A diferença entre a batota e o embuste… ou porque é que a mão do Maradona é melhor do que a mão do Henry!

A capacidade de a história repetir alguns dos seus elementos é dos melhores mecanismos para se perceber o pensar e o fazer humano. Confesso que sempre achei que se a batota fosse bem feita, ela por si só seria justa… mas se essa convicção era reforçada com o golo do Maradona, como fazer com este golo do Henry? Na escola os alunos que usavam cábulas revelavam-se autênticos engenheiros de invenções. Elásticos debaixo dos casacos, meias-luas presas debaixo das mesas, roldanas de papel de máquina com toda a matéria resumida, folhas acrescentadas a dicionários… enfim… imagino o que hoje se possa fazer com toda a tecnologia disponível e com os professores ainda com os óculos mais graduados. Foi contudo no recreio que comecei a perceber a diferença entre uma batota justa e uma injusta. Na disputa do campo da bola não jogavam os melhores mas os mais fortes; na disputa do melhor sítio para fumar e namorar não ganhavam os mais galantes mas os mais picantes; na disputa dos lugares do fundo nos autocarros das visitas de estudo não ganhavam os mais resingas antes logravam lá chegar os mais unidos. No acesso à universidade é mais justo quem cabula ganhar a vaga em disputa, ou quem não tendo cabulado uma única vez, acabar por lá chegar recorrendo a “paitrocinios” ou “mãecenatos” ou à vaga para atleta de alta competição nem que seja de cuspo ao alvo? Na vida profissional? É mais justo subir com a batota de meia dúzia descansos fora de horas ou lambendo sofregamente o ego das chefias? Na vida amorosa? É melhor a batota de manter alguns segredos ou a batota de passar a vida a mentir?

Confesso que aquele golo do Maradona tem quase tudo de perfeito. Vingou a Argentina da Inglaterra por causa da Guerra das Malvinas; Vingou o Sul do Norte por causa de anos de colonialismo; Vingou o futebol romântico, de ataque e tecnicista contra o futebol trapalhão, defensivo e bruto. Vingou os baixos contra os altos; Vingou também a vista que só depois de meia dúzia de replays se percebe a mão de deus. Não tem defeitos. É a batota perfeita.

Já o golo de Henry é um insulto à batota e deveria chamar-se embuste. O chefe da Fifa é francês. A Irlanda joga melhor do que a França. O Domenech mete nojo. Toda a gente percebeu e ninguém acredita que só o árbitro não tenha visto a aldrabice. É uma mão envergonhada, sem convicção. A Irlanda é fixe e a Inglaterra não, além do mais sabem ver e viver o futebol com alegria e desportivismo. A mão de Henry não vinga nada e ainda por cima ajuda a extrema-direita francesa.

A mão de Maradona é uma obra de arte quase divina. A mão de Henry é uma palhaçada.

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2 Responses to A diferença entre a batota e o embuste… ou porque é que a mão do Maradona é melhor do que a mão do Henry!

  1. LAM says:

    subscrevo, sublinho, assino por baixo e ainda lhe ponho o sêlo branco em uso nesta repartição.

  2. mc says:

    eis uma questão pertinente. em defesa da batota do Henry deixo este vídeo http://www.youtube.com/watch?v=_wF87vHYDjc

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