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A atracção pelas «grandes» frases

5 de Novembro de 2009 por Tiago Mota Saraiva

“Estas coisas acontecem porque a democracia tem regras, enquanto as ditaduras não as têm”

Tomás Vasques em grande, embora não compreenda o seu argumento.
Acrescento à discussão um número que o autor me parece não querer nem ouvir falar: apenas 21,38% dos cidadãos eleitores votou no seu partido socialista. Se é um facto que 59,74% dos cidadãos eleitores podiam ter votado e não o fizeram – pelas mais diversas razões, também é verdade que apenas 1 em cada 5 cidadãos eleitores se deu ao trabalho de fazer a cruzinha no partido socialista.
Sendo assim o PS tem toda a legitimidade para formar governo e governar, tem toda a legitimidade para apresentar o programa de governo e orçamento que bem entenda, tal como a oposição tem toda a legitimidade para não os aprovar. Com o resultado das eleições, o parlamento ganhou responsabilidades para fazer e aprovar as novas leis do país, deixando de existir apenas como uma muleta do governo, identidade patética a que se viu confinado na passada legislatura pela subserviência da bancada socialista.
Agora declarar que a maioria dos portugueses subscreve o programa político do PS, é mentira.

Comentários

Comentário de José Dias
Data: 5 de Novembro de 2009, 12:58

Se é verdade que só 21,38% votaram PS, muito menos votaram em cada um dos partidos da oposição. Os que não votaram demitiram-se de qualquer exercício de cidadania, mas também não “pertencem” às oposições. Em eleições democráticas a legitimidade é conferida por quem se pronuncia validamente. Ninguém pode retirar à oposição o direito de se opor às propostas de quem governa, mesmo que seja apenas para estar “contra”, mas não pode querer substituir-se ao governo, mesmo com estranhas combinações de sinais contrários.
Isso é não “fazer” nem sair de cima.

Comentário de R.
Data: 5 de Novembro de 2009, 13:50

Desmontando a demagogia, frase a frase.
Muito bem, Tiago.

Comentário de Tiago Mota Saraiva
Data: 5 de Novembro de 2009, 16:58

Assim à primeira vista diria que a “oposição negativa” seria de grande utilidade para o país se conseguisse consensualizar algumas regras no combate à corrupção.

Comentário de rui david
Data: 5 de Novembro de 2009, 20:22

eu acho que estas coisas têm sempre o seu reverso. Como por exemplo quando o PC, que tem quê… cinco por cento dos votos possíveis? fala convicto em nome “dos trabalhadores” e das “amplas massas”?
Mas conceda-se que a questão da abstenção e do nulo não podem ser ignoradas.
Trata-se do problema da representação referido pelo ZéNeves num outro post aí em baixo. Um problema sério para cuja discussão não contribuem nada posts demagógicos e exclusivamente preocupados com o dividendozinho político de curto prazo como este.

Comentário de carlos graça
Data: 5 de Novembro de 2009, 23:20

Parece-me que cada vez mais, a idéia que faço dos políticos de Portugal, é que desde o Marquês de Pombal, que não temos quem verdadeiramente nos governe….

Comentário de Vasco Coelho
Data: 5 de Novembro de 2009, 23:37

na senda da questão da legitimidade só ainda não percebi a “obrigação” de aceitar o programa do governo…mas então porquê que a Constituição prevê a possibilidade do programa não ser aceite pela Assembleia?? Se a maioria do Parlamento não concorda com Aeroportos e TGV’s porquê aceitar esse programa?

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