Goodbye, Mr. Socialism

“Recordo-me daqueles imensos festejos, a multidão que atravessava o Muro e que ao mesmo tempo o demolia. Tenho aqui em casa, justamente, um pedaço do Muro, numerado, um pedação que me foi dado por um velho amigo, um teólogo. A demolição do Muro e a travessia da Porta de Brandeburgo foram acontecimentos verdadeiramente entusiasmantes de inúmeros pontos de vista, sejam quais forem as conclusões a que hoje possamos chegar. Na minha visão, 1989 corresponde a 1968. Enquanto que em 1968 se destruíram muros que oprimiam a nossa sociedade, em 1989 destruiu-se o muro que defendia o socialismo real, detendo-o à margem do mercado mundial. Então, como eu dizia, vi na televisão essa população feliz, que vinha a este lado comprar um par de sapatos; no fundo eram verdadeiramente miseráveis dentro da nova ideologia comunista, mas nada disso se podia comparar à alegria genuína que sentiam ao sair daquele mundo totalitário, ao encontrarem um pouco de liberdade.”

Antonio Negri, em ”Goodbye, Mr. Socialism”. Editado em Portugal, há pouco tempo, pela Ambar e com o título “Adeus, Senhor Socialismo”.

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6 Responses to Goodbye, Mr. Socialism

  1. ali la pointe says:

    Para o Mr. Negri, já não há muros. Basta ler a sua obra miserável, “Império”. E o Zé Neves aplaude. Viva a liberdade de mercado!

  2. rui david says:

    Ui! Vem aí a Carga da Brigada Brejnev

  3. jesus says:

    zé neves,até pareces do PSD/PS/CDS.E acerca do muro da Palestina nada dizes?Palhaço!

  4. zé do boné says:

    -Vieram à festa do “mercado” capitalismo…embriagaram-se até aos ossos …hoje estão com uma ressaca que nem se lambem.
    - Haver vamos se os verdadeiros miseráveis, aqueles que sempre têm pago as orgias do capital estarão dispostos a continuar a suportar as despesas das festas da nobreza/plebeia ocidental falida.

    (a)”Excerto de texto de Javier Blas (em Londres) e James Lamont em (Nova Delhi), publicado no Finantial Times, actualizado a 4 de Novembro de 2009. O que a China e a India estão a fazer é a libertar as suas reservas das contingências monetárias das “economias ocidentais” e a valorizá-las em ouro, por via de compras maciças. Atenção aos sinais!

    Compra de ouro da Índia faz o preço do ouro atingir record

    Os preços do ouro continuaram a subir na 4ª-feira, atingindo os mais altos níveis de sempre que acompanharam a compra de 200 toneladas do precioso metal pelo Banco Central da Índia, trocando dólares por barras de ouro, depois do ministro das finanças do país, ter considerado que as economias dos EUA e da Europa tinham entrado “em colapso”.

    A decisão da Índia de trocar 6,7 milhares de milhões de dólares por ouro, o que equivale a 8% da produção mundial mineira anual, deu o mais forte sinal de que os países da Ásia estão a afastar-se da moeda dos EUA.

    Esta compra, através do FMI, empurrou os preços do ouro para um record de 1,090.90 dólares por onça”troy”, subindo 2.6% num dia, já que os “traders” apostaram que outros bancos centrais também se tornariam compradores.

    O ministro das finanças da Índia, Pranab Mukherjee, disse que a aquisição reflectia o poder de uma economia que terá a 5ª maior reserva mundial: “Temos dinheiro para comprar ouro. Temos bastantes reservas em divisas”.

    Ele contrapôs a força indiana à fraqueza no resto do mundo: “A Europa entrou em colapso, assim como os EUA”.

    “Este é uma transacção de referência”, disse Jonathan Spall, um director na Barclays Capital e especialista em ouro. “Os bancos centrais são instituições conservadoras e a iniciativa da Índia é um sinal para outros bancos centrais e para fundos de riqueza nacionais que estão a considerar comprar de ouro”.

    A aquisição de Nova Deli deu-se meses depois da China (de longe o 1º mundial em reservas) ter revelado que quase duplicou as suas reservas em ouro nos últimos seis anos.

    “Traders” e executivos “mineiros” advertem que os fundos nacionais da China, Arábia Saudita e Médio Oriente se candidatam a tomar posse do resto do ouro que o FMI planeia vender. [Photo]”

    (a) Gamado do blog Anónimo séc xxi

  5. Miguel Botelho says:

    É pena não mencionar esse verdadeiro muro da vergonha que separa Israel dos territórios palestinianos, agora cada vez mais ocupados por israelitas.
    Como também é pena não escrever, investigar acerca dessa lamentável barreira que divide mexicanos e norte-americanos.
    Qual a razão desse silêncio em relação a estes novos muros?
    Porque razão apenas investiga restos de um passado ou experiência socialista, bem ao gosto dos leitores que se enquadram entre a social democracia e o centro democrático social?
    Talvez, seja melhor não falar do muro de Israel, porque perderá algum prestígio entre os leitores que tenta cativar.
    Sempre será prudente não afligir aqueles que realmente ameaçam a paz, com as suas guerras e muros da vergonha.

  6. Carlos Vidal says:

    Poderemos falar disto noutra ocasião, com tempo e espaço para tal.
    Mas, por este andar, parece-me que Negri (e Hardt) caminha a passos largos para um “goodbye, mr. Negri”. Oxalá eu me engane. Mas, pela porrada certeira de um longo ensaio que acima refiro de David Harvey, acho que “Commonwealth” não será mais do que um passo no caminho incerto do impasse total. Satisfaz-me mais o minúsculo “La Comunità que Viene”, de Agamben, que o gigantismo da obra de Negri/Hardt.
    Caríssimo, eles de facto não são nem Marx/Engels nem Deleuze/Guattari. Não são mesmo.
    Até breve.

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