Uma pequena e bem merecida tareia no império de Toni Negri e Michael Hardt (certeiro! David Harvey no seu melhor)
7 de Novembro de 2009 por Carlos Vidal
«As abstracções de Commonwealth [o ultimo livro da trilogia anticapitalista (?) de Negri e Michael Hardt, agora publicado] soam bem, mas as propostas concretas estão algures noutro lugar. De facto, inúmeras propostas se vislumbram em Commonwealth, algumas contradizendo as outras. É, de certo modo, surpreendente aqui encontrar revolucionários e incendiários imperativos (“derrotar os poderes dominantes, destruir o ancien régime, destruir a máquina do estado – derrubar o capital, o mundo patriarcal e a supremacia branca – não é suficiente”) entrelaçados com apelos específicos aos governos mundiais para que providenciem um “rendimento garantido para todos os cidadãos”, educação básica também para todos, e acesso geral aos “conhecimentos e aptidões sociais e tecnológicas”, tanto quanto acesso à “participação na constituição da sociedade”. Certamente que eu compreendo por que é que eles pretendem colocar-se em ambos os percursos. De facto, também eu os assumo sempre – mas isso é o que todos esperam de revolucionários como eu, que reconheço a importância táctica e estratégica de, por vezes, defender posições reformistas; não é isso, contudo, que se espera de Negri e [Michael] Hardt. É o estado que eles pretendem derrubar aquele que, na Escandinávia, França, Alemanha ou Grã-Bretanha, providencia acesso universal a cuidados de saúde?»
Bom, continua David Harvey a propósito de Commonwealth e da trilogia que conclui (Empire, 2000; Multitude: War and Democracy in the Age of Empire, 2004), «bem-vindos ao clube daqueles que vêem o reformismo como um prelúdio para a revolução» (!!!). Frase brilhante, que resume todo o programa de Negri e Hardt. Continuemos, concluamos.
«Há muitos sentimentos incompletos como este em Commonwealth – o que quer dizer que há ainda muito por fazer. Esperamos com ansiedade o próximo livro de Negri e Hardt. Espero nele encontrar menos Spinoza e mais Marx, menos relacionalidades e imaterialidades [há muito descobertas por Marx, no fundo], algumas das quais muito poeticamente aqui evocadas, e mais elementos sobre os problemas que emergem em torno das questões materiais da representação, objectualização e reificação. Chega de relacionalidades e imaterialidades! Que tal falarmos de políticas concretas, da organização política actual, de acções concretas?» (Análise de David Harvey, Artforum, Novembro).
A resposta, ainda a dois, de Negri e Hardt começa deste modo: «Os marxistas são célebres por reservarem as suas mais severas críticas para outros marxistas….». Resposta que, por acaso, ou não, não apetece muito ler, e continua neste mesmo tom, estamos reconhecidos a David Harvey, nosso companheiro marxista, pela sua leitura, etc., etc.
Pois bem, pois bem, Negri e Hardt, companheiros marxistas, continuarei este post depois de acabar a leitura do livro (que ainda não me chegou, e nem sei se voltarei ao assunto – é provável que Ticiano [exposição no Louvre],

ou Augusto Alves da Silva [este expondo em Serralves] se interponham, mais proveitosamente).


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