BE – a perda da inocência

O Bloco, em três eleições, teve dois bons resultados.
A votação nas eleições autárquicas provou que ainda falta muito para que o partido consiga ter uma implantação nacional e, sobretudo, que tem falta de quadros – o que claramente se manifestou nalgumas candidaturas com enormes fragilidades políticas.
Ao invés, em Lisboa, o BE candidatou como cabeça de lista um dos seus quadros políticos mais fortes, que também obteve péssimos resultados. Curiosamente, alguns seus militantes/apoiantes como o Daniel Oliveira, atribuem este resultado à não entrada do BE no esforço coligatório de António Costa, o que me parece uma conclusão muito precipitada. É bom não esquecer que, nas legislativas, e num quadro de subida de 200.000 votos, o BE apenas subiu 1.200 votos o que já era um sinal claro das dores de crescimento num concelho onde o BE esteve à frente dos destinos da autarquia em coligação com o PS.
Mas está na hora do BE reflectir, pois tem novos desafios pela frente. O quadro nacional e autárquico obrigam o Bloco a tomar partido das assembleias de freguesia à assembleia da república.
Apesar do saldo deste ciclo eleitoral, os próximos quatro anos serão determinantes para o BE na difícil tarefa de manter uma unidade interna – serenando um anti-comunismo primário de alguns dos seus dirigentes ou a vontade indómita de chegar rápido ao poder, e na elaboração da prova que o voto no BE é útil para a construção de um país com políticas de esquerda.

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