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	<title>Comentários em: Tudo o que há para saber acerca das vanguardas soviéticas, momento único da arte do século XX</title>
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		<title>Por: James Cook Alvega</title>
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		<dc:creator>James Cook Alvega</dc:creator>
		<pubDate>Sun, 23 Jan 2011 18:52:12 +0000</pubDate>
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		<description>No meio desses nomes todos faltou-lhe este:

http://en.wikipedia.org/wiki/Alexander_Rodchenko

Genial, mas é apenas a minha opinião.

:-)</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>No meio desses nomes todos faltou-lhe este:</p>
<p><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Alexander_Rodchenko" rel="nofollow">http://en.wikipedia.org/wiki/Alexander_Rodchenko</a></p>
<p>Genial, mas é apenas a minha opinião.</p>
<p> <img src='http://5dias.net/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif' alt=':-)' class='wp-smiley' /> </p>
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	<item>
		<title>Por: promessas para 2000 e 10, santos e pecadores &#171; vi um homem que viu outro que viu o mar</title>
		<link>http://5dias.net/2009/10/31/tudo-o-que-ha-para-saber-acerca-das-vanguardas-sovieticas-momento-unico-da-arte-do-seculo-xx/comment-page-1/#comment-114013</link>
		<dc:creator>promessas para 2000 e 10, santos e pecadores &#171; vi um homem que viu outro que viu o mar</dc:creator>
		<pubDate>Fri, 01 Jan 2010 03:15:32 +0000</pubDate>
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		<description>[...] o nome dos mártires de esquerda em vão. usar a iconografia respectiva com parcimónia.  tolerar os pobres de espírito que tratam malevich como uma coisa. usar e deixar de [...]</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>[...] o nome dos mártires de esquerda em vão. usar a iconografia respectiva com parcimónia.  tolerar os pobres de espírito que tratam malevich como uma coisa. usar e deixar de [...]</p>
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	<item>
		<title>Por: Carlos Vidal</title>
		<link>http://5dias.net/2009/10/31/tudo-o-que-ha-para-saber-acerca-das-vanguardas-sovieticas-momento-unico-da-arte-do-seculo-xx/comment-page-1/#comment-110104</link>
		<dc:creator>Carlos Vidal</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 02 Nov 2009 18:16:46 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://5dias.net/?p=26893#comment-110104</guid>
		<description>Ricardo, o meu comentário ao teu comentário teria de começar por uma observação crítica: não sei o que é isso de se pedir a um artista afecção ou desafecção, de se pedir ou dele se esperar tal aproximação ou afastamento em relação a um regime, estado, forma de vida institucional ou política. Penso que tal não existe, não existiu, nem na União Soviética nem em qualquer outro lugar, como te posso (tentar) demonstrar. Não querendo maçar ninguém com listas de nomes, permite-me que te cite alguns artistas exemplares, da URSS e dos EUA/Europa que não revelaram nunca afecções, se bem que na URSS os nomes que citarei poderiam tal sugerir num certo momento:
Isto é, caríssimo, para simplificar estás a pedir a gente como Lissitzky, Vertov, Malevich, Kandinsky, Prokofiev, Shostakovich, Horowitz ou Rostropovich ..., algo que não vejo pedires a autores como Gottlieb, Rothko, Ad Reinhardt, Newman, Pollock (sinalizando estes o momento em que Nova Iorque &quot;roubou&quot; a Paris a capitalidade da arte contemponrânea), ainda Warhol, Don Judd, Dan Graham (um favorito meu), Kosuth, Leonard Bernstein, Aaron Copland, Cage, Jasper Johns ou Pierre Boulez e Messiaen ..... Não te passaria certamente pelo pensamento pedires a estes afecção ou desafecção para com as sociedades do &quot;mundo livre&quot; que habitaram, até porque, neste &quot;mundo livre&quot; muito sofreram (sobretudo nos anos 80) os artistas, perseguições várias, desafecção de fundos (!!), censuras, escárnio social, etc. Lembra-te da época da sida nos EUA. Eu recordo-te: quando em 1989 morreu Mapplethorpe de sida (ou o interessantíssimo pintor David Wojnarowitz), museus que o/os exibissem foram ameaçados por senadores famosos, como Jesse Helms, de cortes de fundos imediatos devidos pelo National Endowment for the Arts, ou National Endowment for the Humanities (organismos federais). Digo-te mesmo que uma obra como o &quot;Piss Christ&quot; de Andres Serrano causou um escândalo bem maior nos EUA que a ópera (uma das maiores do século XX, na minha opinião) &quot;Lady Macbeth de Mtsensk&quot; de Shostakovich na URSS (que levou Estaline a abandonar a sala na récita de estreia). Na década de 80, de perseguição nos EUA aos artistas mais radicais, a URSS paradoxalmente gozou de muito maiores liberdades criativas, com dois nomes a destacarem-se: Bulatov (hoje quase esquecido) e Ilya Kabakov (este ainda um dos maiores artistas das últimas décadas). Podes sempre argumentar que isso deveu-se à abertura de Gorbatchov, mas tal é um erro. Como muitas histórias da arte soviética têm demonstrado, nunca as tendências mais vanguardistas &quot;pararam&quot; de ser produzidas na URSS. Podes dizer-me que circulavam num mercado ou em espaços &quot;subterrâneos&quot;. OK, e onde circulavam artistas como Don Judd ou Kosuth, ou o performer Allan Kaprow? Ora, resolve-me este problema: quando circulavam no espaço mainstream era porque houve sempre uma apropriação de algo conhecido desde Adorno como &quot;indústria cultural&quot;, porque as obras dos vanguardistas dos anos 60 e 70 nunca interessaram muito; a indústria cultural apropriava-se delas como de obras sem significado especial (ler Peter Burger, por exemplo, e depois Benjamin Buchloh). Quanto à censura violentíssima nos EUA pós-morte de Mapplethorpe ler (indispensável, regista sff) de Steven Dubin, &quot;Arresting Images: Impolitic Art and Uncivil Actions&quot;, Routledge, 1992.
Enfim, contradições, contradições, contradições.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Ricardo, o meu comentário ao teu comentário teria de começar por uma observação crítica: não sei o que é isso de se pedir a um artista afecção ou desafecção, de se pedir ou dele se esperar tal aproximação ou afastamento em relação a um regime, estado, forma de vida institucional ou política. Penso que tal não existe, não existiu, nem na União Soviética nem em qualquer outro lugar, como te posso (tentar) demonstrar. Não querendo maçar ninguém com listas de nomes, permite-me que te cite alguns artistas exemplares, da URSS e dos EUA/Europa que não revelaram nunca afecções, se bem que na URSS os nomes que citarei poderiam tal sugerir num certo momento:<br />
Isto é, caríssimo, para simplificar estás a pedir a gente como Lissitzky, Vertov, Malevich, Kandinsky, Prokofiev, Shostakovich, Horowitz ou Rostropovich &#8230;, algo que não vejo pedires a autores como Gottlieb, Rothko, Ad Reinhardt, Newman, Pollock (sinalizando estes o momento em que Nova Iorque &#8220;roubou&#8221; a Paris a capitalidade da arte contemponrânea), ainda Warhol, Don Judd, Dan Graham (um favorito meu), Kosuth, Leonard Bernstein, Aaron Copland, Cage, Jasper Johns ou Pierre Boulez e Messiaen &#8230;.. Não te passaria certamente pelo pensamento pedires a estes afecção ou desafecção para com as sociedades do &#8220;mundo livre&#8221; que habitaram, até porque, neste &#8220;mundo livre&#8221; muito sofreram (sobretudo nos anos 80) os artistas, perseguições várias, desafecção de fundos (!!), censuras, escárnio social, etc. Lembra-te da época da sida nos EUA. Eu recordo-te: quando em 1989 morreu Mapplethorpe de sida (ou o interessantíssimo pintor David Wojnarowitz), museus que o/os exibissem foram ameaçados por senadores famosos, como Jesse Helms, de cortes de fundos imediatos devidos pelo National Endowment for the Arts, ou National Endowment for the Humanities (organismos federais). Digo-te mesmo que uma obra como o &#8220;Piss Christ&#8221; de Andres Serrano causou um escândalo bem maior nos EUA que a ópera (uma das maiores do século XX, na minha opinião) &#8220;Lady Macbeth de Mtsensk&#8221; de Shostakovich na URSS (que levou Estaline a abandonar a sala na récita de estreia). Na década de 80, de perseguição nos EUA aos artistas mais radicais, a URSS paradoxalmente gozou de muito maiores liberdades criativas, com dois nomes a destacarem-se: Bulatov (hoje quase esquecido) e Ilya Kabakov (este ainda um dos maiores artistas das últimas décadas). Podes sempre argumentar que isso deveu-se à abertura de Gorbatchov, mas tal é um erro. Como muitas histórias da arte soviética têm demonstrado, nunca as tendências mais vanguardistas &#8220;pararam&#8221; de ser produzidas na URSS. Podes dizer-me que circulavam num mercado ou em espaços &#8220;subterrâneos&#8221;. OK, e onde circulavam artistas como Don Judd ou Kosuth, ou o performer Allan Kaprow? Ora, resolve-me este problema: quando circulavam no espaço mainstream era porque houve sempre uma apropriação de algo conhecido desde Adorno como &#8220;indústria cultural&#8221;, porque as obras dos vanguardistas dos anos 60 e 70 nunca interessaram muito; a indústria cultural apropriava-se delas como de obras sem significado especial (ler Peter Burger, por exemplo, e depois Benjamin Buchloh). Quanto à censura violentíssima nos EUA pós-morte de Mapplethorpe ler (indispensável, regista sff) de Steven Dubin, &#8220;Arresting Images: Impolitic Art and Uncivil Actions&#8221;, Routledge, 1992.<br />
Enfim, contradições, contradições, contradições.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Ricardo Noronha</title>
		<link>http://5dias.net/2009/10/31/tudo-o-que-ha-para-saber-acerca-das-vanguardas-sovieticas-momento-unico-da-arte-do-seculo-xx/comment-page-1/#comment-110094</link>
		<dc:creator>Ricardo Noronha</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 02 Nov 2009 16:09:57 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://5dias.net/?p=26893#comment-110094</guid>
		<description>Bom Carlos, mas fica por explicar a desafecção progressiva de muitos dos artistas que mencionaste para com o regime soviético, a começar por Maiakovsky. Bem como a relação problemática com o surrealismo. 
Por outro lado, um texto existe que, não estando acima de críticas e debates, me parece exprimir uma relação muito mais satisfatória entre política e estética do que a linha que predominou no PCUS, associada a Zdanov. 
Refiro-me, naturalmente, ao «Manifesto por uma arte revolucionária independente»,redigido por Trotski, Rivera e Breton, no México, em 1938: &quot;Sob a influência do regime totalitário da URSS e por intermédio dos organismos ditos “culturais” que ela controla nos outros países, baixou no mundo todo um profundo crepúsculo hostil à emergência de qualquer espécie de valor espiritual. Crepúsculo de abjeção e de sangue no qual, disfarçados de intelectuais e de artistas, chafurdam homens que fizeram do servilismo um trampolim, da apostasia um jogo perverso, do falso testemunho venal um hábito e da apologia do crime um prazer. A arte oficial da época estalinista reflete com uma crueldade sem exemplo na história os esforços irrisórios desses homens para enganar e mascarar seu verdadeiro papel mercenário.&quot;
[http://fiari.blogspot.com/2008/03/manifesto-da-fiari-de-1938.html]
E digo isto sem desconhecer as posições tomadas por Trotsky entre 1917 e 1921, seguramente mais autoritárias do que as de Estaline.
Fica o resto do debate por realizar, pelo menos por enquanto. Colocas-me a questão de situar com precisão cronológica a degenerescência burocrática da URSS. Respondo-te que cada decisão tomada assumiu a forma de uma encruzilhada, na qual várias opções se apresentavam enquanto possibilidade. As respostas a cada um dos problemas determinaram o processo numa direcção. Mas nada disso foi inevitável.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Bom Carlos, mas fica por explicar a desafecção progressiva de muitos dos artistas que mencionaste para com o regime soviético, a começar por Maiakovsky. Bem como a relação problemática com o surrealismo.<br />
Por outro lado, um texto existe que, não estando acima de críticas e debates, me parece exprimir uma relação muito mais satisfatória entre política e estética do que a linha que predominou no PCUS, associada a Zdanov.<br />
Refiro-me, naturalmente, ao «Manifesto por uma arte revolucionária independente»,redigido por Trotski, Rivera e Breton, no México, em 1938: &#8220;Sob a influência do regime totalitário da URSS e por intermédio dos organismos ditos “culturais” que ela controla nos outros países, baixou no mundo todo um profundo crepúsculo hostil à emergência de qualquer espécie de valor espiritual. Crepúsculo de abjeção e de sangue no qual, disfarçados de intelectuais e de artistas, chafurdam homens que fizeram do servilismo um trampolim, da apostasia um jogo perverso, do falso testemunho venal um hábito e da apologia do crime um prazer. A arte oficial da época estalinista reflete com uma crueldade sem exemplo na história os esforços irrisórios desses homens para enganar e mascarar seu verdadeiro papel mercenário.&#8221;<br />
[http://fiari.blogspot.com/2008/03/manifesto-da-fiari-de-1938.html]<br />
E digo isto sem desconhecer as posições tomadas por Trotsky entre 1917 e 1921, seguramente mais autoritárias do que as de Estaline.<br />
Fica o resto do debate por realizar, pelo menos por enquanto. Colocas-me a questão de situar com precisão cronológica a degenerescência burocrática da URSS. Respondo-te que cada decisão tomada assumiu a forma de uma encruzilhada, na qual várias opções se apresentavam enquanto possibilidade. As respostas a cada um dos problemas determinaram o processo numa direcção. Mas nada disso foi inevitável.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Pedro Penilo</title>
		<link>http://5dias.net/2009/10/31/tudo-o-que-ha-para-saber-acerca-das-vanguardas-sovieticas-momento-unico-da-arte-do-seculo-xx/comment-page-1/#comment-110014</link>
		<dc:creator>Pedro Penilo</dc:creator>
		<pubDate>Sun, 01 Nov 2009 14:05:52 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://5dias.net/?p=26893#comment-110014</guid>
		<description>A tua resposta ao Ricardo Noronha e a que me diriges - com todas as dúvidas incluídas e necessárias - estão em consonância com a leitura que também tenho feito.

Por exemplo, a questão do regresso ao realismo na URSS. Também eu tenho sentido que se não tem em conta essa &quot;internacionalização&quot; de realismos a que te referes. Não se nega com isto o papel que as instituições do estado soviético tenham tido na reafirmação do Realismo. Mas esse é também o papel &quot;normalizador&quot; de qualquer estado, socialista ou capitalista. É preciso ter em conta, que o realismo academizante é, ainda hoje, mesmo depois de todas as vanguardas, aquela forma que as massas mais reconhecem como &quot;arte&quot;. Com isto não estou a querer legitimar a instituição do realismo socialista como arte estatal. Prefiro muito mais a posição sobre esta matéria, formulada por Álvaro Cunhal, em 1978, na Assembleia de Artes e Letras de Lisboa, em que se postulava que o Partido a) não impõe uma linha estética; b) entretanto, espera dos seus artistas que façam também da sua arte um instrumento da luta ideológica e política (palavras minhas, para resumir). Mas, claro, os tempos eram outros, tinha havido tempo para amadurecer as ideias.

Mas como não me contento com a ideia de que há apenas uma resposta à pergunta &quot;que deve fazer o artista revolucionário?&quot;, sendo eu um apaixonado pelas vanguardas, prefiro, contudo, pensar que tudo se resolve na tensão entre tradição - comunicação - subversão. Que cada qual vá resovendo em que &quot;porções&quot; disto toma, ou de que campo parte para a sua abordagem.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>A tua resposta ao Ricardo Noronha e a que me diriges &#8211; com todas as dúvidas incluídas e necessárias &#8211; estão em consonância com a leitura que também tenho feito.</p>
<p>Por exemplo, a questão do regresso ao realismo na URSS. Também eu tenho sentido que se não tem em conta essa &#8220;internacionalização&#8221; de realismos a que te referes. Não se nega com isto o papel que as instituições do estado soviético tenham tido na reafirmação do Realismo. Mas esse é também o papel &#8220;normalizador&#8221; de qualquer estado, socialista ou capitalista. É preciso ter em conta, que o realismo academizante é, ainda hoje, mesmo depois de todas as vanguardas, aquela forma que as massas mais reconhecem como &#8220;arte&#8221;. Com isto não estou a querer legitimar a instituição do realismo socialista como arte estatal. Prefiro muito mais a posição sobre esta matéria, formulada por Álvaro Cunhal, em 1978, na Assembleia de Artes e Letras de Lisboa, em que se postulava que o Partido a) não impõe uma linha estética; b) entretanto, espera dos seus artistas que façam também da sua arte um instrumento da luta ideológica e política (palavras minhas, para resumir). Mas, claro, os tempos eram outros, tinha havido tempo para amadurecer as ideias.</p>
<p>Mas como não me contento com a ideia de que há apenas uma resposta à pergunta &#8220;que deve fazer o artista revolucionário?&#8221;, sendo eu um apaixonado pelas vanguardas, prefiro, contudo, pensar que tudo se resolve na tensão entre tradição &#8211; comunicação &#8211; subversão. Que cada qual vá resovendo em que &#8220;porções&#8221; disto toma, ou de que campo parte para a sua abordagem.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: almajecta02</title>
		<link>http://5dias.net/2009/10/31/tudo-o-que-ha-para-saber-acerca-das-vanguardas-sovieticas-momento-unico-da-arte-do-seculo-xx/comment-page-1/#comment-109994</link>
		<dc:creator>almajecta02</dc:creator>
		<pubDate>Sun, 01 Nov 2009 09:28:24 +0000</pubDate>
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		<description>unidade, organização e luta, ainda vivemos na fase imperialista do capitalismo e/ou
 o simbolismo/divinização criados em torno da figura do líder, denominado &quot;pai dos povos&quot;. Realismo carlos, realismo.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>unidade, organização e luta, ainda vivemos na fase imperialista do capitalismo e/ou<br />
 o simbolismo/divinização criados em torno da figura do líder, denominado &#8220;pai dos povos&#8221;. Realismo carlos, realismo.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Carlos Vidal</title>
		<link>http://5dias.net/2009/10/31/tudo-o-que-ha-para-saber-acerca-das-vanguardas-sovieticas-momento-unico-da-arte-do-seculo-xx/comment-page-1/#comment-109982</link>
		<dc:creator>Carlos Vidal</dc:creator>
		<pubDate>Sun, 01 Nov 2009 00:23:43 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://5dias.net/?p=26893#comment-109982</guid>
		<description>Ricardo Noronha, 
há dois pontos no teu texto, eu pelo menos tendo a essa divisão: em primeiro lugar, questionas se a queda ou evolução da experimentação até ao realismo (ou realismos) foi ou não consequência dos constrangimentos das autoridades e da sua linha oficial (eixo Estaline-Gorki-Zdanov); em segundo lugar, no teu 3º parágrafo enumeras dados ou factos que temos aqui largamente comentado (com o Zé Neves e o Miguel Serras Pereira, por exemplo) e que para ti expressam o final do processo revolucionário soviético (parágrafo que começa por um semi-parágrafo: &quot;De uma maneira geral, as causas cuja combinação motivou o rumo seguido, são conhecidas&quot;).
Concentremo-nos no primeiro ponto (pois a discussão da evolução da URSS está dispersa por vários posts nossos no 5dias): a causa, por assim dizer, da imposição do realismo como estética oficial.
Em princípio essa causa parece ligar-se a Estaline e ao estalinismo ou a Zdanov e ao zdanovismo (eu próprio num livrinho intitulado &quot;Definição da Arte Política&quot; fui por aí). Mas creio que essa é a resposta fácil e não satisfatória. Tenta relacionar o realismo com o totalitarismo (equiparando Deineka com Arno Brecker), mas não explica a emergência dos realismos internacionalmente, nomeadamento nos EUA (Georgia O&#039;Keefe ou Edward Hopper), na evolução de alguns futuristas (Savinio, Carrá, Sironi, que podemos sempre dizer que se &quot;renderam&quot; a Mussolini, usando-se para Itália o mesmo argumento que para a Alemanha e URSS, mas insuficiente), o seu papel na constituição de uma estética crítica e de protesto como vista em Rivera, Orozco, Siqueiros e (muito importante para Portugal) Cândido Portinari. O muralismo e o fresco realista teve ainda grande expressão na Escandinávia (o muralismo norueguês é mesmo destacado em várias histórias da arte do século XX), por fim no caso português podemos falar em Pomar, Vespeira e outros. Como explicar esta emergência internacional dos realismos? Com Estaline apenas?? Não, claro. Suponho que passa por uma necessidade de denunciar mais imediatamente o capitalismo e a sua crise ou quase colapso nos anos 30, basta ver que um dos artistas americanos mais relevantes da Grande Depressão foi o realistaThomas Art Benton, nem mais nem menos que o mestre de Pollock (!!!). Esta necessidade crítica (socialista na América, mais à direita na Europa) herda críticas ou autocríticas encetadas por alguns vanguardistas (como o &quot;rappel à l&#039;ordre&quot; de Cocteau). É um regresso à figuração próprio de um tempo de crise. É por aqui que temos de começar a estudar o tema (&quot;planetário&quot;, digamos e não soviético).

Pedro Penilo, abre ou não a Factografia caminho para o realismo??
Sim e não.
Pelo que disse atrás, não. 
Mas vejamos um outro ponto:
Até que ponto um artista se liga ou deve ligar aos problemas da sociedade do seu tempo??
Vejamos alguns casos de artistas recentes que se têm notabilizado por uma crítica política: Hans Haacke, Muntadas, Francesc Torres ou Cildo Meireles, ou ainda o recentíssimo Francis Alys. Se se ligam unicamente ao presente, caem ou não rapidamente numa espécie de &quot;desactualização&quot; ou esquecimento? Creio que não, pois em todos os casos citados há abordagens formais entusiasmantes e inéditas que se ligam aos problemas tratados; ou seja, os temas forçaram novas formas. Este é o ponto optimista para o futuro destes autores.

Mas nota que Greenberg não acreditava nesta análise e baseava-se nos inícios das vanguardas (na passagem para o século XX), e escrevia no seu &quot;Avant-Garde and kitsch&quot; que o artista devia afastar-se dos problemas sociais e concentrar-se na inovação formal. Senão, academizava-se. 
Greenberg defendia o seguinte (sintetizo três tópicos):

1. De Baudelaire a Picasso, o artista de vanguarda tende a optar pela vida boémia ao mesmo tempo que se interessa pela criação de ideias formais revolucionárias; a contradição aqui reside no facto de que essas inovações formais apenas se possibilitam porque novos regimes políticos são reivindicados ou implantados.

2. Esta fuga para a boémia é, concretamente, um desligamento do capitalismo mercantilista para onde os artistas foram enviados depois de colapsado o anterior mecenato aristocrático.

3. A vanguarda, ao isolar-se da sociedade, nega os ideais tanto burgueses quanto revolucionários.

Repara, a Factografia quis subverter esta definição greenberguiana da vanguarda. Ela é a precursora de Haacke ou Alys. Creio eu.
Terá sido o realismo uma academização da Factografia?
Pedro, ainda que não te possa dar uma resposta exacta, deixo-te com as teses de Greenberg, merecedoras de acompanhamento.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Ricardo Noronha,<br />
há dois pontos no teu texto, eu pelo menos tendo a essa divisão: em primeiro lugar, questionas se a queda ou evolução da experimentação até ao realismo (ou realismos) foi ou não consequência dos constrangimentos das autoridades e da sua linha oficial (eixo Estaline-Gorki-Zdanov); em segundo lugar, no teu 3º parágrafo enumeras dados ou factos que temos aqui largamente comentado (com o Zé Neves e o Miguel Serras Pereira, por exemplo) e que para ti expressam o final do processo revolucionário soviético (parágrafo que começa por um semi-parágrafo: &#8220;De uma maneira geral, as causas cuja combinação motivou o rumo seguido, são conhecidas&#8221;).<br />
Concentremo-nos no primeiro ponto (pois a discussão da evolução da URSS está dispersa por vários posts nossos no 5dias): a causa, por assim dizer, da imposição do realismo como estética oficial.<br />
Em princípio essa causa parece ligar-se a Estaline e ao estalinismo ou a Zdanov e ao zdanovismo (eu próprio num livrinho intitulado &#8220;Definição da Arte Política&#8221; fui por aí). Mas creio que essa é a resposta fácil e não satisfatória. Tenta relacionar o realismo com o totalitarismo (equiparando Deineka com Arno Brecker), mas não explica a emergência dos realismos internacionalmente, nomeadamento nos EUA (Georgia O&#8217;Keefe ou Edward Hopper), na evolução de alguns futuristas (Savinio, Carrá, Sironi, que podemos sempre dizer que se &#8220;renderam&#8221; a Mussolini, usando-se para Itália o mesmo argumento que para a Alemanha e URSS, mas insuficiente), o seu papel na constituição de uma estética crítica e de protesto como vista em Rivera, Orozco, Siqueiros e (muito importante para Portugal) Cândido Portinari. O muralismo e o fresco realista teve ainda grande expressão na Escandinávia (o muralismo norueguês é mesmo destacado em várias histórias da arte do século XX), por fim no caso português podemos falar em Pomar, Vespeira e outros. Como explicar esta emergência internacional dos realismos? Com Estaline apenas?? Não, claro. Suponho que passa por uma necessidade de denunciar mais imediatamente o capitalismo e a sua crise ou quase colapso nos anos 30, basta ver que um dos artistas americanos mais relevantes da Grande Depressão foi o realistaThomas Art Benton, nem mais nem menos que o mestre de Pollock (!!!). Esta necessidade crítica (socialista na América, mais à direita na Europa) herda críticas ou autocríticas encetadas por alguns vanguardistas (como o &#8220;rappel à l&#8217;ordre&#8221; de Cocteau). É um regresso à figuração próprio de um tempo de crise. É por aqui que temos de começar a estudar o tema (&#8220;planetário&#8221;, digamos e não soviético).</p>
<p>Pedro Penilo, abre ou não a Factografia caminho para o realismo??<br />
Sim e não.<br />
Pelo que disse atrás, não.<br />
Mas vejamos um outro ponto:<br />
Até que ponto um artista se liga ou deve ligar aos problemas da sociedade do seu tempo??<br />
Vejamos alguns casos de artistas recentes que se têm notabilizado por uma crítica política: Hans Haacke, Muntadas, Francesc Torres ou Cildo Meireles, ou ainda o recentíssimo Francis Alys. Se se ligam unicamente ao presente, caem ou não rapidamente numa espécie de &#8220;desactualização&#8221; ou esquecimento? Creio que não, pois em todos os casos citados há abordagens formais entusiasmantes e inéditas que se ligam aos problemas tratados; ou seja, os temas forçaram novas formas. Este é o ponto optimista para o futuro destes autores.</p>
<p>Mas nota que Greenberg não acreditava nesta análise e baseava-se nos inícios das vanguardas (na passagem para o século XX), e escrevia no seu &#8220;Avant-Garde and kitsch&#8221; que o artista devia afastar-se dos problemas sociais e concentrar-se na inovação formal. Senão, academizava-se.<br />
Greenberg defendia o seguinte (sintetizo três tópicos):</p>
<p>1. De Baudelaire a Picasso, o artista de vanguarda tende a optar pela vida boémia ao mesmo tempo que se interessa pela criação de ideias formais revolucionárias; a contradição aqui reside no facto de que essas inovações formais apenas se possibilitam porque novos regimes políticos são reivindicados ou implantados.</p>
<p>2. Esta fuga para a boémia é, concretamente, um desligamento do capitalismo mercantilista para onde os artistas foram enviados depois de colapsado o anterior mecenato aristocrático.</p>
<p>3. A vanguarda, ao isolar-se da sociedade, nega os ideais tanto burgueses quanto revolucionários.</p>
<p>Repara, a Factografia quis subverter esta definição greenberguiana da vanguarda. Ela é a precursora de Haacke ou Alys. Creio eu.<br />
Terá sido o realismo uma academização da Factografia?<br />
Pedro, ainda que não te possa dar uma resposta exacta, deixo-te com as teses de Greenberg, merecedoras de acompanhamento.</p>
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	</item>
	<item>
		<title>Por: Pedro Penilo</title>
		<link>http://5dias.net/2009/10/31/tudo-o-que-ha-para-saber-acerca-das-vanguardas-sovieticas-momento-unico-da-arte-do-seculo-xx/comment-page-1/#comment-109959</link>
		<dc:creator>Pedro Penilo</dc:creator>
		<pubDate>Sat, 31 Oct 2009 19:19:41 +0000</pubDate>
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		<description>&quot;Muito menos, quando visto (que, concordo, é!) como “regressão radical”. Parece-me, na minha ignorância, que AMBOS tentam desarticular aqueles que eram (e continuavam, continuam a ser) reconhecidos como os dispositivos “naturais” de relação da arte com a realidade: a representação figurada, por um lado, e os media adequados para a executar.&quot;

Esclarecimento: aquele AMBOS refere-se, claro, aos dois movimentos de vanguarda, que citas: Faktura e Factografia.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;Muito menos, quando visto (que, concordo, é!) como “regressão radical”. Parece-me, na minha ignorância, que AMBOS tentam desarticular aqueles que eram (e continuavam, continuam a ser) reconhecidos como os dispositivos “naturais” de relação da arte com a realidade: a representação figurada, por um lado, e os media adequados para a executar.&#8221;</p>
<p>Esclarecimento: aquele AMBOS refere-se, claro, aos dois movimentos de vanguarda, que citas: Faktura e Factografia.</p>
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		<title>Por: Pedro Penilo</title>
		<link>http://5dias.net/2009/10/31/tudo-o-que-ha-para-saber-acerca-das-vanguardas-sovieticas-momento-unico-da-arte-do-seculo-xx/comment-page-1/#comment-109958</link>
		<dc:creator>Pedro Penilo</dc:creator>
		<pubDate>Sat, 31 Oct 2009 19:11:40 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://5dias.net/?p=26893#comment-109958</guid>
		<description>Muito bom artigo, Carlos. Obrigado.

No entanto, não fiquei totalmente convencido de que a via a que chamas &quot;factografia&quot; seja o caminho para o &quot;realismo socialista&quot;, ou então para aquelas formas que este assumiu. Muito menos, quando visto (que, concordo, é!) como &quot;regressão radical&quot;. Parece-me, na minha ignorância, que ambos tentam desarticular aqueles que eram (e continuavam, continuam a ser) reconhecidos como os dispositivos &quot;naturais&quot; de relação da arte com a realidade: a representação figurada, por um lado, e os media adequados para a executar. 

Portanto, parece-me que esse período de vanguardas apaixonadas não pôde (nem poderia nunca) contrariar por muito mais tempo uma tradição artística de séculos, que é &quot;radicalmente&quot; reposta e reconfigurada. É preciso não esquecer que haveria toda uma massa de gente que não acompanhava necessariamente as propostas das vanguardas, entre o &quot;público&quot; certamente, mas també entre todos os outros artistas.

É aliás significativo, que de certa maneira, ambas as experiências ecoem, como reconheces, nas vanguardas dos anos sessenta.

(Um exemplo absurdo: não é Duchamp igualmente apossado da necessidade de &quot;mexer&quot; directamente na realidade, fazendo do gesto, manifesto? E dificilmente concluiríamos que Duchamp contribuiu para o regresso do realismo...) Ou não?</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Muito bom artigo, Carlos. Obrigado.</p>
<p>No entanto, não fiquei totalmente convencido de que a via a que chamas &#8220;factografia&#8221; seja o caminho para o &#8220;realismo socialista&#8221;, ou então para aquelas formas que este assumiu. Muito menos, quando visto (que, concordo, é!) como &#8220;regressão radical&#8221;. Parece-me, na minha ignorância, que ambos tentam desarticular aqueles que eram (e continuavam, continuam a ser) reconhecidos como os dispositivos &#8220;naturais&#8221; de relação da arte com a realidade: a representação figurada, por um lado, e os media adequados para a executar. </p>
<p>Portanto, parece-me que esse período de vanguardas apaixonadas não pôde (nem poderia nunca) contrariar por muito mais tempo uma tradição artística de séculos, que é &#8220;radicalmente&#8221; reposta e reconfigurada. É preciso não esquecer que haveria toda uma massa de gente que não acompanhava necessariamente as propostas das vanguardas, entre o &#8220;público&#8221; certamente, mas també entre todos os outros artistas.</p>
<p>É aliás significativo, que de certa maneira, ambas as experiências ecoem, como reconheces, nas vanguardas dos anos sessenta.</p>
<p>(Um exemplo absurdo: não é Duchamp igualmente apossado da necessidade de &#8220;mexer&#8221; directamente na realidade, fazendo do gesto, manifesto? E dificilmente concluiríamos que Duchamp contribuiu para o regresso do realismo&#8230;) Ou não?</p>
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		<title>Por: Ricardo Noronha</title>
		<link>http://5dias.net/2009/10/31/tudo-o-que-ha-para-saber-acerca-das-vanguardas-sovieticas-momento-unico-da-arte-do-seculo-xx/comment-page-1/#comment-109951</link>
		<dc:creator>Ricardo Noronha</dc:creator>
		<pubDate>Sat, 31 Oct 2009 16:59:56 +0000</pubDate>
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		<description>Teriam as vanguardas estéticas - ou alguns dos seus elementos - evoluído numa direcção análoga à do realismo socialista, sem o conjunto de constrangimentos a que a sua actividade foi progressivamente submetida pelas autoridades soviéticas? Nunca saberemos a resposta à questão que avanças. E é pena. 
Resulta claro, em todo o caso, a ligação muito intíma entre a experimentação artística e a experimentação política no contexto da revolução russa. É natural portanto que a progressiva burocratização política incluísse as artes no seu programa normalizador. 
Quanto ao momento exacto em que a revolução proletária degenera em  contra-revolução burocrática é, evidentemente, difícil de identificar com precisão cronológica. Parece-me mais apropriado falar de um processo feito de muitos momentos.
De uma maneira geral, as causas cuja combinação motivou o rumo seguido, são conhecidas.
 A guerra civil, com a mobilização e morte de milhares de revolucionários, a militarização generalizada da sociedade russa. As dificuldades económicas e o impacto de alguns anos de grande privação, com o consequente florescimento da economia subterrânea e da corrupção. A repressão sobre greves operárias e, por fim, do levantamento de Kronstaadt (que, segundo alguns testemunhos, contou com o apoio da maioria dos bolcheviques da base naval). A limitação do controlo operário e o restabelecimento da autoridade dos directores nas fábricas expropriadas. O esvaziamento político dos soviets e as limitações à democracia no seu interior. O fim do direito de tendência no X Congresso. O recurso em grande escala a especialistas militares, técnicos e administrativos de simpatias czaristas ou simplesmente anti-revolucionárias, cujas posições no aparelho de estado se reforçam e facilitam uma convergência de interesses com a nova burocracia bolchevique. A entrada de milhares de novos militantes no partido, muitos deles provenientes das camadas que controlavam o aparelho de estado, submergindo a «velha guarda» bolchevique (que como se sabe, foi um dos alvos fundamentais da repressão estalinista nos anos 30). A longo prazo o esvaziamento dos próprios congressos partidários, transformados num ritual performativo de louvor ao chefe e glorificação do crescimento industrial.
No pano de fundo de tudo isto, a derrota da revolução europeia. 
Bem sei das dificuldades que motivaram cada uma das difíceis decisões do governo bolchevique, mas poucas foram inevitáveis. O problema mais grave foi, em todo o caso, a entrada numa dinâmica em que cada solução adoptada se convertia em doutrina e, progressivamente, o partido substitui-se à classe, o comité central ao partido, o politburo ao comité central, o secretariado ao politburo e, por fim, no topo da pirâmide, o secretário-geral se substitui ao secretariado e governa a seu bel-prazer. Daí aos tanques nas ruas de Praga, ou à dinastia que governa a coreia do norte, basta um pequeno passinho.
Não queria deixar de acompanhar as tuas incursões pela estética. Sem a pretensão de igualar a tua erudição, partilho apenas um poema de Brecht que sempre apreciei, dedicado a Maiakovsky na sequência do seu suicídio. O «Epitáfio para M»:
&quot;Dos tubarões fugi eu
os tigres matei-os eu
devorado fui eu
pelos percevejos.&quot;
Não te preocupa, Carlos, o facto de os percevejos triunfarem com tanta frequência?</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Teriam as vanguardas estéticas &#8211; ou alguns dos seus elementos &#8211; evoluído numa direcção análoga à do realismo socialista, sem o conjunto de constrangimentos a que a sua actividade foi progressivamente submetida pelas autoridades soviéticas? Nunca saberemos a resposta à questão que avanças. E é pena.<br />
Resulta claro, em todo o caso, a ligação muito intíma entre a experimentação artística e a experimentação política no contexto da revolução russa. É natural portanto que a progressiva burocratização política incluísse as artes no seu programa normalizador.<br />
Quanto ao momento exacto em que a revolução proletária degenera em  contra-revolução burocrática é, evidentemente, difícil de identificar com precisão cronológica. Parece-me mais apropriado falar de um processo feito de muitos momentos.<br />
De uma maneira geral, as causas cuja combinação motivou o rumo seguido, são conhecidas.<br />
 A guerra civil, com a mobilização e morte de milhares de revolucionários, a militarização generalizada da sociedade russa. As dificuldades económicas e o impacto de alguns anos de grande privação, com o consequente florescimento da economia subterrânea e da corrupção. A repressão sobre greves operárias e, por fim, do levantamento de Kronstaadt (que, segundo alguns testemunhos, contou com o apoio da maioria dos bolcheviques da base naval). A limitação do controlo operário e o restabelecimento da autoridade dos directores nas fábricas expropriadas. O esvaziamento político dos soviets e as limitações à democracia no seu interior. O fim do direito de tendência no X Congresso. O recurso em grande escala a especialistas militares, técnicos e administrativos de simpatias czaristas ou simplesmente anti-revolucionárias, cujas posições no aparelho de estado se reforçam e facilitam uma convergência de interesses com a nova burocracia bolchevique. A entrada de milhares de novos militantes no partido, muitos deles provenientes das camadas que controlavam o aparelho de estado, submergindo a «velha guarda» bolchevique (que como se sabe, foi um dos alvos fundamentais da repressão estalinista nos anos 30). A longo prazo o esvaziamento dos próprios congressos partidários, transformados num ritual performativo de louvor ao chefe e glorificação do crescimento industrial.<br />
No pano de fundo de tudo isto, a derrota da revolução europeia.<br />
Bem sei das dificuldades que motivaram cada uma das difíceis decisões do governo bolchevique, mas poucas foram inevitáveis. O problema mais grave foi, em todo o caso, a entrada numa dinâmica em que cada solução adoptada se convertia em doutrina e, progressivamente, o partido substitui-se à classe, o comité central ao partido, o politburo ao comité central, o secretariado ao politburo e, por fim, no topo da pirâmide, o secretário-geral se substitui ao secretariado e governa a seu bel-prazer. Daí aos tanques nas ruas de Praga, ou à dinastia que governa a coreia do norte, basta um pequeno passinho.<br />
Não queria deixar de acompanhar as tuas incursões pela estética. Sem a pretensão de igualar a tua erudição, partilho apenas um poema de Brecht que sempre apreciei, dedicado a Maiakovsky na sequência do seu suicídio. O «Epitáfio para M»:<br />
&#8220;Dos tubarões fugi eu<br />
os tigres matei-os eu<br />
devorado fui eu<br />
pelos percevejos.&#8221;<br />
Não te preocupa, Carlos, o facto de os percevejos triunfarem com tanta frequência?</p>
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	</item>
	<item>
		<title>Por: jesus</title>
		<link>http://5dias.net/2009/10/31/tudo-o-que-ha-para-saber-acerca-das-vanguardas-sovieticas-momento-unico-da-arte-do-seculo-xx/comment-page-1/#comment-109940</link>
		<dc:creator>jesus</dc:creator>
		<pubDate>Sat, 31 Oct 2009 13:45:50 +0000</pubDate>
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		<description>Tens uns &#039;amigos&#039; no esquerda republicana  sobre os gulags mas,nada dizem de Guantanamos,de Bagram,do Kosovo e,muito menos,do Armando Vara nem um piu!
Filhos da mãe...</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Tens uns &#8216;amigos&#8217; no esquerda republicana  sobre os gulags mas,nada dizem de Guantanamos,de Bagram,do Kosovo e,muito menos,do Armando Vara nem um piu!<br />
Filhos da mãe&#8230;</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: cinco dias &#187; Sobre os posts de ontem</title>
		<link>http://5dias.net/2009/10/31/tudo-o-que-ha-para-saber-acerca-das-vanguardas-sovieticas-momento-unico-da-arte-do-seculo-xx/comment-page-1/#comment-109933</link>
		<dc:creator>cinco dias &#187; Sobre os posts de ontem</dc:creator>
		<pubDate>Sat, 31 Oct 2009 10:34:16 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://5dias.net/?p=26893#comment-109933</guid>
		<description>[...] P.s. &#8211; &#8230; e só agora vejo o post do Carlos. [...]</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>[...] P.s. &#8211; &#8230; e só agora vejo o post do Carlos. [...]</p>
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	</item>
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