O mundo seria melhor sem… Torquemada? Não; sem Bach, sim
22 de Outubro de 2009 por Carlos VidalBom, agora que a polémica, por assim dizer, dos considerandos de José Saramago sobre a Bíblia chegou ao Jugulento, ou melhor aí atingiu um auge de histeria muito ligado aos “textos” da química Palmira, avanço duas observações, se tal me for permitido: admiro o romancista José Saramago e muito, e considero (provavelmente) o seu melhor livro um romance excepcional, O Ano da Morte de Ricardo Reis. Absolutamente inolvidável e excepcional.
Por outro lado, o que a química Palmira “escreve” incomoda-me, para não dizer a verdadeira verdade: e remeto mesmo para os seus louvores a militares golpistas sul-americanos, e aqui é óbvio que prefiro Savonarola e Torquemada!!
Há ali, na forma jugulenta, uma ignorância histérica que preferia não ter de passar por ela, de vez em quando. Não percebo por isso o actual entusiasmo da química (que é anti-comunista primária) por Saramago (nem o da pintora do patchwork decorativo, que vende muito bem, pudera!, chamada qq coisa Vidigal); entretanto, acrescento que me confesso ateu, e sempre assim foi (fui). Mas já que Saramago terá dito que o mundo seria eventualmente melhor sem a Bíblia, gostaria de aqui fazer uma pergunta disparatada (será??) “à Saramago” e de saber se a coisa se alarga a (“o mundo seria melhor sem…”) Bach, Telemann, Vivaldi, Pergolesi, Caldara, Bruckner, Schoenberg ou Messiaen, ou Miguel Ângelo, Caravaggio, as Stations of the Cross de Barnett Newman (quem é este? É o meu primo!), a capela Rothko e Bill Viola, por exemplo?? Obrigado. Alguém me explique se esta pergunta é pertinente ou é despropositada e “à Saramago” (que admiro, repito)?
(PS: o vídeo em cima foi escolhido a dedo: Nikolaus Harnoncourt dirige Bach num dos seus Magnificat – porque Harnoncourt é, naturalmente e a par de Gustav Leonhardt, o maior intérprete de Bach do século XX)
(PS2: Não vejo nenhuma contradição entre o meu post anterior, sobre a arte e o “horror que habita o mundo”, e o comunismo ou a emancipação do capitalismo, como alguém afirmou; que eu saiba, na obra de um Dostoiévski o sangue corre como champanhe, e nunca li nada de Lenine contra o romancista, muito menos dizendo que o mundo teria sido melhor sem ele - ou disse e eu não reparei??)

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