Uma questão de transportes, 2
13 de Novembro de 2009 por António FigueiraO que distingue os acidentes de mota dos demais, à parte a sua habitual ferocidade, o facto de o corpo não encontrar protecções no embate com alvos fixos ou móveis e muitas vezes voar, qual Ícaro, até um regresso brutal à terra de que ousou descolar, está na frontalidade com que o acidentado aborda o desastre, olhando-o de frente, desprotegido e leve, até as mais das vezes se levantar e outras, menos frequentes, felizmente, acordar num hospital ou em lado nenhum (isto é, morrer, quer instantânea quer lentamente). O acidente de mota é pois o acidente de caras por excelência, e por isso está mais perto da tauromaquia do que dos outros acidentes de viação (embora a questão de saber se a mota é mais touro ou mais toureiro possa conduzir-nos a longas e temo que inconclusivas discussões).

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