O A.R. enfiou uma vez o pé direito na roda raiada de uma Honda Amigo, o pé foi seccionado como um salame, ele teve de fazer uma data de operações e andou anos de muletas, não sei se alguma vez ficou bom; o D.C. apita por todos os aeroportos onde passa, de tanta platina que tem no corpo, um malho monumental na estrada do Autódromo, maior do que todos os outros, deixou-o um ano estendido numa cama, teve de repetir o Propedêutico e acabou o curso um ano depois de mim; o J.P. morreu, acho que de morte instantânea, colado à parte de trás de um camião como uma mosca a um vidro, depois de devidamente golpeada por um mata-moscas, neste caso um táxi, ao pé do Museu dos Coches; só eu me safei, integral, e do ponto de vista retrospectivo, que é por definição o melhor e o mais justo (filosofia trágica da história), estou tentado a pensar que foi para passar a mensagem de que o perigo (este perigo, que é apenas mais um perigo) vem em duas rodas, a dificuldade (não só aqui e agora, mas sempre e em toda a parte) está em explicar, a alguém que não viveu o que eu vivi (e ninguém pôde viver exactamente o que eu vivi), aquilo que eu penso, com a veemência que é devida para explicar cabalmente e convencer esse alguém do carácter fundamental da mensagem que eu sou suposto passar. Espero ter-me feito entender.




Não, não fez. Ou sou eu que estou bronco às segundas. Péra lá, hoje não é 2ª…
Declaração de interesses: ando de moto há 40 anos e as minhas 3 filhas tiveram e/ou andaram de moto quase diariamente
PS: Sei de alguém que perdeu 2 familiares em 2 acidentes de avião, mas (plo menos até ver) não sentiu a necessidade de passar a mensagem(?) – tipo, “não deixem a família andar de avião, pois é mto perigoso”.
Cumps
Pois é, mas em relação às motas parece que em Portugal vigora a mesma desculpabilização social que em relação ao álcool. Isso e aquele mito estúpido do viver depressa e ter um cadáver bonito – o que muitas vezes não é caso, pois os acidentes de mota costumam deixar os acidentados muito maltratados.
Er… Eu ando de mota quase diáriamente… nos últimos seis meses fiz uma adenda de mais sete mil quilómetrozinhos ao odómetro, entre a A2/Ponte 25 de Abril, Lisboa cidade e mais umas voltinhas, entre AE’s, IP’s, IC’s e nacionais e… lá está. Às vezes é mesmo só controlar o punho e a adrenalina… E na verdade, o álcool e as duas rodinhas não se dão nada bem. Convém escolher antes.
Como me dizia um vendedor de motas e muito experiente motard:
-O grave muitas vezes não são os meninos, são os paizinhos que vão na conversa e lhes compram bombas para eles se passearem, a um disse eu, “dê-lhe uma caçadeira, com um tiro é mais rápido, e é ele sozinho”
Há quem se ponha nessas coisas e nem para andar de “acelera” tenha habilidade
ps: isto também se aplica aos carros
“que eu sou suposto”… ai esses anglicismos!
Ó Luís, tu pareces o corrector do Word! (que eu ignoro olimpicamente, mas como não te ignoro a ti, peço-te duas ou três alternativas a esta construção frásica; sabes, os barbarismos são as importações desnecessárias para a língua, como listagem em vez de lista, detalhe no lugar de pormenor, implementar no lugar de pôr em prática, etc.; agora as importações que suprem faltas da língua devem ser bem-vindas – se não estávamos todos a escrever como nos dias de antanho; abraço e vê se escreves, sinto a tua falta).
AF
Sei lá… por exemplo:”que eu supostamente devia passar” ou “que eu deveria passar”
Quanto a isso das saudades, mais fácil será marcarmos encontro aqui no bacalhau do costume…
E olha que nem 5 minutos foram precisos para dar comigo a usar essa frase abominável.
‘Tás a ver…