Sobre os posts de ontem

Ainda a propósito das diatribes em torno da entrevista da Rita Rato ao Correio da Manhã, ontem, postei dois textos. O primeiro é um excerto da Resolução Política do XV Congresso do PCP em 1996. O segundo é parte do discurso de encerramento do referido congresso, realizado por Álvaro Cunhal.
Desde 1990, XIII Congresso em Loures – congresso para o qual a Rita (e bem) remete, que o PCP analisa, re-analisa e reescreve sobre a mais importante experiência de socialismo do séc. XX, com especial enfoque sobre os erros cometidos e expectativas goradas.
Os anti-comunistas, depois de procurarem forçar uma certidão de óbito à ideia de uma sociedade mais livre, justa e igualitária procuram, por todo o mundo, reduzir as diferentes experiências do séc. XX à história dos seus erros. Parece que é irrelevante a transformação da Rússia czarista e medieval num país capaz de derrotar a ofensiva nazi, parece que são irrelevantes as expressões artísticas e culturais que resultaram da revolução de 1917, parece que é irrelevante processos como os da alfabetização, parece que é irrelevante o trabalho realizado na formação técnica e científica de grandes camadas da população…
Certamente que muitos erros terão acontecido, mas transformá-los no centro aglutinador da análise ou encará-los como um desvio de uns quantos traidores, não nos permite aprender nada.

P.s. – … e só agora vejo o post do Carlos.

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21 respostas a Sobre os posts de ontem

  1. A “morte provocada” (chamemos-lhe assim) de milhões não é um erro. É algo diferente. Sem perdão.

  2. JDC diz:

    Sendo isso tudo verdade, custa assim tanto a pessoas como Bernardino Soares ou Rita Rato dizerem-no em público? Custa assim tanto apontar esses erros, identifica-los, para que se possa acreditar que o PCP tudo fará para os evitar?
    As respostas de “tapar o sol com a peneira” só dão a sensação que o PCP é incapaz de realizar uma crítica ao que já foi feito e que vive, ainda, numa espécie de saudosismo, clamando por outros tempos…

  3. chico da tasca diz:

    “Os anti-comunistas, depois de procurarem forçar uma certidão de óbito à ideia de uma sociedade mais livre, justa e igualitária procuram, por todo o mundo, reduzir as diferentes experiências do séc. XX à história dos seus erros. Parece que é irrelevante a transformação da Rússia czarista e medieval num país capaz de derrotar a ofensiva nazi,”

    Essa do comunismo como gerador de “uma sociedade mais livre e justa” é a brincar com o pagode não é ?

    Já agora diga : o Muro que a Ditadura Comunista construiu à volta dos países da Cortina de Ferro foi para quê, para impedir os caoitalistas de acederem a esse paraíso na terra ou para impedir que os desgraçados que lá viviam de sairem ?

    Já quanto ao igualitarismo isso é verdade, mas só em parte. De facto, os cidadãos comuns eram todos iguais, e tinham todos o estatuto de um vulgar parafuso. Mas já quanto ao topo da hierarquia, nomeadamente ao nível do Komité Central, o igualitarismo ficava à porta. Lá dentro eram todos consumidores e apreciadores do que de melhor o Capitalismo tinha para lhes vender. Era aquela imagem que o Orwell criou quando recriou o Regime Comunismo em todo o seu esplendor repressivo : eram todos porcos mas uns eram-no um pouco mais.

    Voltando à “sociedade mais justa e livre” o Tiago explique qual o papel desempenhado por estruturas libertárias como a KGB e a Stassi, nesse modelo de sociedade.

    Quanto à ofensiva nazi, o Tiago tem de falar do passado sujo do Comunismo antes de ela acontecer. É que, antes dessa ofensiva, o Comunismo e o Nazismo foram aliados fiéis, como sabe ou deveria de saber. Combinaram juntos o roubo da Polónia, às escondidas do resto do mundo, invadiram-na à vez, dividiram-na, e cada um ficou com o seu quinhão do roubo.

    Aliás, muitp gostaria que o Tiago conseguisse alinhavar aqui umas palavras que nos elucidassem das diferenças entre o Comunismo e o Nazismo em termos de Repressão e de Morte. É que eu não vejo nenhuma. Nem sequer no balanço de mortos que cada um desses regimes causou. Ao que parece, o Comunismo conseguiu matar mais gente, mais milhão menos milhão.

    Morte ao Comunismo !

  4. Luis diz:

    “A “morte provocada” (chamemos-lhe assim) de milhões não é um erro. É algo diferente. Sem perdão.”

    Refere-se certamente aos 27 milhões de cidadãos soviéticos que morreram para libertar o seu país e o mundo do nazi-fascismo, certo?

  5. Socialismo é um arcabouço amplo demais para reduzir a uma experiência ditatorial. Nele entram experiências libertárias, incluindo anarquistas. Comunismo fecha um pouco o cerco, apesar do anarco-comunista de Kropotkin.

    Mas, no mais, é por aí mesmo.

  6. JMJ diz:

    A questão dos mecanismos de segurança do estado sovietico não pode ser vista sem a necessária co-relação com a realidade do sistema internacional vigente e a posição da URSS neste, à data da sua criação.

    Quando um regime nasce como nasceu o regime sovietico, e é automaticamente excluído do sistema internacional (recorde-se que a URSS não foi aceite na Sociedade das Nações), é perfeitamente natural que o desenvolvimento da sua acção politica, principalmente no seu momento de estruturação e afirmação no sistema internacional, seja marcado por mecanismos de defesa que, em certos casos, roçam e ultrapassam o mínimo dos mínimos do que é aceitável em relação à defesa dos Direitos Humanos.

    Isto aconteceu na União Sovietica. Quando não se permitiu que o Estado Sovietico assumisse a sua posição no Sistema Internacional, e se hostilizou e atacou o regime, pelo que é natural esperar que o regime reaja e responda, tendo por base uma atitude paranoica, para com a sua auto-defesam. Tal tem acontecido em outros momentos históricos de que são exemplo as medidas implantadas nos EUA, no pós-Pearl Harbour, com a criação de campos de concentração para a população de origem asiática na costa oeste do país, e mesmo no pós-11 de Setembro, com a criação da prisão de Guatanamo Bay.

    Aqui terminam as igualdades. A diferença surge que os EUA nunca foram hostilizados pelo sistema internacional. Muito pelo contrário. Hoje dominam-no e ainda assim, precisam de actuar no mundo de forma a garantir o prosseguimento da sua politica de exploração imperialista.

    Foi o momento do Sistema Internacional que levou as duas maiores potencias que ficaram fora do mesmo a procurarem estabelecer mecanismos de cooperação. O Tratado Molotov-Ribbentroff tem que ser entendido um tratado de auto-defesa do regime soviético, que à data, não tinha capaciade industrial e militar para fazer frente à Alemanha Nazi. Dizer que Estaline se aliou a Hitler é a mesma coisa que dizer que Chamberlain se aliou a Hitler, quando lhe cedeu a Austria os Sudetas e a Polónia.

  7. Jose Manuel Vieira diz:

    T M S , teu artigo é muito realista,a vida e a situação em que o nosso pais e o mundo se encontram,é o verdadeiro espelho !
    O ideais da LIBERDADE,IGUALDADE e FRATERNIDADE nunca estarão desactualizados !

  8. chico da tasca diz:

    “Isto aconteceu na União Sovietica. Quando não se permitiu que o Estado Sovietico assumisse a sua posição no Sistema Internacional, e se hostilizou e atacou o regime, pelo que é natural esperar que o regime reaja e responda, tendo por base uma atitude paranoica, para com a sua auto-defesam.”

    Extraordinária esta avaliação da Repressão Comunista. Poder-se-ia dizer a mesmissima coisa do Salazarismo, do Fascismo e de qualquer regime ditatorial. Chama-se a isso Branqueamento.

    Os Estados Unidos não basearam o seu regime na perseguição a assassinato de quem não concordava, não instituiram policias politicas, não pilharam os bens de cada um, à força e sob a ameaça de baionetas, sempre tiveram eleições livres, tribunais livres, imprensa livre, opinião pública livre, sociedade civil fortissima, liberdade individual, liberdade de associação e de reunião, liberdade de qualquer um dirigir a sua vida dentro dos limites da lei, liberdade de criação de empresas, liberdade partidária, etc..

    O Chamberlain não se aliou ao Hitler. Pactuou com o Hitler, na esperança de que pelo diálogo o conseguisse travar, e chamar à razão, contra a opinião de muita gente dentro de Inglaterra, como o caso do Churchill.

    A Inglaterra nunca ocupou nem pilhou qualquer país em conluío cm o Hitler, como o fez Estaline, em relação à Polónia.

    O Comunismo nasceu na Rússia com a marca do sangue, e à força de repressão e do roubo, e assim continuou enquanto vigorou.

    Tentar vestir uma pele de cordeiro no Comunismo só serve para enganar tolinhos e ignorantes. O Comunismo não é um regime criminoso por ter tido dirigentes criminosos aqui e ali. O Comunismo é uma ideologia e um regime intrinsecamente criminoso e repressivo, que esmaga o individuo, enquanto ser humano livre, independentemente dos dirigentes.

    Os Comunistas estão ao nível dos Salazaristas só que muito, muitissimo piores !

  9. joão viegas diz:

    A ver se você é um bocadinho mais inteligente que o Vidal.

    Esta dos “anti-comunistas” é um péssimo ponto de partida, que mostra que você esta apenas interessado numa guerra religiosa de que estamos todos cansados e que não passa de pura masturbação retorica.

    Eu, e provavelmente muitos outros leitores de esquerda deste blogue, estamos inteiramente dispostos a aceitar que a historia dos regimes comunistas não se resume ao gulag e que, por muito que a questão seja importante, não deve ocultar o resto, nem fazer esquecer que do “outro lado” (que estupida maneira de pôr as coisas, mas vamos là aceitar que existiu “o outro lado”) nem tudo foi um mar de rosas.

    So que a questão que surge perante reacções como a da jovem deputada (que se calhar não pensou bem no que disse, adiante) e, sobretudo, perante as asneiras sem nexo do seu colega de blogue, é outra.

    A questão é saber se continuam a achar o gulag um mal necessario, como foi o caso durante décadas, ou se acham que não. Ou seja, se amanhã a questão se levantar de novo, se vão condenar claramente, absolutamente, sem quaisquer concessões, ou se vão antes comer a açorda de Badiou preparada pelo camarada Vidal e considerar que, de facto, os cumplices da ordem burguesa estão bem é no campo…

    A questão concreta é apenas esta.

    O Vidal respondeu muito bem e eu não tenho duvidas nenhumas acerca da posição dele a esse respeito.

    Qual é a sua ?

  10. miguel serras pereira diz:

    1. Os “erros” de que fala o TMS e os documentos que cita, são erros, medidas políticas, de quem? Do regime da União Soviética, sem dúvida – em primeiro lugar, e, por extensão dos Estados e forças políticas que a tomaram por modelo ou guia.
    2. Que regime era esse? Os seus ideólogos designavam-no, entre outras coisas, como “ditadura do proletariado”, “governo dos operários e camponeses” e “Estado operário” (mais tarde, “Estado de todo o povo”). No entanto, esta “ditadura do proletariado” nada tinha a ver com o exercício de todo o poder político pelos trabalhadores organizados, construído sobre as ruínas e a destruição do Estado capitalista ou burguês, em que pensava Marx ao dizer, por exemplo, que a sua fórmula fora documentada pela Comuna de Paris. Era a ditadura de um partido, ele próprio estritamente hierarquizado, sobre o conjunto dos trabalhadores e da população, impondo a tiro, através da omnipresença de uma polícia política dotada de poderes exorbitantes e de medidas como a deportação, o internamento concentracionário, o terror “exemplar”, etc., a sua dominação. O poder político e económico não era exercido pelos trabalhadores organizados, mas sobre a sua massa disciplinarmente enquadrada por “sindicatos-capatazes” e outros organismos semelhantes. Esse poder era considerado o de um “governo dos operários e camponeses” ou de uma “ditadura do proletariado” num sentido muito especial: o Partido e os seus membros eram “representantes dos interesses históricos do proletariado” e do conjunto dos trabalhadores, e isso conferia-lhes legitimidade para imporem contra a vontade dos próprios trabalhadores ou dispensando-se de a ouvir as medidas que declarassem melhor servir historicamente o “futuro do comunismo”. Ao mesmo tempo feria de uma ilegitimidade absoluta qualquer oposição: “nenhum operário ou grupo de operários isolado” pode ter razão contra o seu Partido, fazer greve contra o seu Estado, reclamar garantias contra a sua polícia.
    3. O poder não era, portanto, exercido por aqueles cujo nome usava, mas não o era também por órgãos representativos, como os dos regimes burgueses “liberais”. Estes excluem a participação igualitária, democrática, no exercício do poder político, dos trabalhadores e da grande maioria da população, mas reconhecem, foram forçados a reconhecer, ao conjunto dos cidadãos direitos defensivos que restringem de facto – embora insuficientemente – o despotismo das camadas dominantes. O que significa que o regime que a URSS estabeleceu e exportou, e cujos modelo e princípios organizativos foram adoptados e defendidos pelos partidos do Comintern, foi não um “erro”, mas um inimigo da “construção do socialismo”, e uma ditadura assente numa divisão do trabalho político decalcada sobre as formas mais insuportáveis da divisão capitalista do trabalho (divisão que, para além de “económica”, é sempre e, antes do mais, política).
    4. É grotesco falar de “erros” na construção do socialismo a propósito de realidades como o Gulag, a polícia política acima da lei, a eliminação das liberdades fundamentais e dos direitos sociais mais elementares. Tão grotesco como sustentar na esteira de Althusser que o estalinismo se deveu a uma deficiente interpretação de Marx, em termos de economismo e humanismo. E pelas mesmas razões profundas. O estalinismo só pode ser concebido como resultando de erros de interpretação teórica do marxismo quando se supõe que há um Partido detentor da teoria que permite “organizar cientificamente a sociedade” e que, contra as “representações ideológicas imediatas” e ilusórias dos trabalhadores, governará no sentido do “verdadeiro fim da história” até ao fim da história. Mas se Althusser no fim da vida, nas suas memórias e reflexões, acaba por abandonar as suas posições anteriores, desmistificando-as por vezes com extrema eficácia, e reconhecer que o projecto revolucionário terá de ser radicalmente democrático, o mesmo não se pode dizer dos ideólogos do PCP nem do seu modelo de funcionamento.
    5. Sim, a burocracia soviética fez estradas, abriu canais (muitas vezes com mão de obra forçada), industrializou-se, entrou na “conquista do espaço” e teve um complexo industrial-militar que, em certos momentos, desafiou o norte-americano. E depois? A Espanha que Juan Carlos herdou de Franco era a mesma Espanha que o franquismo começou a governar em 1939? Vá lá, camaradas, um esforço mais, se quiserem ser socialistas…

    msp

  11. Manuel da Mata diz:

    Este senhor Miguel Serras Pereira não foi um intelectual do PCP? Não Trabalhou na comunicação social?
    Eu suponho que já não é assim muito jovem. Quando terá chegado a todas aquelas conclusões?
    Eu sou um cidadão que passa pelos blogues e gosto de fazer algumas perguntas.
    Eu também acho que o socialismo deve ser radicalmente democrático. E onde é que isso já se viu? E será que os outros deixam? E aqui entroncamos na questão central colocada por TMS.
    Boa noite. Vai jogar o glorioso.

  12. miguel serras pereira diz:

    Manuel da Mata,
    1. Não, não fui um intelectual do PCP. Fui, no fim da adolescência, “católico progressista”; depois, aquilo a que chamava, quando me interrogavam sobre isso, “marxista libertário”, “adepto da Comuna” e outras coisas do mesmo tipo. Fui membro da Comissão Pró-Associação da Faculdade de Letras no final dos anos 60. Fiz parte com João Crisóstomo, João Bernardo, Júlio Henriques e muitos mais do colectivo que publicou, depois do 25 de Abril, o jornal Combate. Colaborador de A Batalha (ressuscitada por Emídio Santana e outros camaradas), e mais tarde de A Ideia (revista libertária), etc., etc.
    2. Fui jornalista profissional até aos vinte e seis ou vinte e sete anos. Estive na Vida Mundial com Augusto Abelaira, até ao 25 de Novembro. Mais tarde, colaborei – e ainda me acontece às vezes fazê-lo – avulsamente na imprensa.
    3. Tenho 60 anos.
    4. Sim, não há socialismo sem democracia. Mas também penso (desde antes do 25 de Abril) que não há realmente democracia – embora possam existir conquistas democráticas, liberdades e direitos democraticamente conquistados, que devemos aprofundar e expandir – sem livre associação dos produtores, sem socialização cooperativa e democrática da economia.
    Saudações republicanas.
    msp

  13. Manuel da Mata diz:

    Miguel Serras Pereira,

    Obrigado pela resposta. Provavelmente, poder-me-ia documentar e não o obrigar a esta trabalheira. Mais uma vez, muito obrigado.
    Já agora queria perguntar-lhe se o João Crisóstomo de que fala era um rapaz a atirar para o calvo, neto do fundador do PB do Brasil e antigo exilado? É que eu conheci um João Crisóstomo em Paris, nos idos de 1970, assim como a sua (dele) irmã Jacinta.
    Saudações democráticas.

  14. miguel serras pereira diz:

    Manuel da Mata,
    o João Crisóstomo que refere seria outro. O João Crisóstomo a que me referi vinha do movimento estudantil de Lisboa, tendo sido durante anos e “transgeracionalmente” um dos seus protagonistas mais decididos. O papel que desempenhou, a sua coragem e génio organizativo iam a par de uma discrição (que não o impedia de tomar a palavra nas situações de mais alto risco, sempre que lhe parecia necessário) e de uma simplicidade raras – para não falar no seu humor peculiar e no seu sentido da camaradagem incomparáveis.
    Saudações democráticas
    msp

  15. Tiago Mota Saraiva diz:

    JDC, a Rita não digo mas muito provavelmente o Bernardino esteve presente nesse Congresso. Quanto à sua conclusão não bate certo com o comentário: parece que quer que ambos repitam o enunciado nas resoluções políticas ou então deixam de ser validas.

  16. Tiago Mota Saraiva diz:

    joão viegas, colocar a questão em termos de “inteligência” ou exacerbando a lógica do ataque pessoal a quem dá a cara pelo que escreve é que me parece ser um péssimo ponto de partida.
    A questão que levanta também me parece um pouco absurda. As posições políticas do PCP (visto que fala num “nós”) podem ser encontradas nos documentos oficiais do partido e nas declarações feitas para o efeito pelos seus dirigentes. Se existe uma agenda escondida, com campos de trabalho correctivo e afins, não deve estar à espera que o revele aqui…

  17. Tiago Mota Saraiva diz:

    Caro msp, uma análise profunda sobre a URSS terá sempre de considerar diferentes períodos históricos. Em resposta ao seu comentário podia perder aqui umas horas enchendo a caixa de comentários com generalizações sobre acções tendencialmente positivas, revolucionárias e socialistas como a coletivização do solo, a alfabetização, a nacionalização do aparelho produtivo, a emancipação da mulher… medidas que, nalguns períodos históricos, se traduziram em enormes avanços culturais e sociais e que tiveram implicações no mundo inteiro.
    Contudo, não é por aí que quero seguir.
    Embora lhe possa reconhecer razão nalgumas questões que coloca – por exemplo, já o disse aqui pelo 5dias, que entendo que Estaline fez mais contra o comunismo que muitos anos de propaganda anti-comunista, o seu comentário não representa uma reflexão política, não levanta dúvidas, não rebate argumentos, e só apresenta conclusões, não se afastando grande coisa daquilo que é a propaganda contra os partidos comunistas do mundo inteiro.

  18. chico da tasca diz:

    Tiago Mota Saraiva

    o que você chama de “colectivização do solo” e que afirma como uma medida positiva, foi na verdade, uma verdadeira pilhagem à propriedade legítima das pessoas, feita com armas apontadas, com muitas mortes pelo, e com o recurso do envio de familas inteiras dos que a esse roubo se opunham, para os campos de concentração da Sibéria.

    Seria interessante que os Comunas cá do burgo dissessem alto e bom som às pessoas, que a “colectivização do solo” é um dos seus objectivos caso alcancem o poder, ou seja, que as propriedades das pessoas, seriam pura e simplesmnte confiscadas, e de certeza sem direito a indemnização.

    Quanto à “nacionalização do aparelho produtivo”, a mesmissima coisa. A Ditadura Comunista, impediu e impede qualquer cidadão de ter qualquer veleidade de iniciativa privada, e quem a tiver é-lhe simplesmente nacionalizada, ou seja, confiscada, roubada.

    Mas é isso mesmo que os Comunas devem esclarecer e não andaram para aí com “os direitos dos trabalhadores”, e as “politicas de direita”, a enganarem os incautos, e a sacar-lhes os votos pela ignorância.

    O que você aqui defende e adjectiva como Bom, não é mais do que a violação de todos e quaiquer direitos individuais. Mas isso já todos sabemos, porque é disso que o Comunismo se trata.

  19. joão viegas diz:

    Resposta tão eloquente como a do Vidal.

    Eu comento com o meu nome e também tenho uma cara, muito embora você possa desconhecê-la (como alias eu desconheço a sua).

    A questão é mesmo sobre a posição dos comunistas e, mais concretamente ainda, sobre a sua posição como comunista. Se é de condenação, porque é que fogem a sete pés de cada vez que surge a pergunta, como você faz na sua resposta, e como fez a jovem deputada (desconhece o que o partido dela condena ? quando chegar a altura de votar leis, também vai dizer que ainda não estudou a matéria ?).

    O gulag não existiu porque perversos, no topo da hierarquia, tresleram o que vinha escrito nos livos de Marx. O gulag foi possivel porque existiu uma burocracia feita de pessoas que, como o Vidal e como aparentemente você também, estava disposta a olhar para o lado em nome dos designios secretos da Historia, interpretada pelo chefe supremo em mandamentos que não se dirigiam à sua inteligência.

    Quanto a saber se pode voltar a acontecer, é uma questão de saber quem é que esta no PC hoje. Ficamos elucidados.

    E desculpe ter-me esquecido que uma parte do que você escreve não é para discutir, pois ja esta decidida na posição oficial do partido.

    Da proxima vez, não deixarei de enviar os meus comentarios pela via hierarquica.

    Isto ha com cada um…

  20. miguel serras pereira diz:

    Caro TMS, há um ponto em que estamos de acordo: Estaline prejudicou mais a causa do socialismo do que muitos anos de propaganda anti-comunista. Há um desacordo que persiste: você considera que uma ditadura e o terror exercidos sobre os trabalhadores e o conjunto da população podem, apesar de tudo, ser obra de um regime socialista, de um poder político e de uma organização económica socialistas, que podem ser a política “errada” de um regime “certo”. Eu considero que um regime desse tipo – excluindo da actividade política a enorme maioria da população, ou só a permitindo sob a forma de “participação dependente”, no quadro do apoio ao regime e da colaboração com o governo – é um regime de exploração e dominação, uma barreira a abater. Que se possam atribuir a esse regime méritos “desenvolvimentistas”, que o período pós-Estaline assiste a reformas, que há evolução no regime entre o fim da guerra e a sua queda, tudo isso, são questões que devem ser ponderadas. Mas o regime nunca esteve perto, depois de Estaline, de uma transformação socialista, e, seja qual for o momento considerado, semelhante perspectiva teria significado o fim do primado do Partido e do tipo de Estado existente.
    msp

  21. Vasco diz:

    Texto lamentável, sem qualquer sentido e completamente faccioso.
    Se os EUA não tivessem entrado na 2.ª GM, queria ver quem é que derrotava os Nazis. Sabe-se lá como estaria o mundo hoje!
    A ditadura soviética foi algo terrivelmente cruel e que atentou aos direitos do homem, como atentou a ditadura de Hitler. Estaline matou milhões de pessoas! Regimes totalitários deste tipo não têm defesa possível, por mais argumentos que se tente encontrar.
    É triste ver pessoas a defenderem estes regimes e a serem tão “cegas” ao ponto de não reconhecerem que os poucos benefícios não compensaram – se é que se pode usar este termo – o enorme sofrimento causado.

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