Não parar.

No outro dia, aconselharam-me a não participar num sindicato devido “à minha situação laboral”. Já repararam no pudor fascinante da expressão? Sempre me intrigaram os eufemismos do tipo “doença prolongada” e outras invenções silenciosas. Qual é a razão que nos impede de dizer que alguém morreu de cancro? Qual é a razão que impede as pessoas de chamarem as coisas pelos os seus nomes? Vejamos uma formulação clara: ‘sicrano, acho que não devias participar no sindicato, isso vai ajudar-te a ser despedido e a não arranjares emprego’. Muito melhor. Talvez, a clareza das palavras seja a primeira condição para percebermos onde estamos. O silêncio mantém silêncios. O medo multiplica o medo.

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TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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4 Responses to A vertigem

  1. Pedro diz:

    Ó senhor, plamordedeus, será que não conseguia arranjar uma versão sem legendas? E logo em inglês, essa lingua bárbara? Pior do que encontrar uma mosca gorda na sopa!

  2. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Confesso que tentei. Mas todas pediam autorização. Ora, Youtube com autorização prévia não é aceitável. A alternativa era a versão do Bowie, mas não se compara.

  3. Renato Teixeira diz:

    Que interpretação brutal!!!

  4. Pascoal diz:

    É.
    Agora esses marinheiros costumam ser filipinos.
    Os tempos vão mudando.

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