O que distingue os acidentes de mota dos demais, à parte a sua habitual ferocidade, o facto de o corpo não encontrar protecções no embate com alvos fixos ou móveis e muitas vezes voar, qual Ícaro, até um regresso brutal à terra de que ousou descolar, está na frontalidade com que o acidentado aborda o desastre, olhando-o de frente, desprotegido e leve, até as mais das vezes se levantar e outras, menos frequentes, felizmente, acordar num hospital ou em lado nenhum (isto é, morrer, quer instantânea quer lentamente). O acidente de mota é pois o acidente de caras por excelência, e por isso está mais perto da tauromaquia do que dos outros acidentes de viação (embora a questão de saber se a mota é mais touro ou mais toureiro possa conduzir-nos a longas e temo que inconclusivas discussões).




Não sei se a mota é mais touro ou mais toureiro, mas o motoqueiro é tal e qual o herói de um exercício de estilo (substituindo o chapéu por um capacete, claro).
O motoqueiro foi apanhado pela Brigada de Trânsito.
O maior perigo para os motociclistas (já agora, é “moto” – abrev de motociclo – e não mota) são os condutores das viaturas de quatro rodas. A grande percentagem dos acidentes deve-se à distracção destes.
Ao longo de 30 e muitos anos não tive muitos acidentes e os que tive não acarretaram consequências físicas de registo. Tive apenas sorte? Claro que, sendo 90% dos meus amigos “motards”, é um facto, digo-o com enorme pesar, alguns não sobreviveram a um acidente. Mas também devo dizer que perdi muitos mais (amigos, familiares, etc) por doenças, nomeadamente do foro oncológico.
Não desejará o AF iniciar também uma série de postas em tom de campanha anti-tabágica – por exemplo?
Cumps
Aqui há tempos viam-se umas t-shirts com os seguintes dizeres (e sem as reticencias que aqui ficam: “Motoqueiro é a p.. que te pariu!”
Desta vez escapa sem multa, António.