Prós homens E Contras mulheres

Ontem discutia-se, supostamente, o futuro de Portugal no programa prós e contras.

Mais uma vez, e para não variar, Fátima Campos Ferreira chama à reflexão apenas homens. Empresários, professores, politólogos e até o bastonário da ordem dos advogados.

Que variedade de saberes, que amplitude de conhecimentos, e que profundidade de experiências, todas no masculino, já se sabe, mas que interessa isso? Estão ali tão bem representadas as fontes que realmente interessam à Fátima Campos Ferreira. E que cumplicidade ela desenvolve com cada convidado, é bonito de se ver. Ao longo do programa vai havendo um crescendo de intimidade e até ambiente do debate se transforma, rapidamente o Sr. Dr. é substituído pelo nome próprio, o Sr. Prof. descaí para algo mais próximo, e no final da noite, apresentadora e convidados estão em amena cavaqueira, onde as opiniões da única mulher habitualmente presente se sobrepõem às restantes. Fátima Campos Ferreira não se sente ameaçada pela presença de mais mulheres no programa.

Aliás, com toda a certeza, não achará que o facto de convidar mulheres possa vir a interferir na relação tão pessoal que constrói com os seus convidados, nem tão pouco que o público, presente e telespectador, possa duvidar da sua competência profissional e enorme capacidade reflexiva, quando confrontado com mais mulheres bem pensantes e interventivas. Apenas considera, e porventura com a melhor das intenções, que para representação do universo feminino, mais concretamente, das empresárias, professoras, politólogas e até bastonárias, está lá ela, para evitar que a balança do género caia, com demasiada evidência, para o lado habitual. Agradece-se o olhar feminino que Fátima Campos Ferreira nos concede através das suas intervenções. E já agora, para aquilo que realmente interessa, os homens até se explicam bastante bem, convenhamos!

Nós agradecemos e aceitamos o modelo de sociedade que pequenos gestos como estes veiculam. Com a força que a comunicação social tem actualmente, sobretudo a televisão, e com a perpetuação de situações como a de, sistematicamente, pôr homens e apenas homens a pensar, discutir, e, finalmente, a concluir sobre o futuro do nosso país, não há cotas que nos valham!

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13 respostas a Prós homens E Contras mulheres

  1. antónio diz:

    Desculpa lá oh Margarida…

    O crescendo de intimidade, a perpetuação de situações, a enorme capacidade reflexiva, a a balança do género ???

    Se vcs. escrevem todas assim não admira que estejamos todos a “dar em bicha”…

    🙂

  2. justiça! diz:

    eiahhhh! fantástico, Margareth! É isso mesmo!

  3. Aires da Costa diz:

    “não há cotas que nos valham”

    Só mesmo os jovens

  4. Raul diz:

    Pois que discordo, e acho que o Prós e Contras até é dos programas que mais oportunidades dá de transmitir a todos as opiniões e projectos que diferenciam os vários sectores da sociedade, promovendo assim o direito à liberdade de expressão e ao contraditório muito des usado na nossa sociedade.

    Quanto ao facto das personalidades serem apenas Homens isso deve-se claramente a um défice de competências que no feminino ainda não se conseguem impôr no plano dos saberes.

    Não se esqueça que pelo menos em portugal o acesso massificado de mulheres no ensino superior dura apenas à 30 anos e o dos Homens desde sempre. Não quer que em 30 anos as mulheres estejam já em condições de assumir os designios de uma sociedade que ainda mal conhecem e que ainda, no Portugal profundo, lhe delega outro tipo de papeis.

    Nota: Não me chame Machista, Também não lhe chamei Feminista

  5. cláudia diz:

    qual é a novidade, afinal?

    alguém alguma vez reparou na quantidade de entrevistados da Ana Sousa Dias face ao número de entrevistadas?

  6. Esteja descansado, Raul, nós não pretendemos “assumir os designios de uma sociedade que ainda mal conhecem[os]”: temos sensibilidade & bom-senso e sentido de responsabilidade, e vamos continuar em estágio até acabarmos com tamanho “défice de competências” e podermos impor-nos “no plano dos saberes”. Mais um milénio ou dois a ganhar menos que os homens, parece-lhe bem ou estamos a ir muito depressa?

  7. The Studio diz:

    Concordo. Acho que a Diana Chaves ou a Marisa Cruz tambem deviam ter participado no programa.

  8. Raul diz:

    Morgada de V.

    Querer uma mulher, apenas e só por ser mulher, seja num programa televisivo seja à frente de uma grande empresa, partido… etc, Assim só porque devia lá estar uma mulher, não me parece argumento para coisa nenhuma. Também não me parece que tenham sido os homens que foram ao programa que se autonomearam para lá ir, e veja com atenção, o programa é mediado por Fátima Campos Ferreira, que não sendo como Seménia, me parece uma boa mulher.

    Faço-lhe por isso um desafio se fôr capaz, nomeie, aqui, se fôr capaz as mulheres que deviam ter ido ao programa em vez dos homens que lá estavam.

    Mais ainda, um governo só de mulheres, quem seriam?

  9. reformada diz:

    raul, eu não lhe chamo machista, chamo-lhe apenas ignorante: “feminismo” simétrico à sua acepção de machismo seria pretender a supremacia das mulheres. aqui apenas se reclamou igualdade. quanto ao seu estúpido argumento, o facto das mulheres não terem voz não significa que desconheçam a sociedade onde vivem. já agora, não vi o programa, mas asseguro-lhe que conheço várias mulheres que frtequentaram o ensino superior há muito mais de 30 anos, algumas que até já morreram. não deve ser o caso do raul, ou Concordo. Acho que a Diana Chaves ou a Marisa Cruz tambem deviam ter participado no progesse seu “à 30 anos” teria levado o devido h e acento agudo…
    as quotas deveriam ser encorajadas no canal público de televisão, sim.

  10. reformada diz:

    a quem modera: se puder eliminar a parcela que acidentalmente saiu copiada a meio do meu comentário (Concordo. Acho que a Diana Chaves ou a Marisa Cruz tambem deviam ter participado no prog), agradecia.

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  12. Raul diz:

    Bem, não me chamou machista mas respondeu com a atitude de mulher que quer o poder a todo o custo. Não ofenda porque eu também não a ofendi e dizer que o feminismo não quer a supremacia, certamente vossa excelência deve andar a dormir, ou melhor, dá-lhe jeito que isso não se diga não é?
    Uma vez que é adepta de insultos para humilhar e calar as opiniões dos outros nem me vou dar ao trabalho de lhe responder da mesma forma, não foi isso que aprendi na UNIVERSIDADE DE COIMBRA, onde certamente você nunca entrou por não ter mérito para tal. E não me venha também com essa de que é Dra para me intimidar é que já nem isso pega hoje em dia. Os fracos e burros é que utilizam os seus argumentos para defender uma causa, causa essa que há muito caíu em descrédito e ainda bem.

    Prove que tem argumentos e enumere as mulheres que acha que teriam mais valor que os homens que ocupam determinados cargos.

    E é isto meus senhores, estas são as mulheres que temos na nossa sociedade, como querem elas através de insultos chegar algum dia ao poder? É triste…

  13. Raul,
    Eu não vi o programa a que o post se refere, nem defendo um governo de amazonas: não subscrevo essa treta misógina de que as mulheres são seres vagamente angelicais incapazes de más práticas (a eleição de mulheres tanto pode trazer uma Ana Drago como uma Maria José Nogueira Pinto). Agora, quando metade dos eleitores são mulheres (e mais de metade dos licenciados também), a legimitidade é uma evidência estatística. Mas é curioso que sempre que uma mulher reclama igualdade no acesso à política, aos lugares cimeiros nas empresas ou aos programas da FCF, haja logo quem grite “ó da guarda, que querem acabar com a promoção pelo mérito”, quando todos esses lugares estão a abarrotar de homens, alguns competentes, a maioria medianos, muitos incompetentes. E acho que vir agora armar-se em virgem ofendida depois de ter dito que é por falta de mérito – como é que era exactamente?, por “défice de competências” – que as mulheres não estão em posições de poder, é, tout court, uma enormíssima lata.

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