O Anti-Santanismo Primário

Os resultados das eleições de Lisboa, longe de colocarem um ponto final na carreira política de Pedro Santana Lopes, não deixam de se traduzir numa derrota que, mais não seja temporariamente, baixa as expectavivas santanistas, que vinham tirando o sono a vários lisboetas e, ao que parece, a uma grande maioria das gentes da esquerda, seja lá isto o que for. Não me custa a acreditar que o santanismo, como muitos dos seus implacáveis críticos assinalaram, caracteriza-se por uma imensa dose incompetência, umas toneladas de irresponsabilidade e outros tantos quilos de descaramento. Nada que, com efeito, seja indispensável ao nosso bem-estar e ao das nossas cidades. Mas, posto isto, importa dizer que, se as eleições de domingo resolveram, por momentos, o problema do santanismo, elas não resolveram um outro problema, que se encontra a montante e a jusante daquele: o anti-santanismo primário. O anti-santanismo é um impulso primário cultivado pela esquerda portuguesa nos últimos anos e com o qual deveríamos aprender a conviver mais civilizadamente. Ou seja, na figura de Santana Lopes, convergem críticas justas e ponderadas – como não? – mas também um bom número de idiotices. As críticas de José Saramago à vida privada de Pedro Santana Lopes, por exemplo, representam muito do pior que se pode fazer no campo do debate político, aproximando o Nobel do seu arqui-rival Aníbal Cavaco Silva. É, aliás, interessante verificarmos como Pedro Santana Lopes se torna, por vezes, num saco de encher pancada, ora achincalhado pela esquerda política e cultural, ora rebaixado pelo chamado cavaquismo. A dúvida, claro está, reside em saber se não passamos demasiado tempo a odiar Santana e a manter o nosso respeitinho por todas as outras figuras detentoras de cargos de poder. Não defendo que Dias Loureiro, Cavaco, Sócrates, Costa, Jerónimo, Louçã, whatever, sejam achincalhados da mesma forma que Santana o é, mas parece-me que a demonização de uns e a celebração de outros está longe de se afigurar como um caminho sensato. Devo dizer, por exemplo, que a decisão de Sampaio demitir Santana (não confundir com a decisão de nomear Santana) me pareceu destituída de razoabilidade. E, como esta, uma série de interrogações poderiam e deveriam ser feitas: não gritaríamos populismo a propósito da oferta de bicicletas como brinde de campanha? Não clamaríamos eleitoralismo a propósito do programa de festas que Costa montou no Parque Meyer? E que tal falar de fascismo em relação às câmaras de vigilância que serão instaladas nas ruas da cidade? Ou de shopping-centerização da cidade a propósito do que se passou na Praça das Flores ou das decorações da TMN por ocasião do Natal? Glosando outrem, a pergunta que importará responder é esta: porque amamos tanto odiar Pedro Santana Lopes? Uma das respostas, mas há outras, convoca a nossa imensa vontade em imaginarmos uma elite dirigente, que se definiria pela exclusão de Santana Lopes, e no seio da qual, apesar das diferenças de opinião político-ideológica, estará reunido um conjunto mínimo de virtudes éticas e morais. A “boa moeda”, como dizia o Presidente Aníbal Cavaco Silva. Quem quiser, que a compre.

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24 respostas a O Anti-Santanismo Primário

  1. rui david diz:

    uma defesa surpreendente mas honesta. incluo-me nos anti-santanistas “fanáticos” mas acho desprezíveis os frequentes ataques à vida privada dele. é possível criticar o político sem abandalhar a pessoa. Quero dizer, excluindo aspectos caricatos em que ele acaba sempre por cair enquanto político, tendo sido o último dos quais o inenarrável “vai vem” da noite eleitoral. Na melhor das hipóteses deveu-se a total ausência de planificação dos seus serviços de apoio, o que quererá dizer alguma coisa.
    quanto à falta de razoabilidade da demissão do santana…meu deus, ainda estamos aí? na altura foi consensual entre TODA a esquerda, incluindo (talvez por hipocrisia) o PS. será que os maleficios do governo do PS justificam desenterrar esses fantasma?

  2. Antónimo diz:

    Conheço gente que teve a oportunidade de trabalhar sob a direcção de santanetes e santanetes:
    E até o uso para dizer que tentaram fazer delas saco de encher pancada ora achincalhadas, ora rebaixadas pelos chamado santanistas que não tinham um conjunto mínimo de virtudes éticas e morais e que passavam o tempo a odiar, conspirar e lixar o próximo em vez de trabalhar

  3. Zé Neves diz:

    rui, pode ter sido consensual entre TODA a esquerda, como diz, mas nem por isso me parece razoável. Na altura em que o governo Santana foi demitido, nada de tão grave havia sucedido no âmbito da actuação governamental. Pelo menos, a comparar com coisas que sucederam em outros governos. O que eu disse nada tem que ver com os malefícios ou não do governo PS.

    Caro Antónimo, mas acredita que esse tipo de situação é específica ao santanismo? É que é isso que coloquei em cima da mesa.

    cumps

  4. Marxista diz:

    Muito bom texto…

  5. Antónimo diz:

    Zé Neves, As pessoas que refiro, não foram uma, nem de uma só empresa ou departamento. Várias já vinham de trabalhar nesses sítios, tinham sido contratadas sem motivações políticas e também já tinham trabalhado noutros sítios.

    E nunca tal coisa tinham visto no que toca aos achincalhamentos e rebaixamentos destrutivos dos seus trabalhos e dos trabalhos anteriormente levados a cabo. O mesmo no que tocou à corrupção dos sítios. Não necessariamente (nem sempre) uma corrupção no sentido legal mas uma corrupção dos objectivos das coisas, das funções, do exercício, da contratação, do avençamento e por aí fora.

    Canalha à solta. A pergunta nem parece sua, pois não acredito que considere que são todos iguais como se parece depreender.

  6. Justiniano diz:

    Correctíssimo, Zé Neves.
    Apelo à virtude, prudencia, temperança e justiça.
    Correctíssimo.

  7. Zé Neves diz:

    não estou a dizer que são todos iguais. mas pergunto-lhe: pendem sobre Santana processos de corrupção ou sequer suspeitas disso? Não digo que não devessem ou que devessem pender, apenas refiro que não tenho muitos motivos para acreditar que a incompetência e a corruptibilidade sejam assim tão maiores no âmbito do santanismo do que no resto. e com isto não estou a dizer que o resto é tudo uma merda. mas estou apenas a tentar evitar o que me parece ser um atalho preconceituoso para uma crítica política que não deve ser menos violenta por ser menos moralista.

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  9. Antónimo diz:

    Zé Neves, e eu falei no Santana? Refiro santanetes. E aí há acusações de vários crimes, basta ver a Gebalis ou acusações que impendem sobre vereadores dele.

    Conheço várias pessoas que tiveram oportunidade de trabalhar com peças dessas e das que as antecederam. Gente honesta em quem confio absolutamente e por quem ponho as mãos do fogo e que já faziam críticas à anterior gestão do Amar Lisboa. Mas nada que se comparasse ao aberrante nível dos santanistas.

    A CDU disse que a candidatura de Santana à câmara de Lisboa era uma afronta aos lisboetas e ao poder local. Meço as palavras e já o disse no Arrastão. A candidatura de Santana, pela gente que arrasta, foi um escarro na cara de quem quer manter um mínimo de decência, verticalidade e consciência no trabalho e na gestão da cidade.

    E não entro na discussão sobre a forma como andou e andaram por ele no lugar de primeiro-ministro – não conheço quem tenha trabalhado nessas áreas.

  10. MJP diz:

    Muito boa análise. Ultrapassar o que convem dizer para olhar a verdade é notável. Repensar fantasmas é de salientar.
    Ser consequente está ao alcance de todos os honestos.

  11. Paulo diz:

    Zé,
    Uma breve nota para dizer que foi com muito gosto que descobri a sua contribuição para este blogue. Depois de ler na blogosfera tanta coisa «carregada» de ortodoxia, mas «disfarçada» de pensamento livre, é bom ver alguém que sabe pensar fora das baias da doutrina partidária ou de grupos de pressão mais ou menos instituidos, mesmo quando se apoio este ou aquele partido, esta ou aquela tendência ideológica. Ideias desempoeiradas é do que nós precisamos. Um bem haja de um leitor «meio» de direita e «meio» conservador.

    Paulo

  12. Antónimo diz:

    Entre tanto elogio ao anti-anti-santanismo primário vale a pena também relembrar o imenso abismo entre as promessas do dito para Lisboa e o que efectivamente cocnretizou: um túnel (cujas vantagens são discutíveis mas que construiuu) e um jardim no arco do cego.

    Vale também a pena comparar a despesa efectuada com a obra efectivamente feita. No mandato de João Soares boa parte do dinheiro gasto serviu para construir, em quatro anos, 16 mil fogos de habitação social e acabar com as barracas.

  13. B Aranda diz:

    Eu, mais do que frequentes ataques à vida privada do Santana vejo é malta de esquerda a dizer que é uma injustiça atacar-se a vida privada do Santana. E vejo – claro – o Santana a falar ambundantemente sobre a sua vida privada.

    O Saramago, para agarrar no exemplo referido pelo Zé: eu pessoalmente ouvi-o várias vezes amargurado com o caso da Secretaria de Estado da Cultura, dirigida pelo Santana, que perseguiu o seu romance sobre Cristo. Coisa pouco grave a comparar com “fascismo” que aparentemente aí vem abater-se sobre lisboa, mas que o deixou obviamenete chateado. Eu, nunca o ouvi a falar sobre a vida privada do Santana. O que diz ele? Que anda metido com uma gaja mais nova? Ouvi foi Santana a insinuar que Saramago apoiava Costa porque ele lhe tinha cedido a Casa dos Bicos para a Fundação…

    Quanto ao facto de ele apanhar relativamente mais pancada do que outros que supostamente mereciam tanta ou mais, também não me parece nada.

    Quanto é que já se escreveu – o Zé, por exemplo – sobre o flamigerado caso da Praça das Flores? E sobre os imensos terrenos da Feira Popular, ali ao pé do Jardim do Campo Grande, que foram praticamente dados (através de uma permuta com o Parque Mayer) por Santana à Bragaparques? E o miradouro de S. Pedro de Alcântara, onde se tem passado uns fins de tarde tão bons? Durante os anos que esteve fechado, quantos posts se escreveram sobre aquela coisa?

  14. Miguel Botelho diz:

    Zé Neves,
    É pena não ter hipótese de ler um livro intitulado “Santana Lopes – O Iluminado”, escrito por alguém que já faleceu e que viveu na Figueira da Foz.
    Através desse livro, fica a saber muito daquilo que é uma gestão autárquica feita à maneira de Pedro Santana Lopes.
    Por último, note que este livro foi apreendido e proíbido de circular na Figueira da Foz, bem como outras livrarias.
    Assistimos a dois anos de gestão autárquica desse senhor, como também as enormes trapalhadas que fez como primeiro-ministro.
    Existem pessoas que se adaptam à política e fazem coisas interessantes e construtivas. No caso de Pedro Santana Lopes, o rumo é totalmente inverso. Tudo não passa de vaidade, narcisismo, prometer e não cumprir e muita vitimização (no caso de perder eleições ou lugares).
    Já chega desta figura. É tempo de mudar.

  15. Francisco diz:

    Zé! Tens mt razão! É sempre bom ter um papão à mão pa agitar, é engraçado serem os maiores adeptos da ponderação e moderação (pelo menos esses sectores gostam mt de pregar isso à “Esquerda Radical”) que face a Santana portam-se como numa luta “vale tudo”… Nem o Santana é um palhaço de Circo, nem, mt menos, é Costa um Paladino da Esquerda, da Justiça e de Lisboa…
    Mas a malta gosta mm é de desenhos animados… Dá menos trabalho assim…

    mundoemguerra.blogspot.com

  16. Luis diz:

    “E sobre os imensos terrenos da Feira Popular, ali ao pé do Jardim do Campo Grande, que foram praticamente dados (através de uma permuta com o Parque Mayer) por Santana à Bragaparques?”

    E não está esquecido que essa negociata foi reprovada apenas pela CDU e pelo contrário teve a aprovação do PS e do BE? E também não está esquecido que a coisa continua em águas de bacalhau porque em boa hora a CDU levou o caso ao tribunal?

  17. B Aranda diz:

    Francisco: o post é sobre Santana e não sobre Costa. Mas o teu comentário deixa-me com mais certezas das razões do equivoco que tanta malta de esquerda alimenta sobre o facto de o Santana não ser assim tão mau.

    Luis: Não estou esquecido de nada e conheço muito bem todo o caso. Digo só que aparentemente isto incomodou menos pessoas do que outras histórias. Isto, para rebater a tese do Santana-injustiçado ou Santana-Bode-Expiatório

  18. B Aranda diz:

    Francisco: O post é sobre Santana e não sobre Costa. De qualquer forma o teu comentário deixa-me com mais certezas sobre as razões do equívoco de alguma malta de esquerda que considera que o Santana não é assim tão mau.

    Luis: Não me esqueci de nada e conheço muito bem toda a história. Só digo é que esse caso aparentemente incomoda menos as pessoas, os jornalistas, os opinion makers do que outros… Isto para contestar a tese do Santana-injustiçado, do Santana vítima do “vale tudo”

  19. zé neves diz:

    caros, telegraficamente:

    não votei no costa, nunca coloquei essa hipótese. prefiro que o Costa ganhe ao Santana do que o inverso. Como prefiro que o Sócrates ganhe à Ferreira Leite. Mas não voto e não votarei no Sócrates. Há muitas diferenças a nível de cidade e a nível de país, mas não as suficientes para abdicar de votar em quem está mais à esquerda (seja isto o que for) – no caso, PCP e BE.

    não ponho em causa os deméritos do santana. ponho em causa os deméritos de muitas das críticas que lhe são feitas. se isso favorece objectivamente o Santana, não me é indiferente e, por isso, escrevo este post só agora. Mas, em última instância, escreveria o post antes. Até porque o contrário é muitas vezes válido: o maior favor ao Santana foi o de quem, há uns anos, deixou por criticar a campanha anti-fascistas de João Soares. note-se que o problema do anti-santanismo não tem nada que ver especificamente com as últimas eleições autárquicas. posso dar outro exemplo: o cartaz do sá fernandes e do bloco, há uns anos, onde se escrevia “Lisboa não é Oeiras, Gondomar ou Felgueiras” (era isto ou coisa parecida).

    sobre populismo, censura, incompetência, corrupção, etc., não creio que Santana seja um caso à parte no contexto geral da vida política. E, achando eu várias diferenças entre PS e PSD, não serão seguramente a este nível.

  20. Antónimo diz:

    Depois de dar uma volta no Spectrum, deixo uma pergunta ao Zé Neves. Antes do 25 de Abril, havia uma polícia que matava. Ora, a polícia do pós-25 de abril também tem matado.

    A diferença é de grau, mas não existe uma diferença abissal entre as práticas de uma e de outra?

  21. antónio diz:

    Faço meu o comentário do rui david (o primeiro, não tenho nada a acrescentar) não só porque estou de acordo, mas porque sempre estaria de acordo…velhas cumplicidades são sempre cumplicidades, desta feita ou da outra, ou da outra.

  22. antónimo diz:

    Porque o que os processos santanistas na autarquia lisboeta não merecem ser branqueados, nem relativizados, finalmente achei um documentozinho onde se apresentam e elencam acusações bem concretas, com muitas datas, muitos nomes, muitas acusações.

    É ler e se depois, acreditando nelas, ainda me vierem dizer que a diferença é meramente de nível ou de grau eu meto a viola no saco. Não discuto certos assuntos com quem relativiza o saque e me acusa de primário.

    A CDU entende que a candidatura de Santana Lopes é uma afronta do PSD à Cidade e ao Poder Local.

    A população da Cidade não esquece o que se passou em Lisboa entre Janeiro de 2002 e Julho de 2004 e, depois, entre Março e Dezembro de 2005.

    Ao todo: 39 meses – cerca de 1200 dias.

    Períodos marcantes, estes. De marcas profundamente negativas, inesquecíveis. De repugnantes decisões. De modos de estar e de gerir autocráticos. De um vergonhoso e irresponsável modelo de desperdício dos dinheiros públicos com benefício para os amigos e prejuízo para o erário municipal. Do incrível saldo negativo, das dívidas de milhões por dia. Da quase triplicação da dívida municipal sem qualquer contrapartida visível em obra feita. E muito menos em obra paga: o dinheiro desapareceu mas nem se fez nada com ele nem o pouco que se fez foi pago. Um «milagre», mas ao contrário: houve as receitas normais mas elas desapareceram sem que as facturas fossem liquidadas.

    As piores malfeitorias

    de Santana em Lisboa

    Foi o tempo das decisões criminosas em matéria urbanística, tomadas em função apenas dos interesses dos empresários: sem planos, sem consultas, sem participação – tudo decidido por despacho individual de uma das vereadoras que exercia os seus poderes naturalmente por delegação de poderes feita por Santana Lopes.

    Foi nesta época que se congeminou e se consumou a negociata do Parque Mayer e da Feira Popular. Feira Popular que seria rapidamente reaberta noutro local. Parque Mayer que seria requalificado em oito meses.

    Foi nessa época que se pagaram ou se comprometeu o pagamento de 2,3 milhões de euros a Frank Ghery por uma ideia para o Parque Mayer.

    Foi logo nos seus primeiros dias nos Paços do Concelho que Santana mandou demolir habitações construídas no Alto de Campolide para reealojamento no mandato anterior ao seu, sem razão plausível – e sem que até hoje se entendam os objectivos dessas demolições.

    Santana criou três monstros de consumir milhões: as três SRUs, Sociedades de Reabilitação Urbana. Duas já foram encerradas, depois muitas dezenas de milhões gastos. Da reabilitação, nada. Restam as telas a tapar os edifícios onde, por publicidade enganoso, a Câmara da altura mandou mentir dizendo: «Aqui estamos a reabilitar x prédios». E não estavam, claro. Nem hoje esses prédios estão ainda reabilitados. Dessa fantochada só ficaram as telas nas fachadas dos edifícios – como é o caso que ainda perdura na Av. Fontes Pereira de Melo.

    Foi no tempo de Santana que as empresas municipais descapitalizadas e deficitárias (falidas, por assim dizer) foram usadas como plataforma de acolhimento de quadros políticos de apoio ao Presidente da Câmara, com o conluio do PS, consumindo milhões sem qualquer contrapartida na produtividade das citadas empresas.

    Foi nesse mandato que se instalou o hábito de contrair dívidas e não as pagar.

    Naquela altura, a Câmara de Lisboa era uma instituição pejada de «boys» e «girls», arrebanhados no PSD e na JSD, a enxamearem os gabinetes dos vereadores.

    Uma Câmara de Serviços Municipais destroçados e de sobreposição de ordens e contra-ordens desorientadas de imberbes, incompetentes e irreverentes «assessores» que se substituíam aos dirigentes municipais e os desautorizavam, recorrendo a prestações de serviços e a contratos de privatização de consultadorias e de serviços sem qualquer necessidade, na maior parte das vezes duplicando as competências existentes nos Serviços – os quais se sentiram sempre marginalizados, substituídos, humilhados.

    A tudo isso se juntam dois factos lamentáveis: um, não ter restado obra visível; outro, ter sido destruído o ambiente de trabalho participado criado meticulosamente na década anterior.

    Tribunal de Contas não aprova

    os documentos de Santana

    As referidas marcas dominaram infelizmente os períodos de Santana Lopes como Presidente da Autarquia.

    Foram momentos que acentuaram drasticamente a passagem de Santana Lopes pela CML.

    Matérias em que o PS tem uma dose considerável de responsabilidade, como se sabe: umas vezes colaborou, outras silenciou a denúncia, outras ainda esteve ao lado dos homens de Santana nas empresas municipais, com a nomeação de quadros do PS para as administrações (SRUs, EPUL, etc.).

    Foram acontecimentos que justificam que o Tribunal de Contas até hoje não tenha aprovado a documentação desse tempo.

    A propaganda de Santana e do PSD vai tentar ignorar tudo isto, esconder a realidade, tapar o sol com uma peneira.

    Há que relembrar sempre.

    Por isso dizemos que a figura política de Santana Lopes hoje não é a mesma que era em 2001.

    Ou seja: Santana já não aparece agora em Lisboa sem que se conheçam e se divulguem as suas malfeitorias feitas na Figueira da Foz como aconteceu em 2001.

    Hoje, sabemos o mal que já fez a Lisboa. Quase sempre com o apoio ou conivência do PS, verdade se diga. Mas não só a Lisboa, como autarca: também ao País, como Primeiro-Ministro.

    Hoje, Santana juntou ao seu currículo duas facetas negativas muito pesadas: a de Presidente da Câmara de Lisboa no mandato mais negro de que há memória e a de Primeiro-Ministro de um Governo desbragado indigno e incompetente.

    Crimes urbanísticos e outras ilegalidades

    Nos mandatos do PSD (39 meses com Santana Lopes, mais cerca de 32 meses com Carmona Rodrigues), a quantidade de ilegalidades urbanísticas e outras foi tal que uma Sindicância efectuada detectou algo como perto de 120 casos a aprofundar e a investigar.

    De acordo com a Procuradoria-Geral da República, estão em investigação, em fases diversas, 65 situações. E já estarão concluídas investigações em 33. Daqui, surgiram 10 acusações.

    «Os inquéritos incidem sobre factos ocorridos durante os mandatos de Pedro Santana Lopes e Carmona Rodrigues e já levaram à audição de 206 pessoas, entre audições de testemunhas e interrogatórios» – segundo se pôde ler nos jornais.

    Entretanto, foram constituídos como arguidos 13 dos intervenientes, por crimes de corrupção, peculato, abuso de poder e prevaricação.

    Eis a situação, segundo os jornais:

    1.

    PROCESSOS CONCLUÍDOS COM ACUSAÇÃO

    16/01/2008 – Bragaparques – Prevaricação/Abuso Poder

    27/06/2008 – Câmara Municipal – Corrupção

    29/04/2008 – Corrupção de um fiscal numa obra – Corrupção

    20/10/2008 – Administração da Gebalis – Corrupção

    19/12/2008 – Travessa Ilha do Grilo – Abuso de poder

    31/03/2009 – Funcionária da Câmara – Burla

    27/04/2009 – Calçada das Necessidades – Prevaricação

    1/06/009 – Atribuição de Casas – Abuso de poder

    Sem data – EPUL prémios – Peculato

    2.

    PRINCIPAIS PROCESSOS PENDENTES

    Vale de Santo António – Tráfico de influência

    Participação na construção do estádio do Benfica – Abuso de poder

    EMEL – Corrupção

    EPUL – Corrupção

    Condomínio Infante Santo – Funções públicas

    Contratação de militantes PSD para a Gebalis – Peculato

    Concessão Parques estacionamento Alvalade/Santos – Corrupção.

    Desenvolvimentos recentes

    Nos últimos dias, três situações vieram ainda mais pôr a nu a gestão ruinosa daqueles anos: Carmona e outros vão ser julgados pelos negócios que fizeram com a Bragaparques envolvendo o Parque Mayer e a antiga Feira Popular (no que o PSD não esteve sozinho: PS e Bloco sempre viabilizaram a negociata e só a CDU se opôs tendo accionado todos os mecanismos junto das instâncias judiciais – ler pormenores aqui); por outro lado, o Ministério Público veio declarar que vai mesmo investigar pelo menos um dos aspectos dos pagamentos a Frank Ghery: se houve ou não pagamento de «comissões» ilegais; e, para surpresa e protesto da CDU, António Costa vem agora levar a CML a pagar aos comerciantes do Parque Mayer mais de um milhão de euros que deviam ser pagos, nos termos exactos do contrato não pela Câmara mas sim, evidentemente, pela Bragaparques (ver aqui a parte da Declaração Política de ontem de Ruben de Carvalho exactamente sobre esta questão recentíssima).

    Concluindo: Lisboa tem o direito de saber que nas grandes questões urbanísticas e nas grandes negociatas, durante o mandato e meio do PSD, ambos os partidos maiores sempre se deram as mãos quer na Câmara quer na Assembleia e nas empresas municipais para encobrir-se mutuamente.

    Por isso de pode dizer que o PSD humilha Lisboa quando apresenta Santana Lopes como seu candidato à CML.

    É por isso que a CDU entende que esta candidatura é ofensiva para a Lisboa e para os moradores da Cidade.

    Naturalmente, os eleitores saberão responder à altura do que a candidatura merece: uma derrota exemplar.

    Por todas estas razões, a CDU considera-se como a verdadeira alternativa a quem os lisboetas devem reforçar, como modo de impedir novas tropelias contra o interesse municipal venha do PS ou do PSD.

  23. antónio diz:

    Eu sou um anti-santanista primário, e proud of it.
    Esse imbecil … é um enorme imbecil, e é especialista em deixar dívidas por onde quer que passe.
    E se ele não gostar, que venha, estou-lhe a dever umas quantas nas trombas do tempo da faculdade.

    A.S.C.

  24. que aqueles satanistas vão tomar naquele lugar!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

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