Mundo vermelho

Oiçam a música. Oiçam-na outra vez. Quando me garantem que houve violência a mais, digo-vos que houve a menos. Todos os dias, uma coisa sem nome exerce-se sobre os excluídos. O mais grave dessa brutalidade é que os torna invisíveis. A maioria da cidade não tem direitos. Não são cidadãos. Alguns não podem votar. Vivem no desemprego que às vezes se transforma em emprego de miséria. Nascem condenados. São apenas livres de ser reprimidos – são os Homo Sacer de que fala Agamben. Enquanto a gente se ocupa da telenovela da pequena política, dos pequenos arranjos parlamentares, do elogio do funcionário político do mês, tudo permanece permanentemente na mesma. Peço desculpa de não acreditar no consenso, por mais democrático que seja. A haver solução, estou longe de acreditar que exista, ela não vai ser doce. Tudo o que é novo tem as suas dores, na melhor das hipóteses, de parto. Não há mudança sem revolta. Não se quebra uma violência oculta e permanente, sem, como falava Benjamin, uma violência sagrada.

Sobre Nuno Ramos de Almeida

TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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42 respostas a Mundo vermelho

  1. zé neves diz:

    nuno, estou, como imaginarás, de acordo. o problema da violência não é a questão do pacifismo ou do não-pacifismo. e o problema da violência em relação com a política não é o do uso ou não da violência. mas sim de que violência falamos. é muito diferente, nesse sentido, falarmos de uma violência de Estado e de uma violência que não é de Estado. E, no caso desta última, será muito diferente, também, falarmos de uma violência de “massas” e de uma violência de “brigadas” – estou a reportar-me, nomeadamente, ao caso italiano dos anos 60/70. Enfim, tudo isto é complicado, o pontapé de saída para o debate está dado por ti e eu só estou a acrescentar mais umas achas.
    abç

  2. jesus diz:

    Oopps!Tás a dar em marxista-leninista?

  3. Diogo diz:

    «Tudo o que é novo tem as suas dores, nas melhores hipóteses de parto. Não há mudança sem revolta. Não se quebra uma violência oculta e permanente, sem, como falava Benjamin, uma violência sagrada.»

    Absolutamente de acordo. Mas os nove meses já passaram há muito. Ou força-se o parto ou a mãe e a criança morrem.

  4. miguel serras pereira diz:

    Caro Nuno, tudo bem, menos a “violência sagrada” – com ou sem Walter Benjamin. A violência não tem, em si própria, nada de redentor. O atentado de Emídio Santana que teve por alvo Salazar foi violento e politicamente legítimo. Os enxovalhos a Vital Moreira numa manif. recente foram uma estupidez, e são politicamente inaceitáveis. O boicote da circulação através da sabotagem e eventuais confrontos com a polícia de carreiras de transporte que não respeitam as condições mínimas de dignidade e decência dos passageiros que são obrigados a sofrê-las pode ser uma forma violenta e democraticamente legítima de luta. A vandalização dos meios de transporte colectivos, embora possa ser entendida, e bem, como decorrendo de condições de vida miseráveis, é politicamente desastrosa.
    Caro Zé Neves, o que legitima a violência que liberta não é o simples facto de vir das massas. Uma brigada que tivesse liquidado Pinochet no Chile de há uns anos mereceria a nossa gratidão democrática. Uma “acção de massas” que expulsa ciganos ou imigrantes do Leste de um bairro degradado é uma violência de massas para-fascista.
    Pressinto que, se falarmos melhor sobre tudo isto, veremos que no fundo estamos de acordo, ou não em posições irreconciliáveis. Não podemos nem devemos confundir uma explosão de desespero, motivada por condições de opressão intoleráveis, com uma expressão de autonomia ou um combate politicamente justo. O que é preciso é transformar o desespero em reivindicação política; a revolta impotente e cega em força revolucionária inteligente.
    Um abraço para ambos
    msp

  5. xatoo diz:

    cuidado
    muita da violência das “Brigadas” foi instrumentalizada pela Operação Gládio, como o próprio Andreotti reconheceria depois…
    É preciso “uma violência boa” como reclamava o padre estalinista de “The Revolution That Wasn`t ”
    http://xatoo.blogspot.com/2009/10/revolution-that-wasnt.html

  6. Diogo diz:

    miguel serras pereira: «O que é preciso é transformar o desespero em reivindicação política; a revolta impotente e cega em força revolucionária inteligente»

    Resta saber como. Quando televisões e jornais (os media), e políticos e «justiça» trabalham todos a favor da máfia.

    Como pode haver uma força revolucionária inteligente contra o matraquear constante dos jornais e telejornais, todos do mesmo lado?

  7. Verdasco diz:

    Que malta tão perigosa que por aqui anda… Aposto que alguns de vocês já guardam uma pistolazinha em casa, para o dia em que isto der para o torto. O engraçado é que conheço a cara a alguns de vocês e não têm ar de aguentar com uma bofetada.

  8. Nuno Ramos de Almeida diz:

    É por causa das tuas perigosas bofetadas que temos armas.

  9. A violência deriva forçosamente da falta de oportunidades que é evidente, típico de grandes cidades como Lisboa, muitas famílias embrenhadas em pobreza e miséria são caladas com subsídios insignificantes e temporários, enquanto que escondidas em galinheiros de cimento, vão dedicando as suas forças á clandestinidade a que foram deitadas pela restante massa social. O problema da segurança é algo que tem de ser urgentemente resolvido, trata-se sobretudo de uma bola de neve que não para de crescer e cujos contornos conduzem a uma inevitável explosão social. Só com criação de emprego será possível combater este género de violência, que quanto a mim já vem das próprias famílias dos jovens referenciados pela policia. É preciso educar, mentalizar e empregar, sem radicalismos e sem fuscas!! Abraço

  10. Luis diz:

    “Como pode haver uma força revolucionária inteligente contra o matraquear constante dos jornais e telejornais, todos do mesmo lado?”

    Mas ainda quer mais jornais e telejornais a promover ainda mais a auto-intitulada “esquerda revolucionária inteligente”?

  11. M. diz:

    Estas violências denunciadas pelo Nuno, não se circunscrevem à Margem Sul, com O Cristo-Rei de costas. Proliferam os guettos, que nem cogumelos, também do lado para onde o Cristoestá virado.
    “Podem-nos aprisionar fisicamente, mas não podem aprisionar a nossa mente”.

    http://www.youtube.com/watch?v=TSCLOltxySs

    São Guettos de ciganos, negros, gentes dos países de leste e para usar um termo americano “powhitetrash”, que Maya Angelou tanto referiu nas suas obras , (White people so poor (and white trash) that the could not afford the “o” and the “r”) e que cada vez mais se tornam visíveis, à vista desarmada, neste feudo denominado Portugal. País que perdeu a vergonha de uma vez por todas!

  12. Luis diz:

    “Os pensamentos da classe dominante são também, em todas as épocas, os pensamentos dominantes, ou seja, a classe que tem o poder material dominante numa sociedade é também a potência dominante espiritual. A classe que dispõe dos meios de produção material dispõe igualmente dos meios de produção intelectual; de tal modo que o pensamento daqueles a quem é recusado os meios de produção intelectual está submetido igualmente à classe dominante. Os pensamentos dominantes são apenas a expressão ideal das relações materiais dominantes concebidas sob a forma de idéias e, portanto, a expressão das relações que fazem de uma classe a classe dominante; dizendo de outro modo, são as idéias e, portanto, a expressão das relações que fazem de uma classe a classe dominante; dizendo de outro modo, são as idéias do seu domínio”. (Marx e Engels, 1846)

  13. Luis diz:

    “São Guettos de ciganos, negros, gentes dos países de leste” ????

    Eu pensava que vivia num prédio normal, numa freguesia normal, num concelho normal da área da Grande Lisboa. Afinal vivo num guetto de “ciganos, negros, gentes dos países de leste”…

    Mas não estou nada assustado. Afinal, o máximo de “violência” não passa de música a altos berros nalguns fins-de-semana. Contudo não deixo de achar piada à apropriação da agenda mediática do CDS nesta caixa de comentários.

  14. zé neves diz:

    Caro Miguel Serras Pereira,

    Os exemplos que dás – brigada que assassine Pinochet e massas racistas – são propositadamente extremados, mas, por isso mesmo, ajudam a termos cuidado na discussão. Nestes debates sobre violência e política, será mais cauteloso eu ir ponto por ponto:

    1) a polícia (para simplificar as forças musculadas do Estado numa figura) é uma instância da relação entre política e violência;

    2) deste modo, a relação entre violência e política é um facto aceite por todos, pelo menos por todos os que aceitem a existência de polícia;

    3) não faz sentido, como tal, limitar a relação violência/política às acções praticadas por agentes não-estatais. O problema a discutir, por isso mesmo, não será entre pacifistas e não-pacifistas.

    4) as formas de violência usadas por agentes políticos não-estatais (eu sei que estou a simplificar muito…) variam enormemente. A tradição brigadista, militar ou de grupo armado tem o problema de, entre si e as “massas”, poder gerar-se uma distância tão grande como entre um partido de vanguarda e as “massas”. A forma-estado, por assim dizer, como que se repercutiria na forma-partido e na forma-brigada. Estrutura hierárquica de comando, procedimento de tipo judicial, etc.

    5) posto isto, parece-me importante distinguir as diferentes formas de violência e não meter tudo no mesmo saco. Quanto à violência sagrada, de acordo: sagrado e autonomia não combinam. Quanto às outras precisões, eu não consideraria o que se passou com Vital Moreira como algo que tenha relevância para ser debatido neste âmbito, mas isso é um pormenor. E quanto à outra distinção, entre sabotagem da circulação e incineração de autocarros (entre, por exemplo, piqueteros argentinos e revoltas suburbanas parisienses), aí já acho o caso mais complicado. Há um certo entusiasmo, por vezes, com revoltas como a dos banlieu que é um entusiasmo que me parece ingénuo, na base da ideia “se está a mexer, é bom”. Eu, que partilho do mesmo entusiasmo, confesso, estou de acordo em relação à necessidade de submeter todos os descontentamentos a um trabalho político constante. Mas isto possa por reconhecer, desde logo, politicidade a actos muitas vezes descritos como simplesmente da ordem do vandalismo.

    abç

  15. Luis diz:

    “Eu, que partilho do mesmo entusiasmo, confesso, estou de acordo em relação à necessidade de submeter todos os descontentamentos a um trabalho político constante.”

    A propósito, Zé Neves, o que é feito do Gualter e do Délio?

  16. jesus diz:

    Verdasco:tenho uma AK-47 e uma Uzi!Contra a classe dominante: a dos ladrões!

  17. Verdasco diz:

    Eu espero é que a PJ ande a monitorar este site.

  18. Verdasco,
    Acho incrível que queiras prejudicar o nosso empreendorismo, e a nossa tentativa honesta de vender uzis.

  19. miguel serras pereira diz:

    Caro Zé Neves,
    dizes bem e ainda bem que o dizes, e dissipas os equívocos que uma leitura desprevenida do teu comentário isolado poderia suscitar. Estamos de acordo (e a tua análise sobre os perigos do “brigadismo” é inteiramente justa).
    Abç

    msp

  20. Verdasco diz:

    Nuno Ramos de Almeida,

    Acho incrível que queiras prejudicar o meu estilo de vida, armando-te com uzis com que pretendes espalhar violência.

  21. Verdasco,
    Eu não compreendo pq razão as minhas alegadas (adoro esta palavra) uzis e RPG7s afectam o teu estílo de vida. Acho que devias ler com atenção o post. Sei que vou gastar o meu latim contigo, mas como perdes o teu tempo a comentar este blogue, mereces a minha paciência: eu apenas digo que a situação de desigualdade violenta que vive mundo é dificilmente alterada sem rupturas. Mais nada. O resto é a tua imaginação fértil que vês assaltos ao Palácio de Inverno a partir da Cova da Moura.

  22. ali la pointe diz:

    Acho piada. Metade dos que aqui comentam – se tanto – são capazes de dizer cobras e lagartos dos que se levantam em armas na América Latina (a não ser do EZLN, que gosta tanto de verborreia como o Zé Neves e companhia) e depois vêm discutir a violência política nos subúrbios. Aposto que a maioria sente mais simpatia por grupos como as Brigadas Vermelhas e a Fracção do Exército Vermelho do que pela ETA, o IRA e os GRAPO.

    • Thayna diz:

      Nepo,- O problema 1 e9 refereancia: qual inmfroae7e3o e9 valiosa e qual e9 enganosa? Em mifados: a Wikipedia e9 realmente uma enciclope9dia? De novo, os extremos se3o fe1ceis: sabemos o que e9 infomae7e3o extremamente relevante e o que e9 completamente infatil. O resto e9 borre3o. E dentro do conjunto relevante de inmfroae7f5es, como identificar a que melhor lhe atende?- O problema 2 e9 instrumental: cada vez menos se valoriza o aprender a aprender , ou seja, converter inmfroae7e3o em inovae7e3o, em solue7e3o. Viramos colecionadores de fatos e ide9ias alheias, cada vez menos capazes de fazer algo mais do que recite1-los.- O problema 3 e9 hardware: mesmo de posse de filtros corretos e das inmfroae7f5es corretas e com as solue7f5es na cabee7a, muitos ne3o sabem como disseminar a inmfroae7e3o de maneira verdadeiramente universal. Falta padre3o (ex. flash ou HTML5? / open source ou closed? veddeo ou texto?), falta canais referenciais (ne3o existe canal universal, adotado por 100% das pessoas), falta aquela certeza de que essa inmfroae7e3o transformada vai atingir as pessoas que se deve na intensidade que se deve.O problema 3 nos leva de volta ao problema 1: inmfroae7f5es valiosas, conseguidas com muito esfore7o, viram mais uma no mar de inmfroae7f5es que desviam foco e ne3o constroem.Eu gostaria muito de dizer a solue7e3o para isto e9 , mas a resposta ne3o e9 fe1cil. Acho que o problema de melhorar o aprendizado para gerar qualidade nos inputs e outputs e9 mais tangedvel, mas ne3o menos complicado.Forte abrae7o.

  23. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Misturar a ETA e o IRA com o RAF e as Brigadas Vermelhas é um salto epistemológico mt grande para mim.

  24. ali la pointe diz:

    Não misturei a ETA e o IRA com o RAF e as BV. Fiz o contrário. Afirmei que há aqui comentadores que certamente simpatizam mais com estas duas últimas organizações e que nutrem um profundo desprezo pelas duas primeiras. O que revela muito.

  25. Nuno Ramos de Almeida diz:

    ali la pointe,
    Presumo que da Batalha de Argel, tem razão. Li depressa e mal.

  26. M. diz:

    Caro Luís,
    (Comentário de Luis
    Data: 1 de Novembro de 2009, 12:42)

    «“São Guettos de ciganos, negros, gentes dos países de leste” ????

    Eu pensava que vivia num prédio normal…»
    Abra bem os olhos e viaje para fora cá dentro. Visite a Cova da Moura, Chelas, Casal de Cambra, a Brandoa, as Mercês e Mem-Martins… Quando se lhe esgotar o roteiro turístico avise para eu lhe apontar novos itinerários… é que começa mais a abundar em Portugal, miséria à vista de cegos… que a preferem ignorar…
    Há mais vida neste feudo, a apelidam de Portugal do o mini-mundo do seu resguadado prediozito, normalzito… numa freguesia certamente “super-normal”.
    Ora, pois, o Sócrates também não se deve queixar do predizito dele…
    Viajai, viajai… Ide ao encontro do Portugal “Powhitetrash”… É abrir os olhos e ver!

    Ah, e não me impinja o CDS, nem qualquer outro partido. Tenho Horror crescente aos políticos e às colectividades partidárias!

  27. M. diz:

    Caro Luís,
    Ai tantas, tantas gralhas que me escaparam.
    É a pressa e o sono, ora bolas!!!
    Corrijo já!
    Abra bem os olhos e viaje para fora cá dentro.

    Visite a Cova da Moura, Chelas, Casal de Cambra, a Brandoa, as Mercês e Mem-Martins… Quando se lhe esgotar o roteiro turístico, avise para eu lhe apontar novos itinerários… é o que começa mais a abundar em Portugal, a miséria à vista de cegos que vêem… mas preferem não querer ver…
    Há mais vida neste feudo, a que apelidam de Portugal, para além do seu microcosmos, o mini-mundo resguadado do seu prediozito, normalzito… numa freguesia certamente “super-normal”.

    Ora, pois, o Sócrates também não se deve queixar do predizito dele… Nem o Portas, nem a MFL, nem o outro, e o outro e mais o outro… com assentos par(a)lamentar!

    Viajai, viajai… Ide ao encontro do Portugal “Powhitetrash”… É abrir os olhos e ver!

    Ah, e não me impinja o CDS, nem qualquer outro partido. Tenho Horror crescente aos políticos e às colectividades partidárias!

  28. M. diz:

    resguardado: leia-se.
    Boa noite!

  29. Luis diz:

    “Tenho Horror crescente aos políticos e às colectividades partidárias!” Claro, metendo tudo no mesmo saco. E mesmo sabendo que a direita manipula as acções directas, vem pela surra, elogiá-las. Já lhe disse que sei do que falo, porque no meu prédio normal coexistem “ciganos, negros, gentes dos países de leste”, gente do Brasil e de vários países africanos. E como disse antes, fora a música alta, uma vez por outra, a co-existência é perfeitamente pacífica e normalíssima.

    E deixe de difamar a Cova da Moura, Chelas, Casal de Cambra, a Brandoa, as Mercês e Mem-Martins. E já agora também a Belavista, Feijó, Pragal.

    A propósito, sabe do Gualter e do Délio?

  30. M. diz:

    Ora, pois, Exmo Luís (Já agora é Luís ou Luis??),

    Nos sítios que lhe mencionei há guettos, que não coexistem pacificamente. Há “naifadas” a torto e a direito. Esqueci-me é claro de referir Rio de Mouro, onde os alunos ao saírem das escolas, são assaltados dia sim, dia sim, por pequenos gangues da mesma faixa etária. Ainda não há muito, o mesmo jovem de 15 anitos foi não assaltado (quem o mandou ter um MP3? e um relógio?), como teve o “prilviégio de assistir, ao vivo e a cores, a um rapaz com cerca de 16 anos, golpeado no pescoço, por não ter dado de boa vontade o seu telemóvel. Dias mais tarde, viu um outro grupo esfaquear um colega no braço (por que é que estas coisas são abafadas, nada consta nos jornais…).
    Em Casal de Cambra, por exemplo, há crianças com mais lêndeas, piolhos e pulgas, do que alimento para o estômago ou agasalhos para o frio.
    Ah e os idosos aqueles que vão – sozinhos – levantar as parcas reformas, já os tenho encontrado a chorar, desamparados, após roubos por esticão.
    Já agora se me me permitir (se não me permitir, para mim, é-me igual ao litro…): Não, Não e Não! Não gosto de políticos, nem de partidos políticos.
    Caro Luís viaje, viaje, sem óculos escuros, veja com olhos de ver, assista aos “thrillers” que se desenrolam na Grande Área de Lisboa…
    Do Délio e do Gualter não tenho tido notícias, aliás, nem os conheço, mas quanto ao Aprígio, ao Nelson e ao Franklin da última vez que os vi estavam a fazer um “jogo” de pontaria ao alvo, arrancando pedras da calçada a ver quem acertava com mais força no corpo uns dos outros.

  31. Luis diz:

    Não se trate, não M…

  32. M. diz:

    Caríssimo Luis (olhe que com acento agudo este nome fica mais musical, sem acento, e sem querer ser indelicada, parece que rima com “pus”.É uma pena… um nome tão bonito e tão mal-tratado)

    Paga-me uma consulta no psiquiatra? Eu se tivesse dinheiro até gostava de lá ir… Acho que deveria uma experiência linda!!!
    Mas, segundo tenho ouvido dizer, os psiquiatras são mais loucos do que a maioria dos doentes, e eu coleccionar dinheiro (nunca consigo, infelizmente!) e pagar para tratar da saúde mental do psiquiatra: ’tá quieto, Ó Morto!
    Mas, caso me ofereça uma consultazita eu agradeço, e muito. Julgo que seria uma experiência inesquecível, única! (Não hei-de morrer sem experimentar isso. Deve ser melhor do que ir ao Teatro, acho eu…)

    Entretanto, abra os olhos, conheça o Portugal escondido dos que vivem em prédios normais, freguesias normais… conseguindo fazer-de-conta que a miséria e os guettos são no estrangeiro. Viaje pela Área da Grande Lisboa, não faça Batota!

    Cumprimentos

  33. Luis diz:

    “Viaje pela Área da Grande Lisboa” ??? Eu viajo todos os dias, duas vezes por dia, nos transportes públicos. Eu moro e trabalho na Área da Grande Lisboa. Juntamente com os tais com que está a procurar assustar. E digo-lhe com conhecimento de causa que são iguais a nós.

  34. M. diz:

    O Luis passa fome?
    O Luis vive sem água em casa?
    O Luis tem lêndeas, piolhos e pulgas?
    Mora num 12º andar sem elevador.
    Pode começar o itinerário por Casal De Cambra, aqueles prédios onde foi cortada a água, por os moradores estarem no desemprego…
    O Luis não tem agasalhos no Inverno, como já vi crianças a tiritar de frio, vestidas à verão em pleno Inverno? (Soube que foram oferecidos agasalhos a essas crianças, andaram agasalhadas uma semana… Na semana seguinte à pergunta: Por que estás outra vez vestido à Verão, com este frio? Resposta: A minha mãe deu a roupa ao meu irmão [= a minha mãe vendeu a roupa]. Ah, pois, Luis, que confortável vir com essa conversinha de que estou à procura de assustar…).

    Os maiores cegos são os que não querem ver, caro Luis. Isso é que assusta, de facto. Vá ao Rossio, Restauradores, suba ou desça a Av. da Liberdade às 9h-10h da noite, conte o número dos sem abrigo a dormir em sacos cama…
    Assusta, assusta, Luis, haver gente que nege o que está à vista de todos… Será miopia???

  35. M. diz:

    «O que me preocupa não é o grito dos “maus”, mas o silêncio dos “bons”» Martin Luther King (as aspas nos adjectivos são da minha autoria).

    Acrescento, também me preocupa muito os cegos que vêem, mas como acham que lhes diz respeito negam e denegam.

  36. Luis diz:

    “Vá ao Rossio, Restauradores, suba ou desça a Av. da Liberdade às 9h-10h da noite, conte o número dos sem abrigo a dormir em sacos cama…”

    Se fosse só em Lisboa… O mesmo já vi em Londres, Nova Iorque e praticamente todas as cidades norte-americanas.

    Mas nunca vi em nenhuma cidade cubana. Dá para pensar, não dá?

  37. Verdasco diz:

    Caro Nuno Ramos de Almeida

    Quem falou em uzis foi o Nuno. Eu disse “aposto que têm pistolas”, o Nuno respondeu “temos armas”.

    Eu acho que o li bem. Mas, já agora, elucide-me: quando fala em ruptura, quando se fala aqui em violência, quer dizer que vamos todos mudar o mundo a falar cordialmente? Até ver, acho que não é isso que quem escreve aqui deseja. Deseja uma revolução violenta. É um desejo antigo, já algumas vezes concretizado, com muitos maus resultados. Se um dia o seu desejo se concretizar, vai morrer muita gente. Mas presumo que isso faça parte do plano.

    E obrigado pela sua paciência, é reconfortante ver que a extrema-esquerda também consegue ser caridosa.

  38. M. diz:

    OK, Luis,
    Então se estas situações são comuns em Londres e Nova Iorque e em tantas cidades dos EUA, resignemo-nos, cruzemos os braços, fechemos os olhos e digamos em coro, consigo Luis: Eu vivo num prédio normal, numa freguesia normal… viajo todos os dias, não vejo nada de especial, aqui em Portugal é tudo normal.
    Há quem queira assustar-nos, mas na área da Grande Lisboa. “no passa nada”. É tudo normal e aceitável.
    Ora bolas!

  39. Luis diz:

    “Eu vivo num prédio normal, numa freguesia normal… viajo todos os dias, não vejo nada de especial, aqui em Portugal é tudo normal”. Sim. E vivo e trabalho com os tais que o M. considera violentos e digo-lhe com conhecimento de causa que não são, que são pessoas normais, gente boa. E nunca falei em “aceitável”. Pelo contrário. Agora não adiro é a agendas lunáticas de lunáticos, no mínimo.

  40. M. diz:

    Caro Luis,
    Leia lá outra vez o comentário ali mais acima, aliás eu faço copy/ paste:

    «Comentário de M.
    Data: 2 de Novembro de 2009, 23:42

    «O que me preocupa não é o grito dos “maus”, mas o silêncio dos “bons”» Martin Luther King (as aspas nos adjectivos são da minha autoria).

    Acrescento, também me preocupa muito os cegos que vêem, mas como acham que lhes diz respeito negam e denegam.»

    Ora, venha-me cá colar a partidos políticos a ver se pega… Comigo não há Super-cola 3 que faça ficar presa a esse mundo colectivo. Os ideais são todos muito belos… o pior são as pessoas que se chegam à frente para fazer de conta que os aplicam.

  41. Luis diz:

    “Ora, venha-me cá colar a partidos políticos a ver se pega…” eu não lhe quero colar, mas discordo de quem mete todos os partidos no mesmo saco. O PCP não é igual aos outros.

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