A POLíTiCA

Apareçam neste ciclo de debates organizado pela Unipop e pelo Teatro Maria Matos. É de 13 de Outubro a 26 de Novembro, terças-feiras, sempre às 18h30.  As sugestões de leitura abaixo referidas estão disponíveis no Jornal do Teatro Maria Matos, entre as páginas 23 e 27.

 

13 de Outubro
POLÍTICA, RAZÃO E EMOÇÃO
Com Manuel Villaverde Cabral e Manuel Loff
A frequente utilização da ideia de populismo tem levado à sua banalização, a ponto de ser legítimo perguntar se nos tempos que correm populismo não é apenas a forma mais rápida de desautorizar projectos políticos de que se discorda. Simultaneamente assistimos a uma crescente tecnicização do debate político, definindo-se a política enquanto assunto de especialistas que deverá privilegiar um tratamento preferencialmente racional, de acordo com o qual uma qualquer relação entre política e emoção reveste um sentido patológico.
SUGESTÃO DE LEITURA: O POPULISMO SEGUNDO ERNESTO LACLAU

20 de Outubro
POLÍTICAS DE IDENTIDADE
Com Miguel Vale de Almeida e António Figueira
Nas últimas décadas, a palavra identidade tornou-se um conceito recorrente no debate político. A nível dos movimentos sociais tem sido frequentemente defendida a necessidade de construir identidades que, fundindo dimensões políticas e culturais, permitam a várias figuras subalternas – colonizados, camponeses, indígenas, negros, mulheres, gays – forjar um poder de resistência e transformação que reaja às políticas de identidade dominantes, baseadas no colonialismo, no racismo, no machismo ou na homofobia. Entretanto, este identitarismo estratégico tem sido igualmente criticado pelo facto de ser incapaz de trabalhar uma alternativa que coloque em causa a própria ideia de uma política baseada na noção de identidade, deixando assim por problematizar categorias como nação, género ou família.
SUGESTÃO DE LEITURA: ERIC HOBSBAWM E AS POLÍTICAS DE IDENTIDADE

27 de Outubro
A POLÍTICA ‘A PARTIR DE BAIXO’
Com Fátima Sá e Paula Godinho
Quando falamos de política tendemos a conceber uma actividade profissional que ocupa o quotidiano de executivos governamentais e representantes parlamentares. Entretanto sabemos que esta limitação destitui de politicidade a actividade dos que estão à margem daqueles círculos institucionais. Importa por isso recolocar a relação entre política e grupos menos privilegiados num plano de debate que não esteja subordinado aos critérios definidos no quadro daqueles círculos institucionais, critérios estes que tendem a ignorar o que se poderia entender como experiências plebeias da política, experiências que remetem para conceitos como “economia moral da multidão” ou “armas dos fracos” e ecoam a história de inúmeros casos de resistência quotidiana e rebeldia popular.
SUGESTÃO DE LEITURA: A MULTIDÃO DE E.P.THOMPSON

3 de Novembro
A CRISE DA REPRESENTAÇÃO
Com José Bragança de Miranda e Ricardo Noronha
De forma a dar conta da distância entre uma elite de representantes e o conjunto dos representados, é amiúde referido que vivemos em plena crise da representação. Assim, os debates em torno da abstenção ou dos votos em branco, ou a referência ao enfraquecimento dos poderes dos Estados nacionais no quadro da globalização, alimentam a ideia de uma crescente crise da representação. Paralelamente, a problemática da representação convoca um debate cujo alcance supera a actualidade político-institucional. No quadro da política, mas não só aqui, o ideal de representação parece pressupor a possibilidade de uma relação incorruptível entre quem representa e aquilo que é representado. De tal modo assim seria que, na relação estabelecida entre governante e governado, o sujeito primeiro reflectiria transparentemente o objecto representado. Contudo, se não estivermos seguros desta transparência, o debate da representação deverá começar por perguntar se a representação é sempre um lugar de crise e, por outro lado, questionar se é possível pensar em política e em democracia além da representação.
SUGESTÃO DE LEITURA: PIERRE BOURDIEU E O MISTÉRIO DO MINISTÉRIO

10 de Novembro
POLÍCIA E POLÍTICA
Com Manuel Deniz Silva e Tiago Pires Marques
Em vários países do século XX, a memória da polícia política remete necessariamente para os tempos da ditadura e sabemos que a crítica desses tempos cria uma oposição radical entre a ideia de polícia e a ideia de política. E hoje ainda, quando se trata de debater a relação entre política e polícia, é de um exercício físico e violento do poder de Estado que estamos muitas vezes a falar. Entretanto, polizei, policy, política, polícia, são palavras que percorrem um mesmo universo histórico, num quadro de continuidade e de ruptura que envolve a administração interna, a ordem pública, o direito, a estatística. Neste contexto, e partindo das aproximações de Michel Foucault e Jacques Rancière, esta sessão procura situar o debate político à luz de um mais amplo entendimento da relação entre polícia e política.
SUGESTÃO DE LEITURA: POLÍCIA, POLÍTICA, FOUCAULT E RANCIÈRE

17 de Novembro
A BIOPOLÍTICA
Com António Guerreiro e Nuno Nabais
Nos últimos anos, a biopolítica de Michel Foucault tornou-se um sugestivo lugar de debate. O recurso ao conceito parece anunciar que a discussão da política terá que decorrer num plano que extravasa largamente o domínio do institucional, alastrando-se a todas as esferas da vida, no momento em que emergem novas técnicas de governo da população. Entretanto, e a partir da obra de autores como Giorgio Agamben, Roberto Esposito ou Antonio Negri, a noção de biopolítica tem sido objecto de interpretações diversas, por vezes até contraditórias, nuns casos apresentando o conceito como “grito de alerta” contra o actual estado das coisas, noutros interpretando-o como gesto de abertura de novos campos de poder político.
SUGESTÃO DE LEITURA: PETER PÀL PELBART, BIOPOLÍTICA E BIOPOTÊNCIA NO CORAÇÃO DO IMPÉRIO

24 de Novembro
DA CIÊNCIA POLÍTICA À FILOSOFIA
Com Bruno Peixe, Lisete Rodrigues e Eduardo Pellejero
Ao longo dos últimos anos, os cientistas políticos assumiram um lugar proeminente no comentário e na análise política. Assumindo frequentemente a figura do especialista e do perito, os seus comentários tendem a focar preferencialmente dinâmicas eleitorais e institucionais e, de forma visível em Portugal, a ciência política tem conhecido assinalável desenvolvimento académico, demarcando-se da História, da Antropologia ou da Economia Política. Entretanto, nos últimos anos também assistimos a uma recuperação da filosofia enquanto discurso que é condição da política – e vice-versa – e que em certos casos vem mesmo rejeitar a própria ideia de uma articulação entre ciência e política. Esta sessão procura debater o lugar do conhecimento e das ideias na vida política.
SUGESTÃO DE LEITURA: BADIOU, FILOSOFIA & POLÍTICA

Info sobre os conferecistas, no blogue-site da unipop.

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8 respostas a A POLíTiCA

  1. Julia W diz:

    O populismo “desautoriza” alguma coisa?

  2. Pingback: A POLíTiCA :: w a z z u p

  3. olhem lá, porque é que nas sugestões de leitura não vêm os títulos das obras, mas apenas uma referência algo pedante para neófitos…????

  4. zé neves diz:

    nuno castro, todos os textos que se encontram no jornal do teatro têm referida a sua origem. Reparará, ainda, que em alguns casos não se trata de textos extraídos de uma obra propriamente dita (casos de Laclau, Rancière+Foucault). De qualquer das formas, há-de explicar à malta o que é que a pedantice tem a ver com qualquer uma das opções. Sempre seu, zé neves.

  5. José Neves, se não sabe onde é que está o pedantismo então é porque não leu bem o seu Bourdieu…

    mas a outro nível, ao nível semântico, o que significa como sugestão de leitura “Polícia, Política, Foucault e Ranciére”? Sugerem ler o manual de instruções da GNR? O ordenamento da Assembleia da República? A biografia do Foucault? Ou inauditas revelações sobre uma sugestiva relação homossexual entre Foucault e Ranciére?

    não se percebe puto. Mas, ahh, quem está por dentro percebe… é o que eu digo: é um encontro de mestres com neófitos.

  6. zé neves diz:

    nuno castro, ainda não percebi por que razão, mas vou tendo paciência para aturá-lo. o seu mau feitio preocupa-me, deve ser isso. vamos lá então, devagar, devagarinho: em relação ao pedantismo, se a questão está em referirmos nomes de autores cujos textos são sugeridos como leitura, note que uma coisa não implica a outra. Sugerimos, sim, textos para leitura e – mas reparo que ainda percebeu, talvez porque leu apressadamente o post – os materiais sugeridos encontram-se disponíveis on-line, no jornal do maria matos, entre as páginas 23 e 27. Agora, concordo consigo que isto dos nomes de autores, por vezes, não passa de argumento de autoridade fajuto. É o caso do tipo que escreve “José Neves, se não sabe onde é que está o pendantismo então é porque não leu bem o seu Bourdieu…”. Vá ver a bola que isso passa.

  7. não se preocupe José. Não vai ter que aturar mais.

    Também cheguei à conclusão que perco demasiado tempo consigo. E para ler prosa chata vou antes ler o arrastão (excepção feita ao Pedro Vieira) que sempre dizem qualquer coisa de jeito.

    não o incomodo mais.

  8. zé neves diz:

    castro, rapaz, não se chateie. peço desculpa se melindrei. mas olhe que você às vezes tem mesmo mau feitio e isso, perdoe-me o paternalismo, tolda-lhe a inteligência. mas, vá lá, não amue. e olhe, pode ler o pedro e o arrastao e o cinco dias. não é preciso escolher entre um e outro. boas.

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