Da inutilidade do voto útil no PS

Com a constituição do novo governo fica claro que o PS não interpreta o resultado das eleições últimas três eleições como um sinal de que tem de mudar as suas políticas. Se é verdade que conseguiu resistir eleitoralmente, mesmo com um resultado catastrófico nas eleições europeias, as férias, a suspensão provisória dos anúncios de lay-off e um intenso domínio sobre a comunicação social permitiu a Sócrates um resultado satisfatório nas legislativas, ainda que tenha perdido meio milhão de votos e a maioria absoluta.
Agora que temos um novo governo pela frente, com as mesmas figuras a dominar os lugares mais importantes e com um homem do aparelho a dominar a Justiça, é bom que se comece a avaliar a quem serviu o voto útil de pessoas de esquerda no partido socialista.

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8 Responses to Da inutilidade do voto útil no PS

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  2. Carlos Vidal says:

    E é bom lembrar que o indivíduo do Código do Trabalho foi promovido.

  3. ruy says:

    Tanto PC como o BE não se podem queixar do acontecido. Ergueram como principal adversário o PSD e por portas enviezadas ( Carvalho da Silva, Carlos do Carmo… ) “recomendaram” o voto no PS. Neste campo, a estratégia do PC ao longo dos anos tem sido um autentico desastre. Com o PS a praticar uma politica de ultra direita como esta do Sócrates, com “reformas” neoliberais que penalizam como nunca antes a esmagadora maioria da população, o PC e agora o BE insistem a tratar o PS como partido de esquerda. É um erro que lhes custa muito caro. Como é possível que não compreendam que assim jamais arranjarão espaço para uma alternativa de esquerda? Parece-me que ambos os partidos se encontram presos a velhos preconceitos.

  4. rui david says:

    isto parece aquela história do velho e do burro e do não sei que mais, vem agora um rapaz dizer que o BE e o PC “ergueram o psd” como principal adversário…
    sinceramente, se eu também não tivesse de aturar isso e vivesse em Marte, apetecia-me desejar que a porra do PSD tivessem limpo estas eleições (nem que fossem só as autárquicas, como era esperado, e apenas com uma vitória tangencial nas legislativas) e que estes gajos levassem agora em cima, não com um governo relativamente anódino do PS mas com um governo PSD barra CDS (duplamente legitimado com as autárquicas apesar de todos os partidos à vez, garantirem, conforme lhes convém, que são “eleições diferentes”) para verem o que é que eram políticas de “ultra direita” “neoliberais” e “asfixia democrática” à vontade. Gramava que fossem buscar para o governo uns jovens turcos do género das aberrações que escrevem no Blasfémias e noutros tugúrios mal cheirosos, para que se percebesse bem o que são políticas “neoliberais” a sério.
    Este pessoal ainda não percebeu que o que o eleitorado ainda não percebeu, à esquerda, é o contrário, porque é que depois da sequência mal afamada Durão/Santana, aparecem agora uns gajos a quererem convencê-los contra toda a evidência de que o PS é “igual”, ou mesmo “pior” do que esse pessoal, e que se vive numa espécie de ditadura mediática do Sócrates (uma “quase ditadura”, no linguarejar castiço do atrasado mental do “portugal profundo”) em que metade da populaça se refere ao sóctrates em público, tanto nos jornais de referência como nos pasquins, como na tv, como um aldrabão, sócratino, pinócrates, etc. em arroubos da mais declarada histeria, à vez em tons ora moralistas e patrioteiros, ora maximalistas …
    Mas enfim, continuem que isso há-de levar a bons sucessos…

  5. ruy says:

    Vamos a factos:

    São três, em síntese, os traços fundamentais da política governativa do PS nesta legislatura.

    Em primeiro lugar e em termos económicos, a política económica esteve essencialmente virada para o apoio aos monopólios e às grandes empresas nacionais. Os grandes projectos mereceram sempre do governo avultados apoios financeiros e fiscais. A Banca, em tempo de crise, mereceu apoios incondicionais como nunca antes alguma vez tivera. Ao contrário, as pequenas e médias empresas foram objectivamente ostracizadas.

    Em segundo lugar, em termos sociais, lançou durante a legislatura e desde o seu começo como acção bem pensada, um fortíssimo ataque aos Sindicatos e aos trabalhadores em geral, culminando na nova legislação laboral, o novo Código de Trabalho, que objectivamente enfraquece os Sindicatos face ao patronato.

    Em terceiro lugar, enveredou por políticas de cortes sociais, encerramento de maternidades e centros de saúde de proximidade, escolas, aumento das taxas moderadoras, medicamentos, aumento das taxas de IRS para reformados e deficientes e aumento generalizado de impostos, agravando assim o custo de vida das populações mais carenciadas.

    Em resumo, o actual governo de Sócrates, será historicamente considerado como o governo mais à direita que Portugal teve depois do 25 de Abril. Não apenas uma direita, mas seguramente uma direita muito mais próxima de uma direita radical do que de uma direita moderada.

  6. Patricia says:

    Meu caro Tiago,com um governo de minoria,com um razoável número de eleitos pelos partidos á esquerda do PS,vamos ver tambem qual vai ser a utilidade dos votos na CDU e BE.Já não existe a possibilidade de culpar a maioria absoluta pelas malfeitorias que vierem a ser adoptadas,agora a responsabilidade está tambem na oposição.

  7. Aires da Costa says:

    Tiago Mota Saraiva:
    “um intenso domínio sobre a comunicação social ”

    Na SIC, na TVI, no Expresso, no Sol, na Sábado, no Público, no Correio da Manhã, etc….

  8. rui david says:

    “Não apenas uma direita, mas seguramente uma direita muito mais próxima de uma direita radical do que de uma direita moderada”…
    Palavras para quê? É um artanalista português…

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