‘Há um momento em que tudo explode no explendor, para onde todo o ar foge’, garante o poeta. O mesmo que nos diz que ‘a poesia recapitula o mundo, chamando-o em cada chama, pela chama de cada sílaba’. Na República, Platão propõe a expulsão dos poetas da cidade. Dado que, como defendia Sócrates, o poeta imita as coisas sem as conhecer. A poesia impede a educação do homem, pois dá à ilusão ares de verdade. Não querendo, nem podendo, discutir Platão, tenho sempre a ideia que no nosso mundo as ilusões são tão reais como as pedras. Muitas vezes, as pedras não passam de pedras na estrada e as ilusões, muito antes da Mota-Engil, fazem as estradas. Uma das cenas mágicas que me lembro de ver no cinema, foi na Siberiada de Andrei Konchalovsky. Neste filme, um homem constroi uma estrada, perdido no meio da tundra siberiana, num mero acto de desespero e vontade. As palavras tendem a construir um sentido, encontram no real os caminhos do possível (ou do impossível). Citando Durruti, a partir da contracapa do album Crac! dos AREA (podem ouvir a música): ‘Noi portiamo un mondo nuovo dentro di noi, e questo mondo, ogni momento che passa, cresce. Sta crescendo, proprio adesso che io sto parlando con te’. Uma coisa é certa, fica muito melhor em italiano.




Eu era ligeiramente mais radical que tu, os meus “amiguinhos” em Itália, em 75 eram de umas “coisas” já desaparecidas, e portanto guardarei de Conrado o prudente silêncio…
Mas nunca me vou esquecer de uma festa em Ravenna de um certo jornal e em sendo que na altura o”dono da coisa” era um “sardignole” idolatrado até pelas “criadas de servir”por toda a Itália afora…
Aqui fica o link para a musiquinha: