Cada cavadela….

O Tribunal de Contas está a fazer uma auditoria ao financiamento público das e-iniciativas do governo, que englobam o programa e-escola, e-escolinha (Magalhães), e-oportunidade e e-professor. O TC vai analisar a conexão do financiamento destes programas com as obrigações assumidas em 2000 pelas operadoras de telemóveis na atribuição das licenças para os sistemas de telemóveis de terceira geração (UMTS).

Os computadores maciçamente distribuídos pelas e-iniciativas foram pagos pela Fundação para as Comunicações Móveis, constituída pelas três operadoras de telemóveis (TMN, Vodafone e Optimus) em Setembro de 2008. As três empresas deviam ao governo contrapartidas pelas licenças de UMTS recebidas em 2000 – e que nunca tinham sido pagas. A dívida rondaria os 390 milhões de euros, segundo um “esclarecimento” emitido em 1 de Julho deste ano pelo Ministério das Obras Públicas.

Foi a Fundação, e não o governo, que comprou os computadores; desta forma, não foi necessário fazer qualquer concurso público para a aquisição. A empresa JP Sá Couto – que monta as peças vindas da China, de Taiwan, da Coreia do Sul e dos EUA para “fabricar” os Magalhães – teve um crescimento de 3.311,4% num só ano.

 

“We’re charging our battery
And now we’re full of energy”

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8 respostas a Cada cavadela….

  1. A Chalandra diz:

    Ainda por cima a Câmara de Matosinhos ainda lhes vai oferecer um terreno à borla.

  2. Provavelmente, o valoroso empresário vai ser condecorado no próximo 10 de Junho!

  3. reformada diz:

    quanto aos magalhães, não compreendo como pouco se pergunta:

    – porque se incluiu o windows, quando o computador, obviamente fraquinho, se tornaria mais eficiente só com um sistema operativo e mais espaço disponível em disco;

    – porquê se pagou a alguém para conceber a “caixa mágica” para linux quando já existe um excelente sistema operativo livre (gratuito) para linux que bastaria ter sido traduzido para português, o edubunto;

    – porque subvenciona indirectamente o estado (através dos contribuintes que pagam os livros escolares) as editoras na produção de cdroms complementares a quase todos os livros, quando o computador “do sistema” não tem gaveta para cds. Poderiam oferecer os conteúdos numa pen USB – regravável quando se afigurassem desnecessários, por exigência de reciclagem – ou, melhor ainda, estar disponíveis na net (já agora também os livros, para download…) e assegurando o ponto seguinte;

    – porque não se encontrou um modo de partilhar o acesso à net por wifi a partir das escolas e juntas de freguesia criando uma rede (supostamente os alunos residem nas áreas circundantes) em que o sinal se propagaria de dispositivo em dispositivo tornando-se assim o acesso à net verdadeiramente “democrático”.

  4. lingrinhas diz:

    Pois é voces tambem fazem parte da «clic» que acha que os filhos dos não deviam usar computadores porque isso é para outras «classes»

  5. lingrinhas diz:

    desculpem queria dizer dos pobres

  6. A.Laurens diz:

    Aqui ninguém faz bem a ninguem. É o portugal do chico-esperto, do vigarista e dos sóbrios interesses instalados. Os outros? Os outros vivem arredados sem sequer ter meios para arranjar uma granada para lhes atirar aos pés.

  7. xatoo diz:

    uma granada?! não se pode comprar matéria prima à SPEL por causa dos micros escondidos
    ah,, que saudades de “O Grito do Povo” quando este trazia suplementos que ensinavam a fabricar bombas caseiras; a necessidade e o espirito do tempo permanecem, não lhes retiraram actualidade – só a quantidade é que carece de aumento, na mesma proporção em que as figuras a abater também se multiplicam. (fartava-me de rir de os tipos do Blasfémias viessem aqui ler isto…)

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