Socialismo I

Sobre este texto do Zé Neves, plagiemos:

A luta pelo socialismo no mundo sofreu ao findar o século XX derrotas de ainda incalculáveis consequências para a luta dos trabalhadores e dos povos contra todas as formas de exploração e opressão, com a desintegração da URSS e dos regimes existentes nos países do leste da Europa.
Os acontecimentos mostraram que nesses países, apesar das grandes transformações e realizações democráticas revolucionárias de carácter económico, social e cultural, acabou por instaurar-se e instituir-se em determinadas circunstâncias históricas um “modelo” que violou características essenciais de uma sociedade socialista e se afastou, contrariou e afrontou aspectos essenciais dos ideais comunistas. Em vez do poder político do povo, um poder excessivamente centralizado nas mãos de uma burocracia cada vez mais afastado da intervenção e vontade das massas e cada vez menos sujeito a mecanismos fiscalizadores da sua actuação. Em vez do aprofundamento da democracia política, a acentuação do carácter autoritário do Estado. Em vez de uma economia dinamizada pela propriedade social dos principais meios de produção, uma economia excessivamente estatizada desincentivando progressivamente o empenhamento dos trabalhadores e a produtividade. Em vez de um partido de funcionamento democrático, enraizado nas massas e delas recebendo energias revolucionárias, um centralismo burocrático baseado na imposição administrativa de decisões tanto no partido como no Estado, agravado pela fusão e confusão das funções do Estado e do partido. Em vez de uma teoria viva e criativa, a sua dogmatização e instrumentalização.
A experiência revela assim que na construção da sociedade socialista as soluções adoptadas para os mais diversos problemas (organização económica, sistemas de gestão, estrutura do Estado, política social, intervenção popular, cultura) têm de estar constantemente sujeitas à verificação dos resultados, prontas à correcção e à mudança quando necessárias, abertas ao constante aperfeiçoamento e enriquecimento.
A experiência revela ainda que para impedir um distanciamento entre os governantes e as massas, o uso indevido do poder político, o abuso da autoridade, a não correspondência da política e das realidades com os objectivos definidos e proclamados do socialismo, desvios e deformações incompatíveis com a sua natureza – são essenciais o exercício efectivo do Poder pelo povo, o controlo popular e a consideração permanente do aprofundamento da democracia.
A história do século XX mostra por um lado que grandes transformações e conquistas de alcance histórico na construção do socialismo e um verdadeiro progresso social são inseparáveis da luta dos comunistas; mostra por outro lado que a assimilação crítica das experiências revolucionárias, positivas e negativas, é indispensável às forças que se proponham, no seu próprio país, pôr fim a todas as formas de exploração e opressão, construindo uma sociedade socialista.

Perestroika-se quem descobrir a fonte.

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9 respostas a Socialismo I

  1. Vasco diz:

    Vou perestoikar-me: é a Resolução Política do XV Congresso do PCP.

  2. alexandre coutinho diz:

    Bolas, eu já disse noutro lado aí: a fonte é a mesma do Zé Neves mas com mais umas linhas. É o PROGRAMA EM VIGOR DO PCP, porra !

  3. Henrique Morais diz:

    hmm…semelhante cegueira podia vir do Pravda, mas parece-me dificil dado o tema. Avante ou Granma? Um deles…

    Recomendo-lhe http://aterceiranoite.org/2009/10/29/auschwitz-gulag-1-a-abrir/

  4. Luis diz:

    Ponto 3 do Capítulo “Século XX – a construção de uma nova sociedade” do Programa do PCP.

  5. Luis diz:

    Claro que o Zé Neves além de descartar metade do ponto 3 do Capítulo “Século XX – a construção de uma nova sociedade” do Programa do PCP, ainda cometeu a filha da putice do título (A Queda do “Socialismo Real”) e da primeira frase (“Passam agora vinte anos sobre a queda dos regimes ditatoriais que vigoraram nos países da Europa de Leste.)

  6. Tiago Mota Saraiva diz:

    O Vasco leva com o prémio Perestroika, por ter sido o mais rápidol, embora suspeite que muitos tenham sido impedidos de participar pelos problemas que ontem tivemos no blogue.
    Ambas as respostas estão certas: Resolução Política do XV Congresso e Programa do PCP.

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  8. diz:

    era de admirar era se a resolução política tivesse sido escrita 10 ou 20 anos antes. É que o “modelo que violou características essenciais de uma sociedade socialista” já lá estavam antes da perestroika. E o problema do partido é que não consegue ter agilidade ideológica suficiente para chegar a uma conclusão a que muita gente já tinha chegado muitos anos antes. Demoram muito chegar lá, os comunistas!

  9. diz:

    tanto que tinham um contacto privilegiado com com os países referidos, já sabiam claramente o que lá se passava muito antes de 1996. Das duas uma, ou só se fez luz lá nas cabecinhas dos senhores subitamente em 1996 (decerto devido à derrota de portugal no euro contra a república checa, culpa claro está do vítor baía), ou então estiveram uns anos a ver se acontecia um contra golpe-revolução na ressaca dos primeiros anos noventa. Nesse caso, teriam dado vivas à revolução e abaixo a reacção.

    Tem graça ver um partido a reboque da história.

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