Lembrei-me disto, por acaso e por, digamos, paixão.

Se me perguntassem que obra musical eu levaria para uma ilha deserta, apenas uma, eu não poderia hesitar e responderia isto (como não me perguntaram aqui fica como imperiosa recomendação): de Antonio Caldara, a oratória Maddalena ai piedi di Cristo (1700). Tem de ser nesta gravação e leitura – ouvimos aqui a voz sobrenatural de Maria Cristina Kiehr (e há quem defenda que nunca mais ela esteve a este nível: milagre, portanto. Também por acaso tenho aqui no cimo de pequena pilha de CDs uns motetes de Monteverdi em que ele está quase quase a esta estatura); seguimos a direcção de René Jacobs e sabemos, por certo, que nunca esta obra terá uma melhor interpretação. Fica a mais extasiante das suas Arias (mas estou apreensivo – como Saramago garantiu que da Bíblia vem o pior da natureza humana, e a histérica do Jugular se entretém denunciando quem tem destas inclinações místicas, não sei que [lhes] fazer):
Pompe inutili, / che il fasto animate /
non sperate / di dar più tormento al cor.
Ite a terra / vili immagini d’error.




Está visto que foste à missa hoje.
E acho bem que vás para uma ilha deserta.
No dia do Juízo (do gosto kantiano), depois conversamos.
Carlos Vidal, muito obrigado !
Não conhecia, mas graças a ti (e a umas outras habilidades…) daqui a 30 min. vou passar a conhecer.
Manda mais !
A.S.C.
Amen.
LOL
“Per il mar del pianto mio
disprezzar soprò le pene.
Se, Gesú, sei Ia mia stella,
a te umilio il mio desio,
al tua piè son mie catene.”
Poucas vezes concordei tanto com alguém. Isto é transcendência em estado puro e um disco ao qual eu retorno sempre e sempre …
A Kiehr é *inexcedível* …
Outro milagre (do mesmo oratório):
João Jarego,
De facto esse link também é maravilhoso.
Madalena é a mais fascinante das figuras bíblicas.
Exactamente João Jarego, quem ou o que teria possuído Maria Cristina Kiehr para esta interpretação?
Talvez René Jacobs, um dos grandes contra-tenores do século e agora talvez o mais esclerecido maestro deste reportório (o barroco, a que adicionaremos 5 óperas de Mozart: as 3 que são conhecidas como a trilogia Da Ponte e a Clemenza de Tito mais o Idomeneo). Ainda um dia gostaria de escrever um longo texto sobre René Jacobs, mas não sei se conseguiria (acho que devo apenas responsabilizar-me por inteiro por aquilo que escrevo sobre as chamadas “artes plásticas”).
E o Scholl, (Andreas Scholl) não se esqueçam dele, um contra-tenor fabuloso.
Estou a olhar para um dos meus discos d’ele, Kantate, Cantates baroques allemandes, harmonia mundi, 1988.
Sim caro antónio, Scholl, um contra-tenor de uma versatilidade enorme, é hoje nome cimeiro: avança pelo reportório clássico sem esquecer a Idade Média: há, com Scholl, uma belíssima “Messe de Nostre Dame” de Machaut.
O outro contra-tenor de quem se fala actualmente (e talvez aqui se possam, como dantes Callas versus Tebaldi, criar dois “partidos”) é Philippe Jaroussky (e aqui talvez eu tome o partido deste último, vou pensar, ouvir).
Ok, estou a investigar o teu Philippe, que não conhecia.
Tens sugestões ?
Começo por onde ?
Ferrari: Musiche Varie / Jaroussky, Ensemble Artaserse
Antonio VIVALDI: Heroes – Opera arias – Philippe Jaroussky – Ensemble Matheus – Jean-Christophe Spinosi
Philippe Jaroussky ~ Beata Vergine
Philippe Jaroussky – Opium Mélodies françaises
A minha tentação é este aqui,
Reynaldo Hahn, Cécile Louise Chaminade, Jules Massenet, Gabriel Fauré, Ernest Chausson, André Caplet, Camille Saint-Saëns, Claude Debussy, Paul Dukas, Guillaume Lekeu, César Franck, Gabriel Edouard Dupont, Vincent D’Indy
Philippe Jaroussky, Jerome Ducros, Renaud Capuçon, Emmanuel Pahud
1. À Chloris
2. Sombrero (1894)
3. Elégie (1869)
4. Nell Op.18 No.1 (1880)
5. Le Colibri Op.2 No.7
6. Automne Op.18 No.3 (1880)
7. Mignonne (1894)
8. Fêtes galantes (Mandoline) (1892)
9. Le temps de lilas
10. Les Papillons Op.2 No.3
11. Viens, une flûte invisible (1900)
12. Les heures Op.27 No.1
13. Quand je fus pris au pavillon (Douze rondels, no.8)
14. Offrande (1891)
15. Tournoiement ‘Songe d’opium’ Op.26 No.6 (Mélodies persanes, 1870)
16. Romance (Deux Romance No.2, 1891)
17. Sonnet (Amours, Premier Livre, CLXIX)
18. Nuit d’Espagne (1869)
19. Sur une tombe (Trois poèmes, No.1 – 1892)
20. Violons dans le soir (1907)
21. Nocturne (1884)
22. Les donneurs de Sérénade (Mandoline) (1901)
23. Lied maritime Op.43
24. L’heure exquise (Chansons grises, no.5)
Em primeiríssimo lugar, para mim, punha o “Vivaldi Heroes”, com o maestro com o qual melhor trabalha (e que melhor trabalha Vivaldi – um mundo novo a descobrir, este Vivaldi), refiro-me a Jean-Christophe Spinosi (Ensemble Matheus).
“Vivaldi Heroes” portanto, com Spinosi, na Virgin Classics (2006).
Depois, outro Vivaldi (religioso): o “Nisi Dominus / Stabat Mater”; também com Spinosi, na etiqueta Naïve (2007).
Depois, para a colecção Vivaldi Edition da Naïve, 4 óperas do veneziano, sempre com Spinosi (e elencos de respeito no barroco):
- La Verità in Cimento (3 CDs)
- Orlando Furioso (3 CDs)
- Griselda (3 CDs)
- por fim, La Fida Ninfa (3 CDs)
Um mundo antes desconhecido à espera de quem queira aqui atirar-se (incondicionalmente).
kk, Vivaldi e Spinosi será.
Thanks a lot, ou grazie tante.
Senhor Professor,
Ajude-me lá.
Qual a autoria da obra nr. 15? (ou a 6ªa obra a contar do final)
No link http://www.youtube.com/watch?v=MwiW4kE5k_U informam-nos que a obra é de Guido Reni, mas eu creio que não é.
Há + ou – um mês vi esta mesma obra online, emprestada temporariamente (claro!) ao Museo del Prado.
Estou muito convencida que não é da autoria de G. Reni.
Quando tiver um pouco de tempo, diga-me o autor, sff.
Agradecida.
Acabei mesmo de descobrir que a obra é mesmo de Guido Reni.
Desculpe a minha Santa ignorância!
Ó Stôr,
Era escusado ter postado, a partir do momento em q descobri sozinha a autoroa obra!
Está spr a expôr a minha ignorância aos olhos alheios! Por quê? Por quê? Por quê? Por quê? Por quê eu?
Que fiz eu para merecer isto?