Viva as PME’s!

O deputado João Galamba escreve que o Jornal de Negócios “tem uns dados” sobre a Parque Escolar e que esses dados desmentem a ideia “que as obras públicas só beneficiam as grandes empresas”.
Permita-me instruir um pouco a opinião do Sr. deputado, com este excerto do comunicado da AECOPS (os destaques são meus):

Parque Escolar assina novos contratos no valor de 185,3 milhões
30/05/2009

No âmbito da Fase 2 do Programa de Modernização do Parque Escolar do Ensino Secundário, a Parque Escolar assinou oito novos contratos de empreitada relativos a intervenções em 16 escolas.
Os contratos dizem respeito a mais dois dos 18 concursos que compõem a referida fase e envolvem 21 empresas, 20 das quais distribuídas por sete consórcios, e um investimento total da ordem dos 185,3 milhões de euros.
O contrato de maior valor foi assinado com as construtoras Abrantina, Lena e MRG, que vão executar, por 29,9 milhões de euros, as empreitadas de ampliação e modernização das Escolas Secundárias Rainha D. Leonor e António Arroio, em Lisboa.
A Obrecol e a FDO garantiram, por 26,5 milhões de euros, trabalhos nas Escolas Secundárias de D. Inês de Castro e de Dr. Joaquim Gomes Ferreira Alves, ambas localizadas em Gaia.
Já o consórcio integrado pela Zagope, pela Avelino Farinha & Agrela e pela Arlindo Correia & Filhos vai efectuar, por 25 milhões de euros, as obras de remodelação das Escolas Secundárias de Paredes e Tomaz Pelayo, em Santo Tirso.
As Escolas Secundárias D. Maria II, em Braga, e Fontes Pereira de Melo, no Porto, vão entrar em obras avaliadas em 24,7 milhões de euros, a cargo da FCC Construccion, Domingos Silva Teixeira, Graviner e Casimiro Ribeiro & Filhos.
As intervenções nas Escolas Secundárias da Lousada e D. Filipa de Vilhena, no Porto, por seu turno, foram entregues, por 21,9 milhões de euros, à MonteAdriano e à Construções Gabriel A. S. Couto.

[continua...]

Como o Sr. Deputado também refere no seu texto a Mota-Engil, aqui fica um comunicado dos próprios e que infelizmente desmente a sua ideia:

A Mota-Engil Engenharia está a intervir em oito escolas inseridas no programa de modernização do Parque Escolar destinado ao ensino Secundário. As escolas em questão são a Passos Manuel (em consórcio com a HCI), a Gil Vicente, a Marquesa de Alorna, a Josefa de Óbidos e a Eça de Queiroz (todas em Lisboa), a D. Manuel I (em Beja), a Pedro Alexandrino (em Loures) e a escola secundária de Benavente.
A intervenção consiste em remodelar as escolas e dotá-las de novos edifícios, invertendo o ciclo de degradação e melhorando as condições de segurança e acessibilidade. Um dos grandes desafios resulta da necessidade de conciliar os trabalhos com o normal funcionamento das escolas, garantindo, ao mesmo tempo, a segurança de todos. Neste contexto, a Mota-Engil está contratualmente obrigada a compatibilizar os trabalhos com o calendário escolar. Esta condição levou a que a conclusão das fases de várias escolas coincidisse no tempo.
Os trabalhos correspondentes à primeira Fase das escolas Marquesa de Alorna, Josefa de Óbidos, D. Manuel I, Pedro Alexandrino e Benavente (esta última antecipando em 2 meses a data contratual) foram concluídos dentro do prazo, permitindo assim a mudança dos alunos para as novas instalações e a entrada da Mota-Engil nos edifícios correspondentes à 2.ª Fase. Os trabalhos da 1.ª Fase da escola Eça de Queiroz foram concluídos com a entrega de um edifício que entrou em utilização efectiva ainda no decorrer do 2.º Período do presente ano lectivo.
Já se realizou a mudança de fase nas escolas Passos Manuel, Gil Vicente, Eça de Queirós e Pedro Alexandrino. Nas duas primeiras, essa mudança foi a primeira desde o início da empreitada. Uma nota para o facto de as escolas Eça de Queirós e Pedro Alexandrino terem antecipado as datas contratuais para a conclusão da 2.ª Fase. Essa antecipação permitiu, no caso da escola Pedro Alexandrino, que a data de início da 3.ª Fase fosse antecipada, situação que não se verificou na Eça de Queirós devido a condicionalismos impostos pelo seu funcionamento.
Sendo a modernização das escolas uma intervenção global que envolve diversas especialidades, merecem ser destacados alguns trabalhos para os quais foi necessário o envolvimento de outros departamentos da empresa: as Fundações Especiais executaram as microestacas na escola Gil Vicente, estão a executar as paredes de contenção na Passos Manuel e o betão projectado em reforço de paredes na escola de Benavente; o departamento de Topometria monitorizou as galerias da escola Gil Vicente enquanto se procedia ao reforço, escavação e consolidação das suas fundações (com projecto elaborado pelo Gabinete Técnico); o departamento de Geotecnia realizou as campanhas de sondagens nas escolas Gil Vicente, Marquesa de Alorna e Josefa de Óbidos. A Mota-Engil Electromecânica tem também um papel muito importante no desenrolar desta empreitada, pois ficaram a seu cargo todos os trabalhos da sua especialidade em todas as escolas, excepto na Passos Manuel.
Outro facto relevante foi a descoberta, na escola Gil Vicente, de vestígios arqueológicos (o mais antigo dos quais remonta ao século VIII) que condicionaram a execução de dois edifícios a construir de raiz. Por este motivo, a Parque Escolar decidiu suspender a construção do pavilhão polidesportivo. A obra na escola Gil Vicente tem sido acompanhada por uma equipa de arqueólogos para garantir uma escavação cuidada da zona abrangida e o posterior registo e catalogação dos vestígios encontrados.
A Mota-Engil concluirá todos os trabalhos nas escolas Marquesa de Alorna, Josefa de Óbidos, Eça de Queiroz, D. Manuel I, Pedro Alexandrino e Benavente até à data contratual, a tempo de os alunos iniciarem o próximo ano lectivo nas novas instalações. As escolas Passos Manuel e Gil Vicente têm prazos contratuais mais extensos, pelo que os trabalhos nestas escolas serão concluídos no decorrer do próximo ano lectivo.
A intervenção da Mota-Engil neste lote de oito escolas prolongar-se-á após a conclusão dos trabalhos: ao abrigo da componente contratual de prestação de serviços, a Mota-Engil será responsável pela manutenção das instalações das escolas por um período máximo de 10 anos.

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4 Responses to Viva as PME’s!

  1. rui david says:

    está bem que ajuda a comprovar que o PC é um partido imensamente “plural” mas convenhamos que isto começa a ser um bocadinho ridículo. de um lado o Vidal a querer ser “anormal” e a precisar de sangue e muita agitação e frenesi futurista. Aqui, temos um contabilista preocupado com a questão das micro-pequenas e médias empresas. é preciso fazer obras nas escolas? sim, quer dizer, não para já, porque actualmente poderiam servir para difundir a ideologia burguesa e o sócrates tem percentagem nos lápis viarco e no papel navegantes fornecido às crianças, mas para depois de amanhã, quando o povo tomar o seu destino nas mãos, etc., de acordo. Mas a abrantina não quero porque a abrantina é “muito grande”, a monte adriano idem e a mota engil tem lá um empregado que não serve. Mas para onde é que esta bosta vai afinal? isto é uma crítica à exploração desenfreada do capitalismo? isto é crítica política? Isto é homilia de paróquia? será que se as empresas forem mais pequenas (abstraindo do facto de abrantina e o resto serem mercearias de esquina à escala ibérica, já não falemos noutros níveis de internacionalização) fornecem melhor trabalho, tratam melhor os proletas? distribuem melhor a riqueza? ao dar-se-lhes trabalho não correm o risco de ficar grandes e passarem, na lógica PC/PSD de protecção “aos pequenos” de se tornarem alvos a abater? A defesa das micromedias empresas inscreve-se nalguma táctica, nalguma estratégia revolucionária? Está no “que fazer?” Está no “estado e a revolução”? Ou é para passar o tempo quando não se tem mais nada “que fazer” do que encher estes chouriços …reformistas(?)?
    (Entretanto espero que o pateta das “bombas de urânio do Iraque” ali em baixo não se esqueça de vir, também aqui, fazer o seu comentário à relevância de posts como este para a resolução de (todos) os problemas da humanidade e arredores).

  2. rui david, você deve ter um doutoramento (certamente na Independente) em comentar textos que não dizem o que você diz dizerem. Mas olhe que o comentário sério não bate certo com esse doutoramento. Solte o chico da tasca que há dentro de si!

  3. rui david says:

    de facto tens razão, o post não diz nada.

  4. nada melhor do que citar o próprio Galamba, que em resposta a um comentário meu acerca de um post dele no jugular em que eu alertava para a obrigatoriedade de as empresas a concurso (recuperação das escolas) necessitarem de ter estaleiros em 5 distritos diferentes, excluindo assim as PME’s, disse:

    “Quanto à reabilitação das escolas, acha credível que se faça centenas de concursos públicos incluindo milhares de PME’s da área da construção? Como em tudo, há trade-offs e escolhas. E centralizar concursos poupa dinheiro.”

    no mínimo, contraditório

    aqui:
    http://jugular.blogs.sapo.pt/1296928.html#comentarios

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