A Revolução de Outubro e a Queda do Muro
9 de Novembro de 2009 por Tiago Mota Saraiva
Estes dois momentos são determinantes para a história do séc. XX. Contudo, desde sempre, diferentes correntes historiográficas e/ou políticas procuram classificar o segundo momento como o símbolo da derrota do primeiro. Ora esta análise é inconcebível para quem, como eu, entende estes dois momentos como parte da história da luta dos povos.
Já por aqui escrevi que entendo que a Revolução de Outubro desempenhou um papel fulcral na evolução do mundo para uma sociedade mais justa, livre e democrática. As lutas internacionalistas pelo salário mínimo, diminuição do número de horas de trabalho ou pela emancipação da mulher, a crescente força dos sindicatos, o acesso universal à educação, desporto, saúde e habitação foram/são batalhas globais para as quais a União Soviética deu um contributo efectivo e determinante que não pode ser esquecido. Por outro lado, a União Soviética teve um papel fundamental no desenho do mundo que hoje conhecemos, no apoio à defesa pela autodeterminação dos povos, de Cuba a Timor, passando por Angola, Moçambique ou Portugal. O que teria sido feito do 25 de Abril, se a NATO e os EUA, estivessem sozinhos no mundo. Será que não teriam optado por defender a estrutura de poder existente, sempre pronta a insuflar a economia americana com as suas grandes obras (ver o exemplo da ponte “Salazar”)?
Claro que houve inúmeros erros no chamado “socialismo real” e, sobretudo aos comunistas, importa estudá-los e analisá-los. Nunca um país socialista ruiria da noite para o dia com a demolição de um muro. O socialismo da Revolução de Outubro já estava bem morto e enterrado à sombra de um PCUS onde pontificava Ieltsin e todas as mafias que hoje governam a Rússia.

A queda do muro também foi um importante momento da história da luta dos povos sem que, contudo, se tenha traduzido num desejado avanço. Só assim se pode compreender os estudos de opinião que revelam que a maioria dos habitantes da ex-RDA declaram que viviam melhor antes do que depois da queda do muro. Mas desengane-se quem interpreta esta tendência maioritária numa qualquer forma de apoio ao que anteriormente existia. A anexação e a gula capitalista são bem mais ferozes na sua estratégia imperial.
Mas o que importa perguntar, especialmente hoje no dia em que se dá todas as atenções à queda do muro, é se o mundo está melhor desde então? Julgo que não.
Ao contrário dos inúmeros ecos positivos que a Revolução de Outubro teve pelo mundo fora, as consequências que decorreram da queda do muro de Berlim provocaram que o mundo ficasse mais inseguro, que novas guerras florescessem, que a ideia de uma estrutura imperial única se assumisse de uma forma avassaladora e que se desencadeasse a contra-ciclo uma enorme ofensiva contra os direitos dos trabalhadores (desde o salário às condições de trabalho).


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