Publico aqui a primeira de várias parte de um ensaio de João Valente Aguiar, Doutorando em Sociologia e Investigador na Universidade do Porto. JVA mantem o blogue As Vinhas da Ira.
O pensamento ideológico neoliberal
Os ditames do pensamento único neoliberal hoje vigente tanto na academia como nos media, na política, etc. assentam num conjunto de pressupostos que importa considerar. Num registo que pretendemos sintético e simples, procuraremos enunciar alguns dos eixos constituintes do pensamento social neoliberal.
1 – O mercado como uma instituição natural.
Para grande parte dos autores neoclássicos (e neoliberais), o mercado é assumido como algo natural, inevitável, irrecusável. Ao contrário do que muitas vezes se afirma, o mercado não é apenas um espaço de trocas, de compra e venda de produtos. Muito mais do que isso o mercado projecta, no plano da circulação de mercadorias, relações sociais assentes na separação entre quem detém o controlo dos processos de decisão económica e quem não o detém. Omitindo esta relação social estrutural, o mercado pode assim surgir como um natural resultado da acção privada e pretensamente libertadora de cada indivíduo. Ora, se o mercado se torna, no discurso ideológico neoliberal, uma instituição inultrapassável, porque a única consentânea com a “natureza humana”, então tudo dever-se-ia transformar num mercado, ou se se preferir, numa miríade de mercados. Isto é, a transformação de toda a vida social, natural e humana em mercadorias passíveis de serem compradas e vendidas pelo melhor preço funcionaria como o motor de desenvolvimento da humanidade desde tempos imemoriais.
No fundo, espalhar as regras do mercado a todas as esferas da vida seria, por conseguinte, aproximar o ser humano da sua condição antropológica mais inata. Nestas condições, o indivíduo seria mais bem-sucedido quanto mais se mostrasse capaz de se vender no(s) mercado(s): económico, mas também da dignidade moral. Como o mercado se apresenta, dizem os teóricos neoliberais, como uma instituição natural e amoral, nada seria mais sensato do que a visão de que o indivíduo tenha de fazer tudo por tudo para derrubar o vizinho e assim se apropriar de um quinhão da riqueza produzida. Os “grandes homens”, para o pensamento neoliberal, são precisamente aqueles que se mostram mais bem-sucedidos no esmagar e ultrapassar de todos os outros, construindo impérios empresariais a partir, por um lado, da concorrência mais feroz do vale-tudo e, por outro lado, não menos importante, da exploração mais despudorada dos trabalhadores.
2 – O custo/benefício como código de leitura e de acção.
A assunção de que o mercado (no sentido, da transformação da matéria, seja ela qual for, em mercadoria) é uma instituição natural e inultrapassável, cria a imagem de que a racionalização que os agentes sociais (na linguagem neoliberal não são sociais, mas tão-somente económicos) fazem das suas condutas passaria inevitavelmente por um raciocínio do tipo custo/benefício. Basicamente, o indivíduo teria que se comportar sempre de acordo com a equação “quantos mais benefícios tiver em relação aos prejuízos melhor”. Em termos muito gerais e um tanto ou quanto vagos, esta asserção até pode ser verdadeira. Qualquer pessoa na sua vida, como é óbvio, gosta de ter mais aspectos positivos do que negativos, mais bons momentos do que maus momentos. Contudo, o raciocínio neoliberal – que, curiosamente, se afirma tão natural e amoral mas que prega a moral do capital a toda a hora – equipara o bem e o mal não em termos das necessidades reais das pessoas, mas em termos dos ganhos económicos. Na base, o indivíduo e a sociedade no seu conjunto deve(ria)m raciocinar na linha do custo/benefício tendo em conta os ganhos de lucratividade económica do mesmo.
Para dar conta deste vector do pensamento ideológico neoliberal, atente-se nas seguintes palavras de Marx acerca da natureza do dinheiro:
«O dinheiro é o bem supremo, portanto o seu possuidor é bom, o dinheiro dispensa-me além disso o trabalho de ser desonesto, sou portanto presumido honesto; eu sou desprovido de espírito, mas o dinheiro é o espírito real de todas as coisas: como havia o possuidor dele de ser desprovido de espírito? Além disso, ele pode comprar para si a gente rica de espírito, e quem tem o poder sobre os ricos de espírito não é ele mais rico de espírito do que o rico de espírito?» (Marx, Manuscritos Económico-Filosóficos de 1844, Edições Avante, p.149).
Debaixo do manto diáfano do pensamento neoliberal, a nudez crua do rolo compressor do capital.




Ecxlente post André.
Como requisito para se ser anti-capitalista está o ser amante das falácias lógicas…a lógica é algo que deve ser manobrada em função do povo (leia-se do partido).
Força camaradas!
Há aí um Ezequiel mesquinho,reaccionário,atento,venerando e obrigado por todo aquele o que espezinhe omais fraco e o explore e tenho o ‘êxito’ de terdinheiro,paradigma de quem ‘trabalhou’ muito e,agora reparo que há um outro que apoia o André Levi..Concerteza que são distintos(ezequieis há muitos) ou,é um caso de dupla personalidade!
Jesus,
foste ao dicionário procurar adjectivos ou será que conseguiste esta proeza linguística sozinho. eu n apoio nem me oponho ao André. discordei dele ali e agora concordo com ele aqui. não há qq inconsistência, asseguro-lhe. n sou capitalista, nem neo-liberal, nem reaccionário… estou com gripe (por isso é que ando por aqui o dia todo, na blogolandia) e n tenho pachorra para aturar gente que quer me insultar gratuitamente. se quiser conversar comigo, converse. se n quiser, pode fazer o excelentíssimo favor de ir chatear outro…
não é um caso de dupla personalidade. o sr é mesmo básico. eu n apoio pessoas. concordo ou n concordo com argumentos. percebe?
leia o que eu escrevi antes de me acusar de i
Sobre o que escreve João Valente de Aguiar:
“Nestas condições, o indivíduo seria mais bem-sucedido quanto mais se mostrasse capaz de se vender no(s) mercado(s): económico, mas também da dignidade moral.”
E porquê? Basta ter existido uma votação de mão no ar no comité para esta afirmação ser verdadeira?
Substitua por:
“Nestas condições um indivíduo será tão mais bem sucedido quanto mais for capaz de criar valor concretizado em livres trocas com outros indivíduos, sendo que a pertença a um grupo ou a detenção da força não lhe trará mais sucesso nem lhe trará vantagem per si.”
“Como o mercado se apresenta, dizem os teóricos neoliberais, como uma instituição natural e amoral, nada seria mais sensato do que a visão de que o indivíduo tenha de fazer tudo por tudo para derrubar o vizinho e assim se apropriar de um quinhão da riqueza produzida.”
Entenda-se então que para o autor o que é sensato quando existem escolhas livres é derrubar o próximo? Acredito que a vontade de derrubar outros tenha valor em si para o autor, não imponha a sua forma de actuar aos demais. Experimente trocar o texto por:
“Como o mercado se apresenta, dizem os teóricos neoliberais, como uma instituição natural e amoral, nada mais sensato do que identificar necessidades dos outros indivíduos e desenvolver os métodos mais engenhosos para as satisfazer, de forma a criar o máximo de valor com a troca que tem de ser forçosamente repartido entre os indivíduos que trocam em um mercado livre. Se não existe vantagem na troca, o indivíduo no mercado livre não aceita. Desta forma, em cada troca cada indivíduo apropria-se de um quinhão da riqueza produzida.”
Podia continuar. Ao final não interessa. As questões de fundo que nos separam são outras. Quais devem ser os direitos fundamentais do indivíduo? Podem estes ser ignorados pela força da maioria, ou são inalienáveis?
-Nem de propósito: uma crónica à maneira.
“Ganância criativa
Há no processo de formação de preços em economia de mercado um conceito admiravelmente engenhoso, o de “renda do consumidor”.
A ideia é simples: quando se fixa o preço de um produto ou serviço, há gente a “ganhar” a diferença entre o que paga e o que estaria disposta a pagar. Para sacar essa “renda”, as empresas procuram “compartimentar o mercado” e cobrar a cada um, pelo mesmo produto, o máximo que está disposto a pagar. Há muito que os bancos andam com a ideia fixa de cobrar a “renda” de comodidade e segurança que resulta do uso de cartões de crédito e débito (com que os bancos poupam milhões em custos de pessoal). Falhada a tentativa de se cobrarem pela utilização das caixas Multibanco, conseguem agora, com a possibilidade de os comerciantes passarem a “taxar” os pagamentos feitos com cartões, meter pela janela o que não entrara pela porta. Mas a mão que nos irá ao bolso não é a dos comerciantes, é a dos bancos. Através dos comerciantes, os bancos irão cobrar-nos, além das anuidades dos cartões, cada pagamento que fizermos com eles. Com uma vantagem: o odioso cairá sobre os comerciantes.”
Manuel António Pina no JN de Hoje.
-Basta ter existido uma votação de mão no ar na assembleia do comité de interesses dos carteiristas/banqueiros para este roubo ter pernas para andar de forma legal e com a bênção regulador.
“Nestas condições um indivíduo será tão mais bem sucedido quanto mais for capaz de criar valor concretizado em livres trocas com outros indivíduos, sendo que a pertença a um grupo ou a detenção da força não lhe trará mais sucesso nem lhe trará vantagem per si.”
-Substitua por:
“Nestas condições um indivíduo será tão mais bem sucedido quanto mais for capaz de sacar valor concretizado em livres trocas com outros indivíduos, sendo que a pertença a um grupo ou a detenção da força lhe trará mais sucesso e vantagem per si.”
-Confesso que plagiei o sr. Ricardo G. Francisco -trocando umas palavras e substituindo outras .
- Sou um ladrão, “mas há muitos que eu conheço, que não parecendo o que são são aquilo que pareço.”
-Porra!!! voltei a plagiar – Que fazer está-me no sangue, é genético é da minha natureza. Só por morte meu deus só por morte o roubo eu deixava.
Caro Zé do boné,
“-Basta ter existido uma votação de mão no ar na assembleia do comité de interesses dos carteiristas/banqueiros para este roubo ter pernas para andar de forma legal e com a bênção regulador.”
Portanto está comigo. Esta democracia popular em que ganha quem tem mais políticos sob influencia é uma vergonha. O nosso sistema financeiro baseado no socialismo de mercado apenas agrada a socias democratas quer sejam do PS quer sejam do PSD. Em uma economia de mercado em que o Estado não é usado como arma a favor ou de uns poucos contra muitos ou para tirar os direitos fundamentais de minorias em favor da minoria do momento o que escreve nunca ocorre…
Outra:
“Nestas condições um indivíduo será tão mais bem sucedido quanto mais for capaz de sacar valor concretizado em livres trocas com outros indivíduos, sendo que a pertença a um grupo ou a detenção da força lhe trará mais sucesso e vantagem per si.”
Esta é a definição de uma democracia popular. Parabens. Desde que esteja do lado da maioria pode fazer o que quiser da minoria. Mete nojo não mete?
De resto está sempre à vontade para mostrar a iniquidade da democracia popular como oposto da virtuosidade da democracia liberal. Basta inverter o sentido de algumas frases…é um facto.
Correcção:
“para tirar os direitos fundamentais de minorias em favor da maioria do momento”
em vez de :
para tirar os direitos fundamentais de minorias em favor da minoria do momento
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“Portanto está comigo”
Caro sr. Ricardo G. Francisco.
-Já que nos encontramos no mesmo Titanic, que remédio! -Só um pormenorzinho de nada… mas que faz toda a diferença. O senhor parece viajar em primeira classe, enquanto eu, viajo em terceira.
“-.Esta democracia popular em que ganha quem tem mais políticos sob influencia é uma vergonha. O nosso sistema financeiro baseado no socialismo de mercado apenas agrada a socias democratas quer sejam do PS quer sejam do PSD.”
-Não me diga que foi atacado pela gripe da AOC.
“ Em uma economia de mercado em que o Estado não é usado como arma a favor ou de uns poucos contra muitos ou para tirar os direitos fundamentais de minorias em favor da “maiorias” do momento o que escreve nunca ocorre…”
–Não me diga! – Então, o Estado serve para quê?
-O senhor está, a ser injusto e ingrato com o Estado e seus criadores. -Não havia necessidade!
-Já agora o que é a economia de mercado?
“Nestas condições um indivíduo será tão mais bem sucedido quanto mais for capaz de sacar valor concretizado em livres trocas com outros indivíduos, sendo que a pertença a um grupo ou a detenção da força lhe trará mais sucesso e vantagem per si.”
“Esta é a definição de uma democracia popular. Parabens. Desde que esteja do lado da maioria pode fazer o que quiser da minoria. Mete nojo não mete?”
-Ainda o efeito AOC, caro Sr. Ricardo G. Francisco. -Desejo-lhe as melhoras!
-Lá isso mete! –Mas, mete ainda mais nojo, as moscas, à volta da merda: com o propósito de tirar proveito e proveitos.
“De resto está sempre à vontade para mostrar a iniquidade da democracia popular como oposto da virtuosidade da democracia liberal. Basta inverter o sentido de algumas frases…é um facto”
- Fazendo minhas algumas das suas palavras:
De resto esteja sempre à vontade para mostrar, a falta de argumentos em defesa das suas teses.
Como a inútil e frustrada tentativa do efeito AOC.
Fica-lhe mal, muito mal, caro senhor!
Não, habia nexexidade.
Um amigo da onça ao seu dispor
Zé do boné