Justiça oculta
11 de Novembro de 2009 por Nuno Ramos de AlmeidaSegundo o Expresso online o presidente do Supremo Tribunal de Justiça declarou nulas as certidões baseadas nas escutas que envolviam as conversas entre Armando Vara e José Sócrates, baseando-se na seguinte argumentação: “Segundo apurou o Expresso, a decisão do Supremo Tribunal de Justiça, presidido por Noronha do Nascimento, baseia-se no facto de as escutas envolvendo o primeiro-ministro terem de ser previamente validadas por um tribunal superior”.
O argumento é fantástico. Como se sabe, as escutas não foram feitas a José Sócrates, mas a Armando Vara. Durante as escutas autorizadas judicialmente a Vara, os magistrados tropeçaram em conversas com Sócrates que eles acharam que indiciavam a prática de ilícitos criminais. Foram retiradas as devidas certidões, como envolviam o primeiro-ministro, foram enviadas ao Procurador Geral da República e seguidamente ao Supremo Tribunal de Justiça, para que a investigação desse ilícito fosse validada. A ser verdade a decisão noticiada, estamos perante um caso de ocultação e de grosseira violação da lei. Não conheço nenhum caso em que numa acção autorizada judicialmente se tropeça com um eventual ilícito criminal e que não se retire as devidas certidões e não se proceda à devida investigação. Os sinais são muito claros: com os actuais actores da justiça, os políticos e poderosos não têm que se preocupar, a justiça vela por eles. É convenientemente cega. Em Portugal, nunca haverá um caso semelhante às mãos limpas italianas, não porque o país seja impoluto, mas porque, a acreditar no Expresso, parece que há pouca gente que tenha as mãos nesse estado. E os que as têm, como os investigadores de Aveiro, estão de mãos atadas.

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