Arquive-se! Destrua-se tudo!
14 de Novembro de 2009 por Tiago Mota Saraiva1989, não foi só o ano da queda do muro.
No antigo e saudoso Estádio da Luz, Benfica e Olympique de Marseille, defrontavam-se por um lugar na final da Taça dos Campeões Europeus.
Na primeira mão, em Marselha (num ambiente assustador), o Benfica havia perdido por 2-1. Bernard Tapie, presidente do OM e tipo sério até se ter provado o contrário, declarou no fim do jogo que se o seu clube perdesse a eliminatória deveria passar a ser tratado por Bernardette.
Chegados à segunda mão, 120000 pessoas na Luz e milhões em casa, empurravam o Benfica para o necessário golo que teimava em não aparecer.
Na segunda parte Eriksson lança na partida o emblemático Vata Matanu Garcia, mais conhecido por Vata, que aos 83 minutos, após um canto de Valdo e desvio ao primeiro poste do gigante Mats Magnusson, coloca a bola dentro da baliza.
No estádio rebentou a festa, sem que se reparasse nos insanos gestos dos jogadores do OM, referindo uma alegada mão da estrela benfiquista. Como refere Vata, quase vinte trinta anos depois e do alto da sua sapiência: “Eu digo que não marquei com a mão, mas o lance foi tão rápido, estava tanto vento, que é melhor ficar o ponto de interrogação”.
Depois de ouvir tantos comentadores, jornalistas sérios, deputados e ministros socialistas a defender uma incompreensível necessidade nacional de arquivar e destruir as escutas gravadas entre o primeiro ministro e Armando Vara, só as sábias palavras de Vata, conseguiram elucidar-me sobre este imperativo do Estado de Direito.
É melhor ficar o ponto de interrogação.

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