Uma questão de transportes, 4

Lamentações coisa nenhuma, reflexões serenas, objectividades. É evidente que eu não quero viver a tua vida por ti, fazer da minha experiência a tua experiência (capítulo I das impossibilidades) – que é como quem diz desencarnar, ser outro, no caso tu e procurar repetir o irrepetível; mas precisarei eu de me embebedar duas vezes nas águas do mesmo rio? Precisarei eu de ver chegar o desastre anunciado, assistir pacientemente ao seu desenrolar completo e depois, afectando surpresa, organizar com prontidão os socorros necessários? Não haverá algures um ponto equidistante entre a ambição de tudo prevenir e a graça de por vezes, em horas boas, conseguir salvar? “Não, não há, deixa-me da mão”, diz ela com aquele juvenil ar selvagem que me assusta tanto, já oiço a porra da jovem guarda que vai levar-me ao cadafalso (“e vais de mota, meu querido”).

PS: Aos muitos leitores e ainda mais comentadores, uma explicação: vou ausentar-me por alguns dias, para um país bárbaro onde a internet é incerta e o post duvidoso; há ainda muito a dizer sobre a tormentosa questão dos transportes em Portugal; se tiveram paciência para chegar até aqui, p.f. tenham também paciência para esperar até ao final da semana pela continuação. Ah!, e não me esqueci do ponto 3 entre os pontos 2 e 4; vem logo a seguir (um dia eu explico tudo, como se fosse um livro aberto).

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SEXTA | António Figueira
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Uma resposta a Uma questão de transportes, 4

  1. João L diz:

    Um grande abraço e boa viagem, na certeza de que não irás de mota.

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