Publiquem-se as escutas, até porque não têm matéria do foro criminal!
26 de Novembro de 2009 por Tiago Mota SaraivaSobre as escutas em que José Sócrates foi interceptado (recordo que não era o primeiro ministro o alvo das escutas), há duas linhas de raciocínio que nos tem inundado a moleirinha, entre jornais e televisões.
A primeira tese defende que, caso qualquer dos comuns mortais que nos rodeia na paragem do autocarro fosse escutado, havia de se encontrar matéria passível de investigação criminal. Sinceramente não consigo imaginar as chamadas atribuladas dos defensores desta tese mas não posso deixar de sentir um pouco de pena, caso estivesse a ser escutado, pelo tédio de quem fizesse as escutas. Os meus telefonemas mais exaltados têm sido para a PT e o máximo que faço é chamar-lhes aldrabões.
A segunda tese que, normalmente, aparece após a primeira se esgotar, procura caracterizar os que defendem a publicação das escutas como depravados voyers. Lamento, mas esta tese também não cola. Quando quero saber da vida amorosa e romântica do senhor primeiro ministro recorro às revistas cor-de-rosa que, normalmente a seguir aos anúncios de escândalos que alegadamente o envolvem, saem com bons conteúdos promovidos pelo seu gabinete de imagem.

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