José António Saraiva e a moda da homossexualidade

José António Saraiva questiona neste artigo até que ponto a homossexualidade se terá instalado nas sociedades contemporâneas – do rato ao Marais – como uma moda. Contra a ameaça do momento, bem capaz de nos destabilizar as referências, oferece-nos a excelência da sua coragem para enfrentar o politicamente correcto. Fá-lo numa sofisticadíssima dicotomia entre homossexualidade genética e aquela que decorre da moda. A verdade é que, no meio de umas tantas linhas sofríveis, António José Saraiva acaba por nos oferecer um excelente tratado do que seja o atavismo.

Ora detenhamo-nos então na palavra atavismo: “Propriedade de os seres reprodutores comunicarem aos seus descendentes, com intervalo de geração, qualidades ou defeitos que lhe eram particulares.”

Pois bem. O texto de José António Saraiva ressalta como o justo testemunho de um ser reprodutor – porque heterossexual, claro está – a tentar passar os seus preconceitos às gerações seguintes. Oxalá fracasse a bem da espécie. E da moda, claro.

(publicado originalmente aqui)

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7 respostas a José António Saraiva e a moda da homossexualidade

  1. Ibn Erriq diz:

    Pois é, todos os que pensam diferente de mim são poços de feitos e atávicos, não é Bruno Sena Martins? Enfim!

  2. jesus diz:

    quem é esse josé antónio saraiva?Caguem nele!

  3. ECD diz:

    Este artigo é bem ilustrativo da patetice de senso comum disfarçada com umas gotas de erudição que é o “pensamento” do pequeno arquitecto. Mesmo assim neste texto ainda desce mais baixo. Indigente e a “roçar” mesmo o insulto . Para ficar definitivamente na galeria dos “acacianos” este Sarariva só precisa de levar umas bengaladas! Peço contudo que ningém as dê. O JAS ainda ficava todo contente [vejam, vejam… eu sou mesmo importante]

    Como foi possível ter sido tanto tempo director do Expresso? como foi possivel que depois do Expresso ainda o tenham vindo buscar para ” director-fundador”de um semanário – pobrezito é certo, de “frete” como toda a gente constata… mas mesmo assim ainda lido por 20.000 ou 30.000 portugueses!

  4. manuela diz:

    com intervalo de geração

    E ele é a primeira vítima desse intervalo. Como é que um pai daqueles – António José Saraiva, um homem brilhante – deu tal filho!
    Saiu ao tio, só pode, e mesmo assim o tio vai uns bons neurónios à frente.

  5. /me diz:

    A minha resposta ao senhor:

    A palavra moda parece-me algo leviana para um aspecto tão central da vida das pessoas. Com quem se namora, com quem se casa, é assunto de grave importância. Que uma pessoa “decida” (por se sentir, em natureza e por respeito a si mesma, obrigada a tal, ou por outros motivos) relacionar-se amorosamente com pessoas do mesmo género sexual acarreta consequências graves. Ir contra o socialmente estabelecido não é nada, mas nada, fácil. Que alguém o faça só por moda, pobre fashion victim. Não excluo que aconteça, mas acho estranho. Acredito mais que pessoas que estejam entre a homossexualidade e a heterossexualidade (o mundo não é a preto e branco) venham a afirmar uma ou outra com mais veemência. Muitos afirmam-se pela homofobia, outros afirmar-se-ão por um orgulho exacerbado e com exibicionismo. Entre os dois, prefiro os segundos, que não fazem mal a ninguém.

    Falamos em pressões sociais. Quantos homossexuais se casaram – e casam – com pessoas do sexo oposto, para poder cumprir os desejos da sociedade? É isso que queremos? Devíamos ter uma sociedade onde as pessoas se pudessem sentir bem na sua própria pele. Onde esta questão do ser gay ou hetero fosse irrelevante – cada um é o que é e está bem assim, que seja feliz. Só assim se poderá acabar com modas, quer num sentido quer noutro.

    Como JAS reconhece, parece haver pessoas que nasceram e viverão gays (se não for 10%, será uma percentagem nada desprezável). E para esses, que propostas temos, enquanto sociedade? Que vivam sossegados, tímidos, pedindo desculpa de existir? Que não se mostrem demasiado para não nos ofender os olhos? Que se reconheçam como geneticamente/biologicamente/socialmente inferiores? Que assumam que os seus relacionamentos amorosos/sexuais são inferiores aos dos heterossexuais?

    Não há aspecto muito mais central na vida de uma pessoa que os seus relacionamentos; apoucar os mesmos é apoucar a própria pessoa (basta pensar em como JAS reagiria se eu começasse a dizer que o seu casamento é coisa que vale pouco, sem significado). Se a questão é os casais gays não poderem ter filhos, estão em igualdade de circunstâncias com heteros que não possam ou não queiram ter filhos.

    Meu caro JAS, respeito-o mas gostava de o ouvir falar (ou antes, de o ler) de uma forma mais humana. Lembrando-se de que os gays são seres humanos como os demais e que neste momento os preconceitos sociais os atiram para o gueto dos rejeitados. Sim, nalgumas franjas da sociedade já não é assim, nalguns programas de televisão já se explora comercialmente a homossexualidade como a heterossexualidade, mas que continua a haver miúdos rejeitados pelos pais por serem gays, miúdos espancados por colegas, miúdos (e não poucos…) que se suicidam por serem gozados… E o que incomoda é que alguns desses miúdos se consigam defender sendo mais exuberantes, mais “in-your-face”, mais “tenho orgulho em ser quem/como sou”?

    Que respostas oferece a sociedade aos homossexuais? Que papel espera deles, que importância lhes dá? Queremos que sejam cidadãos de segunda, há razões para isso? Por mim, a resposta é clara: temos de ser todos iguais perante a lei.

    PS: Falar de caixa de Pandora é usar a tática do medo. Ou bem que uma medida é socialmente justa ou bem que não é. Também o divórcio era uma caixa de Pandora, a libertação dos escravos também, o poder de voto das mulheres idem. Fazer o que é bom e justo pode trazer consequências, sim. Quando estas vierem, teremos de tratar/escolher que sejam também elas boas e justas.

  6. Luís Correia diz:

    Perdão… Quem é o José António Saraiva?! Pela indiscrição sobre a Fernanda Câncio e um flâneur em Paris presume-se que seja filho do matrimónio do Carlos Castro e do Baudelaire (matrimónio mais improvável do que legalmente desenquadrado… até ver!).
    Ler não valeu a pena. Fui ver… não gostei – está passado – senão dava-lhe umas instruções sobre o que ver e fazer no Marais/Bastille…
    O Eduardo Nogueira Pinto escreve melhor e já me excita. Não pelo que escreve, claro! Confesso que fico com o membro entumescido com heterossexuais não testados por métodos de observação fidedignos que, mau grado as manifestações de homofobia, exibam uma estrutura mental madura para a tenra idade e até pêlos no peito. E, falando no mesmo tom e propriedade do JAS, posso afirmar que não desdenham o sexo forçado e sexualmente são passivos. Bem hajam! E muitos!

  7. Mark diz:

    A culpa é desses heterossexuais ! Eles é que têm filhos homossexuais!

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