PS – a força de não ter um projecto político autárquico

Se fizermos uma leitura nacional da soma dos resultados municipais constatamos que o Partido Socialista sobe em número de votos (+6.000 votos) por comparação com as eleições legislativas, apesar de ter havido menos 150.000 votantes. Este resultado, intensamente explorado pelos seus dirigentes como uma evidência da sua vitória, era espectável.
Julgo que não será muito polémico dizer-se, sem desenvolver muito o assunto, que os candidatos no PS não têm um programa político comum. Contudo, se conseguimos encontrar um denominador comum em todas as candidaturas do PS (sobretudo onde não estava no executivo) é o apelo ao voto útil.
Este apelo não foi alicerçado num programa político próprio, mas estimulando os receios que a população podia ter das outras candidaturas enaltecendo, contemporaneamente, a relação privilegiada que os candidatos do PS poderiam vir a desenvolver com o governo socialista (daí que faça todo o sentido falar da influência que as legislativas tiveram na votação autárquica).
A flexibilidade e polivalência ideológica do partido socialista transformou-o a nível nacional, no partido do voto útil – em Lisboa podia apelar à união da esquerda contra Santana enquanto em Almada ou Beja podia apelar ao voto da direita contra a CDU. Por outro lado, nenhum outro partido consegue ou ensaia este discurso – o PSD não consegue congregar o voto da esquerda em autarquias fossilizadas e onde o caciquismo domina como por exemplo em Braga, nem a CDU consegue fazer convergir os votos da direita em Évora, por mais desastrosa que seja a acção dessa Câmara Municipal.
Para quem preza a democracia o discurso do voto útil é preocupante.
No dia do voto, a escolha deve ser feita em função de projectos políticos divergentes e não centrada no receio que se possa ter da vitória de um candidato. O voto deve de ser expresso naquilo em que se acredita e não por oposição ao que se quer derrotar.

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31 respostas a PS – a força de não ter um projecto político autárquico

  1. viana diz:

    Totalmente de acordo. Tal como o Zé Neves já aludiu no seu post sobre o anti-santanismo, há gente que parece estar tão aterrorizada com a (felizmente) incipiente Directa que temos e alguns dos seus personagens, que não hesita em engolir tudo e mais alguma coisa que o PS proponha, mesmo que… habitualmente seja pouco diferente do que o PSD e seus candidatos defendem, e às vezes até pior. A propaganda e o medo são realmente instrumentos poderosos.

  2. Augusto diz:

    Então como explicar o voto massivo no Rui Rio , no Isaltino, no Valentim Loureiro, no Moita Flores, no Fernando Seara, só para falar de alguns autarcas, que nem sequer têm trazido mais valias ás cidades que dirigem , e dois destes com graves problemas com as justiça?

  3. Tiago Mota Saraiva diz:

    Augusto, pelo que sei nenhuma dessas figuras é do PS. No texto pretendo fazer uma reflexão sobre o programa autárquico do PS.

  4. zacatraca diz:

    reflexão? lol. revisionismo estéril de quem pertence a um partido cristalizado e que não consegue perceber que já não estamos a viver em 1975.

  5. Luis diz:

    “os candidatos no PS não têm um programa político comum. Contudo, se conseguimos encontrar um denominador comum em todas as candidaturas do PS (sobretudo onde não estava no executivo) é o apelo ao voto útil. Este apelo não foi alicerçado num programa político próprio, mas estimulando os receios que a população podia ter das outras candidaturas”.

    Tem toda a razão. E lembro a análise do Vítor Dias no seu blog O tempo das cerejas, sobre Beja: “O que aconteceu foi apenas que o PS só obteve 45,72% porque o PSD passou de 17,25% em 2005 para 4,98% hoje. São assim as alcatruzes da nora eleitoral. É sempre foi por causa delas que, ao longo de anos, sempre que se falava de «bipolarização» em autárquicas, eu várias vezes chamei a atenção para nesse tipo de eleições havia não uma das duas «bipolarizações» e ambas desfavoráveis à CDU: uma, no Centro e no Norte entre o PS e o PSD e outra, no Sul, entre a CDU e o PS e esta também desfavorável à CDU precisamente pelo perigo do «voto útil» da direita nas listas do PS.Foi que aconteceu agora em Beja. “

  6. Rui Costa diz:

    Não concordo. Há casos e casos. E se, como diz, não há nas diversas candidaturas locais dos partidos um projecto político comum, não se percebe porque, em diferentes eleições, os partidos não possam mobilizar forças diferentes, com estratégias diversas.

    E quanto ao voto útil… é uma conversa estafada. Cada voto tem as suas motivações individuais. Interpretar o significado do “voto colectivo” é um exercício temerário.

    Por exemplo, eu, que votei em Braga, também votei útil. Considerando-me uma pessoa de esquerda – provavelmente, votaria Bloco – acabei por vota (ainda que a custo) na coligação de direita… porque, para mim, o que estava em causa era sobretudo não permitir a permanência no poder de uma gestão caciquista e tentacular. No entanto, olhando os resultados com atenção e com as cautelas que antes referi, conclui-se que provavelmente os votos perdidos pela esquerda (CDU + BLOCO) se dividiram entre PS e PPD/PP. Votaram todos útil: uns contra a subida ao poder da direita, outros pela destituição de Mesquita Machado. O irónico de tudo isto é que provavelmente se esses votos não fossem desviados, Mesquita Machado teria perdido a maioria absoluta…

    O que há que perguntar é se faz sentido que os partidos façam subordinar as suas estratégias locais a objectivos nacionais. Alguns partidos foram severamente penalizados nestas eleições por o terem feito…

  7. Luis diz:

    “Por outro lado, nenhum outro partido consegue ou ensaia este discurso – o PSD não consegue congregar o voto da esquerda em autarquias fossilizadas e onde o caciquismo domina como por exemplo em Braga, nem a CDU consegue fazer convergir os votos da direita em Évora, por mais desastrosa que seja a acção dessa Câmara Municipal.”

    Tem igualmente razão. Esta estratégia do PS teve o seu primeiro ensaio vitorioso quando da primeira eleição presidencial de Soares onde lhe foram preciosos os conselhos da firma de relações públicas norte-americana que tinha levado Reagan ao poder. Lembro-me de ler isso então no livro do seu ex-companheiro de partido Rui Mateus Contos Proibidos – Memórias de um PS Desconhecido. E qual foi o “conselho” mais precioso? Perante as outras candidaturas em presença – Zenha e Freitas do Amaral – apoiar (discretamente, claro) uma terceira, a de Lurdes Pintasilgo.

    Desde então tem sido sempre esta a vantagem do PS (e seus candidatos às presidenciais) para potenciar o “voto útil”. O surgimento cirúrgico de outras candidaturas supostamente “independentes” ou muito “radicais” mas que contribuem para dispersar votos e assustar o eleitorado. Na Pena também apareceu uma candidatura “independente”, certo? Se comparar as votações para a AF e para a CM verificará que os principais prejudicados (na AF) foram CDU e PSD/PP e o principal beneficiado (na CM) foi o PS.

    A questão da “eficácia” do PS não é apenas – nem principalmente? – de “discurso”. A questão é o uso cirúrgico simultâneo de outros instrumentos. De que lhe dei um exemplo. E há outros. As sondagens, por exemplo. E não só. Porque o que o PS tem é um projecto de poder global. Autarquias incluídas.

  8. Tiago Mota Saraiva diz:

    zacatraca, obrigado pelo argumento impossível de rebater. Já agora estamos em 1984, não é?

  9. Tiago Mota Saraiva diz:

    Luis, tenho guardado para o fim de semana um escrito sobre as listas independentes.

  10. Tiago Mota Saraiva diz:

    Rui Costa, o seu exemplo reforça os argumentos expressos.
    O voto útil passou a ser o centro da discussão. O voto útil é a expressão de um voto negativo, que não é por nada mas contra algo.
    Será que o Rui subscreve o programa política da coligação de direita para Braga? Provavelmente não e, no entanto, subscreve-o com o seu voto. Ora isto é que é extraordinariamente preocupante na democracia, ou seja, que as pessoas cheguem as eleições e votem, não no que acreditam, mas no que julgam ter hipóteses de derrotar o que não querem.
    Sei que também existe a deslocação de voto que o Rui aqui diagnostica, mas concordará comigo que é bastante mais improvável.

  11. Luis diz:

    “tenho guardado para o fim de semana um escrito sobre as listas independentes.”

    Fico à espera com curiosidade. Numa breve análise que fiz aos resultados das ditas “independentes” penso não ser por acaso que tenham aparecido em meia dúzia de freguesias estrategicamente seleccionadas (Socorro, Lapa, São João de Brito, Santos-o-Velho, Santa Isabel e Pena). Não só permitiram que o PS tivesse a maioria em duas (Socorro e Pena), como lhe permitiu nestas seis freguesias concentrar mais votos na CM. E concomitantemente sangrar a votação das restantes forças concorrentes.

    Parece-me pois que o PS não desenvolveu apenas campanhas de assustamento a favor do “voto útil” e que jogou ainda na criação de “alternativas”, ditas “independentes” que o beneficiaram nessas AF e prejudicaram principalmente PSD+CDS e BE e concentrar votos na CM. Ao contrário da CDU e do PSD+PP que tiveram as suas melhores votações ao nível das AF, o PS teve-a para a CM com mais 21.642 votos. Nos restantes órgãos AF e AM, a votação do PS foi inferior à que teve em 27 de Setembro (112.076).

  12. ANTONIO diz:

    Como o assunto nest post é Autárquicas, deixo um link que mostra bem uma das razões da opinião publica votar no centrão através do voto util e da pressão dos jornais.

    A IMPRENSA ESCRITA EM PORTUGAL OSTRACISOU AS FORÇAS FORA DO CENTRÃO (VULGO PS/PSD) DANDO-LHES UM TRATAMENTO CLARAMENTE DESFAVORAVEL (É O MINIMO QUE SE PODE DIZER) E PREJUDICANDO-AS NOMEADAMENTE AO BLOCO DE ESQUERDA. E TODOS NÓS SABEMOS A IMPORTANCIA DA IMPRENSA NESTAS COISAS..
    VEJAM OS DADOS CONCRETOS AQUI.

    http://blocodemarvila.blogspot.com/2009/10/imprensa-escrita-nas-autarquicas.html

    UMA VERGONHA (FELIZMENTE NÃO ALINHARAM TODOS OS OCS)

  13. Rui Costa diz:

    Os eleitores não são parvos. O que fazem é um exercício de ordenação das suas prioridades. E há valores mais importantes. A democraticidade. A decência, para usar as palavras de Manuel Alegre. Era isso que estava em causa em Braga como, em maior ou menor grau o era em Felgueiras, em Marco de Canaveses, em Gondomar ou em Oeiras.

    As diferenças ideológicas entre esquerda e direita estão a jusante desta questão. Que está certamente muito presente em muitas eleições autárquicas.

    No meu caso, estaria eu de acordo com o conteúdo programático do projecto da coligação de direita? Em vários aspectos, não. Mas reconheço que era o único projecto alternativo de poder à gestão de Mesquita Machado. E, mesmo que a contragosto, assumi que a prioridade era fazer apear do poder uma gestão que se perpetua no poder há mais de 33 anos! Hoje, embora sem esse objectivo alcançado, estou de consciência tranquila. Talvez não o estivesse se fosse mais um a votar num outro projecto, mais identificado com as minhas ideias, mas com menos hipóteses de ajudar a encontrar uma outra gestão camarária.

    A política é a arte do possível. Não se joga apenas no campo das ideias…

  14. Luis diz:

    Tiago: Acabo de ler no artigo do António Vitorino no DN de hoje a confirmação do que suspeitava. Escreve ele: “Já à esquerda, o resultado autárquico veio recolocar o Bloco de Esquerda no final da escala partidária, sem afectar substancialmente os resultados do PS (designadamente nas grandes cidades de Lisboa, Porto e Setúbal, onde, nas legislativas, havia logrado obter apoios relevantes com base no voto de protesto) e sem beliscar o PCP, que, contudo, registou algumas perdas para o PS e para listas independentes.”

  15. Natália Santos diz:

    ” a flexibilidade e polivalência ideológica ” são um mal ? Quando as pessoas votam no PS fazem-no por razões estranhas ?

    Conheço muitas pessoas que votam PS, e não votam noutros partidos por:

    PSD e CDS porque os consideram partidos de direita;
    Não votam CDU porque acham que ficaram agarrados ao passado e a um modelo de sociedade arrepiante ;
    Não votam BE porque nem percebem bem que sociedade é que eles querem, mas parece qualquer coisa igualmente assutadora.
    Um exemplo das politícas da CDU : a propósito de um aumento da electricidade de 2,9% reclamam contra o aumento ! Muito bem, mas nunca vão mais longe, não falam de renováveis, de eficiência energética que podia ser conseguida pelas familías, nada.

    Em crise e com um PSD esfrangalhado, ou os partidos de esquerda têm uma linguagem de futuro ou nada feito.

    Escolher uma coisa é também recusar as outras.

  16. Sapo Cocas diz:

    Olha o Sócrates…ganhou, mas parece que ninguém quer beber chá com ele. Porquê?

  17. Essa do voto útil nas autárquicas não me convence.

  18. Luis diz:

    “Um exemplo das politícas da CDU : a propósito de um aumento da electricidade de 2,9% reclamam contra o aumento!”

    Preferia que não reclamassem? Para mim ainda bem que reclamaram.

  19. rui david diz:

    o aumento de votação no ps não era espectável. antes pelo contrário, aquilo de que estava boa parte do povo comentarista à espera era de um banho de todo o tamanho.
    aposto que conseguias fazer um post tão bonito como este se o PSD tivesse dado ao PS a tareia que se esperava.
    Esta análise enterra a cabeça na areia, porque não explica porque é que a CDU com um tão bom projecto político (o PS igual ao PSD, o PS neoliberal, a CDU “revolucionária” e também a “formiguinha amiga” das populações), foi claramente derrotada nestas eleições.
    A não ser que se queira chamar estúpido ao eleitorado, como faz, assumindo com honestidade a sua frustração, o Vasco Graça Moura.
    Quanto ao voto útil, não percebo porque terá de ter menos legitimidade do que outros (durante muito tempo os votos da CDU eram “úteis” para a esquerda à esquerda da CDU).
    Há alguém, mesmo entre os cretinos do “voto nulo” ou os teóricos da abstenção, que defenda o voto inútil?

  20. Luis diz:

    “o aumento de votação no ps” ???? Mas onde é que o PS aumentou a votação? O mais de meio milhão de votos que perdeu em quatro anos e meio, perdidos continuam e no fundamental manteve a votação de 2005. Mesmo em Lisboa, com excepção da votação para a CM, nas votações para a AM esteve abaixo da votação de 15 dias antes. E a CDU foi a única força política que em relação às votações de 27 de Setembro aumentou quase 150 mil votos, recuperando no grosso o eleitorado de 2005. Apesar da tremenda campanha bi-polarizadora hegemónica e das listas “independentes” que discretamente o PS organizou. Quanto ao chamado voto “útil” é sempre inútil para quem o usa.

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  22. rui david diz:

    luis, já sabemos que o ps baixou (tem vindo a baixar desde o início da história) a votação e nunca ganhou qualquer eleição. é provavelmente o único partido a quem isso não aconteceu na história da nossa “democracia” ( entre aspas, já que se trata de uma democracia burguesa transitória).
    Como és um sujeito informado podes dizer-me se desde o 25 de Abril houve algumas eleições em que o PC (ou a APU, ou a CDU), não se tenha “reforçado”?
    Podes fazer uma estimativa de quantas eleições faltarão até que esses reforços contínuos do PC/CDU/APU resultem numa eventual maioria absoluta, ou quando é que é provavel que atinjam uma massa crítica de votos que inevitavelmente desencadeie o inevitável?

  23. Luis diz:

    “luis, já sabemos que o ps baixou” ???

    Claro que baixou e não é por repetir o mantra do Sócrates de que o PS aumentou de votação que o PS tenha recuperado o mais de meio milhão de votos que perdeu em relação a 2005. E tal não significa que não tenha obtido melhores resultados autárquicos do que obteve antes.

    E basta fazer uma simples operação aritmética para constatar que de 27 de Setembro para 11 de Outubro (votações para a AM) o PS teve menos 50.405 votos, o BE teve menos 327.325 votos, o CDS teve menos 394.489 votos e a CDU teve mais 146.239 votos.

  24. rui david diz:

    luis, comparas os votos do PS relativamente à maioria absoluta de 2005, e fazes bem, porque te interessa assinalar a clamorosa derrota do PS. No entanto se comparares os valores das votações autárquicas, reparas que o PS teve agora mais 152 mil votos nas autárquicas, relativamente a 2005 e a CDU menos 51 mil.
    Se comparares autárquicas e legislativas de 2009, o PS teve mais 15 mil votos nas autárquicas e a CDU mais 93 mil votos, um bom resultado se considerarmos que das legislativas para as autárquicas o CDS teve menos 255mil votos e o BE 390 mil.
    Queira este tricot de numeros dizer o que se queira, no entanto, continuamos a falar de universos diferentes, o PS, com todas estas derrotas acintosas que lhe atribuis, continua a valer, apesar de ter sido um governo unanimemente considerado pela oposição (por respeito à esquerda eu preferiria a designação “oposições”, mas por vezes esquerda e direita estiveram mesmo unificadas contra o PS) órrivel, etc., e de “o povo” ( as massas…) estar revoltado, cerca de 2 milhões de votos, isto é, pouco menos do dobro da CDU e do Bloco juntos. Atendendo a que a CDU tem tido todos estes anos para crescer com o apoio das “massas”, e desmascarar cabalmente o capitalismo que até tem dado todas estas barracas recentes, já era tempo de conseguir melhor do que os extraordinários 7,9% nas legislativas e 9,8% nas autárquicas, que são importantes para quem votou e para quem foi eleito, mas na realidade, não aquecem nem arrefecem muito, não achas?
    Olha, aquilo que eu lamento é a perda pela CDU da Junta de Freguesia de Alcântara para o PSD, isso é que me chateou, sempre votei no Presidente da Junta da CDU enquanto lá residi e acho quase catastrófica a perda dessa freguesia emblemática. É um dos casos em que para a junta deveria ter funcionado o voto útil do ps na cdu….
    E não foi, não pode ser por ter sido feito mau trabalho e acompanhamento dos carenciados, tenho quase de certeza de que tem a ver com a reconfiguração sociológica da freguesia, com as novas urbanizações, etc…

  25. Luis diz:

    “aquilo que eu lamento é a perda pela CDU da Junta de Freguesia de Alcântara para o PSD” ??? Não foi para o PSD mas sim para a coligação PSD+CDS. Tivesse ela existido em 2005 e já nessa altura teriam levado a Junta de Alcântara. Não me diga que nem isso percebera? Pois é. Sempre distraídos…

  26. rui david diz:

    Não percebi, luis, ando sempre distraído e conto apenas contigo para me iluminares neste difícil caminho.
    aquilo que percebi, na minha infinita tacanhez, foi que em Alcântara este ano houve coligação, e há 4 anos, não houve…
    na mesma linha julgo perceber que quando se forma uma coligação, não é líquido que os resultados sejam exactamente os mesmos que a soma das partes. quando se fazem coligações, em princípio, a ideia até é fazer MAIS do que a soma das partes, atraindo eleitores indecisos, mas por vezes o tiro sai pela culatra e o que sucede é que eleitores fiéis não querem transigir com falhas de princípios e não votam.
    graças a ti dei-me ao trabalho de fazer as contas de alcântara. o que se passou foi que a coligação vencedora deste ano teve menos votos do que a CDU há quatro anos e menos votos do que o somatório dos dois partidos (PSD + CDS) há quatro anos. O problema foi o seguinte:
    A CDU perdeu 237 votos, e o PS ganhou 239 votos. Uma interpretação “mecanicista” dirá que eram 239 votos CDU que se “transferiram” para o PS, à revelia do que aconteceu no resto da cidade. Na realidade ninguém saberá quem foram os tótós que entregaram a freguesia à coligação por 72 votos… provavelmente tratou-se, pelo menos em parte, de eleitores novos na freguesia (alguns dos antigos devem ter-se mudado de casa- como eu, ou morrido…) que não conheciam as condições locais. Só mais um detalhe, apesar da débacle do BE, ou por isso mesmo, se se tivessem coligado localmente tinham mantido a freguesia nas calmas, mas como infelizmente a esquerda é muito “individualista”…
    só mais uma comparação bizarra. Entre as legislativas e as autárquicas, o PSD+CDS e o PS, perderam, somados cerca de 1.600 votos na freguesia, enquanto que o PC ganhou cerca de 1.400, o que poderá indiciar que quando se fala no “leitorado” “deste” e “daquele” tem de haver uma certa reserva, porque o eleitorado é uma coisa muito dinâmica e em concreto, neste lugar, o eleitorado CDU pode ter muitas origens…

  27. Luis diz:

    “aquilo que percebi, na minha infinita tacanhez, foi que em Alcântara este ano houve coligação, e há 4 anos, não houve…”

    Já é um grande avanço. Insuficiente contudo ainda porque nem sequer ainda percebeu que este ano em Alcântara houve quase menos 400 eleitores.

  28. Luis diz:

    e…?

    Era bom que tivesse aprendido a olhar para os números antes de se pronunciar. É bom olharmos a realidade antes de falar dela.

  29. rui david diz:

    essa conclusão já tu a tinhas tirado antes de se iniciar a discussão, o que eu queria saber é qual é a relação que têm 400 eleitores a menos na freguesia com o facto de a CDU ter perdido agora as eleições em Alcântara quando ganhou as anteriores, fosse pelo facto de o PSD e o CDS terem então concorrido separadamente ou fosse pelo que fosse.

  30. Alice Botica diz:

    O lamentável dos lamentáveis é que, a grande maioria dos comentadores acima, sómente se preocupa em “lavar a roupa suja” quando o ponto crucial da questão deveria ser – e aqui vou reportar-me a uma Freguesia, na qual resido e que foi acima mencionada :

    SOCORRO:
    Infelizmente uma grande maioria do nosso Povo, fala por falar, não se baseando em factos concretos e isso vê-se pelos comentários feitos, relativamente a esta Freguesia.
    Queria esclarecer que o ex-Presidente da J.F.do Socorro o “Snr.” Marcelino (PPD/PSD) também conhecido na Freguesia, como o PRESIDENTE DO GRUPO EXCURSIONISTA DA JUNTA DE FREGUESIA DO SOCORRO e outros epitetos mais desagradáveis, em 4 anos de Presidente, nada fez em prol da Freguesia, e passo a citar, alguns exemplos:

    A não existência do porta-a-porta numa Freguesia ONDE 95% dos Fregueses são IDOSOS;
    As ruas e os passeios que tresandam de buracos;
    O Tráfico de DROGA, principalmente no Largo do Terreirinho;
    Os sem-abrigo, que diáriamente dormem na Rua da Mouraria;
    O problema do estacionamento dos carros dos Fregueses (é que pagar 75,00 Aéreos/mês, para o carro ficar no Parque de Estacionamento do Martim Moniz, onde não existe vigilância, os carros são vandalizados e outros etc’s. é inadmissivel!!!);
    A NÃO existência de Espaços Verdes;
    A NÃO interação da Junta, com as Associações e Colectividades da Freguesia (tirando o Ambijovem, sito na Rua da Guia) algumas das quais lutam com sérias dificuldades, para conseguirem continuar o seu bom trabalho, junto dos fregueses.
    Ex.: Associação Pró-Infância da Mouraria – Calçada Agostinho da Silva.

    DITO EM REUNIÃO DE ASSEMBLEIA DE FREGUESIA – A QUAL FOI ESSENCIALMENTE PARA LAVAGEM DE “ROUPA SUJA”, MAS SERVIU, PARA QUE OS FREGUESES PRESENTES, TIVESSEM CONHECIMENTO DA MUITA BOSTA FEITA PELOS ELEMENTOS DO EXECUTIVO DA JUNTA:

    Em 4 Anos de Mandato, NUNCA existiu uma Reunião do Executivo da Junta;

    Presidente/Tesoureiro – PPD/PSD;
    Secretário – PS

    Era dado conhecimento ao Secretário/Tesoureiro, de acções que o “EXECUTIVO DA JUNTA – MARCELINO” iria fazer ou promover, VIA TELEFONE;
    Muitas vezes os documentos eram transportados “NÃO PARA DAR CONHECIMENTOS DOS ASSUNTOS, MAS SÓMENTE PARA SEREM ASSINADOS, PELO SECRETÁRIO” pelo CONTABILISTA, quando o mesmo ia a sair da Junta;
    Livros de ACTAS QUE SE “ESFUMARAM”, e que o então Presidente da Junta, não SOUBE EXPLICAR COMO OS LIVROS SE “ESFUMARAM” VISTO OS MESMO SE ENCONTRAREM DENTRO DUMA SALA, FECHADA À CHAVE;
    E então por diversos assuntos (segundo consta, nas ruas, “alguém” da Junta enviou, via fax ou e-mail, para o ex-partido, do ex-presidente da Junta, documentos que “comprometiam” o ex-Presidente da Junta e – por estas e outras razões – o dito foi “afastado” do PPD
    Acontece porém que, aquando das Eleições para o Parlamento Europeu, o então ainda Presidente, passou palavra que tinha sido convidade pelo BE, afim de integrar as listas.
    Passados uns tempos, tinha sido o PS a convidá-lo, para integrar as listas.
    Durante uns tempos, nada mais se ouviu dizer, até que um dia, logo de manhãzinha, na Rua da Mouraria, à porta do Centro Comercial, se encontrava um snr. sentado a uma mesa e com uns papéis, os quais se destinavam ao recolhimento de assinaturas para a “Lista Unitária do Marcelino”.
    Que é verdade, ai isso é, que o ainda Presidente Marcelino, “ameaçou” diversos Fregueses (3ª. Idade) que se não subscrevessem a lista dele, etc., etc. .

    E são estas algumas das MUITAS, MAS MESMO MUITAS DE TANTAS OUTRAS MUITAS COISAS, QUE SE PASSARAM NO SOCORRO, que levaram a que o PS, tivesse ganho e o PPD/PSD perdido.

    Mas e… EU DIGO, AFIRMO, RE-AFIRMO E ASSINO, UM DOS DITADOS DO POVO PORTUGUÊS_

    A ME……. É A MESMA, AS MOSCAS É QUE SÃO DIFERENTES!!!

    Portanto snrs. e snrªs. COMENTADORAS, antes de “discutirem” sobre POLITICAxPARTIDOS POLITICOSxAUTARQUICAS, tenham em atenção que:

    PARLAMENTO EUROPEU – ESCONTRA-SE FORA DO PAÍS!
    ELEIÇÕES LEGISLATIVAS – O NOSSO POVO AQUI JÁ PENSA DE UM MODO DIFERENTE, SÃO DE TODO O PAÍS!
    ELEIÇÕES AUTÁRQUICAS – É A FREGUESIA ONDE SE MORA, QUEM NÓS CONHECEMOS, COM QUEM FALAMOS… . ESTAS
    SÃO AS QUE NO DIA-A-DIA, DIZEM MAIS DIRECTAMENTE RESPEITO AO NOSSO POVO

    NÃO GENERALIZEM, SÃO COMPLETAMENTE DISTINTAS!
    NÃO FALEM SEM SABER DO QUE ESTÃO FALANDO!

    Poderia continuar a escrever, tanto e tanto, sobre aquilo que o ex-Presidente da J.F.do Socorro não fez

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