Walter Benjamin

“Com as convulsões da economia de mercado, começamos a apreender os monumentos da burguesia como ruínas, antes de eles realmente se desmoronarem.” Walter Benjamin (1882-1940)

O optimismo hegeliano de Walter Benjamin vem-se mostrando baldado. Os monumentos desmoronam-se, terra queimada em derredor é o prato do dia, mas, aparentemente, já não há quem dê pelas ruínas.

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17 respostas a Walter Benjamin

  1. Carlos A-M diz:

    *1892 – 1940

  2. antónio sousa diz:

    -Talvez tenha razão????

    -Mas acontece que o autor diz :“Com as convulsões da economia de mercado, começamos a apreender os monumentos da burguesia como ruínas, antes de eles realmente se desmoronarem.” Walter Benjamin (1982-1949)

    a) começamos a apreender. Quer dizer que ainda não sabemos tudo estamos a apreender.
    P. Ora diga lá o senhor doutor quando chegou ao 1º ano da faculdade, sabia o que sabe hoje?
    -Não, não sabia …e talvez ainda não saiba nada do que a vida lhe tem para ensinar.
    b) “antes de eles realmente se desmoronarem”
    Aquele ” antes” —– de eles se —–desmoronarem —
    para mim quer dizer enquanto vamos apreendendo
    O “realmente” quer dizer que já apreendi, e então é o fim. desmoronasse mesmo o edifício da burguesia

    – Os processos de aprendizagem são sempre longos e até dolorosos .
    Digo eu que sou cause analfabeto.

  3. Bruno Sena Martins diz:

    Obrigado, Carlos A-M, gralha corrigida.

  4. Bruno Sena Martins diz:

    António Sousa, concordo: as aprendizagens são dolorosas. E é doloroso perceber que Walter Benjamin confiou demasiado em nós. Ele dizia que seria possível antever ruínas de pequenas convulsões, pois nós assistimos a crises épicas da economia de mercado e, no entanto, assistimos impassíveis ao modo como ela segue para bingo como se nada fosse.

    Walter Benjamin dizia que seria possível adivinhar o fim da lógica predatória da economia de mercado a partir pequenas convulsões, nós, mergulhados nos escombros que insistimos em não ver, fracassamos em “adivinhar” algo de novo. O optimismo de Benjamin é, sobretudo, o nosso fracasso.

  5. Paulo Guerra diz:

    Optimismo?
    Haverá optimismo em WB (mesmo que hegeliano)?

  6. Bruno Sena Martins diz:

    Paulo Guera, não sendo exactamente um hegeliano, WB prtilha com Hegel a noção de telos, a noção de um futuro por se cumprir. Não sendo um optimista ingénuo, partilha com Marx a esperança/convição num mundo póstumo à voracidade social da economia de mercado.

  7. antónio sousa diz:

    Os processos de aprendizagem são sempre longos e até dolorosos
    Embora o Sr. tenha alterado um pouco o texto inicial.
    Para: “Walter Benjamin dizia que seria possível adivinhar o fim da lógica predatória da economia de mercado a partir pequenas convulsões, nós, mergulhados nos escombros que insistimos em não ver, fracassamos em “adivinhar” algo de novo. O optimismo de Benjamin é, sobretudo, o nosso fracasso.”
    Mesmo assim penso que o filósofo. “Como lhe disse, não conheço.”
    Continua a ter razão.- Ele dizia: “diz o Sr. “ (“seria possível adivinhar o fim da lógica predatória da economia de mercado a partir pequenas convulsões,”)
    A frase, “seria possível adivinhar” toda ela está, no condicional.
    (-No meu entender, claro!)
    Ele diz, ser “possível “não para todos, mas para os mais informados ou atentos “adivinhar” que algo acontecerá. Pelo caminho que as coisas levam. Isto de uma forma simples e simplista… que é a minha; de ler / ver o mundo.
    Mais , A questão de aprendizagem é colectiva não individual, por isso ela é longa e dolorosa.
    O Sr. omitiu o “Longa” que faz toda a diferença – Estamos a falar de processos politico sócias colectivos por isso necessariamente Longos –Um exemplo se me concede o atrevimento.
    Um observador munido dos instrumentos que hoje dispomos, toda a teoria Marxista entre outras, claro. -Situado no séc. XIV, observando os acontecimentos sociais , políticos e económicos da altura no nosso país. – Não faria a mesma observação: Sobre o que observava na sociedade da altura?
    – Um outro observador com as mesmas qualidades -no séc. III ou mesmo II depois de Cristo no centro do Império Romano não teria a mesma tentação?
    PS:
    Eu, também gostava que o processo fosse mais rápido, que as pessoas percebessem melhor o mundo em que vivem ou obrigam a viver.
    – Não é por acaso que eles detêm os meios de informação…onde não se importam nada de gastar fortunas colossais . Com essa arma poderosíssima, vão alienando os Povos e atrasando o processo. Que sabem ser inevitável. – A não ser; que desejem a destruição e extinção da espécie humana e não só. Logo deles mesmo também.
    Como diziam os outros mais vale Vermelhos que mortos. Eles dirão mais vale mudar que deixar de existir.
    O Planeta é finito. – Logo, está em contradição com o sistema vigente.
    A Luta Continua!

  8. antónio diz:

    Ora bom… e na língua original, curto e grosso q. b.:

    “Opinions are a private matter. The public has an interest only in judgments.”

    Walter Benjamin

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  10. ezequiel diz:

    Talvez tenha alguma coisa a ver com o facto de não haver ruínas em parte alguma.

  11. ezequiel diz:

    “O Planeta é finito. Logo está em contradição com o sistema vigente.”

    Uma pérola, este texto. Peca pela ausência total de perspicácia. Apenas isto. Que é muito.

    Permitam-me citar aqui uma divagação absurda de um amigo:

    O sistema vigente está em metamorfose. Desde o princípio que se modifica e se transforma antes de nós nos apercebermos que está a mudar. Estamos sempre atrasados em relação ao sistema. Presentemente, dizem os especuladores, a principal mudança neste sistema é a quase-virtualização do valor. Quando o valor for inteiramente virtualizado (transformado em know-how, em info) o facto do planeta ser (materialmente) finito será cada vez menos relevante. as moedas deixarão de existir. já estão a desaparecer de muitas práticas.

    Parece-vos crível?

  12. antónio sousa diz:

    Para o senhor doutor ezequiel.

    “-Quem dá aquilo que tem, a mais não é obrigado.”
    NB:
    -Já dizia a minha avó: -Que um sábio fechado na sua torre de marfim valia tanto como um burro velho de cascos gastos.

  13. ezequiel diz:

    ah, por favor, António…poupe-me a ladainha da peninha!! um gajo dá aquilo que tem e pronto…

    sábio em torre de marfim?? senhor doutor?? n se preocupe com ladainhas nem com senhores doutores.

    diga o que pensa do argumento. (esta atitude tão mixuruca portuguesinha da peninha e do sr dr…e torres de marfim…é táo tão tão chatinha!! ) o resto n me interessa mesmo nada. nem aquilo que tem para dar (que pode ser muito), nem o sr dr, nem aquilo que é ou não obrigado a fazer. a mim, interessa-me o que é q o sr tem para por pela boca fora. o sr lançou um byte (o planeta é finito…) defenda-o. argumente e deixe-se de tretas…

  14. ezequiel diz:

    errata: o que o sr tem para por pela boca fora…

  15. ezequiel diz:

    eu queria apenas provocar o sr para ver se este assunto inspirava uma discussão interessant…é assunto interessante, fascinante até!!

    mas o sr prefere o formato assertivo: x é y, logo y é x. ficamo-nos por aqui. precious little.

    não serve, meu caro. eu n sou comunista. ou seja, n sou religioso. isto de dizer x sem explicar porquê já não colhe água…o tempo das fórmulas acabou há muito. terá que contactar com o prof Vidal se necessitar de companhia.

    passe bem

  16. antónio sousa diz:

    – Quero lá saber o que você é, ou deixa de ser!
    – Não o conheço de lado nenhum – nem escrevi para si em particular.
    -Não lhe admito provocações gratuitas.
    -Só o faz, no campo da acção virtual… caso contrário, teria um pouco de cuidado com a língua.
    PS.
    -Quanto à incapacidade do planeta Terra, suportar por muito mais tempo a acção depredadora, do sistema político /social capitalista – Estamos falados.
    -Argumente, o sr. o contrário se o entender!

  17. Mariana Meyer diz:

    Muito cuidado! Nao há nenhum otimismo em Benjamin, que é, fundamentalmente anti-hegeliano com relaçao a visao do evolucionismo histórico. Para Benjamin a revoluçao nao virá “naturalmente”, “automaticamente”, porque a história conta a trajetória dos vencidos. Para se fazer a revoluçao faz-se necessário, ao contrário, interromper o contínuo histórico através de “inspiraçoes”, de momento fugazes, que nos relacionam com nosso passado pré-histórico. Vide relaçao dos jacobinos com romanos. Sugiro ler Sobre o Conceito de Historia em que Benjamin dedica duas de suas teses a críticar a visao histórica, otimista de Hegel.

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