<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
		>
<channel>
	<title>Comentários em: Cidadania governante</title>
	<atom:link href="http://5dias.net/2009/10/04/cidadania-governante/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://5dias.net/2009/10/04/cidadania-governante/</link>
	<description>cinco dias, cinco pessoas</description>
	<lastBuildDate>Thu, 18 Mar 2010 03:25:53 -0700</lastBuildDate>
	<generator>http://wordpress.org/?v=2.9.2</generator>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
		<item>
		<title>Por: Da Cidadania Governante &#171; Inconformismo Solipsista</title>
		<link>http://5dias.net/2009/10/04/cidadania-governante/comment-page-2/#comment-108577</link>
		<dc:creator>Da Cidadania Governante &#171; Inconformismo Solipsista</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 12 Oct 2009 21:45:37 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://5dias.net/?p=26253#comment-108577</guid>
		<description>[...] Da Cidadania&#160;Governante   Publicado Segunda-feira, Outubro 12, 2009   Política Leave a&#160;Comment       No V for Vendetta, afirma-se que não são as pessoas que devem temer os seus governos, mas sim os governos que devem temer o seu povo. A minha opinião é mais radical: as pessoas devem ser o governo. A democracia participativa é a base da autonomia política. Ricardo Serras Pereira expõe a ideia da Cidadania Governante de forma mais elaborada. [...]</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>[...] Da Cidadania&nbsp;Governante   Publicado Segunda-feira, Outubro 12, 2009   Política Leave a&nbsp;Comment       No V for Vendetta, afirma-se que não são as pessoas que devem temer os seus governos, mas sim os governos que devem temer o seu povo. A minha opinião é mais radical: as pessoas devem ser o governo. A democracia participativa é a base da autonomia política. Ricardo Serras Pereira expõe a ideia da Cidadania Governante de forma mais elaborada. [...]</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: JMC.</title>
		<link>http://5dias.net/2009/10/04/cidadania-governante/comment-page-2/#comment-108503</link>
		<dc:creator>JMC.</dc:creator>
		<pubDate>Sun, 11 Oct 2009 16:43:37 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://5dias.net/?p=26253#comment-108503</guid>
		<description>MSP.

Tinha mais um (longo) comentário a mais este seu. Uma vez mais, desviava-me para outras questões, que no meu entender são as fundamentais, e que se prendem com a produção daquelas coisas banais e mesquinhas da vida — os morfes, os trapos, o tecto e outras derivadas — sem as quais não podemos viver, ou não podemos viver condignamente. Verificando que não era esse o tema do post original, assim como os interesses maioritariamente expressos nos comentários, e com o post prestes a sair de montra, achei esse meu comentário despropositado e inútil. 

Lamento ter contribuído, com os meus comentários, para descentrar a discussão das eternas questões do idealismo político, que tão bem sintetiza neste seu último comentário. Seria interessante assistir a mais uns quantos exercícios intelectuais de imaginar engenharias políticas cujos propósitos são resolver os intrincados problemas das relações económicas, e verificar quanto o idealismo anda desligado da realidade (para além das formas correctas do pensar), constituindo entretenha tão infrutífera quanto outra qualquer. Espero que surjam outras oportunidades.
Cumprimentos.

JMC.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>MSP.</p>
<p>Tinha mais um (longo) comentário a mais este seu. Uma vez mais, desviava-me para outras questões, que no meu entender são as fundamentais, e que se prendem com a produção daquelas coisas banais e mesquinhas da vida — os morfes, os trapos, o tecto e outras derivadas — sem as quais não podemos viver, ou não podemos viver condignamente. Verificando que não era esse o tema do post original, assim como os interesses maioritariamente expressos nos comentários, e com o post prestes a sair de montra, achei esse meu comentário despropositado e inútil. </p>
<p>Lamento ter contribuído, com os meus comentários, para descentrar a discussão das eternas questões do idealismo político, que tão bem sintetiza neste seu último comentário. Seria interessante assistir a mais uns quantos exercícios intelectuais de imaginar engenharias políticas cujos propósitos são resolver os intrincados problemas das relações económicas, e verificar quanto o idealismo anda desligado da realidade (para além das formas correctas do pensar), constituindo entretenha tão infrutífera quanto outra qualquer. Espero que surjam outras oportunidades.<br />
Cumprimentos.</p>
<p>JMC.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: miguel serras pereira</title>
		<link>http://5dias.net/2009/10/04/cidadania-governante/comment-page-2/#comment-108433</link>
		<dc:creator>miguel serras pereira</dc:creator>
		<pubDate>Fri, 09 Oct 2009 20:39:23 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://5dias.net/?p=26253#comment-108433</guid>
		<description>Bom, creio que o debate que a publicação do meu texto num post do Ricardo Noronha suscitou acabou por se fragmentar excessivamente.  A questão fundamental que eu punha era a de explicitar algumas consequências que creio decorrerem para quem defenda não esta ou aquela versão do bom governo do conjunto dos outros, mas um regime de democracia efectiva, cujo lema seria: não queremos ser governados, mas governar; ou: só aceitamos ser governados se formos, entre iguais, os nossos próprios governantes. Uma das consequências negativas era que as organizações de corte leninista (inspiradas na lógica da III Internacional e, na medida em que se considere que faz jus a uma consideração à parte,  também da IV) reproduzem a dominação hierárquica e uma divisão do trabalho político gémea da dominação pressuposta e desenvolvida pelo capitalismo. Assim, as perguntas que me punha, pondo-as a todos os interessados, eram do tipo: como faremos a democracia (um regime cujos cidadãos têm por divisa, como diria Castoriadis: nós somos aqueles que se dão a sua própria lei; sabemo-lo, queremos ser assim e estamos prontos a assumir o exercício do poder nesse sentido, num espaço público igualitário organizado em conformidade, para através dele garantirmos e aprofundarmos as liberdades individuais e as condições da existência colectiva)? Como democratizaremos, transformando-a, a esfera da economia e o seu funcionamento, subordinando a sua necessidade ao exercício da liberdade de deliberação e decisão democráticas? Como lutaremos pela igualização dos rendimentos e pela democratização do mercado, segundo a mesma lógica que vigora na assembleia dos cidadãos atribuindo o mesmo peso a cada voto? Para além de querermos a autonomia e a democracia por si próprias, que outros conteúdos poderão e deverão informar o projecto de autonomia? Que tipo de organização ou de organizações poderemos tentar desenvolver, não para conquistar o poder de Estado actual, mas para transformar as formas dominantes do poder político, que incluem as que se exercem a coberto da despolitização da economia? Como julgaremos as organizações de &quot;esquerda&quot; existentes à luz destes princípios - e como agiremos em consequência, em cada caso, no que se refere a cada uma delas?
Mas antes de encerrar pelo que me toca esta sessão, esperando que o debate em curso se mantenha em aberto noutras, gostaria de dizer ao Justiniano que, francamente, não alcanço que tipo de &quot;hetero-determinação liberal&quot; resolve a questão das garantias do indivíduo. Se o que ele quer dizer é que a cidadania governante não pode, como nenhum outro regime, produzir uma instituição supra-política e supra-histórica que garanta a democracia independentemente e acima da vontade e da participação dos cidadãos, eu admito que assim seja: não podemos exorcizar a história, não podemos ter a certeza de que uma assembleia nunca vote a sua própria dissolução ou a sua subordinação à categoria de comitiva do tirano. Mas, se admito que assim seja, continuo ser ver que &quot;hetero-determinação&quot; garantiria, já não a autonomia da cidadania governante, mas seja que conjunto for de princípios, que não possam apoiar-se num poder político efectivo.  O filósfo discute com o sofista, e este diz-lhe que, se não pode vencê-lo pela argumentação, pode sempre matá-lo e calá-lo de vez. Que garantia &quot;hetero-determinada&quot; ou não pode pôr-nos a salvo de um sofista assim, que se esteja nas tintas para princípios, procedimentos, constituições e declarações universais? A única resposta é o exercício, em última análise violento e empreendido como luta de morte, da legítima defesa. Convém que certos paladinos da &quot;liberdade interior&quot;, do &quot;direito à diferença&quot; e do &quot;multiculturalismo&quot; não o esqueçam.
Quanto ao problema do Mesmo e do Outro do JMC, lembro-lhe uma página de Borges em que este diz que Kafka (a criação do novo) institui os seus próprios precursores. E observo-lhe que isto quer dizer, não que aquilo que é instituído pela criação do que não havia como precursor, não existisse, mas que a criação transforma a paisagem em que se inscreve, e na qual não se inscreveria (a menos que se tratasse de uma criação divina que criasse tudo e anulasse o tempo ao exercer-se, caso em que a criação seria una e a mesma sempre e insoletravelmente) se essa anterioridade não fosse. Mas aqui creio que começamos uma discussão que se afasta demasiado dos propósitos do Ricardo Noronha ao lançar este debate, bem como dos propósitos dos que nele entenderam dever participar.
A tod@s as minhas saudações republicanas
msp</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Bom, creio que o debate que a publicação do meu texto num post do Ricardo Noronha suscitou acabou por se fragmentar excessivamente.  A questão fundamental que eu punha era a de explicitar algumas consequências que creio decorrerem para quem defenda não esta ou aquela versão do bom governo do conjunto dos outros, mas um regime de democracia efectiva, cujo lema seria: não queremos ser governados, mas governar; ou: só aceitamos ser governados se formos, entre iguais, os nossos próprios governantes. Uma das consequências negativas era que as organizações de corte leninista (inspiradas na lógica da III Internacional e, na medida em que se considere que faz jus a uma consideração à parte,  também da IV) reproduzem a dominação hierárquica e uma divisão do trabalho político gémea da dominação pressuposta e desenvolvida pelo capitalismo. Assim, as perguntas que me punha, pondo-as a todos os interessados, eram do tipo: como faremos a democracia (um regime cujos cidadãos têm por divisa, como diria Castoriadis: nós somos aqueles que se dão a sua própria lei; sabemo-lo, queremos ser assim e estamos prontos a assumir o exercício do poder nesse sentido, num espaço público igualitário organizado em conformidade, para através dele garantirmos e aprofundarmos as liberdades individuais e as condições da existência colectiva)? Como democratizaremos, transformando-a, a esfera da economia e o seu funcionamento, subordinando a sua necessidade ao exercício da liberdade de deliberação e decisão democráticas? Como lutaremos pela igualização dos rendimentos e pela democratização do mercado, segundo a mesma lógica que vigora na assembleia dos cidadãos atribuindo o mesmo peso a cada voto? Para além de querermos a autonomia e a democracia por si próprias, que outros conteúdos poderão e deverão informar o projecto de autonomia? Que tipo de organização ou de organizações poderemos tentar desenvolver, não para conquistar o poder de Estado actual, mas para transformar as formas dominantes do poder político, que incluem as que se exercem a coberto da despolitização da economia? Como julgaremos as organizações de &#8220;esquerda&#8221; existentes à luz destes princípios &#8211; e como agiremos em consequência, em cada caso, no que se refere a cada uma delas?<br />
Mas antes de encerrar pelo que me toca esta sessão, esperando que o debate em curso se mantenha em aberto noutras, gostaria de dizer ao Justiniano que, francamente, não alcanço que tipo de &#8220;hetero-determinação liberal&#8221; resolve a questão das garantias do indivíduo. Se o que ele quer dizer é que a cidadania governante não pode, como nenhum outro regime, produzir uma instituição supra-política e supra-histórica que garanta a democracia independentemente e acima da vontade e da participação dos cidadãos, eu admito que assim seja: não podemos exorcizar a história, não podemos ter a certeza de que uma assembleia nunca vote a sua própria dissolução ou a sua subordinação à categoria de comitiva do tirano. Mas, se admito que assim seja, continuo ser ver que &#8220;hetero-determinação&#8221; garantiria, já não a autonomia da cidadania governante, mas seja que conjunto for de princípios, que não possam apoiar-se num poder político efectivo.  O filósfo discute com o sofista, e este diz-lhe que, se não pode vencê-lo pela argumentação, pode sempre matá-lo e calá-lo de vez. Que garantia &#8220;hetero-determinada&#8221; ou não pode pôr-nos a salvo de um sofista assim, que se esteja nas tintas para princípios, procedimentos, constituições e declarações universais? A única resposta é o exercício, em última análise violento e empreendido como luta de morte, da legítima defesa. Convém que certos paladinos da &#8220;liberdade interior&#8221;, do &#8220;direito à diferença&#8221; e do &#8220;multiculturalismo&#8221; não o esqueçam.<br />
Quanto ao problema do Mesmo e do Outro do JMC, lembro-lhe uma página de Borges em que este diz que Kafka (a criação do novo) institui os seus próprios precursores. E observo-lhe que isto quer dizer, não que aquilo que é instituído pela criação do que não havia como precursor, não existisse, mas que a criação transforma a paisagem em que se inscreve, e na qual não se inscreveria (a menos que se tratasse de uma criação divina que criasse tudo e anulasse o tempo ao exercer-se, caso em que a criação seria una e a mesma sempre e insoletravelmente) se essa anterioridade não fosse. Mas aqui creio que começamos uma discussão que se afasta demasiado dos propósitos do Ricardo Noronha ao lançar este debate, bem como dos propósitos dos que nele entenderam dever participar.<br />
A tod@s as minhas saudações republicanas<br />
msp</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: JMC</title>
		<link>http://5dias.net/2009/10/04/cidadania-governante/comment-page-2/#comment-108391</link>
		<dc:creator>JMC</dc:creator>
		<pubDate>Fri, 09 Oct 2009 10:27:05 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://5dias.net/?p=26253#comment-108391</guid>
		<description>ruy.

Só lhe posso dizer: insondáveis são os desígnios do Senhor. No caso, fazendo o mesmo parecer coisa diferente de si próprio.

Cumprimentos.

JMC.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>ruy.</p>
<p>Só lhe posso dizer: insondáveis são os desígnios do Senhor. No caso, fazendo o mesmo parecer coisa diferente de si próprio.</p>
<p>Cumprimentos.</p>
<p>JMC.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Niet</title>
		<link>http://5dias.net/2009/10/04/cidadania-governante/comment-page-2/#comment-108385</link>
		<dc:creator>Niet</dc:creator>
		<pubDate>Fri, 09 Oct 2009 00:52:52 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://5dias.net/?p=26253#comment-108385</guid>
		<description>O &quot; acontecimento&quot;, a subversão teórica da relação entre o saber e o fazer e a emergência do social-histórico constituem questões decisivas que, Castoriadis, forjou no dealbar dos anos 70 agitados pela publicação do &quot; pavé &quot; de Deleuze/Guattári- &quot; O Anti-Édipo&quot;. No enorme prefácio/projecto inserto na primeira  publicação unificada(1974) dos textos da revista &quot; Socialismo ou Barbárie&quot;, Castoriadis dispara sem apelo nem agravo: &quot; O conteúdo do projecto revolucionário só pode ter como objectivo construir uma sociedade que se torne capaz de alterar perpetuamente as suas instituições&quot;. 

      &quot; A política tornou-se a partir de agora na luta para a transformação da relação da sociedade perante as suas instituições que regulam a sua vida como criações colectivas; e que o cidadão pode e quer transformar desde que necessite ou deseje &quot;, sublinha.

   &quot; Ce qui chaque fois institue, ce qui est à l´oeuvre dans l´histoire se faisant, nous ne pouvons le penser  que comme l´Imaginaire Radical, car il est simultanément, chaque fois surgissement du nouveau et capacité d´exister dans e par la position d´&quot; images&quot;. Loin d´incarner le déroulement &quot; rationnel &quot; hegelo-marxiste, l´histoire est, à l´ intérieur de limites amples, création immotivée&quot;.

   Félix Guattári, o &quot; guerrilheiro &quot; lacaniano de alta voltagem, no seu livro político e psicanalítico,&quot; Psicanálise e Transversalidade&quot;, fala em termos muito exaltantes do perfil e obra de Castoriadis, que nessa altura já andava nos longos combates no interior da Escola Freudiana de Paris. Por certo, Guattári, que tinha sido trotskista como Castoriadis, teve a genial intuição de &quot; reconhecer&quot; o mérito singular da prática revolucionária/teórica do autor da ainda no prelo, &quot; Instituição imaginária da sociedade &quot;. Deleuze em, &quot; O que é a Filosofia ?&quot;, escreve profundamente sobre o que escapa sempre à História...Niet/Durruti</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>O &#8221; acontecimento&#8221;, a subversão teórica da relação entre o saber e o fazer e a emergência do social-histórico constituem questões decisivas que, Castoriadis, forjou no dealbar dos anos 70 agitados pela publicação do &#8221; pavé &#8221; de Deleuze/Guattári- &#8221; O Anti-Édipo&#8221;. No enorme prefácio/projecto inserto na primeira  publicação unificada(1974) dos textos da revista &#8221; Socialismo ou Barbárie&#8221;, Castoriadis dispara sem apelo nem agravo: &#8221; O conteúdo do projecto revolucionário só pode ter como objectivo construir uma sociedade que se torne capaz de alterar perpetuamente as suas instituições&#8221;. </p>
<p>      &#8221; A política tornou-se a partir de agora na luta para a transformação da relação da sociedade perante as suas instituições que regulam a sua vida como criações colectivas; e que o cidadão pode e quer transformar desde que necessite ou deseje &#8220;, sublinha.</p>
<p>   &#8221; Ce qui chaque fois institue, ce qui est à l´oeuvre dans l´histoire se faisant, nous ne pouvons le penser  que comme l´Imaginaire Radical, car il est simultanément, chaque fois surgissement du nouveau et capacité d´exister dans e par la position d´&#8221; images&#8221;. Loin d´incarner le déroulement &#8221; rationnel &#8221; hegelo-marxiste, l´histoire est, à l´ intérieur de limites amples, création immotivée&#8221;.</p>
<p>   Félix Guattári, o &#8221; guerrilheiro &#8221; lacaniano de alta voltagem, no seu livro político e psicanalítico,&#8221; Psicanálise e Transversalidade&#8221;, fala em termos muito exaltantes do perfil e obra de Castoriadis, que nessa altura já andava nos longos combates no interior da Escola Freudiana de Paris. Por certo, Guattári, que tinha sido trotskista como Castoriadis, teve a genial intuição de &#8221; reconhecer&#8221; o mérito singular da prática revolucionária/teórica do autor da ainda no prelo, &#8221; Instituição imaginária da sociedade &#8220;. Deleuze em, &#8221; O que é a Filosofia ?&#8221;, escreve profundamente sobre o que escapa sempre à História&#8230;Niet/Durruti</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: ruy</title>
		<link>http://5dias.net/2009/10/04/cidadania-governante/comment-page-2/#comment-108335</link>
		<dc:creator>ruy</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 08 Oct 2009 09:57:21 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://5dias.net/?p=26253#comment-108335</guid>
		<description>JMC, 
&quot;Por muito do mesmo, o mesmo não se transforma em coisa diferente de si.&quot; 

Dois átomos de oxigénio (O, o mesmo), O+O dá O2, o xigénio que respiramos. 
O+O+O resulta O3 e transforma o O2 em O3 que é o ozono, um corpo com QUALIDADES totalmente diferentes.
O JMC não quer aceitar o que transcende desta evidência porque ela deitaria por terra os fundamentos de toda a sua argumentação. Compreendo.
 O que caracteriza o modo de produção dominante é, ao contrário do que acontecia , o &quot;não reinvestimento produtivo da riqueza produzida&quot;. O que só por si traduz a própria NEGAÇÃO do capitalismo.
Faço minhas as suas palavras &quot;Mesmo que quisesse convencê-lo do contrário, e não quero, não saberia como. Espero que o consiga por si.&quot;
Ruy</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>JMC,<br />
&#8220;Por muito do mesmo, o mesmo não se transforma em coisa diferente de si.&#8221; </p>
<p>Dois átomos de oxigénio (O, o mesmo), O+O dá O2, o xigénio que respiramos.<br />
O+O+O resulta O3 e transforma o O2 em O3 que é o ozono, um corpo com QUALIDADES totalmente diferentes.<br />
O JMC não quer aceitar o que transcende desta evidência porque ela deitaria por terra os fundamentos de toda a sua argumentação. Compreendo.<br />
 O que caracteriza o modo de produção dominante é, ao contrário do que acontecia , o &#8220;não reinvestimento produtivo da riqueza produzida&#8221;. O que só por si traduz a própria NEGAÇÃO do capitalismo.<br />
Faço minhas as suas palavras &#8220;Mesmo que quisesse convencê-lo do contrário, e não quero, não saberia como. Espero que o consiga por si.&#8221;<br />
Ruy</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: JMC</title>
		<link>http://5dias.net/2009/10/04/cidadania-governante/comment-page-2/#comment-108310</link>
		<dc:creator>JMC</dc:creator>
		<pubDate>Wed, 07 Oct 2009 22:18:21 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://5dias.net/?p=26253#comment-108310</guid>
		<description>ruy. Agradeço-lhe a atenção que continua a prestar às minhas palavras. Não se prenda com as palavras; ligue às frases. Digo-lhe, sinceramente, que nem eu as acho importantes. Isto é conversa informal de troca de ideias, forma de as conhecermos, manifestação de opiniões sem qualquer outro objectivo.

No seu exemplo, o que entende por “o mesmo”? O átomo de oxigénio ou a sua molécula? Se vir bem, você não junta o mesmo ao mesmo, nem moléculas a moléculas nem átomos a átomos. E mesmo que juntasse átomos a átomos e obtivesse ligações diversas, os átomos continuavam sendo os mesmos. Em física existem outros exemplos mais complicados, caso dos isótopos e dos elementos radioactivos, por exemplo, mas nem esses mesmos são os mesmos (isto é, só têm em comum umas características e não todas). Mas do que temos falado é de coisas mais macroscópicas, de relações sociais.

Se acha que as compras e vendas de dinheiro, de títulos de propriedade ou de outros valores, jogos de fortuna e azar travestidos de múltiplas roupagens, no fundo, o capitalismo financeiro, é o que caracteriza o modo de produção dominante, nada poderei fazer contra isso. Mesmo que quisesse convencê-lo do contrário, e não quero, não saberia como. Espero que o consiga por si.

JMC.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>ruy. Agradeço-lhe a atenção que continua a prestar às minhas palavras. Não se prenda com as palavras; ligue às frases. Digo-lhe, sinceramente, que nem eu as acho importantes. Isto é conversa informal de troca de ideias, forma de as conhecermos, manifestação de opiniões sem qualquer outro objectivo.</p>
<p>No seu exemplo, o que entende por “o mesmo”? O átomo de oxigénio ou a sua molécula? Se vir bem, você não junta o mesmo ao mesmo, nem moléculas a moléculas nem átomos a átomos. E mesmo que juntasse átomos a átomos e obtivesse ligações diversas, os átomos continuavam sendo os mesmos. Em física existem outros exemplos mais complicados, caso dos isótopos e dos elementos radioactivos, por exemplo, mas nem esses mesmos são os mesmos (isto é, só têm em comum umas características e não todas). Mas do que temos falado é de coisas mais macroscópicas, de relações sociais.</p>
<p>Se acha que as compras e vendas de dinheiro, de títulos de propriedade ou de outros valores, jogos de fortuna e azar travestidos de múltiplas roupagens, no fundo, o capitalismo financeiro, é o que caracteriza o modo de produção dominante, nada poderei fazer contra isso. Mesmo que quisesse convencê-lo do contrário, e não quero, não saberia como. Espero que o consiga por si.</p>
<p>JMC.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: ruy</title>
		<link>http://5dias.net/2009/10/04/cidadania-governante/comment-page-2/#comment-108302</link>
		<dc:creator>ruy</dc:creator>
		<pubDate>Wed, 07 Oct 2009 20:50:31 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://5dias.net/?p=26253#comment-108302</guid>
		<description>JMC, 
Palavras, palavras, palavras,...
&quot;o mesmo não se transforma em coisa diferente de si.&quot;
Engana-se repetidamente. 
Repare, a molécula de oxigénio(O2) é constituida por dois átomos de oxigénio. Se acrescentar mais &quot;um velho, um mesmo, um igual&quot; átomo de oxigénio, a nova molecula assim formada, constitui um novo corpo, com uma qualidade diferente, o ozono (O3). 
Seguramente coisa diferente. Insiste em não ver a árvore embora se passeie deliciado pela floresta das palavras.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>JMC,<br />
Palavras, palavras, palavras,&#8230;<br />
&#8220;o mesmo não se transforma em coisa diferente de si.&#8221;<br />
Engana-se repetidamente.<br />
Repare, a molécula de oxigénio(O2) é constituida por dois átomos de oxigénio. Se acrescentar mais &#8220;um velho, um mesmo, um igual&#8221; átomo de oxigénio, a nova molecula assim formada, constitui um novo corpo, com uma qualidade diferente, o ozono (O3).<br />
Seguramente coisa diferente. Insiste em não ver a árvore embora se passeie deliciado pela floresta das palavras.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: JMC</title>
		<link>http://5dias.net/2009/10/04/cidadania-governante/comment-page-2/#comment-108298</link>
		<dc:creator>JMC</dc:creator>
		<pubDate>Wed, 07 Oct 2009 19:48:31 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://5dias.net/?p=26253#comment-108298</guid>
		<description>MSP.

1. Sim, a “necessidade biológica, natural, da subsistência não explica o capitalismo nem qualquer forma histórica, institucional e culturalmente articulada, de economia”; mas também não pretendia que explicasse o capitalismo, mas o desenvolvimento das forças produtivas, e este acompanha o desenvolvimento das sociedades humanas, não é apanágio do capitalismo. O capitalismo apenas desenvolve mais rapidamente as forças produtivas sociais, por razões históricas compreensíveis.

2. Não, não falou “em classe universal, nem em “ditadura do proletariado”, mas em “cidadania governante”, “democracia” e “autonomia””, nem referiu que fosse marxista, e não lhe atribuí tal. Mesmo que inadvertidamente o tivesse feito, não julgo que seja relevante. Eu também não sou marxista e, igualmente, “não penso que a posição ocupada nas relações de produção determine – unívoca a redentoramente – uma missão ou tarefa histórica definida”. Penso que a representação que as pessoas têm da posição que ocupam nas relações que estabelecem entre si determina as suas acções no seio dessas relações, mas fora desse mundo imediato dos seus interesses particulares, ainda que comuns a grupos ou classes, pessoas, grupos ou classes não têm a representação de que a História lhes tenha destinado qualquer missão. Muito menos qualquer missão redentora do pecado da injustiça.

Cada um trata de governar a sua vida o melhor que lhe for possível, isoladamente ou em grupo, e faz o que julga desejável em cada conjuntura. Esse sentido missionário é-lhes atribuído por outros, que com capacidade de abstracção e alguma dose de imaginação julgam ver nas transformações das estruturas sociais provocadas pela miríade de acções singulares esse sentido de que os actores estão desprovidos. Ainda que as transformações sejam reais, não meras imaginações, o mesmo não se pode dizer que essa fosse a consciência que os actores tinham das suas acções ou da miríade de acções alheias. Reproduzimo-nos por múltiplas razões; não o fazemos para produzirmos filhos melhores ou para que a espécie evolua; a evolução das espécies é um resultado não procurado, mas que acontece porque nos reproduzimos. Causa e sentido ou intenção não são sinónimos.

3. “O novo não pode ser criado senão pelo que já lá estava – é uma auto-alteração, uma alteração interna, uma metamorfose do estado de coisas ou situação que o precede”. Permita-me discordar. O novo não nasce do velho. Por muito do mesmo, o mesmo não se transforma em coisa diferente de si. “A emergência do “nunca sido” pressupõe que alguma coisa já seja”; sim, mas não pressupõe “que alguma coisa já seja” o nunca sido. Parece jogo de palavras, mas não é. E se passarmos ao concreto das relações económicas de produção, que é onde pretende questionar-me, compreende-se melhor. A relação esclavagista não se transformou em relação tributária, nem esta se transformou em relação salarial. Para que algo de novo surja, seja criado, bastam os ingredientes necessários e suficientes. Para que uma nova relação económica de produção surja basta que existam pessoas com capacidade para estabelecerem entre si relações desse tipo. 

Um sintoma da decadência dum modo de produção é a disponibilização permanente das pessoas, o elemento principal das forças produtivas sociais. Sendo certo que têm de viver, que não estão sujeitas a qualquer relação económica de produção, aí estão as pessoas, os ingredientes para que novas relações económicas de produção surjam. Até que algum dos novos tipos de relações que são estabelecidas ganhe pés para andar e ande pode decorrer muito tempo. Mas o novo não nasceu do velho. Há quem julgue que estas novas relações económicas de produção nascem das velhas ou são introduzidas pela política. Pura ilusão. As pessoas estabelecem relações económicas porque produzir é uma necessidade vital que é melhor desenvolvida em relação com outros. A política, no que é fundamental, fixa as normas jurídicas dessas relações e exerce as coerções necessárias para que passem a ser e continuem sendo observadas. Nunca a política inventou algo parecido com as relações que as pessoas estabelecem para obterem o necessário para ir vivendo. Viver é uma necessidade premente, um instinto básico; o resto vê-se depois.

Ligada a esta questão está pois a revolução social. O que é e como se processa a transformação das relações de produção, nas suas componentes económica e política. E é da abordagem, ainda que ligeira, desta questão crucial, e não do anúncio do comunismo proletário constante da proclamação panfletária O Manifesto do Partido Comunista, que advém a importância do marxismo. Comunismos houve diversos, todos com fundamento na moral, na revolta contra a injustiça, contra a iniquidade da exploração; nenhum outro se apresentou como tendo um fundamento científico. Toda a obra posterior do Marx se centrou em tentar demonstrar que o capitalismo teria como necessário substituto o socialismo e o comunismo proletários. Independentemente dos erros com que pretendeu justificar esta suposta necessidade, não se pode deixar de reconhecer que ele, ao menos, procurou encontrar na realidade os fundamentos para ela. Para além do que possamos hoje pensar da obra do Marx, ele julgou que a necessidade do socialismo decorria da natureza e do movimento das coisas, e não de qualquer desejo baseado na moral. Os erros que cometeu derivam do pioneirismo com que abordou a complexidade das coisas e das suas relações, e do contexto científico da época; não os ter podido corrigir talvez se tenha ficado a dever ao facto de não ter encontrado no seu tempo críticos à altura. 

Se mesmo o primeiro dos marxistas e editor póstumo, confrontado com erros e discrepâncias, não compreendeu o marxismo e não o soube corrigir, que dizer dos outros? Tudo o resto, revoluções proletárias e coisas parecidas, é uma mistificação pegada. Apesar da evidência, só quem não quer ver não vê o abandono do capitalismo de estado monopolista e o regresso ao capitalismo privado concorrencial por todos os proclamados regimes socialistas e comunistas. Afinal, os mesmos crentes e fiéis de sempre.
Noutro sítio, em tempos abordei estas questões um pouco mais demoradamente.

ruy. Uma resposta breve. “Como pode o gelo ser criado pela velha água, o nunca sido ser criado pelo que é?”. Nem a velha água é criada por si própria quanto mais o gelo criado pela velha água. Espero que da resposta ao MSP tenha aproveitado algo como resposta a outras questões que me colocou.

JMC.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>MSP.</p>
<p>1. Sim, a “necessidade biológica, natural, da subsistência não explica o capitalismo nem qualquer forma histórica, institucional e culturalmente articulada, de economia”; mas também não pretendia que explicasse o capitalismo, mas o desenvolvimento das forças produtivas, e este acompanha o desenvolvimento das sociedades humanas, não é apanágio do capitalismo. O capitalismo apenas desenvolve mais rapidamente as forças produtivas sociais, por razões históricas compreensíveis.</p>
<p>2. Não, não falou “em classe universal, nem em “ditadura do proletariado”, mas em “cidadania governante”, “democracia” e “autonomia””, nem referiu que fosse marxista, e não lhe atribuí tal. Mesmo que inadvertidamente o tivesse feito, não julgo que seja relevante. Eu também não sou marxista e, igualmente, “não penso que a posição ocupada nas relações de produção determine – unívoca a redentoramente – uma missão ou tarefa histórica definida”. Penso que a representação que as pessoas têm da posição que ocupam nas relações que estabelecem entre si determina as suas acções no seio dessas relações, mas fora desse mundo imediato dos seus interesses particulares, ainda que comuns a grupos ou classes, pessoas, grupos ou classes não têm a representação de que a História lhes tenha destinado qualquer missão. Muito menos qualquer missão redentora do pecado da injustiça.</p>
<p>Cada um trata de governar a sua vida o melhor que lhe for possível, isoladamente ou em grupo, e faz o que julga desejável em cada conjuntura. Esse sentido missionário é-lhes atribuído por outros, que com capacidade de abstracção e alguma dose de imaginação julgam ver nas transformações das estruturas sociais provocadas pela miríade de acções singulares esse sentido de que os actores estão desprovidos. Ainda que as transformações sejam reais, não meras imaginações, o mesmo não se pode dizer que essa fosse a consciência que os actores tinham das suas acções ou da miríade de acções alheias. Reproduzimo-nos por múltiplas razões; não o fazemos para produzirmos filhos melhores ou para que a espécie evolua; a evolução das espécies é um resultado não procurado, mas que acontece porque nos reproduzimos. Causa e sentido ou intenção não são sinónimos.</p>
<p>3. “O novo não pode ser criado senão pelo que já lá estava – é uma auto-alteração, uma alteração interna, uma metamorfose do estado de coisas ou situação que o precede”. Permita-me discordar. O novo não nasce do velho. Por muito do mesmo, o mesmo não se transforma em coisa diferente de si. “A emergência do “nunca sido” pressupõe que alguma coisa já seja”; sim, mas não pressupõe “que alguma coisa já seja” o nunca sido. Parece jogo de palavras, mas não é. E se passarmos ao concreto das relações económicas de produção, que é onde pretende questionar-me, compreende-se melhor. A relação esclavagista não se transformou em relação tributária, nem esta se transformou em relação salarial. Para que algo de novo surja, seja criado, bastam os ingredientes necessários e suficientes. Para que uma nova relação económica de produção surja basta que existam pessoas com capacidade para estabelecerem entre si relações desse tipo. </p>
<p>Um sintoma da decadência dum modo de produção é a disponibilização permanente das pessoas, o elemento principal das forças produtivas sociais. Sendo certo que têm de viver, que não estão sujeitas a qualquer relação económica de produção, aí estão as pessoas, os ingredientes para que novas relações económicas de produção surjam. Até que algum dos novos tipos de relações que são estabelecidas ganhe pés para andar e ande pode decorrer muito tempo. Mas o novo não nasceu do velho. Há quem julgue que estas novas relações económicas de produção nascem das velhas ou são introduzidas pela política. Pura ilusão. As pessoas estabelecem relações económicas porque produzir é uma necessidade vital que é melhor desenvolvida em relação com outros. A política, no que é fundamental, fixa as normas jurídicas dessas relações e exerce as coerções necessárias para que passem a ser e continuem sendo observadas. Nunca a política inventou algo parecido com as relações que as pessoas estabelecem para obterem o necessário para ir vivendo. Viver é uma necessidade premente, um instinto básico; o resto vê-se depois.</p>
<p>Ligada a esta questão está pois a revolução social. O que é e como se processa a transformação das relações de produção, nas suas componentes económica e política. E é da abordagem, ainda que ligeira, desta questão crucial, e não do anúncio do comunismo proletário constante da proclamação panfletária O Manifesto do Partido Comunista, que advém a importância do marxismo. Comunismos houve diversos, todos com fundamento na moral, na revolta contra a injustiça, contra a iniquidade da exploração; nenhum outro se apresentou como tendo um fundamento científico. Toda a obra posterior do Marx se centrou em tentar demonstrar que o capitalismo teria como necessário substituto o socialismo e o comunismo proletários. Independentemente dos erros com que pretendeu justificar esta suposta necessidade, não se pode deixar de reconhecer que ele, ao menos, procurou encontrar na realidade os fundamentos para ela. Para além do que possamos hoje pensar da obra do Marx, ele julgou que a necessidade do socialismo decorria da natureza e do movimento das coisas, e não de qualquer desejo baseado na moral. Os erros que cometeu derivam do pioneirismo com que abordou a complexidade das coisas e das suas relações, e do contexto científico da época; não os ter podido corrigir talvez se tenha ficado a dever ao facto de não ter encontrado no seu tempo críticos à altura. </p>
<p>Se mesmo o primeiro dos marxistas e editor póstumo, confrontado com erros e discrepâncias, não compreendeu o marxismo e não o soube corrigir, que dizer dos outros? Tudo o resto, revoluções proletárias e coisas parecidas, é uma mistificação pegada. Apesar da evidência, só quem não quer ver não vê o abandono do capitalismo de estado monopolista e o regresso ao capitalismo privado concorrencial por todos os proclamados regimes socialistas e comunistas. Afinal, os mesmos crentes e fiéis de sempre.<br />
Noutro sítio, em tempos abordei estas questões um pouco mais demoradamente.</p>
<p>ruy. Uma resposta breve. “Como pode o gelo ser criado pela velha água, o nunca sido ser criado pelo que é?”. Nem a velha água é criada por si própria quanto mais o gelo criado pela velha água. Espero que da resposta ao MSP tenha aproveitado algo como resposta a outras questões que me colocou.</p>
<p>JMC.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: c</title>
		<link>http://5dias.net/2009/10/04/cidadania-governante/comment-page-2/#comment-108297</link>
		<dc:creator>c</dc:creator>
		<pubDate>Wed, 07 Oct 2009 19:45:24 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://5dias.net/?p=26253#comment-108297</guid>
		<description>o Xatoo é que explicou muito bem explicadinho , curto e grosso , o que se passa hoje em dia. a continuação , aliás , do que vem acontecendo há séculos , só que mais apurado. o marx ,  e &quot; eu sou eu  e as minhas circunstâncias &quot;,  lá sabia  para quem falava . assim de longe , até parece que lhes deu uma ajuda , dividindo os tótós em classes em permanente luta ,  enquanto a raça superior vai acumulando concentradinha no objectivo comum de escravização das outras.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>o Xatoo é que explicou muito bem explicadinho , curto e grosso , o que se passa hoje em dia. a continuação , aliás , do que vem acontecendo há séculos , só que mais apurado. o marx ,  e &#8221; eu sou eu  e as minhas circunstâncias &#8220;,  lá sabia  para quem falava . assim de longe , até parece que lhes deu uma ajuda , dividindo os tótós em classes em permanente luta ,  enquanto a raça superior vai acumulando concentradinha no objectivo comum de escravização das outras.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: xatoo</title>
		<link>http://5dias.net/2009/10/04/cidadania-governante/comment-page-2/#comment-108292</link>
		<dc:creator>xatoo</dc:creator>
		<pubDate>Wed, 07 Oct 2009 19:09:55 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://5dias.net/?p=26253#comment-108292</guid>
		<description>JMC
&quot;mesmo que julguem que o seu dinheiro é portador de qualquer feitiço que o faz transformar em mais dinheiro, é a sua metamorfose em mercadorias que origina esse mais dinheiro&quot;
Certo, pela teoria, podia ser se,,, mas no paradigma neocon não, não é. As mercadorias hoje quando comparadas com o capital em circulação não chegam a atingir 10 por cento do seu valor - e o actual nivel de &quot;dinheiro&quot; existente não foi criado pela acumulação capitalista.
O dinheiro hoje é criado pelos bancos centrais como dívida, que gera juros, sendo novamente emprestado, etc. etc. Agora descubra-se quem (é a entidade privada que) controla a emissão de dinheiro e o negócio dos bancos centrais. Eu por mim diria que esta actuação corresponde à ideia judaica de sempre: emprestar dinheiro exigindo juros à cabeça (e por isso apareceu Maomé na história para os esconjurar. Quanto aos católicos, a coisa tem dado para lhes ir pagando uns dividendos)</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>JMC<br />
&#8220;mesmo que julguem que o seu dinheiro é portador de qualquer feitiço que o faz transformar em mais dinheiro, é a sua metamorfose em mercadorias que origina esse mais dinheiro&#8221;<br />
Certo, pela teoria, podia ser se,,, mas no paradigma neocon não, não é. As mercadorias hoje quando comparadas com o capital em circulação não chegam a atingir 10 por cento do seu valor &#8211; e o actual nivel de &#8220;dinheiro&#8221; existente não foi criado pela acumulação capitalista.<br />
O dinheiro hoje é criado pelos bancos centrais como dívida, que gera juros, sendo novamente emprestado, etc. etc. Agora descubra-se quem (é a entidade privada que) controla a emissão de dinheiro e o negócio dos bancos centrais. Eu por mim diria que esta actuação corresponde à ideia judaica de sempre: emprestar dinheiro exigindo juros à cabeça (e por isso apareceu Maomé na história para os esconjurar. Quanto aos católicos, a coisa tem dado para lhes ir pagando uns dividendos)</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: cinco dias &#187; autonomia, autonomias, autonomia italiana</title>
		<link>http://5dias.net/2009/10/04/cidadania-governante/comment-page-2/#comment-108272</link>
		<dc:creator>cinco dias &#187; autonomia, autonomias, autonomia italiana</dc:creator>
		<pubDate>Wed, 07 Oct 2009 15:34:27 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://5dias.net/?p=26253#comment-108272</guid>
		<description>[...] até aqui, de modo a chamar a atenção dos mais desatentos para o debate que prossegue ali em baixo. Trata-se, no caso do que podemos agrupar sob o epíteto autonomista, de uma tradição [...]</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>[...] até aqui, de modo a chamar a atenção dos mais desatentos para o debate que prossegue ali em baixo. Trata-se, no caso do que podemos agrupar sob o epíteto autonomista, de uma tradição [...]</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: ruy</title>
		<link>http://5dias.net/2009/10/04/cidadania-governante/comment-page-1/#comment-108266</link>
		<dc:creator>ruy</dc:creator>
		<pubDate>Wed, 07 Oct 2009 13:50:45 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://5dias.net/?p=26253#comment-108266</guid>
		<description>-“Os problemas da economia-política actual não derivam do neo-liberalismo nem do recurso à trapaça em escala ampliada.” -

JMC não quer admitir a contradição que existe no seio do capitalismo atingida esta fase superior de desenvolvimento. E, insisto, essa contradição é nova e resulta na própria negação do capitalismo e que consiste no não reinvestimento produtivo da riqueza produzida. JMC não aceita esta “mudança qualitativa” no carácter do capitalismo e assim ainda que veja a floresta não consegue ver a árvore. 

- “A questão não é essa; a questão é: como pode o novo ser criado pelo velho, o nunca sido ser criado pelo que é.” -

Como pode o gelo ser criado pela velha água, o nunca sido ser criado pelo que é? 

- “Parece-me ilusória a crítica do neo-liberalismo como se este fosse algo existente fora do capitalismo.-“

Estamos de acordo, não está fora, ao contrário, está dentro e responde às novas &quot;necessidades&quot; do capitalismo.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>-“Os problemas da economia-política actual não derivam do neo-liberalismo nem do recurso à trapaça em escala ampliada.” -</p>
<p>JMC não quer admitir a contradição que existe no seio do capitalismo atingida esta fase superior de desenvolvimento. E, insisto, essa contradição é nova e resulta na própria negação do capitalismo e que consiste no não reinvestimento produtivo da riqueza produzida. JMC não aceita esta “mudança qualitativa” no carácter do capitalismo e assim ainda que veja a floresta não consegue ver a árvore. </p>
<p>- “A questão não é essa; a questão é: como pode o novo ser criado pelo velho, o nunca sido ser criado pelo que é.” -</p>
<p>Como pode o gelo ser criado pela velha água, o nunca sido ser criado pelo que é? </p>
<p>- “Parece-me ilusória a crítica do neo-liberalismo como se este fosse algo existente fora do capitalismo.-“</p>
<p>Estamos de acordo, não está fora, ao contrário, está dentro e responde às novas &#8220;necessidades&#8221; do capitalismo.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: miguel serras pereira</title>
		<link>http://5dias.net/2009/10/04/cidadania-governante/comment-page-1/#comment-108252</link>
		<dc:creator>miguel serras pereira</dc:creator>
		<pubDate>Wed, 07 Oct 2009 10:12:16 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://5dias.net/?p=26253#comment-108252</guid>
		<description>Caro JMC, vamos por pontos.
1. A necessidade biológica, natural, da subsistência não explica o capitalismo nem qualquer forma histórica, institucional e culturalmente articulada, de economia. É uma determinação incontornável, uma necessidade, mas não determina nem torna necessária uma única resposta.
2. Não falei em classe universal, nem em &quot;ditadura do proletariado&quot;, mas em &quot;cidadania governante&quot;, &quot;democracia&quot; e &quot;autonomia&quot;. E não sou marxista. Nomeadamente, não penso que a posição ocupada nas relações de produção determine - unívoca a redentoramente - uma missão ou tarefa histórica definida. A condição social é transformada, ao politizar-se, numa situação histórica e num ponto de partida: não é nem prescreve um destino inscrito na natureza das coisas. 
3. O novo não pode ser criado senão pelo que já lá estava - é uma auto-alteração, uma alteração interna, uma metamorfose do estado de coisas ou situação que o precede. A emergência do &quot;nunca sido&quot; pressupõe que alguma coisa já seja. Histórica e politicamente, a instauração da &quot;cidadania governante&quot; implica a transformação do modo de fazer através do qual fazíamos antes as coisas e a nós próprios. Se o &quot;anterior&quot;, o que já lá está, não pudesse modificar-se, o seu raciocínio valeria também para a economia. Como poderia uma forma de actividade económica transformar-se noutra? Ou a economia, que é acção humana, gozará - e porquê? - de poderes e faculdades que, fora dela, são vedados a essa mesma acção?</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Caro JMC, vamos por pontos.<br />
1. A necessidade biológica, natural, da subsistência não explica o capitalismo nem qualquer forma histórica, institucional e culturalmente articulada, de economia. É uma determinação incontornável, uma necessidade, mas não determina nem torna necessária uma única resposta.<br />
2. Não falei em classe universal, nem em &#8220;ditadura do proletariado&#8221;, mas em &#8220;cidadania governante&#8221;, &#8220;democracia&#8221; e &#8220;autonomia&#8221;. E não sou marxista. Nomeadamente, não penso que a posição ocupada nas relações de produção determine &#8211; unívoca a redentoramente &#8211; uma missão ou tarefa histórica definida. A condição social é transformada, ao politizar-se, numa situação histórica e num ponto de partida: não é nem prescreve um destino inscrito na natureza das coisas.<br />
3. O novo não pode ser criado senão pelo que já lá estava &#8211; é uma auto-alteração, uma alteração interna, uma metamorfose do estado de coisas ou situação que o precede. A emergência do &#8220;nunca sido&#8221; pressupõe que alguma coisa já seja. Histórica e politicamente, a instauração da &#8220;cidadania governante&#8221; implica a transformação do modo de fazer através do qual fazíamos antes as coisas e a nós próprios. Se o &#8220;anterior&#8221;, o que já lá está, não pudesse modificar-se, o seu raciocínio valeria também para a economia. Como poderia uma forma de actividade económica transformar-se noutra? Ou a economia, que é acção humana, gozará &#8211; e porquê? &#8211; de poderes e faculdades que, fora dela, são vedados a essa mesma acção?</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Justiniano</title>
		<link>http://5dias.net/2009/10/04/cidadania-governante/comment-page-1/#comment-108250</link>
		<dc:creator>Justiniano</dc:creator>
		<pubDate>Wed, 07 Oct 2009 09:32:27 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://5dias.net/?p=26253#comment-108250</guid>
		<description>Caríssimo MS Pereira!
A discussão já vai longa. Os seus comentários resposta foram, de certo modo, clarificadores quanto ao projecto político de que se ocupa.
De qualquer modo, na minha modestíssima opinião, posso referir, como em comentário anterior, que a grande dificuldade-(ponto 1 do seu último comentário)- reside, sempre, na sua não aceitação da legitimação liberal, renitência em aceitá-la com pertença (Castoriadis também nunca conseguiu superar esta tensão). 
Desenvolve então um conjunto de elementos (complexificando) naturais à legitimação liberal mas instrumentalizados (pequena reserva do indivíduo) à grande conjugação social e democrática - Estou em crer! 
Alguns liberais vêm uma saída para a dificuldade individualista no elo cultural (burguês - judaico-cristão) alguns libertários, querendo repudiar a legitimação liberal, refugiam-se nos limites da imanencia (capazes de distância reflexiva em relação a si próprios...auto-limitação...), recorre, em última instancia, parece-me, ao pensamento clássico (Locke, Kant...) como forma de superar a aporia, mas recusando a fundamental ideia de hetero-determinação como fundamento da garantia de liberdade, de direitos, posições jurídicas e meras manifestações de facto (Castoriadis espaço público/privado - tentativa forçada de reinventar a roda).
Ou seja, eu que sou apenas mais um liberal republicano, não compreendo a tentativa de renúncia do MSP à legitimação liberal (O mesmo se diga de muitíssimos outros libertários com quem, por aqui e por alí, vamos convivendo).
Cordialmente; Justiniano</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Caríssimo MS Pereira!<br />
A discussão já vai longa. Os seus comentários resposta foram, de certo modo, clarificadores quanto ao projecto político de que se ocupa.<br />
De qualquer modo, na minha modestíssima opinião, posso referir, como em comentário anterior, que a grande dificuldade-(ponto 1 do seu último comentário)- reside, sempre, na sua não aceitação da legitimação liberal, renitência em aceitá-la com pertença (Castoriadis também nunca conseguiu superar esta tensão).<br />
Desenvolve então um conjunto de elementos (complexificando) naturais à legitimação liberal mas instrumentalizados (pequena reserva do indivíduo) à grande conjugação social e democrática &#8211; Estou em crer!<br />
Alguns liberais vêm uma saída para a dificuldade individualista no elo cultural (burguês &#8211; judaico-cristão) alguns libertários, querendo repudiar a legitimação liberal, refugiam-se nos limites da imanencia (capazes de distância reflexiva em relação a si próprios&#8230;auto-limitação&#8230;), recorre, em última instancia, parece-me, ao pensamento clássico (Locke, Kant&#8230;) como forma de superar a aporia, mas recusando a fundamental ideia de hetero-determinação como fundamento da garantia de liberdade, de direitos, posições jurídicas e meras manifestações de facto (Castoriadis espaço público/privado &#8211; tentativa forçada de reinventar a roda).<br />
Ou seja, eu que sou apenas mais um liberal republicano, não compreendo a tentativa de renúncia do MSP à legitimação liberal (O mesmo se diga de muitíssimos outros libertários com quem, por aqui e por alí, vamos convivendo).<br />
Cordialmente; Justiniano</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: JMC</title>
		<link>http://5dias.net/2009/10/04/cidadania-governante/comment-page-1/#comment-108244</link>
		<dc:creator>JMC</dc:creator>
		<pubDate>Wed, 07 Oct 2009 01:22:58 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://5dias.net/?p=26253#comment-108244</guid>
		<description>1. Filipe Diniz. Escusa de usar para comigo tratamento tão deferente. Aqui somos todos senhores, a não ser os que possam ser senhoras. Reconheça-me o direito à ignorância, mesmo ao nível da patacoada, se faz favor. Aprenda a conviver, respeitando, com quem não está ao seu nível de conhecimento e tem cabeça pouco informada. 

Como vê, tão eloquentemente desmascarado, zarpei daqui. Como o porto está vazio, volto para lhe dizer que faz tempo deixei de acreditar em fadas, em magias e coisas quejandas. Daí que tenha mandado a mercadoria mágica “força de trabalho” às malvas, tenha deixado de aceitar capacidades sobrenaturais das forças produtivas, num qualquer grau do seu desenvolvimento, para entrarem “em contradição com as formas de organização da sociedade existentes”, e tenha deixado de creditar ao proletariado a qualidade de povo eleito ou de sujeito da história. É claro que também dei um piparote no “materialismo histórico” que nada tem a ver com a história.

Permita-me um conselho: tenha cuidado com o desenvolvimento das forças produtivas, não vão elas, quais máquinas pensantes, ditar as relações que as pessoas devem estabelecer entre si. Cuide-se, porque por esse andar ainda verá do que são capazes as forças produtivas para resolverem as suas contradições com as relações que as pessoas estabelecem entre si.

2. ruy. “Para o JMC porque em 1930 havia salário e hoje há salário tudo é igual e nada se passou”. Um já me crismou de ignorante; não me tenha você como ingénuo. O hoje não é igual ao ontem, quanto mais a 1930. Até estou usando um computador, coisa impensável em 1930, veja lá quanto acho tudo igual. Acontece que mais crise, menos crise, mais capitalismo financeiro e menos capitalismo produtivo, o certo é amanhã irmos trabalhar a troco de salário. Isso é o fundamental do modo de produção capitalista, pois é daí que dinheiro pode ser transformado em mais dinheiro com correspondência em mercadorias reais. Mesmo que muitos gestores de fundos investimentos, de companhias financeiras e de bancos pareçam ter esquecido esta verdade elementar, ou que muitos dos investidores em PPRs julguem que o seu dinheiro é portador de qualquer feitiço que o faz transformar em mais dinheiro, é a sua metamorfose em mercadorias que origina esse mais dinheiro.

Os problemas da economia-política actual não derivam do neo-liberalismo nem do recurso à trapaça em escala ampliada. O capitalismo tem os seus próprios problemas na trapaça original da “troca desigual” de trabalho por menos trabalho e na transformação da parte do trabalho apropriada em mais dinheiro, o que lhe acarreta a permanente incerteza da reprodução do capital e da sua reprodução ampliada. A globalização da economia, aumentando a produção, amplia as incertezas do seu consumo; o chamado neo-liberalismo apenas veio dar cobertura maior para estender o negócio a tudo o que possa ser negociável, perante tanto dinheiro acumulado sem aplicação produtiva. E muito deste dinheiro, e de outros títulos, tem valor fictício, são apenas símbolos de dívidas públicas astronómicas garantidas pelo poderio militar, perante o qual nenhum titular se atreve a resgatá-los, sob pena da sua desvalorização. Os problemas actuais são apenas acréscimos aos problemas de base, e esses continuam os mesmos de sempre. Parece-me ilusória a crítica do neo-liberalismo como se este fosse algo existente fora do capitalismo. Faz-me lembrar uma outra cantilena, já mais estafada, a da crítica do capital monopolista e da defesa dos micro, mini, pequenos e médios empresários.

3. MSP. “A história é sem dúvida uma história onde há acontecimentos que excedem os seus antecedentes e o seu próprio curso é criação, como diria Castoriadis, de um fazer (fazer-ser) que não se deixa conjugar em termos de razões suficientes e que introduz novas determinações no real, inventa modos e tipos de ser que não havia, ocasiona o aparecimento e a existência efectiva no mundo do “nunca sido””. Que haveria de ser a História se não o relato e a interpretação dos acontecimentos novos que se vão sucedendo? E o que distinguiria o novo do velho se não essa singularidade de nunca sido, do criado e não apenas recriado, e que introduz novas determinações no real? A questão não é essa; a questão é: como pode o novo ser criado pelo velho, o nunca sido ser criado pelo que é. Esta é uma das principais inconsistências do marxismo, que outros mais ou menos libertários também adoptam, a saber: como pode uma nova sociedade ser criada por uma velha classe social, para mais a classe social explorada e dominada do velho modo de produção em decadência? Só porque alguém disse que assim será, qual profeta laico, ou porque desejamos sincera e ardentemente que assim seja? Que cegueira é esta que leva a identificar como protagonista da criação do novo, do ainda não sido, um actor do que é velho, do que já é?

E “que necessidade ou lei da história faz com que a expansão das forças produtivas tenha de ser, não uma orientação da acção humana, mas o seu destino inelutável?”. De facto, mesmo que a História não tenha leis, a não ser o que proclamemos como suas hipotéticas regularidades, nenhuma lei da História determina que assim seja; talvez uma simples lei da vida, a de que necessitamos de comer frequentemente, de preferência todos os dias e, mesmo, mais do que uma vez ao dia, que o futuro é incerto e que por isso convém acumular algum excedente, porque em tempos de prosperidade tendemos a existir em maior número, porque quanto mais desenvolvermos a produtividade do trabalho menor o custo da produção, e por aí adiante.

Nada está determinado, a não ser as coisas simples da vida e que amanhã o Sol nascerá. Por que haveria de estar determinado como sujeito histórico aquele que antes de ser já o seria? Esta a questão a que deveriam responder os idealistas proletários, os adeptos da classe eleita como messias redentor, quer sejam de cariz marxista e seus derivados ou de cariz anarquista.

JMC.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>1. Filipe Diniz. Escusa de usar para comigo tratamento tão deferente. Aqui somos todos senhores, a não ser os que possam ser senhoras. Reconheça-me o direito à ignorância, mesmo ao nível da patacoada, se faz favor. Aprenda a conviver, respeitando, com quem não está ao seu nível de conhecimento e tem cabeça pouco informada. </p>
<p>Como vê, tão eloquentemente desmascarado, zarpei daqui. Como o porto está vazio, volto para lhe dizer que faz tempo deixei de acreditar em fadas, em magias e coisas quejandas. Daí que tenha mandado a mercadoria mágica “força de trabalho” às malvas, tenha deixado de aceitar capacidades sobrenaturais das forças produtivas, num qualquer grau do seu desenvolvimento, para entrarem “em contradição com as formas de organização da sociedade existentes”, e tenha deixado de creditar ao proletariado a qualidade de povo eleito ou de sujeito da história. É claro que também dei um piparote no “materialismo histórico” que nada tem a ver com a história.</p>
<p>Permita-me um conselho: tenha cuidado com o desenvolvimento das forças produtivas, não vão elas, quais máquinas pensantes, ditar as relações que as pessoas devem estabelecer entre si. Cuide-se, porque por esse andar ainda verá do que são capazes as forças produtivas para resolverem as suas contradições com as relações que as pessoas estabelecem entre si.</p>
<p>2. ruy. “Para o JMC porque em 1930 havia salário e hoje há salário tudo é igual e nada se passou”. Um já me crismou de ignorante; não me tenha você como ingénuo. O hoje não é igual ao ontem, quanto mais a 1930. Até estou usando um computador, coisa impensável em 1930, veja lá quanto acho tudo igual. Acontece que mais crise, menos crise, mais capitalismo financeiro e menos capitalismo produtivo, o certo é amanhã irmos trabalhar a troco de salário. Isso é o fundamental do modo de produção capitalista, pois é daí que dinheiro pode ser transformado em mais dinheiro com correspondência em mercadorias reais. Mesmo que muitos gestores de fundos investimentos, de companhias financeiras e de bancos pareçam ter esquecido esta verdade elementar, ou que muitos dos investidores em PPRs julguem que o seu dinheiro é portador de qualquer feitiço que o faz transformar em mais dinheiro, é a sua metamorfose em mercadorias que origina esse mais dinheiro.</p>
<p>Os problemas da economia-política actual não derivam do neo-liberalismo nem do recurso à trapaça em escala ampliada. O capitalismo tem os seus próprios problemas na trapaça original da “troca desigual” de trabalho por menos trabalho e na transformação da parte do trabalho apropriada em mais dinheiro, o que lhe acarreta a permanente incerteza da reprodução do capital e da sua reprodução ampliada. A globalização da economia, aumentando a produção, amplia as incertezas do seu consumo; o chamado neo-liberalismo apenas veio dar cobertura maior para estender o negócio a tudo o que possa ser negociável, perante tanto dinheiro acumulado sem aplicação produtiva. E muito deste dinheiro, e de outros títulos, tem valor fictício, são apenas símbolos de dívidas públicas astronómicas garantidas pelo poderio militar, perante o qual nenhum titular se atreve a resgatá-los, sob pena da sua desvalorização. Os problemas actuais são apenas acréscimos aos problemas de base, e esses continuam os mesmos de sempre. Parece-me ilusória a crítica do neo-liberalismo como se este fosse algo existente fora do capitalismo. Faz-me lembrar uma outra cantilena, já mais estafada, a da crítica do capital monopolista e da defesa dos micro, mini, pequenos e médios empresários.</p>
<p>3. MSP. “A história é sem dúvida uma história onde há acontecimentos que excedem os seus antecedentes e o seu próprio curso é criação, como diria Castoriadis, de um fazer (fazer-ser) que não se deixa conjugar em termos de razões suficientes e que introduz novas determinações no real, inventa modos e tipos de ser que não havia, ocasiona o aparecimento e a existência efectiva no mundo do “nunca sido””. Que haveria de ser a História se não o relato e a interpretação dos acontecimentos novos que se vão sucedendo? E o que distinguiria o novo do velho se não essa singularidade de nunca sido, do criado e não apenas recriado, e que introduz novas determinações no real? A questão não é essa; a questão é: como pode o novo ser criado pelo velho, o nunca sido ser criado pelo que é. Esta é uma das principais inconsistências do marxismo, que outros mais ou menos libertários também adoptam, a saber: como pode uma nova sociedade ser criada por uma velha classe social, para mais a classe social explorada e dominada do velho modo de produção em decadência? Só porque alguém disse que assim será, qual profeta laico, ou porque desejamos sincera e ardentemente que assim seja? Que cegueira é esta que leva a identificar como protagonista da criação do novo, do ainda não sido, um actor do que é velho, do que já é?</p>
<p>E “que necessidade ou lei da história faz com que a expansão das forças produtivas tenha de ser, não uma orientação da acção humana, mas o seu destino inelutável?”. De facto, mesmo que a História não tenha leis, a não ser o que proclamemos como suas hipotéticas regularidades, nenhuma lei da História determina que assim seja; talvez uma simples lei da vida, a de que necessitamos de comer frequentemente, de preferência todos os dias e, mesmo, mais do que uma vez ao dia, que o futuro é incerto e que por isso convém acumular algum excedente, porque em tempos de prosperidade tendemos a existir em maior número, porque quanto mais desenvolvermos a produtividade do trabalho menor o custo da produção, e por aí adiante.</p>
<p>Nada está determinado, a não ser as coisas simples da vida e que amanhã o Sol nascerá. Por que haveria de estar determinado como sujeito histórico aquele que antes de ser já o seria? Esta a questão a que deveriam responder os idealistas proletários, os adeptos da classe eleita como messias redentor, quer sejam de cariz marxista e seus derivados ou de cariz anarquista.</p>
<p>JMC.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Natália Santos</title>
		<link>http://5dias.net/2009/10/04/cidadania-governante/comment-page-1/#comment-108238</link>
		<dc:creator>Natália Santos</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 06 Oct 2009 22:47:43 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://5dias.net/?p=26253#comment-108238</guid>
		<description>Peço humildemente desculpa de lembrar o nosso &quot;caso prático &quot;acontecido a seguir ao 25 de Abril : o caos que foi, sem proveito a longo prazo para ninguém a não ser dor e desilusão, das ocupações de empresas e herdades. O povo português foi cobaia, no sentido mais verdadeiro da palavra, em nome de quê?
Vamos supòr que as pessoas envolvidas até podem não ter tido culpa, e que oportunistas e traidores sabotaram tudo. A pergunta é: não haverá sempre pessoas a sabotar? O mundo pára para fazer uma revolução? 

Acho que o caso português, nos anos 74-75, devia ser aqui analisado.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Peço humildemente desculpa de lembrar o nosso &#8220;caso prático &#8220;acontecido a seguir ao 25 de Abril : o caos que foi, sem proveito a longo prazo para ninguém a não ser dor e desilusão, das ocupações de empresas e herdades. O povo português foi cobaia, no sentido mais verdadeiro da palavra, em nome de quê?<br />
Vamos supòr que as pessoas envolvidas até podem não ter tido culpa, e que oportunistas e traidores sabotaram tudo. A pergunta é: não haverá sempre pessoas a sabotar? O mundo pára para fazer uma revolução? </p>
<p>Acho que o caso português, nos anos 74-75, devia ser aqui analisado.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: ruy</title>
		<link>http://5dias.net/2009/10/04/cidadania-governante/comment-page-1/#comment-108235</link>
		<dc:creator>ruy</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 06 Oct 2009 21:22:06 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://5dias.net/?p=26253#comment-108235</guid>
		<description>Porque o meu comentário anterior não saiu como devia, por erro meu, aqui segue de novo.
“O volume de dinheiro envolvido e os seus efeitos mais ampliados não mudam a sua natureza.” Será? Será possível comparar a actual crise, quanto à sua natureza, com as anteriores? 
Na verdade, o que a actual crise demonstrou , - o que realmente caracteriza a economia de hoje, são os monopólios, as oligarquias financeiras e a especulação financeira. Não existe mais mercado e muito menos mercado livre. O monopólio é, por natureza, a própria negação do mercado. O neoliberalismo é a estrutura ideológica que compartimenta este supremo desenvolvimento capitalista. Não deixa portanto de constituir uma falácia, os apelos dos neoliberais, para que “deixem funcionar o mercado”; para que o Estado dê liberdade ao “natural” desenvolvimento do mercado que ele, como “mão invisível”, se regulará por si próprio. O que na verdade os neoliberais reclamam, é uma total liberdade, não para o mercado que já não existe, mas para os &quot;negócios&quot; das oligarquias financeiras, para a especulação financeira. O traço dominante, fundamental, da economia de hoje é, seguramente, a especulação financeira.
Retiram-se recursos da área dos investimentos produtivos para serem transferidos para a especulação financeira. Com isto, diminui-se a criação de riqueza, o crescimento económico (1), e aumenta o desemprego. Com a globalização, o Estado torna-se impotente na redistribuição económica. Regrediu-se nas políticas de redistribuição dos rendimentos (2) e regressámos a um capitalismo selvagem, cruel e desprovido de qualquer sntido ético.A crise financeira que abala o mundo e a crise económica e social que se lhe seguiu, é apenas o corolário de uma economia subjugada à especulação financeira. - 
Ao não serem reinvestidos os recursos no investimento produtivo (o que na verdade constitui um traço verdadeiramente novo na evolução capitalista), mas canalizada para a especulação financeira, trás como consequência  inevitável, ano após ano, uma redução do ritmo de crescimento económico, ano após ano menor capacidade da criação de emprego, ano após ano maiores desigualdades sociais. 
Será que as quantidades dos recursos envolvidos na especulação financiera não alteram a “natureza” do próprio MODO DE PRODUÇÃO capitalista?
Para o JMC porque em 1930 havia salário e hoje há salário tudo é igual e nada se passou. 
(1) Segundo o relatório da Unctad (United Nations Conference on Trade and Development) de 1997, o crescimento mundial, reduziu-se de cerca de 4% ao ano nos anos 70, para cerca de 3% nos anos 80, e 2% nos anos 90.
(2)“A parcela de riqueza que é destinada aos salários é actualmente a mais baixa desde, pelo menos, 1960 (o primeiro ano com dados conhecidos). Em contrapartida, a riqueza que se traduz em lucros, que remuneram os detentores do capital, é cada vez mais alta” (Relatório da UE)</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Porque o meu comentário anterior não saiu como devia, por erro meu, aqui segue de novo.<br />
“O volume de dinheiro envolvido e os seus efeitos mais ampliados não mudam a sua natureza.” Será? Será possível comparar a actual crise, quanto à sua natureza, com as anteriores?<br />
Na verdade, o que a actual crise demonstrou , &#8211; o que realmente caracteriza a economia de hoje, são os monopólios, as oligarquias financeiras e a especulação financeira. Não existe mais mercado e muito menos mercado livre. O monopólio é, por natureza, a própria negação do mercado. O neoliberalismo é a estrutura ideológica que compartimenta este supremo desenvolvimento capitalista. Não deixa portanto de constituir uma falácia, os apelos dos neoliberais, para que “deixem funcionar o mercado”; para que o Estado dê liberdade ao “natural” desenvolvimento do mercado que ele, como “mão invisível”, se regulará por si próprio. O que na verdade os neoliberais reclamam, é uma total liberdade, não para o mercado que já não existe, mas para os &#8220;negócios&#8221; das oligarquias financeiras, para a especulação financeira. O traço dominante, fundamental, da economia de hoje é, seguramente, a especulação financeira.<br />
Retiram-se recursos da área dos investimentos produtivos para serem transferidos para a especulação financeira. Com isto, diminui-se a criação de riqueza, o crescimento económico (1), e aumenta o desemprego. Com a globalização, o Estado torna-se impotente na redistribuição económica. Regrediu-se nas políticas de redistribuição dos rendimentos (2) e regressámos a um capitalismo selvagem, cruel e desprovido de qualquer sntido ético.A crise financeira que abala o mundo e a crise económica e social que se lhe seguiu, é apenas o corolário de uma economia subjugada à especulação financeira. &#8211;<br />
Ao não serem reinvestidos os recursos no investimento produtivo (o que na verdade constitui um traço verdadeiramente novo na evolução capitalista), mas canalizada para a especulação financeira, trás como consequência  inevitável, ano após ano, uma redução do ritmo de crescimento económico, ano após ano menor capacidade da criação de emprego, ano após ano maiores desigualdades sociais.<br />
Será que as quantidades dos recursos envolvidos na especulação financiera não alteram a “natureza” do próprio MODO DE PRODUÇÃO capitalista?<br />
Para o JMC porque em 1930 havia salário e hoje há salário tudo é igual e nada se passou.<br />
(1) Segundo o relatório da Unctad (United Nations Conference on Trade and Development) de 1997, o crescimento mundial, reduziu-se de cerca de 4% ao ano nos anos 70, para cerca de 3% nos anos 80, e 2% nos anos 90.<br />
(2)“A parcela de riqueza que é destinada aos salários é actualmente a mais baixa desde, pelo menos, 1960 (o primeiro ano com dados conhecidos). Em contrapartida, a riqueza que se traduz em lucros, que remuneram os detentores do capital, é cada vez mais alta” (Relatório da UE)</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: ruy</title>
		<link>http://5dias.net/2009/10/04/cidadania-governante/comment-page-1/#comment-108234</link>
		<dc:creator>ruy</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 06 Oct 2009 21:11:19 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://5dias.net/?p=26253#comment-108234</guid>
		<description>“O volume de dinheiro envolvido e os seus efeitos mais ampliados não mudam a sua natureza.” Será? Será possível comparar a actual crise, quanto à sua natureza, com as anteriores? 
Na verdade, o que a actual crise demonstrou , - &lt;&gt;
Ao não serem reinvestidos os recursos no investimento produtivo (o que na verdade constitui um traço verdadeiramente novo na evolução capitalista), mas canalizada para a especulação financeira, trás como consequência  inevitável, ano após ano, uma redução do ritmo de crescimento económico, ano após ano menor capacidade da criação de emprego, ano após ano maiores desigualdades sociais. 
Será que as quantidades dos recursos envolvidos na especulação financiera não alteram a “natureza” do próprio MODO DE PRODUÇÃO capitalista?
Para o JMC porque em 1930 havia salário e hoje há salário tudo é igual e nada se passou nem passará até que, não se sabendo como ou quando,(JMC não se arrisca a emitir um palpite) de um golpe,  as &quot;trocas desiguais&quot; desaparecem.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>“O volume de dinheiro envolvido e os seus efeitos mais ampliados não mudam a sua natureza.” Será? Será possível comparar a actual crise, quanto à sua natureza, com as anteriores?<br />
Na verdade, o que a actual crise demonstrou , &#8211; &lt;&gt;<br />
Ao não serem reinvestidos os recursos no investimento produtivo (o que na verdade constitui um traço verdadeiramente novo na evolução capitalista), mas canalizada para a especulação financeira, trás como consequência  inevitável, ano após ano, uma redução do ritmo de crescimento económico, ano após ano menor capacidade da criação de emprego, ano após ano maiores desigualdades sociais.<br />
Será que as quantidades dos recursos envolvidos na especulação financiera não alteram a “natureza” do próprio MODO DE PRODUÇÃO capitalista?<br />
Para o JMC porque em 1930 havia salário e hoje há salário tudo é igual e nada se passou nem passará até que, não se sabendo como ou quando,(JMC não se arrisca a emitir um palpite) de um golpe,  as &#8220;trocas desiguais&#8221; desaparecem.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: miguel serras pereira</title>
		<link>http://5dias.net/2009/10/04/cidadania-governante/comment-page-1/#comment-108232</link>
		<dc:creator>miguel serras pereira</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 06 Oct 2009 21:00:31 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://5dias.net/?p=26253#comment-108232</guid>
		<description>Na impossibilidade de responder uma a uma a todas as objecções/questões que me foram postas, e pedindo desculpa a todos de não escrever pessoalmente a cada um dos que me interpelaram, opto por acrescentar algumas observações sobre alguns dos temas que considero mais imediatamente relevantes para o debate em curso, e nos quais incluo as questões principais levantadas pelo post de hoje do Carlos Vidal.
1. Não oponho nem vejo que se possa opor a autonomia e a democracia políticas, no plano colectivo, à autonomia e liberdade individuais do cidadão. A cidadania governante só pode avançar e ser visada por indivíduos livres, capazes de assumirem a responsabilidade das suas posições, capazes de distância reflexiva em relação a si próprios, e cuja realidade e actividade não se esgota no exercício da cidadania. A auto-limitação da democracia e do poder político exercido igualitariamente tem de salvaguardar, sob pena de se auto-destruir, não só uma esfera de liberdades pessoais alargadas, como uma esfera colectiva não-pública ou aquilo a que Castoriadis chama um espaço público/privado, que não é regido pela tomada de decisão ou legislação, mas corresponde ao convívio informal (instituído como &quot;pré-político&quot;) de uns e outros. O meu ponto é que é a abertura à participação igualitária de todos os cidadãos no exercício do poder político o melhor garante das liberdades da esfera &quot;privada&quot; individual e colectiva, da limitação do poder e do domínio da lei. Se queremos instituir como um valor/liberdade fundamental a possibilidade (ou mesmo a incitação nesse sentido) de cada indivíduo modular e re-criar originalmente ao sabor da sua singularidade (psicossomática) profunda, única e irrepetível, a linguagem, os objectos de investimento, as representações afectivas e as ideias, as questões em aberto, que recebe da sociedade, ao longo do processo de formação que lhe permitirá entre outras coisas um registo articulado do &quot;para-si&quot;, se é isso que queremos, que garantia deste direito/convite à diferença podemos conceber melhor ou mais eficaz do que um regime de cidadania governante, que permite ao indivíduo, através do exercício da sua cidadania, um máximo de &quot;palavra a dizer&quot; e de &quot;decisão activa&quot; nessa matéria?
2. A questão do determinismo económico e do modo de produção que, não sendo substituído a não ser quando esgota as suas possibilidades, é a determinação em última instância da política e do resto. Direi apenas o seguinte: que necessidade ou lei da história faz com que a expansão das forças produtivas tenha de ser, não uma orientação da acção humana, mas o seu destino inelutável? O absolutismo económico é um fenómeno recente e afirmou-se a favor de medidas políticas e de formas institucionais peculiares, implantadas por meios  extra-económicos, e, seja como for, decorrentes da acção de agentes humanos. Porque será impossível que estes ajam, sabendo que o fazem, sobre o que eles próprios e outros anteriormente fizeram? E já agora, por que vias a necessidade económica produz a ilusão da liberdade política e representações que distorcem a percepção da sua realidade? 
3. A história é sem dúvida uma história onde há acontecimentos que excedem os seus antecedentes e o seu próprio curso é criação, como diria Castoriadis, de um fazer (fazer-ser) que não se deixa conjugar em termos de razões suficientes e que introduz novas determinações no real, inventa modos e tipos de ser que não havia, ocasiona o aparecimento e a existência efectiva no mundo do &quot;nunca sido&quot;. Uma das condições necessárias da construção da autonomia, tanto no plano colectivo como no individual, é justamente que sejamos capazes de assumir a liberdade e a responsabilidade de reconhecermos que as instituições são obra humana e mortal, e que nela é a acção humana que se manifesta, e não a natureza, a divindade, a lei dos antepassados ou uma razão da história anterior ou final. Mas não basta que isto ou aquilo tenham sido acontecimentos, ou criação cuja iniciativa não estava inscrita como necessário passo seguinte do estado de coisas anterior, para que isto ou aquilo sejam bons, belos, desejáveis e justos. O cidadão não existiu sempre, não releva da natureza humana, ou das revelações da ciência: é uma realidade de alcance antropológico (e, de facto, ontológico) novo, uma transformação/inovação radical do que significava ser-se humano até então. Mas Auschwitz e os campos de extermínio foram também um acontecimento, e ao mesmo tempo uma criação original, que não &quot;tinha de ser&quot; e que marcou o ser-assim da história. Por isso, o argumento da ruptura com o precedente, da emergência de uma novidade que não é redutível ao que anteriormente era ou havia, não colhe politicamente. Não nos diz como devemos articular e governar a nossa condição.
3. Do ponto de vista político da cidadania governante, os regimes efectivamente instaurados depois da Guerra Civil na URSS, pela conquista do poder pelo PCC na República Popular da China, etc. foram um mal maior. Quem não tiver tempo para mais, poderá ler - sem prejuízo de pôr reservas a este ou àquele momento da interpretação e devendo pô-las sem dúvida ao uso do termo &quot;democracias&quot; sem mais para qualificar os regimes políticos da esfera ocidental - os textos online de João Bernardo (ou aqueles que lhe servem de documentação) para os quais remete um recente post do Ricardo Noronha publicado neste blogue (no dia 2 de Outubro). 
4. Deixei muitos temas por abordar (conjugação de &quot;autonomia&quot; e &quot;democracia&quot;, razões porque me repugna usar o termo &quot;Estado&quot; para designar o poder político dos cidadãos (e dos seus magistrados mandatados - não mandatados pelo Partido, e que se quiserem impor a sua verdade aos &quot;erros&quot; dos cidadãos em corpo serão regularmente revogados ou terão de convencer os cidadãos das suas razões), a questão dos conteúdos da autonomia, o que entendo por republicanização democrática da actividade económica por oposição à confusão entre estatal ou nacionalizado e público ou comum, etc., etc. Mas espero que este debate não fique por aqui nem quanto aos pontos que tratou, e que continuando a debatê-los, introduza novas questões, inspire acções democráticas, inclua novos interlocutores…
Saudações republicanas e democráticas

msp</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Na impossibilidade de responder uma a uma a todas as objecções/questões que me foram postas, e pedindo desculpa a todos de não escrever pessoalmente a cada um dos que me interpelaram, opto por acrescentar algumas observações sobre alguns dos temas que considero mais imediatamente relevantes para o debate em curso, e nos quais incluo as questões principais levantadas pelo post de hoje do Carlos Vidal.<br />
1. Não oponho nem vejo que se possa opor a autonomia e a democracia políticas, no plano colectivo, à autonomia e liberdade individuais do cidadão. A cidadania governante só pode avançar e ser visada por indivíduos livres, capazes de assumirem a responsabilidade das suas posições, capazes de distância reflexiva em relação a si próprios, e cuja realidade e actividade não se esgota no exercício da cidadania. A auto-limitação da democracia e do poder político exercido igualitariamente tem de salvaguardar, sob pena de se auto-destruir, não só uma esfera de liberdades pessoais alargadas, como uma esfera colectiva não-pública ou aquilo a que Castoriadis chama um espaço público/privado, que não é regido pela tomada de decisão ou legislação, mas corresponde ao convívio informal (instituído como &#8220;pré-político&#8221;) de uns e outros. O meu ponto é que é a abertura à participação igualitária de todos os cidadãos no exercício do poder político o melhor garante das liberdades da esfera &#8220;privada&#8221; individual e colectiva, da limitação do poder e do domínio da lei. Se queremos instituir como um valor/liberdade fundamental a possibilidade (ou mesmo a incitação nesse sentido) de cada indivíduo modular e re-criar originalmente ao sabor da sua singularidade (psicossomática) profunda, única e irrepetível, a linguagem, os objectos de investimento, as representações afectivas e as ideias, as questões em aberto, que recebe da sociedade, ao longo do processo de formação que lhe permitirá entre outras coisas um registo articulado do &#8220;para-si&#8221;, se é isso que queremos, que garantia deste direito/convite à diferença podemos conceber melhor ou mais eficaz do que um regime de cidadania governante, que permite ao indivíduo, através do exercício da sua cidadania, um máximo de &#8220;palavra a dizer&#8221; e de &#8220;decisão activa&#8221; nessa matéria?<br />
2. A questão do determinismo económico e do modo de produção que, não sendo substituído a não ser quando esgota as suas possibilidades, é a determinação em última instância da política e do resto. Direi apenas o seguinte: que necessidade ou lei da história faz com que a expansão das forças produtivas tenha de ser, não uma orientação da acção humana, mas o seu destino inelutável? O absolutismo económico é um fenómeno recente e afirmou-se a favor de medidas políticas e de formas institucionais peculiares, implantadas por meios  extra-económicos, e, seja como for, decorrentes da acção de agentes humanos. Porque será impossível que estes ajam, sabendo que o fazem, sobre o que eles próprios e outros anteriormente fizeram? E já agora, por que vias a necessidade económica produz a ilusão da liberdade política e representações que distorcem a percepção da sua realidade?<br />
3. A história é sem dúvida uma história onde há acontecimentos que excedem os seus antecedentes e o seu próprio curso é criação, como diria Castoriadis, de um fazer (fazer-ser) que não se deixa conjugar em termos de razões suficientes e que introduz novas determinações no real, inventa modos e tipos de ser que não havia, ocasiona o aparecimento e a existência efectiva no mundo do &#8220;nunca sido&#8221;. Uma das condições necessárias da construção da autonomia, tanto no plano colectivo como no individual, é justamente que sejamos capazes de assumir a liberdade e a responsabilidade de reconhecermos que as instituições são obra humana e mortal, e que nela é a acção humana que se manifesta, e não a natureza, a divindade, a lei dos antepassados ou uma razão da história anterior ou final. Mas não basta que isto ou aquilo tenham sido acontecimentos, ou criação cuja iniciativa não estava inscrita como necessário passo seguinte do estado de coisas anterior, para que isto ou aquilo sejam bons, belos, desejáveis e justos. O cidadão não existiu sempre, não releva da natureza humana, ou das revelações da ciência: é uma realidade de alcance antropológico (e, de facto, ontológico) novo, uma transformação/inovação radical do que significava ser-se humano até então. Mas Auschwitz e os campos de extermínio foram também um acontecimento, e ao mesmo tempo uma criação original, que não &#8220;tinha de ser&#8221; e que marcou o ser-assim da história. Por isso, o argumento da ruptura com o precedente, da emergência de uma novidade que não é redutível ao que anteriormente era ou havia, não colhe politicamente. Não nos diz como devemos articular e governar a nossa condição.<br />
3. Do ponto de vista político da cidadania governante, os regimes efectivamente instaurados depois da Guerra Civil na URSS, pela conquista do poder pelo PCC na República Popular da China, etc. foram um mal maior. Quem não tiver tempo para mais, poderá ler &#8211; sem prejuízo de pôr reservas a este ou àquele momento da interpretação e devendo pô-las sem dúvida ao uso do termo &#8220;democracias&#8221; sem mais para qualificar os regimes políticos da esfera ocidental &#8211; os textos online de João Bernardo (ou aqueles que lhe servem de documentação) para os quais remete um recente post do Ricardo Noronha publicado neste blogue (no dia 2 de Outubro).<br />
4. Deixei muitos temas por abordar (conjugação de &#8220;autonomia&#8221; e &#8220;democracia&#8221;, razões porque me repugna usar o termo &#8220;Estado&#8221; para designar o poder político dos cidadãos (e dos seus magistrados mandatados &#8211; não mandatados pelo Partido, e que se quiserem impor a sua verdade aos &#8220;erros&#8221; dos cidadãos em corpo serão regularmente revogados ou terão de convencer os cidadãos das suas razões), a questão dos conteúdos da autonomia, o que entendo por republicanização democrática da actividade económica por oposição à confusão entre estatal ou nacionalizado e público ou comum, etc., etc. Mas espero que este debate não fique por aqui nem quanto aos pontos que tratou, e que continuando a debatê-los, introduza novas questões, inspire acções democráticas, inclua novos interlocutores…<br />
Saudações republicanas e democráticas</p>
<p>msp</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Anophelix</title>
		<link>http://5dias.net/2009/10/04/cidadania-governante/comment-page-1/#comment-108228</link>
		<dc:creator>Anophelix</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 06 Oct 2009 20:17:54 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://5dias.net/?p=26253#comment-108228</guid>
		<description>Parabéns ao 5 Dias, este é realmente &quot;um agradável fórum de discussão&quot; como diz JMC. O tema é pertinente e eu também tenho pena, como diz JMC, que o CV tenha não tenha feito aqui o seu comentário em vez de um post, desviando a discussão e escolhendo Miguel Serras Pereira como único interlocutor.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Parabéns ao 5 Dias, este é realmente &#8220;um agradável fórum de discussão&#8221; como diz JMC. O tema é pertinente e eu também tenho pena, como diz JMC, que o CV tenha não tenha feito aqui o seu comentário em vez de um post, desviando a discussão e escolhendo Miguel Serras Pereira como único interlocutor.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Filipe Diniz</title>
		<link>http://5dias.net/2009/10/04/cidadania-governante/comment-page-1/#comment-108220</link>
		<dc:creator>Filipe Diniz</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 06 Oct 2009 18:50:24 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://5dias.net/?p=26253#comment-108220</guid>
		<description>Meu caro sr.JMC, acontece que a sua ignorância acerca do que significa materialismo histórico está ao nível, não do estereótipo, mas da patacoada. Se o materialismo histórico significasse que os dominados num determinado período histórico serão os dominantes do período histórico que se lhe segue, seria efectivamente bastante abstruso. Mas acontece que essa ideia só existe na sua cabeça pouco informada. O que determina a natureza de um período histórico são as relações sociais de produção e as formações económicas que as acompanham, e as transformações sociais verificam-se historicamente quando um determinado grau de desenvolvimento das forças produtivas entra em contradição com as formas de organização da sociedade existentes. Já que não conseguiu compreender nem Marx nem Engels, leia ao menos o verso de Maiakovsky que fala da &quot;classe ao ataque&quot; (que José Cardoso Pires, aliás, gostava de citar): perante a aristocracia feudal foi a burguesia a &quot;classe ao ataque&quot;, transportou consigo reivindicações comuns a outras classes sociais dominandas, e organizou-se finalmente em classe dominante. No nosso tempo, com todas as contradições, dificuldades, avanços e retrocessos que são conhecidos, é na grande massa dos assalariados que se encontram as &quot;classes ao ataque&quot; capazes de mudar a sociedade. Não é preciso ir aos livros: basta ver que lutas sociais (protagonizadas, isso sim, por indivíduos que pensam pela sua própria cabeça) foram determinantes para retirar a maioria absoluta ao PS.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Meu caro sr.JMC, acontece que a sua ignorância acerca do que significa materialismo histórico está ao nível, não do estereótipo, mas da patacoada. Se o materialismo histórico significasse que os dominados num determinado período histórico serão os dominantes do período histórico que se lhe segue, seria efectivamente bastante abstruso. Mas acontece que essa ideia só existe na sua cabeça pouco informada. O que determina a natureza de um período histórico são as relações sociais de produção e as formações económicas que as acompanham, e as transformações sociais verificam-se historicamente quando um determinado grau de desenvolvimento das forças produtivas entra em contradição com as formas de organização da sociedade existentes. Já que não conseguiu compreender nem Marx nem Engels, leia ao menos o verso de Maiakovsky que fala da &#8220;classe ao ataque&#8221; (que José Cardoso Pires, aliás, gostava de citar): perante a aristocracia feudal foi a burguesia a &#8220;classe ao ataque&#8221;, transportou consigo reivindicações comuns a outras classes sociais dominandas, e organizou-se finalmente em classe dominante. No nosso tempo, com todas as contradições, dificuldades, avanços e retrocessos que são conhecidos, é na grande massa dos assalariados que se encontram as &#8220;classes ao ataque&#8221; capazes de mudar a sociedade. Não é preciso ir aos livros: basta ver que lutas sociais (protagonizadas, isso sim, por indivíduos que pensam pela sua própria cabeça) foram determinantes para retirar a maioria absoluta ao PS.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: anon</title>
		<link>http://5dias.net/2009/10/04/cidadania-governante/comment-page-1/#comment-108215</link>
		<dc:creator>anon</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 06 Oct 2009 17:49:18 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://5dias.net/?p=26253#comment-108215</guid>
		<description>&quot;Era o que, apesar do seu marxismo sui generis, Rosa Luxemburgo já sabia: é preferível deixar que a base erre a impor-lhe as verdades do comité central; &quot;

e se o comité central forem os tais &quot;magistrados mandatados&quot; pelas &quot;assembleias de cidadãos&quot;, neste caso, as assembleias de base dos militantes do Partido?</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;Era o que, apesar do seu marxismo sui generis, Rosa Luxemburgo já sabia: é preferível deixar que a base erre a impor-lhe as verdades do comité central; &#8221;</p>
<p>e se o comité central forem os tais &#8220;magistrados mandatados&#8221; pelas &#8220;assembleias de cidadãos&#8221;, neste caso, as assembleias de base dos militantes do Partido?</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: JMC</title>
		<link>http://5dias.net/2009/10/04/cidadania-governante/comment-page-1/#comment-108210</link>
		<dc:creator>JMC</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 06 Oct 2009 16:29:02 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://5dias.net/?p=26253#comment-108210</guid>
		<description>Com mais este comentário, corro o risco de descentrar a discussão do que estava verdadeiramente em causa — a utopia, esse lugar sem onde, para que muitos pretendem caminhar, e que era o tema do post do MSP — intervindo em resposta a algumas questões interessantes, e que apesar de tudo me parecem mais interessantes do que o próprio post, que me foram colocadas.

Começo pelo fim, questionando o que me parece poder depreender-se duma crítica que o Filipe Diniz (FD) faz no seu comentário: a “aversão comum ao materialismo histórico” de muitos dos comentadores. De facto, alguns comentadores dão pouca atenção ao chamado, por Engels, “materialismo histórico” e fantasiam. É um exercício de liberdade, sem consequências de maior. Parece-me, contudo, que FD concede um valor desmesurado a esse “materialismo histórico” engelsiano, de que se depreende ser apologista. Se FD se desse ao trabalho de pensar um pouco e reflectisse, em vez de pensar por estereótipos, veria que esse tal “materialismo histórico” é fundamentalmente errado. Que História permite a tal “materialismo histórico” afirmar que uma nova ordem económico-social é implantada pela classe explorada da ordem em decadência que a antecede? Acha, por exemplo, que os burgueses capitalistas eram a classe explorada da sociedade tributária, ao invés dos servos? Ou acha que os senhores feudais e outros dignitários eram a classe explorada da sociedade esclavagista, ao invés dos cativos sujeitos à escravidão? São questões para que ele deveria procurar encontrar resposta, em vez de se escudar em teorias manifestamente erradas.

O comentador ruy faz-me algumas críticas, que me parecem algo injustas. Afirma ele que se lhe afigura incorrecto na minha análise “considerar que não têm existido transformações no próprio modo de produção capitalista”. De facto, considero não terem existido transformações qualitativas no modo de produção capitalista; têm existido desenvolvimentos, quer de âmbito económico, quer de âmbito político, mas o essencial continua sendo a relação salarial em que ainda hoje se baseia, tal como há quinhentos anos. Crises económicas de sobreprodução são tão antigas quanto o capitalismo; crises financeiras também; e globalizações económicas não são novidade. O volume de dinheiro envolvido e os seus efeitos mais ampliados não mudam a sua natureza. E também considero “que enquanto existam “trocas desiguais” jamais poderá existir “uma sociedade mais igualitária””, nomeadamente enquanto forem a relação de troca dominante. É uma ilusória satisfação pensar que relações económicas de produção baseadas na “troca desigual” possam gerar relações ideológicas e políticas de cariz igualitário. Como afirmei no meu comentário inicial “enquanto outra economia não exija outra política, a actual política, os seus conteúdos e as suas formas institucionais, terá de ir sendo feita no âmbito da política da economia existente, procurando tornar real a parte do desejável que é possível em campos que não a põem em causa”. 

Que na sua evolução “o modo de produção capitalista, já gerou e vem alternando sociedades mais e menos “igualitárias”” parece-me ser uma confusão baseada nalguma ingenuidade. O modo de produção capitalista, nomeadamente ao nível da cidadania, tem produzido diferenciadas formas de organização política, concedendo maior igualdade de direitos políticos, em muitos aspectos meramente formais e visando a sua maior legitimação. Isso só confirma o que afirmei. Essa aparente igualdade política não chega à igualdade económica. Como poderia ser de outro modo se a relação salarial se baseia numa manifesta desigualdade na troca da mercadoria trabalho vivo pela mercadoria trabalho morto, razão de ser da sua existência? Tal não invalida que a luta política, dentro do modo de produção dominante, procure alcançar melhores condições de existência económica e de representação política para esta ou aquela classe ou para este ou aquele grupo social dominados. Basta ver o que acontece em relação a muitas aberrações das representações ideológicas dominantes acerca da igualdade das pessoas, por exemplo, quanto ao direito a terem as suas crenças religiosas ou quanto aos seus estilos de vida, que têm vindo gradualmente a ser abandonadas. Assim como não invalida que os ideólogos e os políticos burgueses caiam em si quanto à necessidade de regulação do capitalismo e aos efeitos que o desvario da sua desregulação pode gerar, de que a actual crise económico-financeira é apenas uma amostra. Basta que se deixem das infantilidades de considerar que o dinheiro possui o feitiço de gerar mais dinheiro, e que percebam que a economia é economia política. Nada disso, porém, põe em causa a relação de exploração em que o modo de produção salarial ou capitalista se baseia, e é nesse âmbito que as lutas políticas e ideológicas mais variadas se têm desenrolado e continuarão a desenrolar, até que sejam expressão de algo novo que ocorra na base económica da sociedade e que necessite de expressão ideológica e política.

Por tudo isto, “um novo “modelo político” que aceite as “trocas desiguais” mas que as submeta ao controlo social”, em meu entender, não chega a constituir “uma nova forma de organização social”, mas poderá constituir uma nova forma de organização política. A “estatização versus privatização em novos patamares, de forma que a produção possa ser privada ou estatal, desde que submetida ao controlo social”, também em meu entender, não constitui um verdadeiro dilema. Pode constituir uma opção no quadro económico-político dominante, no qual os monopólios naturais sejam sujeitos à propriedade pública e a sua gestão seja concedida temporariamente, por exemplo. A estatização da produção causa-me uma certa aversão, pelos exemplos históricos conhecidos. O verdadeiro dilema, quanto me parece, é a opção pela privatização total da economia e da organização social, em que os produtores, individualmente ou agrupados de forma diversa, produzam a sua autonomia e a sua regulação recíproca, e em que as condições gerais de produção e de existência sejam asseguradas pelas receitas da tributação. Isto, quanto menos estado, enquanto aparelhos detentores do poder da violência legítima em nome duma classe social, melhor. Como? Não sei. Não sou dotado de poderes adivinhatórios nem me apraz conjecturar sobre o incerto futuro, ao contrário do que me pareceu ser a posição do MSP.

Um pequeno aparte: o Vidal bem que poderia ter colocado aqui o texto do seu post, como comentário. Evitava que o agradável fórum de discussão em que se torno a caixa de comentários ao post do MSP saísse da montra. Mas o sujeito é um artista em busca dos holofotes da ribalta…

JMC.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Com mais este comentário, corro o risco de descentrar a discussão do que estava verdadeiramente em causa — a utopia, esse lugar sem onde, para que muitos pretendem caminhar, e que era o tema do post do MSP — intervindo em resposta a algumas questões interessantes, e que apesar de tudo me parecem mais interessantes do que o próprio post, que me foram colocadas.</p>
<p>Começo pelo fim, questionando o que me parece poder depreender-se duma crítica que o Filipe Diniz (FD) faz no seu comentário: a “aversão comum ao materialismo histórico” de muitos dos comentadores. De facto, alguns comentadores dão pouca atenção ao chamado, por Engels, “materialismo histórico” e fantasiam. É um exercício de liberdade, sem consequências de maior. Parece-me, contudo, que FD concede um valor desmesurado a esse “materialismo histórico” engelsiano, de que se depreende ser apologista. Se FD se desse ao trabalho de pensar um pouco e reflectisse, em vez de pensar por estereótipos, veria que esse tal “materialismo histórico” é fundamentalmente errado. Que História permite a tal “materialismo histórico” afirmar que uma nova ordem económico-social é implantada pela classe explorada da ordem em decadência que a antecede? Acha, por exemplo, que os burgueses capitalistas eram a classe explorada da sociedade tributária, ao invés dos servos? Ou acha que os senhores feudais e outros dignitários eram a classe explorada da sociedade esclavagista, ao invés dos cativos sujeitos à escravidão? São questões para que ele deveria procurar encontrar resposta, em vez de se escudar em teorias manifestamente erradas.</p>
<p>O comentador ruy faz-me algumas críticas, que me parecem algo injustas. Afirma ele que se lhe afigura incorrecto na minha análise “considerar que não têm existido transformações no próprio modo de produção capitalista”. De facto, considero não terem existido transformações qualitativas no modo de produção capitalista; têm existido desenvolvimentos, quer de âmbito económico, quer de âmbito político, mas o essencial continua sendo a relação salarial em que ainda hoje se baseia, tal como há quinhentos anos. Crises económicas de sobreprodução são tão antigas quanto o capitalismo; crises financeiras também; e globalizações económicas não são novidade. O volume de dinheiro envolvido e os seus efeitos mais ampliados não mudam a sua natureza. E também considero “que enquanto existam “trocas desiguais” jamais poderá existir “uma sociedade mais igualitária””, nomeadamente enquanto forem a relação de troca dominante. É uma ilusória satisfação pensar que relações económicas de produção baseadas na “troca desigual” possam gerar relações ideológicas e políticas de cariz igualitário. Como afirmei no meu comentário inicial “enquanto outra economia não exija outra política, a actual política, os seus conteúdos e as suas formas institucionais, terá de ir sendo feita no âmbito da política da economia existente, procurando tornar real a parte do desejável que é possível em campos que não a põem em causa”. </p>
<p>Que na sua evolução “o modo de produção capitalista, já gerou e vem alternando sociedades mais e menos “igualitárias”” parece-me ser uma confusão baseada nalguma ingenuidade. O modo de produção capitalista, nomeadamente ao nível da cidadania, tem produzido diferenciadas formas de organização política, concedendo maior igualdade de direitos políticos, em muitos aspectos meramente formais e visando a sua maior legitimação. Isso só confirma o que afirmei. Essa aparente igualdade política não chega à igualdade económica. Como poderia ser de outro modo se a relação salarial se baseia numa manifesta desigualdade na troca da mercadoria trabalho vivo pela mercadoria trabalho morto, razão de ser da sua existência? Tal não invalida que a luta política, dentro do modo de produção dominante, procure alcançar melhores condições de existência económica e de representação política para esta ou aquela classe ou para este ou aquele grupo social dominados. Basta ver o que acontece em relação a muitas aberrações das representações ideológicas dominantes acerca da igualdade das pessoas, por exemplo, quanto ao direito a terem as suas crenças religiosas ou quanto aos seus estilos de vida, que têm vindo gradualmente a ser abandonadas. Assim como não invalida que os ideólogos e os políticos burgueses caiam em si quanto à necessidade de regulação do capitalismo e aos efeitos que o desvario da sua desregulação pode gerar, de que a actual crise económico-financeira é apenas uma amostra. Basta que se deixem das infantilidades de considerar que o dinheiro possui o feitiço de gerar mais dinheiro, e que percebam que a economia é economia política. Nada disso, porém, põe em causa a relação de exploração em que o modo de produção salarial ou capitalista se baseia, e é nesse âmbito que as lutas políticas e ideológicas mais variadas se têm desenrolado e continuarão a desenrolar, até que sejam expressão de algo novo que ocorra na base económica da sociedade e que necessite de expressão ideológica e política.</p>
<p>Por tudo isto, “um novo “modelo político” que aceite as “trocas desiguais” mas que as submeta ao controlo social”, em meu entender, não chega a constituir “uma nova forma de organização social”, mas poderá constituir uma nova forma de organização política. A “estatização versus privatização em novos patamares, de forma que a produção possa ser privada ou estatal, desde que submetida ao controlo social”, também em meu entender, não constitui um verdadeiro dilema. Pode constituir uma opção no quadro económico-político dominante, no qual os monopólios naturais sejam sujeitos à propriedade pública e a sua gestão seja concedida temporariamente, por exemplo. A estatização da produção causa-me uma certa aversão, pelos exemplos históricos conhecidos. O verdadeiro dilema, quanto me parece, é a opção pela privatização total da economia e da organização social, em que os produtores, individualmente ou agrupados de forma diversa, produzam a sua autonomia e a sua regulação recíproca, e em que as condições gerais de produção e de existência sejam asseguradas pelas receitas da tributação. Isto, quanto menos estado, enquanto aparelhos detentores do poder da violência legítima em nome duma classe social, melhor. Como? Não sei. Não sou dotado de poderes adivinhatórios nem me apraz conjecturar sobre o incerto futuro, ao contrário do que me pareceu ser a posição do MSP.</p>
<p>Um pequeno aparte: o Vidal bem que poderia ter colocado aqui o texto do seu post, como comentário. Evitava que o agradável fórum de discussão em que se torno a caixa de comentários ao post do MSP saísse da montra. Mas o sujeito é um artista em busca dos holofotes da ribalta…</p>
<p>JMC.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Filipe Diniz</title>
		<link>http://5dias.net/2009/10/04/cidadania-governante/comment-page-1/#comment-108202</link>
		<dc:creator>Filipe Diniz</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 06 Oct 2009 12:41:24 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://5dias.net/?p=26253#comment-108202</guid>
		<description>Não esperava, mas ao mesmo tempo não me surpreende, que o 5 Dias pudesse tornar-se um forum como o que este post abriu: o lugar de encontro de &quot;soixante-huitard&#039;s&quot;, negristas, anarquistas de todas as cores (como lhes é próprio), repetindo os seus mantras e encantados por se encontrarem uns aos outros, enumerando as suas fantasias ingénuas e tocantes e a sua aversão comum ao materialismo histórico. Na sua embirração com o &quot;socialismo real&quot; a palavra chave não é o &quot;socialismo&quot; mas o &quot;real&quot;, a sociedade tal como as relações sociais de produção a configuram, a sociedade dividida em classes e não em &quot;indivíduos&quot;, em que a classe dominante não prescinde senão temporariamente de nenhuma parcela do poder, e sempre apenas por acção -colectiva- das classes que domina. E nunca prescindirá. Quando o perder (e perde-lo-á) é porque o poder que hoje detém lhe será expropriado. O idealismo filosófico pode dar para muitos posts, comentários, cumprimentos mútuos e outros salamaleques. Não pode é acrescentar um milímetro à alteração real do mundo real.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Não esperava, mas ao mesmo tempo não me surpreende, que o 5 Dias pudesse tornar-se um forum como o que este post abriu: o lugar de encontro de &#8220;soixante-huitard&#8217;s&#8221;, negristas, anarquistas de todas as cores (como lhes é próprio), repetindo os seus mantras e encantados por se encontrarem uns aos outros, enumerando as suas fantasias ingénuas e tocantes e a sua aversão comum ao materialismo histórico. Na sua embirração com o &#8220;socialismo real&#8221; a palavra chave não é o &#8220;socialismo&#8221; mas o &#8220;real&#8221;, a sociedade tal como as relações sociais de produção a configuram, a sociedade dividida em classes e não em &#8220;indivíduos&#8221;, em que a classe dominante não prescinde senão temporariamente de nenhuma parcela do poder, e sempre apenas por acção -colectiva- das classes que domina. E nunca prescindirá. Quando o perder (e perde-lo-á) é porque o poder que hoje detém lhe será expropriado. O idealismo filosófico pode dar para muitos posts, comentários, cumprimentos mútuos e outros salamaleques. Não pode é acrescentar um milímetro à alteração real do mundo real.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: ruy</title>
		<link>http://5dias.net/2009/10/04/cidadania-governante/comment-page-1/#comment-108201</link>
		<dc:creator>ruy</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 06 Oct 2009 12:24:04 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://5dias.net/?p=26253#comment-108201</guid>
		<description>“é a economia que exige sempre outra política que se lhe adeqúe.” Seguramente que assim é. 
O que se me afigura incorrecto na análise do JMC será ele considerar que não têm existido transformações no próprio modo de produção capitalista. É perentório que enquanto existam “trocas desiguais” jamais poderá existir “uma sociedade mais igualitária”. No entanto, na sua evolução, o modo de produção capitalista, já gerou e vem alternando sociedades mais e menos “igualitárias”. Do liberalismo do sec . XIX aos Fascismos do sec. XX, do liberalismo do pós guerra, da Social Democracia dos países nórdicos ao neoliberalismo actual, “formulações políticas” que assentes nas “trocas desiguais”  não são de modo algum comparáveis quanto à suas “liberdades e igualdades”. 
Na verdade o que JMC não deseja aceitar, pelo que transparece de - “Mas parece-me que uma das tarefas dos políticos na democracia que existe tem sido precisamente zelar pela democratização da economia, pela observância das regras da livre concorrência, do livre estabelecimento da produção, do comércio livre, da organização sindical livre, etc..”, serão as alterações geradas no próprio capitalismo na sua evolução. O actual estágio do capitalismo – o neoliberalismo, a globalização – não é de modo algum comparável com o capitalismo até meados do século XX. O que há de novo é que  com a “globalização” se retiram recursos da área dos investimentos produtivos transferindo-os para a especulação financeira.
Este propósito atinge directamente o coração da legitimidade do sistema capitalista neoliberal. De forma mais ou menos explícita, todos nós nos queixamos das injustiças geradas pelo capitalismo, mas de certa forma as aceitamos na medida em que a riqueza do capitalista tendia a transformar-se em investimento produtivo, empregos e produtos. A injustiça social passava assim a ser um mal inevitável de um processo em última instância positivo. O que é novo, é que com a expansão dos sistemas de especulação financeira, segundo a Unctad, a crescente concentração da riqueza nacional nas mãos de poucos não tem sido acompanhada por uma elevação de investimentos e crescimento mais rápido.
As trocas especulativas diárias são da ordem de 1,5 triliões de dólares por dia, enquanto as trocas de bens e serviços realmente existentes mal atingem os 25 biliões, algo como 60 vezes menos.
Nesta lógica, o que constitui não uma excepção mas uma regular tendência das últimas décadas, é que se assiste aos lucros crescentes de um lado, e a investimentos, salários e emprego decrescentes do outro, o que simplesmente torna este sistema neoliberal insustentável. 
Torna-se inevitável o aparecimento de uma nova proposta, um novo “modelo político” que aceite as “trocas desiguais” mas que as submeta ao controlo social, uma nova forma de organização social, superior, que contextualiza o dilema entre estatização versus privatização em novos patamares, de forma que a produção possa ser privada ou estatal, desde que submetida ao controlo social.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>“é a economia que exige sempre outra política que se lhe adeqúe.” Seguramente que assim é.<br />
O que se me afigura incorrecto na análise do JMC será ele considerar que não têm existido transformações no próprio modo de produção capitalista. É perentório que enquanto existam “trocas desiguais” jamais poderá existir “uma sociedade mais igualitária”. No entanto, na sua evolução, o modo de produção capitalista, já gerou e vem alternando sociedades mais e menos “igualitárias”. Do liberalismo do sec . XIX aos Fascismos do sec. XX, do liberalismo do pós guerra, da Social Democracia dos países nórdicos ao neoliberalismo actual, “formulações políticas” que assentes nas “trocas desiguais”  não são de modo algum comparáveis quanto à suas “liberdades e igualdades”.<br />
Na verdade o que JMC não deseja aceitar, pelo que transparece de &#8211; “Mas parece-me que uma das tarefas dos políticos na democracia que existe tem sido precisamente zelar pela democratização da economia, pela observância das regras da livre concorrência, do livre estabelecimento da produção, do comércio livre, da organização sindical livre, etc..”, serão as alterações geradas no próprio capitalismo na sua evolução. O actual estágio do capitalismo – o neoliberalismo, a globalização – não é de modo algum comparável com o capitalismo até meados do século XX. O que há de novo é que  com a “globalização” se retiram recursos da área dos investimentos produtivos transferindo-os para a especulação financeira.<br />
Este propósito atinge directamente o coração da legitimidade do sistema capitalista neoliberal. De forma mais ou menos explícita, todos nós nos queixamos das injustiças geradas pelo capitalismo, mas de certa forma as aceitamos na medida em que a riqueza do capitalista tendia a transformar-se em investimento produtivo, empregos e produtos. A injustiça social passava assim a ser um mal inevitável de um processo em última instância positivo. O que é novo, é que com a expansão dos sistemas de especulação financeira, segundo a Unctad, a crescente concentração da riqueza nacional nas mãos de poucos não tem sido acompanhada por uma elevação de investimentos e crescimento mais rápido.<br />
As trocas especulativas diárias são da ordem de 1,5 triliões de dólares por dia, enquanto as trocas de bens e serviços realmente existentes mal atingem os 25 biliões, algo como 60 vezes menos.<br />
Nesta lógica, o que constitui não uma excepção mas uma regular tendência das últimas décadas, é que se assiste aos lucros crescentes de um lado, e a investimentos, salários e emprego decrescentes do outro, o que simplesmente torna este sistema neoliberal insustentável.<br />
Torna-se inevitável o aparecimento de uma nova proposta, um novo “modelo político” que aceite as “trocas desiguais” mas que as submeta ao controlo social, uma nova forma de organização social, superior, que contextualiza o dilema entre estatização versus privatização em novos patamares, de forma que a produção possa ser privada ou estatal, desde que submetida ao controlo social.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: moi</title>
		<link>http://5dias.net/2009/10/04/cidadania-governante/comment-page-1/#comment-108200</link>
		<dc:creator>moi</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 06 Oct 2009 12:02:20 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://5dias.net/?p=26253#comment-108200</guid>
		<description>a cidadania governante só pode dar certo com uma reestruturação   ( política?) do território. o conceito de glocalização era capaz de dar uma ajuda...e roma e pavia não se fizeram num dia : 1º regionalizar e depois  aproximar o poder cada vez mais dos cidadãos ( também geograficamente , né? )  e uma tal de instância mundial de vigilância a nível de direitos humanos ou assim também não era má ideia.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>a cidadania governante só pode dar certo com uma reestruturação   ( política?) do território. o conceito de glocalização era capaz de dar uma ajuda&#8230;e roma e pavia não se fizeram num dia : 1º regionalizar e depois  aproximar o poder cada vez mais dos cidadãos ( também geograficamente , né? )  e uma tal de instância mundial de vigilância a nível de direitos humanos ou assim também não era má ideia.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: viana</title>
		<link>http://5dias.net/2009/10/04/cidadania-governante/comment-page-1/#comment-108199</link>
		<dc:creator>viana</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 06 Oct 2009 11:41:53 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://5dias.net/?p=26253#comment-108199</guid>
		<description>Quanto à questão da autonomia, parece-me que há quem seja de opinião que a autonomia (como sinónimo de não-dependência) é essencial à cidadania governante. Não concordo. Mas é desejável. Sendo a autonomia um projecto (individual e social) em permanente construção, adiar a cidadania governante até que os cidadãos sejam (&quot;minimamente&quot;) autónomos é adiá-la sine die. Até porque a construção da autonomia sofre forte oposição por parte da elite Capitalista dominante. Sou por isso da opinião que a implementação dum sistema de cidadania governante, ou seja o controlo democrático dos processos de decisão, deve ser dissociado da questão da autonomia individual e social. Note-se que a mera implementação da cidadania governante, por si só, aumenta a autonomia individual e social, pois os cidadãos deixam de depender (no que concerne à governação, pelo menos) daqueles que hoje concentram o poder decisório, e serve de precedente para a exigência de autonomia nas outras esferas da vida individual e social.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Quanto à questão da autonomia, parece-me que há quem seja de opinião que a autonomia (como sinónimo de não-dependência) é essencial à cidadania governante. Não concordo. Mas é desejável. Sendo a autonomia um projecto (individual e social) em permanente construção, adiar a cidadania governante até que os cidadãos sejam (&#8220;minimamente&#8221;) autónomos é adiá-la sine die. Até porque a construção da autonomia sofre forte oposição por parte da elite Capitalista dominante. Sou por isso da opinião que a implementação dum sistema de cidadania governante, ou seja o controlo democrático dos processos de decisão, deve ser dissociado da questão da autonomia individual e social. Note-se que a mera implementação da cidadania governante, por si só, aumenta a autonomia individual e social, pois os cidadãos deixam de depender (no que concerne à governação, pelo menos) daqueles que hoje concentram o poder decisório, e serve de precedente para a exigência de autonomia nas outras esferas da vida individual e social.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Niet</title>
		<link>http://5dias.net/2009/10/04/cidadania-governante/comment-page-1/#comment-108198</link>
		<dc:creator>Niet</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 06 Oct 2009 11:16:53 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://5dias.net/?p=26253#comment-108198</guid>
		<description>Para tentar, e digo bem, acompanhar a passada maravilhosa deste debate múltiplo, prometo ainda hoje tentar fazer uma topologia do avanço teórico da herança de Castoriadis para o fomento da emancipação dos trabalhadores como gesta sua e irredutível. Andei a reler mais uns textos sobre &quot; Proletariado e Organização &quot;, dos anos 60, onde a par de uma fortíssima polémica com Claude Lefort, e enviezada com Jean-François Lyotard, começam a surgir lances fundamentais para o fomento da auto-instituição do Poder Operário. Exorto os actuais, futuros e expectantes envolvidos nesta discussão a tomarem parte nesta iniciativa sem líderes, conspiradores e mistificadores profissionais. Niet/Durruti</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Para tentar, e digo bem, acompanhar a passada maravilhosa deste debate múltiplo, prometo ainda hoje tentar fazer uma topologia do avanço teórico da herança de Castoriadis para o fomento da emancipação dos trabalhadores como gesta sua e irredutível. Andei a reler mais uns textos sobre &#8221; Proletariado e Organização &#8220;, dos anos 60, onde a par de uma fortíssima polémica com Claude Lefort, e enviezada com Jean-François Lyotard, começam a surgir lances fundamentais para o fomento da auto-instituição do Poder Operário. Exorto os actuais, futuros e expectantes envolvidos nesta discussão a tomarem parte nesta iniciativa sem líderes, conspiradores e mistificadores profissionais. Niet/Durruti</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Justiniano</title>
		<link>http://5dias.net/2009/10/04/cidadania-governante/comment-page-1/#comment-108197</link>
		<dc:creator>Justiniano</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 06 Oct 2009 10:54:50 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://5dias.net/?p=26253#comment-108197</guid>
		<description>Xatoo! 
Sois avisado, há método, critério e pertinencia nessa &quot;loucura&quot;.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Xatoo!<br />
Sois avisado, há método, critério e pertinencia nessa &#8220;loucura&#8221;.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: zé neves</title>
		<link>http://5dias.net/2009/10/04/cidadania-governante/comment-page-1/#comment-108195</link>
		<dc:creator>zé neves</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 06 Oct 2009 10:23:07 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://5dias.net/?p=26253#comment-108195</guid>
		<description>meio à pressa, não quero deixar de mandar uns bitaites. desculpem-me a prosa pouco escorreita e eventuais incongruências de natureza múltipla, mas é mesmo a correr que escrevo:

Do debate que decorre, sublinho algumas ideias que retive da leitura dos vários comentários e que me parecem constituir pontos de partida importantes. 1) O problema da forma é fundamental: organizações que lutam contra a divisão do trabalho político e que se organizam num esquema de divisão do trabalho político são organizações que fomentam a divisão do trabalho político. Isto não significa que essas organizações sejam vistas como coisas homogéneas. Elas são atravessadas por tensões que o seu discurso auto-identitário e o discurso classificatório de outros consegue conciliar mas não apagar. Por exemplo: para mim é claro que, nos anos 50, quando a direcção do PCP combate tendências para organização de comunas prisionais, ela está a fazê-lo porque há vários militantes comunistas que se inscrevem praticamente nessas tendências – classificadas pela direcção do PCP como anarquistas – e porque a direcção partidária pressente que estas tendências são susceptíveis de ser acolhidas positivamente no seio da organização comunista. 2) O problema da forma prolonga-se no debate acerca do espaço para o imprevisível. Não é possível pretender que alguém que milite no campo da autonomia discuta o seu modelo de sociedade em competição com o modelo de sociedade dominante ou com o modelo de sociedade alternativo. Porque a ideia autonomista de alternativa estará, parece-me, em reinventar a sociedade através de processos em que a lógica do modelo – com base mais ou menos científica – é superada. Isto não significa, é claro, o vazio: existem experiências históricas, existem princípios gerais, existe capacidade de imaginação, existem fissuras que podem ser criadas, existem críticas e perguntas e as críticas e perguntas que se fazem não são menos afirmativas, materialistas, constituintes, positivas, do que as respostas que são dadas. Para utilizar uma formulação de outrem, o momento “destruens” não é, não pode, não deve, ser dissociado do momento “construens” 3) Há uma simpatia liberal pela ideia de autonomia, com há uma simpatia neoliberal pela ideia de libertarismo, mas, sabemos bem, o problema é bastante mais complexo e interessante, a questão estando no que se entende por autonomia e libertarismo. É claro que, nos vários conceitos de autonomia trabalhados pelas – se assim se pode resumir questiúnculas mais vastas – esquerdas à esquerda da social-democracia e do m-l, de socialisme ou barbarie aos autonomistas italianos ou a alguém como John Holloway, há duas questões que se colocam como separadores de águas entre a autonomia e tradição liberal dominante ou até não-dominante: a maior importância atribuída por Castoriadis, Negri e outros às condições económicas e políticas da luta pela liberdade individual, conforme sublinhou o Miguel Serras Pereira; e, pelo menos no que se refere aos autonomistas italianos, que conheço melhor, há que sublinhar o próprio conceito de indivíduo, que se distingue da tradição liberal dominante na medida em que o conceito autonomista insiste na ideia do “indivíduo social”, em que o comum é o lugar necessário de produção da diferença e não da sua negação. E isto – embora a ideia de diferença não seja menos problemática – significa que o comunismo é a hipótese da emancipação individual e que esta é a garantia do comunismo. Do ponto de vista económico, é claro, isto abre terreno a um debate mais complicado, que talvez seja melhor deixar de lado, por ora. 4) Há também uma simpatia voluntarista com o conceito de autonomia e que tem que ver com a ideia de autonomia do político, simpatia que deve ser esmiuçada. Parte do percurso dos autonomistas italianos – Tronti (na primeira fase), Negri (diria que sempre) – foi uma luta contra a ideia de “autonomia do político”, à qual foi uma e outra vez contraposta a ideia de dissolução do político no económico, politizando-se a economia ao disseminar a política no terreno dos produtores. Aqui colocar-se-á, por certo, um problema relativo à importância da dissociação entre político e económico/social, dissociação que se faz não no sentido do económico comandar o político mas no sentido do político comandar o económico. Esta dissociação é, para alguns, como Zizek e Badiou (mas corrijam-me se estiver errado, esta não é a minha praia), definidora da própria ideia de política. Ora, este problema, que faz Zizek (mas também outros autores menos, digamos… m-l, como Bensaid) sugerir a ideia de repetir Lenine, merece ser considerado: não para retomar a ideia de uma ditadura do proletariado, mas, talvez, para acarinhar a ideia de revolução permanente, mui trotsquista. Aquilo que, seguindo o resumo que Hardt fez da obra de Negri nos anos 70, se poderia chamar: a imanentização de Lenine. 

abç</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>meio à pressa, não quero deixar de mandar uns bitaites. desculpem-me a prosa pouco escorreita e eventuais incongruências de natureza múltipla, mas é mesmo a correr que escrevo:</p>
<p>Do debate que decorre, sublinho algumas ideias que retive da leitura dos vários comentários e que me parecem constituir pontos de partida importantes. 1) O problema da forma é fundamental: organizações que lutam contra a divisão do trabalho político e que se organizam num esquema de divisão do trabalho político são organizações que fomentam a divisão do trabalho político. Isto não significa que essas organizações sejam vistas como coisas homogéneas. Elas são atravessadas por tensões que o seu discurso auto-identitário e o discurso classificatório de outros consegue conciliar mas não apagar. Por exemplo: para mim é claro que, nos anos 50, quando a direcção do PCP combate tendências para organização de comunas prisionais, ela está a fazê-lo porque há vários militantes comunistas que se inscrevem praticamente nessas tendências – classificadas pela direcção do PCP como anarquistas – e porque a direcção partidária pressente que estas tendências são susceptíveis de ser acolhidas positivamente no seio da organização comunista. 2) O problema da forma prolonga-se no debate acerca do espaço para o imprevisível. Não é possível pretender que alguém que milite no campo da autonomia discuta o seu modelo de sociedade em competição com o modelo de sociedade dominante ou com o modelo de sociedade alternativo. Porque a ideia autonomista de alternativa estará, parece-me, em reinventar a sociedade através de processos em que a lógica do modelo – com base mais ou menos científica – é superada. Isto não significa, é claro, o vazio: existem experiências históricas, existem princípios gerais, existe capacidade de imaginação, existem fissuras que podem ser criadas, existem críticas e perguntas e as críticas e perguntas que se fazem não são menos afirmativas, materialistas, constituintes, positivas, do que as respostas que são dadas. Para utilizar uma formulação de outrem, o momento “destruens” não é, não pode, não deve, ser dissociado do momento “construens” 3) Há uma simpatia liberal pela ideia de autonomia, com há uma simpatia neoliberal pela ideia de libertarismo, mas, sabemos bem, o problema é bastante mais complexo e interessante, a questão estando no que se entende por autonomia e libertarismo. É claro que, nos vários conceitos de autonomia trabalhados pelas – se assim se pode resumir questiúnculas mais vastas – esquerdas à esquerda da social-democracia e do m-l, de socialisme ou barbarie aos autonomistas italianos ou a alguém como John Holloway, há duas questões que se colocam como separadores de águas entre a autonomia e tradição liberal dominante ou até não-dominante: a maior importância atribuída por Castoriadis, Negri e outros às condições económicas e políticas da luta pela liberdade individual, conforme sublinhou o Miguel Serras Pereira; e, pelo menos no que se refere aos autonomistas italianos, que conheço melhor, há que sublinhar o próprio conceito de indivíduo, que se distingue da tradição liberal dominante na medida em que o conceito autonomista insiste na ideia do “indivíduo social”, em que o comum é o lugar necessário de produção da diferença e não da sua negação. E isto – embora a ideia de diferença não seja menos problemática – significa que o comunismo é a hipótese da emancipação individual e que esta é a garantia do comunismo. Do ponto de vista económico, é claro, isto abre terreno a um debate mais complicado, que talvez seja melhor deixar de lado, por ora. 4) Há também uma simpatia voluntarista com o conceito de autonomia e que tem que ver com a ideia de autonomia do político, simpatia que deve ser esmiuçada. Parte do percurso dos autonomistas italianos – Tronti (na primeira fase), Negri (diria que sempre) – foi uma luta contra a ideia de “autonomia do político”, à qual foi uma e outra vez contraposta a ideia de dissolução do político no económico, politizando-se a economia ao disseminar a política no terreno dos produtores. Aqui colocar-se-á, por certo, um problema relativo à importância da dissociação entre político e económico/social, dissociação que se faz não no sentido do económico comandar o político mas no sentido do político comandar o económico. Esta dissociação é, para alguns, como Zizek e Badiou (mas corrijam-me se estiver errado, esta não é a minha praia), definidora da própria ideia de política. Ora, este problema, que faz Zizek (mas também outros autores menos, digamos… m-l, como Bensaid) sugerir a ideia de repetir Lenine, merece ser considerado: não para retomar a ideia de uma ditadura do proletariado, mas, talvez, para acarinhar a ideia de revolução permanente, mui trotsquista. Aquilo que, seguindo o resumo que Hardt fez da obra de Negri nos anos 70, se poderia chamar: a imanentização de Lenine. </p>
<p>abç</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: viana</title>
		<link>http://5dias.net/2009/10/04/cidadania-governante/comment-page-1/#comment-108194</link>
		<dc:creator>viana</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 06 Oct 2009 09:52:24 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://5dias.net/?p=26253#comment-108194</guid>
		<description>O ezequiel parece convencido que a cidadania governante, ou a democracia participativa, existe apenas quando todos possuem igual capacidade à partida para intervenir no processo decisório. Não é verdade. A Democracia é o sistema de governo em que as decisões são tomadas conforme a vontade da maioria dos cidadãos. Ora, como o ezequiel correctamente menciona, num processo de deliberação em que nem todos são obrigados a participar, quer informando-se quer votando, e em que é possível a qualquer pessoa desenvolver a sua capacidade de influência, facilmente se criam &quot;líderes de opinião&quot; e o processo de deliberação é capturado por grupos organizados que tentam impôr os seus interesses particulares, muitas das vezes em detrimento do interesse geral. Portanto, igual capacidade de intervenção à partida no processo decisório muito provavelmente resultará (com a possível excepção de Assembleias locais, &quot;de bairro&quot;) sistematicamente em decisões não-democráticas, pois não conforme a vontade da maioria dos cidadãos que por elas são efectados, e portanto não assegura que os sistema de decisão seja efectivamente Democrático. Aliás, esta situação tem semelhanças com o que ocorre nas Democracias Representativas. Concluindo, igual capacidade à partida de intervenção no processo decisório não equivale a Democracia, ou seja a igual efectiva influência na decisão tomada.

Acho que o problema pode ser fortemente mitigado se o processo de decisão estiver, essencialmente, nas mãos de Assembleias de representantes aleatoriamente escolhidos, Assembleias essas com um número de cidadãos suficientemente elevado para que a amostra da população em causa seja estatisticamente representativa. O  número elevado de membros da Assembleia, o facto de não se conhecerem à partida, e a transitoriedade de tal Assembleia (1 ou 2 anos de validade), permite pensar que a probabilidade de &quot;captura&quot; da Assembleia por interesses particulares (contrários à vontade da maioria) seria diminuta, dela portanto emando decisões realmente Democráticas (ie. representativas não só da vontade da maioria dos membros da Assembleia mas também da maioria dos cidadãos). Assim ficaria assegurado que quem participa no processo decisório é quem efectivamente representa a vontade da maioria e não apenas &quot;quem quer&quot;. O sistema decisório que proponho não é no entanto completamente fechado à participação de &quot;quem quer&quot;, ou seja os cidadãos politicamente mais activos, pois poderá fazê-lo directamente através do conceito de referendo (revogatório) em urna aberta e indirectamente através da sua &quot;militância&quot; em associações políticas (vide os textos mencionados nos links em cima). De qualquer maneira, mesmo num sistema como o proposto, a sociedade será sempre mais &quot;politizada&quot; do que agora, o que me parece necessário se efectivamente queremos viver em Democracia, mas, um pouco paradoxalmente, talvez menos polarizada (porque o Poder de decisão deixa de estar nas mãos de grupos antagónicos, os partidos, que têm interesse em fomentar a polarização social).</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>O ezequiel parece convencido que a cidadania governante, ou a democracia participativa, existe apenas quando todos possuem igual capacidade à partida para intervenir no processo decisório. Não é verdade. A Democracia é o sistema de governo em que as decisões são tomadas conforme a vontade da maioria dos cidadãos. Ora, como o ezequiel correctamente menciona, num processo de deliberação em que nem todos são obrigados a participar, quer informando-se quer votando, e em que é possível a qualquer pessoa desenvolver a sua capacidade de influência, facilmente se criam &#8220;líderes de opinião&#8221; e o processo de deliberação é capturado por grupos organizados que tentam impôr os seus interesses particulares, muitas das vezes em detrimento do interesse geral. Portanto, igual capacidade de intervenção à partida no processo decisório muito provavelmente resultará (com a possível excepção de Assembleias locais, &#8220;de bairro&#8221;) sistematicamente em decisões não-democráticas, pois não conforme a vontade da maioria dos cidadãos que por elas são efectados, e portanto não assegura que os sistema de decisão seja efectivamente Democrático. Aliás, esta situação tem semelhanças com o que ocorre nas Democracias Representativas. Concluindo, igual capacidade à partida de intervenção no processo decisório não equivale a Democracia, ou seja a igual efectiva influência na decisão tomada.</p>
<p>Acho que o problema pode ser fortemente mitigado se o processo de decisão estiver, essencialmente, nas mãos de Assembleias de representantes aleatoriamente escolhidos, Assembleias essas com um número de cidadãos suficientemente elevado para que a amostra da população em causa seja estatisticamente representativa. O  número elevado de membros da Assembleia, o facto de não se conhecerem à partida, e a transitoriedade de tal Assembleia (1 ou 2 anos de validade), permite pensar que a probabilidade de &#8220;captura&#8221; da Assembleia por interesses particulares (contrários à vontade da maioria) seria diminuta, dela portanto emando decisões realmente Democráticas (ie. representativas não só da vontade da maioria dos membros da Assembleia mas também da maioria dos cidadãos). Assim ficaria assegurado que quem participa no processo decisório é quem efectivamente representa a vontade da maioria e não apenas &#8220;quem quer&#8221;. O sistema decisório que proponho não é no entanto completamente fechado à participação de &#8220;quem quer&#8221;, ou seja os cidadãos politicamente mais activos, pois poderá fazê-lo directamente através do conceito de referendo (revogatório) em urna aberta e indirectamente através da sua &#8220;militância&#8221; em associações políticas (vide os textos mencionados nos links em cima). De qualquer maneira, mesmo num sistema como o proposto, a sociedade será sempre mais &#8220;politizada&#8221; do que agora, o que me parece necessário se efectivamente queremos viver em Democracia, mas, um pouco paradoxalmente, talvez menos polarizada (porque o Poder de decisão deixa de estar nas mãos de grupos antagónicos, os partidos, que têm interesse em fomentar a polarização social).</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Justiniano</title>
		<link>http://5dias.net/2009/10/04/cidadania-governante/comment-page-1/#comment-108193</link>
		<dc:creator>Justiniano</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 06 Oct 2009 09:52:03 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://5dias.net/?p=26253#comment-108193</guid>
		<description>Caríssimo MS Pereira!
Com a devida consideração, permitindo-me, devo apenas referir que na minha, modestíssima, opinião ocorre uma enorme dificuldade que ainda não consegui compreender como o MSP conseguirá superar (se superável) - &quot;... Isso não quer dizer que não reconheça que qualquer poder político, ainda que o da assembleia dos cidadãos, não necessite de ser capaz de se auto-limitar.&quot; Este ponto é verdadeiramente essencial e demonstra a enorme tensão entre o suporte liberal (que parece-me verdadeiramente menorizado pelo MSP) e o princípio ou base democrática (parece-me demasiado elevado pelo MSP) – (A dificuldade não está no exercício ou manifestação do poder, mas reside, exactamente aí, nos limites do poder – nos limites da racionalidade, praticabilidade). (Isto para além da intrínseca tensão entre República e Democracia, incontornável)
Ora a autonomia há-de constituir-se pelo reconhecimento de direitos criadores de relações inter-subjectivas, este espaço de relacionamento não se pode subordinar a uma base ou legitimação democrática, há-de estar fora do campo gestionário e poderá conflituar com outras relações constituídas ou a constituir. 
Ao apelar a um indivíduo presciente, virtuoso e bem-aventurado é necessário (essencial) que o conforme a um espaço de autonomia fora do campo democrático e hetero determinante a este. 
O MS Pereira, assim como outros que aqui comentaram no mesmo sentido, entrega o indivíduo à pura álea democrática oferecendo-lhe o limbo entre o caos e a concórdia, abdicando, sempre, o indivíduo da autonomia individual em favor da autonomia colectiva (É, verdadeiramente, todo um princípio de projecto totalitário).
Isto, abstraindo das aporias de ordem prática.
Esta é, de boa-fé, a minha opinião.
Cordialmente, Justiniano</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Caríssimo MS Pereira!<br />
Com a devida consideração, permitindo-me, devo apenas referir que na minha, modestíssima, opinião ocorre uma enorme dificuldade que ainda não consegui compreender como o MSP conseguirá superar (se superável) &#8211; &#8220;&#8230; Isso não quer dizer que não reconheça que qualquer poder político, ainda que o da assembleia dos cidadãos, não necessite de ser capaz de se auto-limitar.&#8221; Este ponto é verdadeiramente essencial e demonstra a enorme tensão entre o suporte liberal (que parece-me verdadeiramente menorizado pelo MSP) e o princípio ou base democrática (parece-me demasiado elevado pelo MSP) – (A dificuldade não está no exercício ou manifestação do poder, mas reside, exactamente aí, nos limites do poder – nos limites da racionalidade, praticabilidade). (Isto para além da intrínseca tensão entre República e Democracia, incontornável)<br />
Ora a autonomia há-de constituir-se pelo reconhecimento de direitos criadores de relações inter-subjectivas, este espaço de relacionamento não se pode subordinar a uma base ou legitimação democrática, há-de estar fora do campo gestionário e poderá conflituar com outras relações constituídas ou a constituir.<br />
Ao apelar a um indivíduo presciente, virtuoso e bem-aventurado é necessário (essencial) que o conforme a um espaço de autonomia fora do campo democrático e hetero determinante a este.<br />
O MS Pereira, assim como outros que aqui comentaram no mesmo sentido, entrega o indivíduo à pura álea democrática oferecendo-lhe o limbo entre o caos e a concórdia, abdicando, sempre, o indivíduo da autonomia individual em favor da autonomia colectiva (É, verdadeiramente, todo um princípio de projecto totalitário).<br />
Isto, abstraindo das aporias de ordem prática.<br />
Esta é, de boa-fé, a minha opinião.<br />
Cordialmente, Justiniano</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: xatoo</title>
		<link>http://5dias.net/2009/10/04/cidadania-governante/comment-page-1/#comment-108191</link>
		<dc:creator>xatoo</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 06 Oct 2009 09:31:35 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://5dias.net/?p=26253#comment-108191</guid>
		<description>cada libertário à sua maneira pia e vai tendo razão na liberdade teórica do seu piar. Mas daí a entender a natureza dos construtores de gaiolas vai na prática uma boa sacudidela de penas. Estamos hoje sobre &quot;cidadania governante&quot; como Lenine estava quando a sua ala tomou o Palácio de Inverno abandonado pelas vicissitudes da destruição que a guerra tinha provocado. É emocionalmente &quot;espevitante&quot; que estivessem centenas de milhares de membros dos sovietes em Moscovo, como alguém disse aí acima, porém tudo se passou principalmente em São Peterburgo. E verdade seja dita, não foi revolução nenhuma, os sovietes já existiam como resposta às vicissitudes da guerra convocada pela mobilização da monarquia czarista. O que quer dizer que as pessoas só se auto-organizam quando em desespero pressentem que qualquer grave degradação no sistema que zela pela segurança das suas vidas coloca a sua sobrevivência em risco. Como referência pode-se apelar para o conceito de Bloco Histórico de Gramsci.
O outro problema fulcral é o da educação, a todos os niveis, mas principalmente na politica. Acham que o Czar ou Kerenski tomariam a iniciativa de fazer como o Fidel que num ano organizou a alfabetização geral da população? este foi dos poucos êxitos que, quanto a mim, o socialismo &quot;real&quot; conseguiu. Está ali um Bloco que para o (neo)liberalismo não vai ser fácil de desmontar com ofertas de aparelhagens stereo, relvados nos quintais e móveis ikeia . Daqui é bom que se recorde a célebre pergunta que o jornalista fez a Lenine: &quot;e é com esta população de 90 por cento de mujiques que não sabem ler nem escrever que o vosso partido se propõe fazer tudo isso?
Moral da história: ninguém quererá  preocupar-se com coisa alguma quando os governos conseguem garantir um nivel minimo de privilégios enfiados pelas goelas abaixo dos sectores vitais na manipulação de massas. Com o eclodir de uma guerra de carácter imperialista tudo se desconjunta. E actualmente, para memória futura, temos 4: o Iraque, O Afeganistão, o Paquistão e o Irão (em embrião). 
Por enquanto ainda estamos na fase de recrutamento da soldadesca a troco de salários catitas, mas até quando vão as potências aliadas ocidentais conseguir produzir dinheiro a granel para suportar este paradigma?</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>cada libertário à sua maneira pia e vai tendo razão na liberdade teórica do seu piar. Mas daí a entender a natureza dos construtores de gaiolas vai na prática uma boa sacudidela de penas. Estamos hoje sobre &#8220;cidadania governante&#8221; como Lenine estava quando a sua ala tomou o Palácio de Inverno abandonado pelas vicissitudes da destruição que a guerra tinha provocado. É emocionalmente &#8220;espevitante&#8221; que estivessem centenas de milhares de membros dos sovietes em Moscovo, como alguém disse aí acima, porém tudo se passou principalmente em São Peterburgo. E verdade seja dita, não foi revolução nenhuma, os sovietes já existiam como resposta às vicissitudes da guerra convocada pela mobilização da monarquia czarista. O que quer dizer que as pessoas só se auto-organizam quando em desespero pressentem que qualquer grave degradação no sistema que zela pela segurança das suas vidas coloca a sua sobrevivência em risco. Como referência pode-se apelar para o conceito de Bloco Histórico de Gramsci.<br />
O outro problema fulcral é o da educação, a todos os niveis, mas principalmente na politica. Acham que o Czar ou Kerenski tomariam a iniciativa de fazer como o Fidel que num ano organizou a alfabetização geral da população? este foi dos poucos êxitos que, quanto a mim, o socialismo &#8220;real&#8221; conseguiu. Está ali um Bloco que para o (neo)liberalismo não vai ser fácil de desmontar com ofertas de aparelhagens stereo, relvados nos quintais e móveis ikeia . Daqui é bom que se recorde a célebre pergunta que o jornalista fez a Lenine: &#8220;e é com esta população de 90 por cento de mujiques que não sabem ler nem escrever que o vosso partido se propõe fazer tudo isso?<br />
Moral da história: ninguém quererá  preocupar-se com coisa alguma quando os governos conseguem garantir um nivel minimo de privilégios enfiados pelas goelas abaixo dos sectores vitais na manipulação de massas. Com o eclodir de uma guerra de carácter imperialista tudo se desconjunta. E actualmente, para memória futura, temos 4: o Iraque, O Afeganistão, o Paquistão e o Irão (em embrião).<br />
Por enquanto ainda estamos na fase de recrutamento da soldadesca a troco de salários catitas, mas até quando vão as potências aliadas ocidentais conseguir produzir dinheiro a granel para suportar este paradigma?</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: JMC</title>
		<link>http://5dias.net/2009/10/04/cidadania-governante/comment-page-1/#comment-108187</link>
		<dc:creator>JMC</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 06 Oct 2009 02:43:22 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://5dias.net/?p=26253#comment-108187</guid>
		<description>MSP.

1. “Por outras palavras, será à economia que compete exigir outra política, como se não fosse já exigente que sobra nessa matéria, ou seremos que nós que deveremos ousar querer transformar politicamente a economia e governá-la, republicanizando-a em termos democráticos?”

Na primeira parte da sua interrogação está a resposta que procura. De facto, é a economia que exige sempre outra política que se lhe adeqúe. Aliás, é por isso que a economia a que nos referimos não é a economia doméstica, mas a economia política. É claro que a política não lhe confere todos os instrumentos que exige; os ideólogos e os políticos, nessa função diferenciada especializada, vêem mais longe e melhor do que os práticos da economia, aqueles que se dedicam à produção das condições de existência, e por isso procuram assegurar as melhores condições para as relações que se estabelecem na esfera económica, regularizando os diferentes interesses que aí se manifestam, dentro das respectivas relações de forças.

Não compreendo muito bem o que designa por governar a economia “republicanizando-a em termos democráticos”. Mas parece-me que uma das tarefas dos políticos na democracia que existe tem sido precisamente zelar pela democratização da economia, pela observância das regras da livre concorrência, do livre estabelecimento da produção, do comércio livre, da organização sindical livre, etc..

2. “A JMC gostaria de perguntar como é que a nova ordem económica, não assente no salariato, terá pés para andar e andará, a não ser que a construamos através da transformação política e democrática da economia dominante”. 

Respondo-lhe, com todo o gosto, embora a resposta possa não lhe agradar. Um novo estado de coisas na esfera económica da sociedade, um novo tipo de relações económicas de produção, só poderá ser diferente do salariato. Este corresponde ao tipo de relação económica existente maioritariamente; nova relação económica de produção terá de ser forçosamente coisa diferente da relação salarial. Muita gente confundiu com novas relações sociais de produção novas relações ideológicas e políticas para regular a velha relação económica de produção salarial, e a isso designou por socialismo e por comunismo. 

Não me parece que uma nova sociedade, mais igualitária ou, pelo menos, mais justa, por exemplo, possa ser baseada na velha relação salarial de exploração gerada pela “troca desigual”, quer os beneficiários sejam capitalistas individuais, quer sejam os capitalistas agrupados em partido totalitário (económico, político e social). A “troca desigual” em que se baseia a relação salarial não pode ser alegre e impunemente confundida com qualquer relação de troca equitativa, que terá forçosamente de estar na base de qualquer sociedade igualitária.

Sim, “teremos de esperar que a economia se transforme a si própria”, mas não “sem a intervenção dos seus agentes humanos”, porque são os agentes humanos os actores das relações económicas que aí se estabelecem, “e o faça, ainda por cima, no sentido do fim do salariato”. Não tem havido outro modo de substituir as velhas relações económicas dominantes a não ser pela sua própria decadência, pelo esgotamento das suas capacidades de continuarem aproveitando e desenvolvendo as “forças produtivas da sociedade”, e pela concorrência de novas relações económicas de produção que mostrem possuir essa capacidade. 

Sou desprovido de dons adivinhatórios e, por isso, não sei que tipo novo de relações económicas de produção será estabelecido e terá pés para andar e ande disputando o domínio à relação salarial. Eventualmente algum dos que já por aí existem em convivência com o salariato, mas ainda muito minoritários, nos quais os produtores não vendem como mercadoria trabalho, em troca de salário, mas produtos do seu trabalho. É questão de dar tempo ao tempo, porque o tempo histórico não se mede pelo tempo da vida de cada, para quem o futuro é sempre tarde.

Pelo andar da carruagem do desenvolvimento económico e social não me parece que esta vá no sentido “da exploração e da nossa redução a mão-de-obra, cada vez mais concebida como simples matéria-prima”. Isso foi já passado, no tempo em que os próprios homens eram mercadoria. A própria relação salarial capitalista, afinal, acabou por constituir, face à relação tributária que a antecedeu, um progresso não despiciendo. Mesmo que a cegueira da paixão motivada pelas ideologias idealistas voluntaristas lhe atribuam os piores males que a humanidade já produziu.

JMC.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>MSP.</p>
<p>1. “Por outras palavras, será à economia que compete exigir outra política, como se não fosse já exigente que sobra nessa matéria, ou seremos que nós que deveremos ousar querer transformar politicamente a economia e governá-la, republicanizando-a em termos democráticos?”</p>
<p>Na primeira parte da sua interrogação está a resposta que procura. De facto, é a economia que exige sempre outra política que se lhe adeqúe. Aliás, é por isso que a economia a que nos referimos não é a economia doméstica, mas a economia política. É claro que a política não lhe confere todos os instrumentos que exige; os ideólogos e os políticos, nessa função diferenciada especializada, vêem mais longe e melhor do que os práticos da economia, aqueles que se dedicam à produção das condições de existência, e por isso procuram assegurar as melhores condições para as relações que se estabelecem na esfera económica, regularizando os diferentes interesses que aí se manifestam, dentro das respectivas relações de forças.</p>
<p>Não compreendo muito bem o que designa por governar a economia “republicanizando-a em termos democráticos”. Mas parece-me que uma das tarefas dos políticos na democracia que existe tem sido precisamente zelar pela democratização da economia, pela observância das regras da livre concorrência, do livre estabelecimento da produção, do comércio livre, da organização sindical livre, etc..</p>
<p>2. “A JMC gostaria de perguntar como é que a nova ordem económica, não assente no salariato, terá pés para andar e andará, a não ser que a construamos através da transformação política e democrática da economia dominante”. </p>
<p>Respondo-lhe, com todo o gosto, embora a resposta possa não lhe agradar. Um novo estado de coisas na esfera económica da sociedade, um novo tipo de relações económicas de produção, só poderá ser diferente do salariato. Este corresponde ao tipo de relação económica existente maioritariamente; nova relação económica de produção terá de ser forçosamente coisa diferente da relação salarial. Muita gente confundiu com novas relações sociais de produção novas relações ideológicas e políticas para regular a velha relação económica de produção salarial, e a isso designou por socialismo e por comunismo. </p>
<p>Não me parece que uma nova sociedade, mais igualitária ou, pelo menos, mais justa, por exemplo, possa ser baseada na velha relação salarial de exploração gerada pela “troca desigual”, quer os beneficiários sejam capitalistas individuais, quer sejam os capitalistas agrupados em partido totalitário (económico, político e social). A “troca desigual” em que se baseia a relação salarial não pode ser alegre e impunemente confundida com qualquer relação de troca equitativa, que terá forçosamente de estar na base de qualquer sociedade igualitária.</p>
<p>Sim, “teremos de esperar que a economia se transforme a si própria”, mas não “sem a intervenção dos seus agentes humanos”, porque são os agentes humanos os actores das relações económicas que aí se estabelecem, “e o faça, ainda por cima, no sentido do fim do salariato”. Não tem havido outro modo de substituir as velhas relações económicas dominantes a não ser pela sua própria decadência, pelo esgotamento das suas capacidades de continuarem aproveitando e desenvolvendo as “forças produtivas da sociedade”, e pela concorrência de novas relações económicas de produção que mostrem possuir essa capacidade. </p>
<p>Sou desprovido de dons adivinhatórios e, por isso, não sei que tipo novo de relações económicas de produção será estabelecido e terá pés para andar e ande disputando o domínio à relação salarial. Eventualmente algum dos que já por aí existem em convivência com o salariato, mas ainda muito minoritários, nos quais os produtores não vendem como mercadoria trabalho, em troca de salário, mas produtos do seu trabalho. É questão de dar tempo ao tempo, porque o tempo histórico não se mede pelo tempo da vida de cada, para quem o futuro é sempre tarde.</p>
<p>Pelo andar da carruagem do desenvolvimento económico e social não me parece que esta vá no sentido “da exploração e da nossa redução a mão-de-obra, cada vez mais concebida como simples matéria-prima”. Isso foi já passado, no tempo em que os próprios homens eram mercadoria. A própria relação salarial capitalista, afinal, acabou por constituir, face à relação tributária que a antecedeu, um progresso não despiciendo. Mesmo que a cegueira da paixão motivada pelas ideologias idealistas voluntaristas lhe atribuam os piores males que a humanidade já produziu.</p>
<p>JMC.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: ezequiel</title>
		<link>http://5dias.net/2009/10/04/cidadania-governante/comment-page-1/#comment-108186</link>
		<dc:creator>ezequiel</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 06 Oct 2009 00:28:42 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://5dias.net/?p=26253#comment-108186</guid>
		<description>&lt;Vejamos as coisas por outro lado, Caro Miguel.

Imaginemos por momentos que a militança plena e robusta dos cidadãos em pequenos fóruns de deliberação e decisão política se transforma num imenso ninho de vaidades, todas elas mui personalistas...e, mais, imaginemos que o imperativo de participar activamente na vida pública se transforma num credo fervoroso, quase religioso, de pequenas e grandes causas...o homem ao serviço da causa!! Está a ver o problema, caro Miguel? Milhares de religiosos nas ruas!! Uma chatice. :) 

o problema da diferenciação que mencionei, caro Miguel, é uma condição ontológica que precede as injustiças sociais...a autonomia, ou melhor, as condições da autonomia (entre elas a igualdade de direitos e de acesso aberto a processos de decisão, como menciona, e de possibilidades de &quot;auto-criação&quot;) favorecem a diferenciação. Os homens criam. Uma autonomia sem igualdade seria a autonomia de uma classe. A autonomia pressupõe a igualdade: a existência de condições, de possibilidades para se ser autónomo). Mas que igualdade é que melhor serve a autonomia quando esta se diferencia? (no momento pós igualitário, por ex.) Ou seja, a diferenciação é algo que antecede qualquer injustiça social mesmo quando esta ocorre em condições de igualdade e de justiça social (imaginemos).  É um fenómeno mais vasto e complexo do que o da justiça social. (não pretendo denegrir algo, apenas a explorar o que me parece ser um problema) 

Perdoe-me se isto parecer um pouco caótico. 

cumps
ezequiel</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>&lt;Vejamos as coisas por outro lado, Caro Miguel.</p>
<p>Imaginemos por momentos que a militança plena e robusta dos cidadãos em pequenos fóruns de deliberação e decisão política se transforma num imenso ninho de vaidades, todas elas mui personalistas&#8230;e, mais, imaginemos que o imperativo de participar activamente na vida pública se transforma num credo fervoroso, quase religioso, de pequenas e grandes causas&#8230;o homem ao serviço da causa!! Está a ver o problema, caro Miguel? Milhares de religiosos nas ruas!! Uma chatice. <img src='http://5dias.net/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif' alt=':)' class='wp-smiley' />  </p>
<p>o problema da diferenciação que mencionei, caro Miguel, é uma condição ontológica que precede as injustiças sociais&#8230;a autonomia, ou melhor, as condições da autonomia (entre elas a igualdade de direitos e de acesso aberto a processos de decisão, como menciona, e de possibilidades de &quot;auto-criação&quot;) favorecem a diferenciação. Os homens criam. Uma autonomia sem igualdade seria a autonomia de uma classe. A autonomia pressupõe a igualdade: a existência de condições, de possibilidades para se ser autónomo). Mas que igualdade é que melhor serve a autonomia quando esta se diferencia? (no momento pós igualitário, por ex.) Ou seja, a diferenciação é algo que antecede qualquer injustiça social mesmo quando esta ocorre em condições de igualdade e de justiça social (imaginemos).  É um fenómeno mais vasto e complexo do que o da justiça social. (não pretendo denegrir algo, apenas a explorar o que me parece ser um problema) </p>
<p>Perdoe-me se isto parecer um pouco caótico. </p>
<p>cumps<br />
ezequiel</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: viana</title>
		<link>http://5dias.net/2009/10/04/cidadania-governante/comment-page-1/#comment-108182</link>
		<dc:creator>viana</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 05 Oct 2009 22:42:55 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://5dias.net/?p=26253#comment-108182</guid>
		<description>Caro miguel serras pereira, acho que não devemos ter pruridos na utilização da palavra Estado. Pertence claramente à tradição política libertária, que desconfia, com razão, da concentração de Poder que resulta da constituição dum Estado. Eu diria que um Estado existe a partir do momento em que um grupo de pessoas consegue impôr sistematicamente a sua vontade a outras, que habitualmente residem com as primeiras num dado território. A alternativa lógica, a ausência de Estado, é o Poder (de imposição) ser exercido por diferentes grupos, que competem e cooperam entre si, conforme as circunstâncias (vide o caso &quot;exemplar&quot; da Somália). A questão fundamental é então: qual destas situações mais beneficia (a maioria d) as pessoas afectadas? A  minha resposta é: a primeira, a existência de Estado, mas desde que as &quot;decisões de Estado&quot; sejam tomadas através dos mecanismos de democracia directa ou participativa, de cidadania governante, atrás mencionados. Se isso acontecer, o existência de Estado não implica uma &quot;distinção permanente entre governantes e governados&quot;, pois os primeiros possuiriam permanentemente o poder de cancelar as decisões dos primeiros, e retirá-los da &quot;condução do Estado&quot;. No entanto, apesar de entender que qualquer pessoa tem capacidade para participar numa tomada de decisão colectiva, participando numa Assembleia de Cidadãos, parece-me claro que existem pessoas sem &quot;vocação&quot; para governar, i.e. para serem &quot;gestores da causa pública&quot;. Ou seja, acho que o que importa na cidadania governante é a (possibilidade efectiva de) participação na tomada de decisões. Parece-me secundária a existente da capacidade de governar, apesar de obviamente desejável. Governar, gerir, é uma capacidade humana como tricotar, perceber Física, pintar. Seria excelente que possuíssemos plenamente desenvolvidas todas as capacidades disponíveis para qualquer ser humano, mas realisticamente tal não é possível. Portanto, não me parece ser possível que todos nós possamos governar com iguais resultados (e relembro que aqui uso governar como significando capacidade de implementação de decisões anteriormente tomadas por deliberação colectiva representativa, e não como sinónimo de decidir).

Finalmente, parece-me que existe quem ache que a plena democracia política (a igualdade no exercício do poder político) não é possível sem a democracia (ou igualdade) económico-social. É verdade. A cidadania governante não é suficiente para atingirmos uma sociedade igualitária, sob todos os pontos de vista, mas é necessária. Se não podemos ter tudo já, e não me parece de todo realista esperar que assim aconteça, por onde começar? Diria que a experência dos putativos Estados &quot;socialistas&quot; demonstrou que quando se deixa para o fim a democracia política, esta acaba por nunca se materializar. Por outro lado, nos Estados Capitalistas contemporâneos, enquanto que a igualdade económico-social é demonizada, o conceito de igualdade política é onde assenta grande parte da legitimidade com que o Estado Capitalista se apresenta aos cidadãos. Parece-me por isso ser mais fácil, aqui e agora, pugnar por e obter apoio para uma transformação do exercício político, exigindo mais Democracia (política). Isto não quer dizer que devamos desistir, ou abrandar a luta pela igualdade económico-social, mas antes que a subversão democrática pode também ser atingida por outras vias, com maior probabilidade de sucesso. Imaginem operári@s, professor@s universitári@s, don@s de casa, estudantes, serem chamados a tomar decisões em nome de todos os cidadãos. Dar Poder de decidir sobre decisões de Estado a quem nunca o teve, ao &quot;zé-ninguém&quot;. É ou não subsersivo?... E é possível, já a nível local, depois a nível nacional.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Caro miguel serras pereira, acho que não devemos ter pruridos na utilização da palavra Estado. Pertence claramente à tradição política libertária, que desconfia, com razão, da concentração de Poder que resulta da constituição dum Estado. Eu diria que um Estado existe a partir do momento em que um grupo de pessoas consegue impôr sistematicamente a sua vontade a outras, que habitualmente residem com as primeiras num dado território. A alternativa lógica, a ausência de Estado, é o Poder (de imposição) ser exercido por diferentes grupos, que competem e cooperam entre si, conforme as circunstâncias (vide o caso &#8220;exemplar&#8221; da Somália). A questão fundamental é então: qual destas situações mais beneficia (a maioria d) as pessoas afectadas? A  minha resposta é: a primeira, a existência de Estado, mas desde que as &#8220;decisões de Estado&#8221; sejam tomadas através dos mecanismos de democracia directa ou participativa, de cidadania governante, atrás mencionados. Se isso acontecer, o existência de Estado não implica uma &#8220;distinção permanente entre governantes e governados&#8221;, pois os primeiros possuiriam permanentemente o poder de cancelar as decisões dos primeiros, e retirá-los da &#8220;condução do Estado&#8221;. No entanto, apesar de entender que qualquer pessoa tem capacidade para participar numa tomada de decisão colectiva, participando numa Assembleia de Cidadãos, parece-me claro que existem pessoas sem &#8220;vocação&#8221; para governar, i.e. para serem &#8220;gestores da causa pública&#8221;. Ou seja, acho que o que importa na cidadania governante é a (possibilidade efectiva de) participação na tomada de decisões. Parece-me secundária a existente da capacidade de governar, apesar de obviamente desejável. Governar, gerir, é uma capacidade humana como tricotar, perceber Física, pintar. Seria excelente que possuíssemos plenamente desenvolvidas todas as capacidades disponíveis para qualquer ser humano, mas realisticamente tal não é possível. Portanto, não me parece ser possível que todos nós possamos governar com iguais resultados (e relembro que aqui uso governar como significando capacidade de implementação de decisões anteriormente tomadas por deliberação colectiva representativa, e não como sinónimo de decidir).</p>
<p>Finalmente, parece-me que existe quem ache que a plena democracia política (a igualdade no exercício do poder político) não é possível sem a democracia (ou igualdade) económico-social. É verdade. A cidadania governante não é suficiente para atingirmos uma sociedade igualitária, sob todos os pontos de vista, mas é necessária. Se não podemos ter tudo já, e não me parece de todo realista esperar que assim aconteça, por onde começar? Diria que a experência dos putativos Estados &#8220;socialistas&#8221; demonstrou que quando se deixa para o fim a democracia política, esta acaba por nunca se materializar. Por outro lado, nos Estados Capitalistas contemporâneos, enquanto que a igualdade económico-social é demonizada, o conceito de igualdade política é onde assenta grande parte da legitimidade com que o Estado Capitalista se apresenta aos cidadãos. Parece-me por isso ser mais fácil, aqui e agora, pugnar por e obter apoio para uma transformação do exercício político, exigindo mais Democracia (política). Isto não quer dizer que devamos desistir, ou abrandar a luta pela igualdade económico-social, mas antes que a subversão democrática pode também ser atingida por outras vias, com maior probabilidade de sucesso. Imaginem operári@s, professor@s universitári@s, don@s de casa, estudantes, serem chamados a tomar decisões em nome de todos os cidadãos. Dar Poder de decidir sobre decisões de Estado a quem nunca o teve, ao &#8220;zé-ninguém&#8221;. É ou não subsersivo?&#8230; E é possível, já a nível local, depois a nível nacional.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: ruy</title>
		<link>http://5dias.net/2009/10/04/cidadania-governante/comment-page-1/#comment-108180</link>
		<dc:creator>ruy</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 05 Oct 2009 22:19:34 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://5dias.net/?p=26253#comment-108180</guid>
		<description>Ao JMC
“È coisa que já exista e que clama por outra organização do político.?”  
Resposta:Já existe.

“É um autêntica “quadratura do círculo” pretender transformar em igualitária uma sociedade baseada na “troca desigual””.  
Resposta: Quem falou em “transformar em igualitária uma sociedade?”  Pretende-se tornar MAIS igualitária o que faz toda a diferença.

“Por isso, enquanto outra economia não exija outra política”
Resposta: Mas não será que esta economia  já exigiu “outras políticas”?</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Ao JMC<br />
“È coisa que já exista e que clama por outra organização do político.?”<br />
Resposta:Já existe.</p>
<p>“É um autêntica “quadratura do círculo” pretender transformar em igualitária uma sociedade baseada na “troca desigual””.<br />
Resposta: Quem falou em “transformar em igualitária uma sociedade?”  Pretende-se tornar MAIS igualitária o que faz toda a diferença.</p>
<p>“Por isso, enquanto outra economia não exija outra política”<br />
Resposta: Mas não será que esta economia  já exigiu “outras políticas”?</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: miguel serras pereira</title>
		<link>http://5dias.net/2009/10/04/cidadania-governante/comment-page-1/#comment-108179</link>
		<dc:creator>miguel serras pereira</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 05 Oct 2009 21:35:32 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://5dias.net/?p=26253#comment-108179</guid>
		<description>1. Estou de acordo com NF, pelo menos na medida em que também penso que a concepção liberal da autonomia, nas suas formulações diversas, não é a da &quot;sociedade autónoma&quot; no sentido em que a visa a cidadania governante. Pensei que, insistindo mais nas vertentes sociais e colectivas do &quot;projecto de autonomia&quot;, o teria deixado claro.  E aproveito a ocasião para o deixar um pouco mais agora.
2. A JMC gostaria de perguntar como é que a nova ordem económica, não assente no salariato, terá pés para andar e andará, a não ser que a construamos através da transformação política e democrática da economia dominante. Ou teremos de esperar que a economia se transforme a si própria sem a intervenção dos seus agentes humanos, e o faça, ainda por cima, no sentido do fim do salariato, da exploração e da nossa redução a mão-de-obra, cada vez mais concebida como simples matéria-prima? Por outras palavras, será à economia que compete exigir outra política, como se não fosse já exigente que sobra nessa matéria, ou seremos que nós que deveremos ousar querer transformar politicamente a economia e governá-la, republicanizando-a em termos democráticos?</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>1. Estou de acordo com NF, pelo menos na medida em que também penso que a concepção liberal da autonomia, nas suas formulações diversas, não é a da &#8220;sociedade autónoma&#8221; no sentido em que a visa a cidadania governante. Pensei que, insistindo mais nas vertentes sociais e colectivas do &#8220;projecto de autonomia&#8221;, o teria deixado claro.  E aproveito a ocasião para o deixar um pouco mais agora.<br />
2. A JMC gostaria de perguntar como é que a nova ordem económica, não assente no salariato, terá pés para andar e andará, a não ser que a construamos através da transformação política e democrática da economia dominante. Ou teremos de esperar que a economia se transforme a si própria sem a intervenção dos seus agentes humanos, e o faça, ainda por cima, no sentido do fim do salariato, da exploração e da nossa redução a mão-de-obra, cada vez mais concebida como simples matéria-prima? Por outras palavras, será à economia que compete exigir outra política, como se não fosse já exigente que sobra nessa matéria, ou seremos que nós que deveremos ousar querer transformar politicamente a economia e governá-la, republicanizando-a em termos democráticos?</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: ezequiel</title>
		<link>http://5dias.net/2009/10/04/cidadania-governante/comment-page-1/#comment-108178</link>
		<dc:creator>ezequiel</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 05 Oct 2009 20:56:45 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://5dias.net/?p=26253#comment-108178</guid>
		<description>Caro Miguel


Obrigado pela sua resposta.

Só algumas notas breves. Primeiro, a concepção de autonomia que aqui apresenta tem mais que ver com a responsabilidade do que com a autonomia. O ideal da autonomia é mais do que uma concepção de responsabilidade política.  Por exemplo, uma teoria liberal da autonomia pode muito bem legitimar a não participação na vida política. 

Eu não defendi a tese de que as diferenças de capacidades justificam injustiças sociais. Acredito que a igualdade maximiza as possibilidades de autonomia. O que eu disse é que existe uma tensão permanente entre práticas de autonomia e igualdade. Neste particular, a noção de igualdade complexa que Walzer explora, com alguma hesitação, no seu Spheres of Justice (Esferas de Justiça, em Português, julgo eu) parece-me bastante interessante. 

Quanto ao resto, concordo. 

Obrigado pela resposta.

melhores cumprimentos
ezequiel</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Miguel</p>
<p>Obrigado pela sua resposta.</p>
<p>Só algumas notas breves. Primeiro, a concepção de autonomia que aqui apresenta tem mais que ver com a responsabilidade do que com a autonomia. O ideal da autonomia é mais do que uma concepção de responsabilidade política.  Por exemplo, uma teoria liberal da autonomia pode muito bem legitimar a não participação na vida política. </p>
<p>Eu não defendi a tese de que as diferenças de capacidades justificam injustiças sociais. Acredito que a igualdade maximiza as possibilidades de autonomia. O que eu disse é que existe uma tensão permanente entre práticas de autonomia e igualdade. Neste particular, a noção de igualdade complexa que Walzer explora, com alguma hesitação, no seu Spheres of Justice (Esferas de Justiça, em Português, julgo eu) parece-me bastante interessante. </p>
<p>Quanto ao resto, concordo. </p>
<p>Obrigado pela resposta.</p>
<p>melhores cumprimentos<br />
ezequiel</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: miguel serras pereira</title>
		<link>http://5dias.net/2009/10/04/cidadania-governante/comment-page-1/#comment-108177</link>
		<dc:creator>miguel serras pereira</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 05 Oct 2009 20:46:19 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://5dias.net/?p=26253#comment-108177</guid>
		<description>Caro Ruy, deve haver um mal-entendido. A minha proposta é substituir ao Estado o poder político das assembleias de cidadãos e dos magistrados mandatados por elas - ou designados por sorteio, noutros casos -, de modo a superar a divisão permanente entre governantes e governados. Trata-se de fazer com que cada cidadão só seja governado na medida em que possa participar em condições de igualdade no exercício do governo. E quanto às empresas, defendo, não só o seu controle, como a democratização do seu funcionamento (e o do conjunto da actividade económica). A dificuldade deste programa é que implica a participação e a adesão livres e responsáveis da imensa maioria dos seus destinatários. Não há doutrina libertadora que valha à falta de vontade e de acção políticas dos interessados. Quando se pretende impor a libertação, agravam-se as condições da opressão e da desigualdade. Era o que, apesar do seu marxismo sui generis, Rosa Luxemburgo já sabia: é preferível deixar que a base erre a impor-lhe as verdades do comité central; a luta pela emancipação faz-se, não suprimindo as liberdades democráticas &quot;recuperadas&quot; pela dominação capitalista e estatal, mas intensificando-as e generalizando-as, alargando e aprofundando o seu exercício, e rompendo com o regime que as limita e reprime. 
Espero que isto esclareça alguma coisa. Saudações republicanas   msp</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Ruy, deve haver um mal-entendido. A minha proposta é substituir ao Estado o poder político das assembleias de cidadãos e dos magistrados mandatados por elas &#8211; ou designados por sorteio, noutros casos -, de modo a superar a divisão permanente entre governantes e governados. Trata-se de fazer com que cada cidadão só seja governado na medida em que possa participar em condições de igualdade no exercício do governo. E quanto às empresas, defendo, não só o seu controle, como a democratização do seu funcionamento (e o do conjunto da actividade económica). A dificuldade deste programa é que implica a participação e a adesão livres e responsáveis da imensa maioria dos seus destinatários. Não há doutrina libertadora que valha à falta de vontade e de acção políticas dos interessados. Quando se pretende impor a libertação, agravam-se as condições da opressão e da desigualdade. Era o que, apesar do seu marxismo sui generis, Rosa Luxemburgo já sabia: é preferível deixar que a base erre a impor-lhe as verdades do comité central; a luta pela emancipação faz-se, não suprimindo as liberdades democráticas &#8220;recuperadas&#8221; pela dominação capitalista e estatal, mas intensificando-as e generalizando-as, alargando e aprofundando o seu exercício, e rompendo com o regime que as limita e reprime.<br />
Espero que isto esclareça alguma coisa. Saudações republicanas   msp</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: nf</title>
		<link>http://5dias.net/2009/10/04/cidadania-governante/comment-page-1/#comment-108176</link>
		<dc:creator>nf</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 05 Oct 2009 20:44:01 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://5dias.net/?p=26253#comment-108176</guid>
		<description>Eu não queria dizer que a democracia liberal é uma verdadeira democracia mas somente aludir ao facto desta assentar na putativa autonomia da política. Parece-me que, para recolocar a questão da auto-construção de um nomos é preciso desligar, radicalmente, o conceito de autonomia da tradição liberal onde se articula autonomia com soberania.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Eu não queria dizer que a democracia liberal é uma verdadeira democracia mas somente aludir ao facto desta assentar na putativa autonomia da política. Parece-me que, para recolocar a questão da auto-construção de um nomos é preciso desligar, radicalmente, o conceito de autonomia da tradição liberal onde se articula autonomia com soberania.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: JMC</title>
		<link>http://5dias.net/2009/10/04/cidadania-governante/comment-page-1/#comment-108173</link>
		<dc:creator>JMC</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 05 Oct 2009 20:32:50 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://5dias.net/?p=26253#comment-108173</guid>
		<description>Parece-me que os projectos de engenharia social, estes em discussão como outros já discutidos e levados à prática, e que se esboroaram, esquecem o fundamental: as características dos materiais e as funções e os objectivos do que pretendem construir.

Pergunto a qualquer dos intervenientes: qual a realidade económica que uma tal utopia política pretende regular? È coisa que já exista e que clama por outra organização do político, ou será coisa a criar pela organização política que seria suposto ser a sua criação.

É enfadonho, e vão, esta coisa de apresentar utopias políticas constituídas por bonitos carros intelectuais que são colocados à frente dos toscos bois que os movem. O marxismo ainda apresentava tal pretensão como sendo baseada num naturalismo igualitário fundado na sua racionalidade científica, ambos falsos. Aqui, o pessoal pretende-a baseada num naturalismo igualitário fundado numa ética humanista, também ambos falsos.

Até que uma nova ordem económica, certamente não baseada no salariato, tenha pés para andar e ande, como será possível tornar real, fora do idealismo voluntarista mais ineficaz, e ingénuo, uma nova política que lhe corresponda? É um autêntica “quadratura do círculo” pretender transformar em igualitária uma sociedade baseada na “troca desigual”. Por isso, enquanto outra economia não exija outra política, a actual política, os seus conteúdos e as suas formas institucionais, terá de ir sendo feita no âmbito da política da economia existente, procurando tornar real a parte do desejável que é possível em campos que não a põem em causa.

JMC.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Parece-me que os projectos de engenharia social, estes em discussão como outros já discutidos e levados à prática, e que se esboroaram, esquecem o fundamental: as características dos materiais e as funções e os objectivos do que pretendem construir.</p>
<p>Pergunto a qualquer dos intervenientes: qual a realidade económica que uma tal utopia política pretende regular? È coisa que já exista e que clama por outra organização do político, ou será coisa a criar pela organização política que seria suposto ser a sua criação.</p>
<p>É enfadonho, e vão, esta coisa de apresentar utopias políticas constituídas por bonitos carros intelectuais que são colocados à frente dos toscos bois que os movem. O marxismo ainda apresentava tal pretensão como sendo baseada num naturalismo igualitário fundado na sua racionalidade científica, ambos falsos. Aqui, o pessoal pretende-a baseada num naturalismo igualitário fundado numa ética humanista, também ambos falsos.</p>
<p>Até que uma nova ordem económica, certamente não baseada no salariato, tenha pés para andar e ande, como será possível tornar real, fora do idealismo voluntarista mais ineficaz, e ingénuo, uma nova política que lhe corresponda? É um autêntica “quadratura do círculo” pretender transformar em igualitária uma sociedade baseada na “troca desigual”. Por isso, enquanto outra economia não exija outra política, a actual política, os seus conteúdos e as suas formas institucionais, terá de ir sendo feita no âmbito da política da economia existente, procurando tornar real a parte do desejável que é possível em campos que não a põem em causa.</p>
<p>JMC.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: ruy</title>
		<link>http://5dias.net/2009/10/04/cidadania-governante/comment-page-1/#comment-108172</link>
		<dc:creator>ruy</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 05 Oct 2009 19:48:31 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://5dias.net/?p=26253#comment-108172</guid>
		<description>Caro MSP
Pois, e daí? Há 2.000 anos que os católicos pregam “que todos somos iguais” e vejam-se os resultados. As mudanças não se alcançam por vontades tomadas individualmente por mais meritórias que sejam. As mudanças acontecem quando vontades colectivas ganham força e capacidade de mudança. Unidas numa nova esperança de justiça social. Em cada época histórica assim foi e assim será. Não como pretensão que uma tal doutrina quando  “bem aplicada, garantiria a democracia, o socialismo, o fim da história e da política ...&quot; não, mas com a certeza de que dentro das limitações da  sua época , se afigura como a mais realista e consequente para provocar uma mudança que permita uma nova forma de democracia. Uma nova forma de organização social que assegure o controlo social permanente sobre o Estado e as empresas.Uma nova forma de organização social, tendo como um dos seus objectivos a valorização da democracia participativa. A democracia não é apenas uma forma de governo, uma modalidade de Estado, um regime político, uma forma de vida. É um direito da Humanidade (dos povos e dos cidadãos). Democracia e participação se exigem. Não há democracia sem participação, sem povo. O regime será tanto mais democrático quanto tenha desobstruído canais, obstáculos, óbices, à livre e directa manifestação da vontade do cidadão.
Naturalmente que as dificuldades maiores residem nos mecanismos, no modo pratico de como assegurar o controlo social permanente sobre o Estado e as Empresas. De outro modo, de como assegurar uma vivência plena da Democracia. É por esta razão que concordo consigo quando afirma. “As desigualdades económicas crescentes são inaceitáveis porque são desigualdades políticas, porque são desigualdades no que se refere ao exercício e benefícios do poder. Não vejo que se possa combatê-las a não ser igualizando a participação no exercício do poder – “solução” a que tanto a forma hierárquica do Estado como a economia política dominante excluem e reprimem.”</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Caro MSP<br />
Pois, e daí? Há 2.000 anos que os católicos pregam “que todos somos iguais” e vejam-se os resultados. As mudanças não se alcançam por vontades tomadas individualmente por mais meritórias que sejam. As mudanças acontecem quando vontades colectivas ganham força e capacidade de mudança. Unidas numa nova esperança de justiça social. Em cada época histórica assim foi e assim será. Não como pretensão que uma tal doutrina quando  “bem aplicada, garantiria a democracia, o socialismo, o fim da história e da política &#8230;&#8221; não, mas com a certeza de que dentro das limitações da  sua época , se afigura como a mais realista e consequente para provocar uma mudança que permita uma nova forma de democracia. Uma nova forma de organização social que assegure o controlo social permanente sobre o Estado e as empresas.Uma nova forma de organização social, tendo como um dos seus objectivos a valorização da democracia participativa. A democracia não é apenas uma forma de governo, uma modalidade de Estado, um regime político, uma forma de vida. É um direito da Humanidade (dos povos e dos cidadãos). Democracia e participação se exigem. Não há democracia sem participação, sem povo. O regime será tanto mais democrático quanto tenha desobstruído canais, obstáculos, óbices, à livre e directa manifestação da vontade do cidadão.<br />
Naturalmente que as dificuldades maiores residem nos mecanismos, no modo pratico de como assegurar o controlo social permanente sobre o Estado e as Empresas. De outro modo, de como assegurar uma vivência plena da Democracia. É por esta razão que concordo consigo quando afirma. “As desigualdades económicas crescentes são inaceitáveis porque são desigualdades políticas, porque são desigualdades no que se refere ao exercício e benefícios do poder. Não vejo que se possa combatê-las a não ser igualizando a participação no exercício do poder – “solução” a que tanto a forma hierárquica do Estado como a economia política dominante excluem e reprimem.”</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: miguel serras pereira</title>
		<link>http://5dias.net/2009/10/04/cidadania-governante/comment-page-1/#comment-108170</link>
		<dc:creator>miguel serras pereira</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 05 Oct 2009 18:55:18 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://5dias.net/?p=26253#comment-108170</guid>
		<description>1. Caro NF - não deveríamos falar de democracia burguesa. A dominação burguesa exclui a democracia; a democracia exclui a dominação de classe. Vivemos em sociedades oligárquicas - &quot;oligarquias liberais&quot;, segundo Castoriadis - marcadas por combates democráticos e conquistas que limitam o princípio oligárquico. Perante esta situação, podemos responder de várias maneiras. Para mim, trata-se de não menosprezar os elementos e conquistas de inspiração ou potenciação democrática adquiridos e de apostar na sua extensão, sendo que este alargamento do legado.  democrático significa a luta não só na cena política dominante, e visando transformá-la, como na esfera do poder político dissimulado que se exerce na esfera da economia.  Na perspectiva de uma cidadania governante, a actividade económica terá de ser dirigida pela associação igualitária daqueles a quem interessa e afecta - ou seja, o conjunto dos cidadãos. Daí que a democratização do mercado e a política de igualização dos rendimentos sejam, como disse antes, aspectos fundamentais.
2. Caro Viana - o que me ocorre observar é que, se a ideia de uma sociedade sem poder político, sem lei(s), sem injunções e preferências &quot;culturais&quot; (instâncias de socialização, formação, etc.) positivas, é aquilo a que Castoriadis (espero não ser acusado de o citar de mais, depois de o ter sido de o citar de menos) chamava uma &quot;fantasia inconsistente&quot;, importa distinguir &quot;poder político&quot; de &quot;dominação&quot;, &quot;espaço público&quot; de &quot;competência do Estado&quot;, e assim por diante. Se o Estado implica a divisão do trabalho político hierárquica e a distinção permanente entre governantes e governados, o exercício da autonomia democrática plena implica a simultaneidade, em cada cidadão, da condição e capacidade de governar e ser governado, de governar enquanto é governado. Dito isto, suponho que estaremos de acordo em pontos fundamentais. A natureza democrática da &quot;tiragem à sorte&quot; de certas magistraturas é um deles.
3. Caro Ezequiel. A palavra &quot;autonomia&quot; pode ser entendida de diversas maneiras. No plano político, eu uso-a para designar um regime de cidadãos que se dão, e se dão conta de que o fazem, assumindo os riscos e responsabilidades de o fazerem, as suas próprias leis. Há aspectos da existência individual para além da cidadania. E a igualdade dos cidadãos não é a identidade dos indivíduos. Por outro lado, não podendo ser a lei colectiva obra de um só indivíduo ou cidadão, a autonomia democrática não significa que eu seja governado por leis que aprovo, mas que posso participar na definição da lei e das leis que me governam em condições de igualdade, e que posso propor a modificação das leis a que me oponho. Enfim, não vejo por que motivo as diferenças de capacidade, de vocação, etc. justificariam desigualdades materiais (de remuneração, por exemplo) ou desigualdades de condição política. Posso ter mais iniciativa na assembleia do que outros, mas o meu voto continuará a ter o mesmo peso, e a minha participação nos debates formais, em vista de uma decisão, obedecerá às mesmas regras. Posso ter capacidades intelectuais insuficientes para a investigação fundamental, mas não me parece que aqueles que as têm devam ser remunerados mais do que eu, pelo facto de exercerem uma actividade mais interessante, ou que a sua vocação desapareça à falta de motivação económica privilegiada. 
Uma nota final: mesmo quando se entende a &quot;autonomia&quot; por referência aos direitos da singularidade individual ou daquilo a que Rorty chama a &quot;auto-criação&quot; na esfera pessoal, esta não pode afirmar-se e ser garantida a não ser mediante a existência de um espaço público suficientemente marcado pela cidadania e pela sua dimensão de participação (a que Rorty chama &quot;solidariedade&quot;) que a garanta e promova.
4. A todos os meus interlocutores neste debate, gostaria de lembrar que gostaria também que a discussão dos problemas levantados não tivesse de passar pelo registo de pergunta que me é feita seguida de resposta que me compete dar. Saudações republicanas    msp</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>1. Caro NF &#8211; não deveríamos falar de democracia burguesa. A dominação burguesa exclui a democracia; a democracia exclui a dominação de classe. Vivemos em sociedades oligárquicas &#8211; &#8220;oligarquias liberais&#8221;, segundo Castoriadis &#8211; marcadas por combates democráticos e conquistas que limitam o princípio oligárquico. Perante esta situação, podemos responder de várias maneiras. Para mim, trata-se de não menosprezar os elementos e conquistas de inspiração ou potenciação democrática adquiridos e de apostar na sua extensão, sendo que este alargamento do legado.  democrático significa a luta não só na cena política dominante, e visando transformá-la, como na esfera do poder político dissimulado que se exerce na esfera da economia.  Na perspectiva de uma cidadania governante, a actividade económica terá de ser dirigida pela associação igualitária daqueles a quem interessa e afecta &#8211; ou seja, o conjunto dos cidadãos. Daí que a democratização do mercado e a política de igualização dos rendimentos sejam, como disse antes, aspectos fundamentais.<br />
2. Caro Viana &#8211; o que me ocorre observar é que, se a ideia de uma sociedade sem poder político, sem lei(s), sem injunções e preferências &#8220;culturais&#8221; (instâncias de socialização, formação, etc.) positivas, é aquilo a que Castoriadis (espero não ser acusado de o citar de mais, depois de o ter sido de o citar de menos) chamava uma &#8220;fantasia inconsistente&#8221;, importa distinguir &#8220;poder político&#8221; de &#8220;dominação&#8221;, &#8220;espaço público&#8221; de &#8220;competência do Estado&#8221;, e assim por diante. Se o Estado implica a divisão do trabalho político hierárquica e a distinção permanente entre governantes e governados, o exercício da autonomia democrática plena implica a simultaneidade, em cada cidadão, da condição e capacidade de governar e ser governado, de governar enquanto é governado. Dito isto, suponho que estaremos de acordo em pontos fundamentais. A natureza democrática da &#8220;tiragem à sorte&#8221; de certas magistraturas é um deles.<br />
3. Caro Ezequiel. A palavra &#8220;autonomia&#8221; pode ser entendida de diversas maneiras. No plano político, eu uso-a para designar um regime de cidadãos que se dão, e se dão conta de que o fazem, assumindo os riscos e responsabilidades de o fazerem, as suas próprias leis. Há aspectos da existência individual para além da cidadania. E a igualdade dos cidadãos não é a identidade dos indivíduos. Por outro lado, não podendo ser a lei colectiva obra de um só indivíduo ou cidadão, a autonomia democrática não significa que eu seja governado por leis que aprovo, mas que posso participar na definição da lei e das leis que me governam em condições de igualdade, e que posso propor a modificação das leis a que me oponho. Enfim, não vejo por que motivo as diferenças de capacidade, de vocação, etc. justificariam desigualdades materiais (de remuneração, por exemplo) ou desigualdades de condição política. Posso ter mais iniciativa na assembleia do que outros, mas o meu voto continuará a ter o mesmo peso, e a minha participação nos debates formais, em vista de uma decisão, obedecerá às mesmas regras. Posso ter capacidades intelectuais insuficientes para a investigação fundamental, mas não me parece que aqueles que as têm devam ser remunerados mais do que eu, pelo facto de exercerem uma actividade mais interessante, ou que a sua vocação desapareça à falta de motivação económica privilegiada.<br />
Uma nota final: mesmo quando se entende a &#8220;autonomia&#8221; por referência aos direitos da singularidade individual ou daquilo a que Rorty chama a &#8220;auto-criação&#8221; na esfera pessoal, esta não pode afirmar-se e ser garantida a não ser mediante a existência de um espaço público suficientemente marcado pela cidadania e pela sua dimensão de participação (a que Rorty chama &#8220;solidariedade&#8221;) que a garanta e promova.<br />
4. A todos os meus interlocutores neste debate, gostaria de lembrar que gostaria também que a discussão dos problemas levantados não tivesse de passar pelo registo de pergunta que me é feita seguida de resposta que me compete dar. Saudações republicanas    msp</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Niet</title>
		<link>http://5dias.net/2009/10/04/cidadania-governante/comment-page-1/#comment-108169</link>
		<dc:creator>Niet</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 05 Oct 2009 18:37:20 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://5dias.net/?p=26253#comment-108169</guid>
		<description>A discussão rola e a pertinência das respostas de MS Pereira são, é o mínimo que me ocorre dizer, altamente entusiasmantes. Eu estive a reler partes  de&quot;O Conteúdo do Socialismo &quot;, de Castoriadis, ao mesmo tempo que, por causa do ersatz dos Sovietes/ do Impensado tive que me socorrer da velhinha tradução do Arsénio Mota de &quot; A Revolução Permanente &quot;, do Trotski. Castoriadis, num texto de 1955, aponta: &quot; A adesão consciente dos produtores à produção é a condição essencial do desenvolvimento máximo da produtividade, e esta adesão só se consumará na medida em que os produtores terão a certeza que a solução encontrada é unicamente a preoconizada por eles &quot;. E sobre a génese da Revolução,Trotski relembra que existiram fluxos e reflusos entre 1905 e Outubro de 1917, frisando que os Sovietes da cidade de Moscovo chegaram a contar com 12 milhões de camponeses em armas...Estes sinais para evidenciar, portanto, que uma Revolução não se decreta; pelo contrário, programa-se e espevita-se nas ruas, na sensibilidade e na emoção de revolta contra as grilhetas de uma dominação ultra-científica e despótica. Niet/ Durruti</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>A discussão rola e a pertinência das respostas de MS Pereira são, é o mínimo que me ocorre dizer, altamente entusiasmantes. Eu estive a reler partes  de&#8221;O Conteúdo do Socialismo &#8220;, de Castoriadis, ao mesmo tempo que, por causa do ersatz dos Sovietes/ do Impensado tive que me socorrer da velhinha tradução do Arsénio Mota de &#8221; A Revolução Permanente &#8220;, do Trotski. Castoriadis, num texto de 1955, aponta: &#8221; A adesão consciente dos produtores à produção é a condição essencial do desenvolvimento máximo da produtividade, e esta adesão só se consumará na medida em que os produtores terão a certeza que a solução encontrada é unicamente a preoconizada por eles &#8220;. E sobre a génese da Revolução,Trotski relembra que existiram fluxos e reflusos entre 1905 e Outubro de 1917, frisando que os Sovietes da cidade de Moscovo chegaram a contar com 12 milhões de camponeses em armas&#8230;Estes sinais para evidenciar, portanto, que uma Revolução não se decreta; pelo contrário, programa-se e espevita-se nas ruas, na sensibilidade e na emoção de revolta contra as grilhetas de uma dominação ultra-científica e despótica. Niet/ Durruti</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: ezequiel</title>
		<link>http://5dias.net/2009/10/04/cidadania-governante/comment-page-1/#comment-108166</link>
		<dc:creator>ezequiel</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 05 Oct 2009 17:37:03 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://5dias.net/?p=26253#comment-108166</guid>
		<description>errata: formas de inscrever a diferenciação  (e não formas sociais) 

desculpas. tou com pressa.

cumps
z</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>errata: formas de inscrever a diferenciação  (e não formas sociais) </p>
<p>desculpas. tou com pressa.</p>
<p>cumps<br />
z</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: ezequiel</title>
		<link>http://5dias.net/2009/10/04/cidadania-governante/comment-page-1/#comment-108165</link>
		<dc:creator>ezequiel</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 05 Oct 2009 17:35:55 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://5dias.net/?p=26253#comment-108165</guid>
		<description>1- &quot;o projecto de autonomia passa politicamente pelo que chamo a cidadania governante – a abertura à participação igualitária de todos na definição das decisões pelas quais se governem. &quot;

2- &quot; (que implica a superação da dicotomia entre governantes e governados e o contrário da política como função profissional ou prerrogativa burocrática), só podem fazê-lo convincente e eficazmente prefigurando no seu interior, desde o primeiro momento, os princípios da autonomia...&quot; 


Caro Miguel,

Este seu texto fez-me lembrar o Participation and Democratic Theory de Carole Pateman. Gostaria de fazer duas perguntas, relacionadas com os pontos 1 e 2.

1- A filosofia política parece ser uma imensa galeria de imagens e contra-imagens. A contra-imagem que aqui apresenta é de uma utopia que falhou devido, em grande parte, às contradições engendradas por uma vanguarda que presume ser capaz de organizar cientificamente a sociedade com o propósito de a expurgar de desigualdades e de injustiças.  A sua critica ao totalitarismo dos partidos-vanguarda parece-me válida. Todavia, o ideal e a prática de autonomia (seja ela de inspiração Kantiana ou outra) pressupõe e produz algo que não é inteiramente consistente com o ideal da igualdade. Primeiro, porque a autonomia diferencia, gera desigualdades,  apesar de poder ser institucionalizada como um direito igualitário. Podemos conceder os mesmos direitos a todos. Podemos presumir até que todos quererão participar. Mas não podemos supor que todos desejarão as mesmas coisas. 

2- Imagino que conheça as criticas mais pertinentes ao liberalismo contemporâneo (Sandel, Charles Taylor etc). O ideal da igualdade assenta na premissa de que a sociedade é um todo orgânico, que é mais do que a soma dos seus indivíduos autónomos. De facto, não são raras as vezes que o ideal da autonomia é criticado como um dos pilares filosóficos do dito atomismo (ou atomização) social.  É o conceito e a prática da autonomia que conferem plausibilidade ao medo ou à constatação de que 
a sociedade nada mais é do que uma imensa conglomeração de interesses privados. Alem disso,  garantir que o princípio da autonomia está firmemente implantado na prática política não nos assegura que a dicotomia entre governantes e governados foi suplantada com a erradicação de estruturas institucionais (onde prevalece a hierarquização). Não se esqueça de formas informais de diferenciação: carisma, diferenças entre capacidades individuais etc. Existem inúmeras formas sociais de inscrever a diferenciação no corpo social. E nem todas as diferenciações são injustas ou emanam de uma desigualdade (material) indefensável.  A autonomia produz desigualdades legítimas, por outras palavras. 

Melhores cumprimentos,
ezequiel</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>1- &#8220;o projecto de autonomia passa politicamente pelo que chamo a cidadania governante – a abertura à participação igualitária de todos na definição das decisões pelas quais se governem. &#8221;</p>
<p>2- &#8221; (que implica a superação da dicotomia entre governantes e governados e o contrário da política como função profissional ou prerrogativa burocrática), só podem fazê-lo convincente e eficazmente prefigurando no seu interior, desde o primeiro momento, os princípios da autonomia&#8230;&#8221; </p>
<p>Caro Miguel,</p>
<p>Este seu texto fez-me lembrar o Participation and Democratic Theory de Carole Pateman. Gostaria de fazer duas perguntas, relacionadas com os pontos 1 e 2.</p>
<p>1- A filosofia política parece ser uma imensa galeria de imagens e contra-imagens. A contra-imagem que aqui apresenta é de uma utopia que falhou devido, em grande parte, às contradições engendradas por uma vanguarda que presume ser capaz de organizar cientificamente a sociedade com o propósito de a expurgar de desigualdades e de injustiças.  A sua critica ao totalitarismo dos partidos-vanguarda parece-me válida. Todavia, o ideal e a prática de autonomia (seja ela de inspiração Kantiana ou outra) pressupõe e produz algo que não é inteiramente consistente com o ideal da igualdade. Primeiro, porque a autonomia diferencia, gera desigualdades,  apesar de poder ser institucionalizada como um direito igualitário. Podemos conceder os mesmos direitos a todos. Podemos presumir até que todos quererão participar. Mas não podemos supor que todos desejarão as mesmas coisas. </p>
<p>2- Imagino que conheça as criticas mais pertinentes ao liberalismo contemporâneo (Sandel, Charles Taylor etc). O ideal da igualdade assenta na premissa de que a sociedade é um todo orgânico, que é mais do que a soma dos seus indivíduos autónomos. De facto, não são raras as vezes que o ideal da autonomia é criticado como um dos pilares filosóficos do dito atomismo (ou atomização) social.  É o conceito e a prática da autonomia que conferem plausibilidade ao medo ou à constatação de que<br />
a sociedade nada mais é do que uma imensa conglomeração de interesses privados. Alem disso,  garantir que o princípio da autonomia está firmemente implantado na prática política não nos assegura que a dicotomia entre governantes e governados foi suplantada com a erradicação de estruturas institucionais (onde prevalece a hierarquização). Não se esqueça de formas informais de diferenciação: carisma, diferenças entre capacidades individuais etc. Existem inúmeras formas sociais de inscrever a diferenciação no corpo social. E nem todas as diferenciações são injustas ou emanam de uma desigualdade (material) indefensável.  A autonomia produz desigualdades legítimas, por outras palavras. </p>
<p>Melhores cumprimentos,<br />
ezequiel</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: miguel serras pereira</title>
		<link>http://5dias.net/2009/10/04/cidadania-governante/comment-page-1/#comment-108164</link>
		<dc:creator>miguel serras pereira</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 05 Oct 2009 16:43:56 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://5dias.net/?p=26253#comment-108164</guid>
		<description>Olá, a todos. É muito difícil organizar uma resposta a tantas questões que me são postas directamente. Mas vamos por partes.
1. A perspectiva da cidadania governante não se inscreve numa concepção liberal, mas sim republicana e democrática. Isso não quer dizer que não reconheça que qualquer poder político, ainda que o da assembleia dos cidadãos, não necessite de ser capaz de se auto-limitar. Não deve legislar sobre todas as coisas, deve salvaguardar diversas esferas do âmbito do seu exercício. Mas pretende ter por garante da auto-limitação da democracia, não um &quot;Estado de direito&quot;, mas o espaço público democrático formal de decisão e exercício do poder pelo conjunto dos cidadãos. A garantia da esfera privada, das liberdades pessoais, da afirmação da singularidade de cada um, é da responsabilidade de todos. 
No plano da economia (política), a sua orientação é autogestionária e cooperativista, e implica, não a substituição do Estado ao mercado, mas uma democratização radical do mercado, segundo a lógica que encontramos no princípio que atribui a cada cidadão um voto de peso igual - ou seja, uma política de rendimentos essencialmente igualitária (mas sobre as implicações económicas da cidadania governante remeto para o que escrevi para o próximo número, a sair brevemente, da revista Trajectos, do ISCTE). Evidentemente, que, para além desta democratização do mercado, será necessário pôr fora deste bens essenciais e indivisíveis, a par daqueles que a serem objecto de distribuição individual mudam de natureza e se degradam em instrumentos ou emblemas de dominação hierárquica (diga-se de passagem que até mesmo as mais elaboradas tentativas liberais no plano da &quot;justiça distributiva&quot;, como a que vemos em John Rawls, interiorizam a concepção capitalista do que é um &quot;bem&quot; e a redução dos bens, que essa concepção postula, ao calculável). 
Finalmente, e abreviando muito, o liberalismo veicula uma concepção do indivíduo que tende a ser a-histórica e a descurar as condições sociais e políticas necessárias a qualquer afirmação da liberdade individual. 
2. O problema não está em substituirmos ao marxismo ou a outra &quot;ciência da sociedade&quot; uma doutrina melhor, a qual, bem aplicada, garantiria a democracia, o socialismo, o fim da história e da política. A política como exercício de cidadania e liberdade começa onde a ciência da sociedade acaba. As questões políticas não são questões científicas, nem relevam de uma competência tecno-científica. De resto, se houvesse uma doutrina que, devidamente formulada, resolvesse as questões da organização da sociedade, a cidadania democrática seria um absurdo. Isto não quer dizer - muito pelo contrário - que a cidadania democrática não exija a presença de traços culturais distintivos. Pressupõe a formação/produção social de indivíudos capazes de reflexão e responsabilidade, de argumentação e imaginação, de livre iniciativa e participação. E indivíduos assim não são coisas naturais, nem produtos da mão invisível de qualquer ordem económica. Dito isto, não creio que o projecto de autonomia seja uma &quot;fantasia agradável&quot;. De facto, é uma aposta e integra-se numa vontade de &quot;emancipação&quot;, que não espera da descoberta pelos especialistas competentes de uma lei divina, natural ou histórica a garantia dos seus desígnios. A aposta da cidadania governante é a instituição de uma ordem política em que os cidadãos governem e sejam governados pelas decisões (falíveis e revisíveis) que tomam a propósito da sua convivência - ou pelas leis que eles próprios se dão e podem reformular. É a ideia de uma doutrina política omnipotente, garantida, cientificamente aplicável que é uma fantasia, a meu ver bem pouco agradável.
3. As desigualdades económicas crescentes são inaceitáveis porque são desigualdades políticas, porque são desigualdades no que se refere ao exercício e benefícios do poder. Não vejo que se possa combatê-las a não ser igualizando a participação no exercício do poder - &quot;solução&quot; a que tanto a forma hierárquica do Estado como a economia política dominante excluem e reprimem.
4. O meu apelo ao voto no BE. Não, não vejo na organização do BE a prefiguração do espaço público formal de deliberação e decisão da cidadania governante. Vejo o BE como uma realidade contraditória, que opõe a lógica m-l cristalizada no PCP a tendências e impulsos democrático-libertários que não se deixaram até ao momento sufocar pela sacralização dos líderes ou pelo fetichismo &quot;funcionarista&quot; dos políticos profissionais (digam-se estes revolucionários, ou não). Mantenho no essencial sobre a natureza do BE as mesmas posições que há dez anos formulei num texto publicado na revista Finisterra e a que chamei &quot;O Bloco de Esquerda na Encruzilhada&quot;.  Compreendo perfeitamente que, a partir de posições fundamentalmente próximas das contidas na palavra de ordem da &quot;cidadania governante&quot;, haja quem, avaliando que as tendências burocráticas e hierárquicas presentes no BE pesam mais do que as pulsões participativas e igualitárias, rejeite o meu apelo. Mas, de momento, parece-me que o BE pode fornecer elementos e condições para a afirmação de corpos de intervenção política que ponham, cada vez mais, a &quot;cidadania governante&quot; na ordem do dia. No plano político, mantenho todas as razões que apresentei na polémica que me opôs a Francisco Louçã na altura em que este publicou A Maldição de Midas (é verdade que tanto ele como eu pessoalizámos a discussão mais do que seria necessário, mas, pelo que me toca, quanto à substância, Louçã nada reviu nas suas concepções, tendo quando muito passado a deixar na sombra parte do que então explicitava). De resto, o problema não está na sua pessoa, mas antes no que escrevi como comentário ao post do Zé Neves: &quot;Votaria no BE com mais convicção se este em vez de insistir tanto na conquista por dirigentes de lugares dirigentes na cena política estabelecida, insistisse na transformação dos modos e lugares de exercício do poder, apresentando a possibilidade de ter deputados na Assembleia da República como um passo não para virmos a ter Francisco Louçã (ou qualquer outro militante do BE) no lugar de primeiro-ministro, mas para avançarmos na construção de uma democracia que dispensasse esse cargo; não para virmos a ter o BE no governo, mas para transformarmos o modo de ser e a lógica hierárquica do governo; não para termos outras medidas políticas, mas outra maneira de fazer política&quot;.
5. Não percebi se o comentário sobre o &quot;blá-blá&quot; e o &quot;anti-comunismo&quot;, o &quot;chá dançante&quot; e a &quot;revolução&quot; era comigo.  Uma das versões da Internacional rezava: &quot;Não mais deveres sem direitos / Não mais direitos sem deveres&quot;. Claro que o autor do comentário tem todo o direito de o fazer, mas parece-me que não lhe ficaria mal honrar um pouco mais o dever de se explicar - seja eu ou não o visado pelas suas palavras -, dando conta e razão das suas intenções. 
6. Peço desculpa pela extensão (insuficiente, apesar de tudo) da resposta. Saudações libertárias   
msp</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Olá, a todos. É muito difícil organizar uma resposta a tantas questões que me são postas directamente. Mas vamos por partes.<br />
1. A perspectiva da cidadania governante não se inscreve numa concepção liberal, mas sim republicana e democrática. Isso não quer dizer que não reconheça que qualquer poder político, ainda que o da assembleia dos cidadãos, não necessite de ser capaz de se auto-limitar. Não deve legislar sobre todas as coisas, deve salvaguardar diversas esferas do âmbito do seu exercício. Mas pretende ter por garante da auto-limitação da democracia, não um &#8220;Estado de direito&#8221;, mas o espaço público democrático formal de decisão e exercício do poder pelo conjunto dos cidadãos. A garantia da esfera privada, das liberdades pessoais, da afirmação da singularidade de cada um, é da responsabilidade de todos.<br />
No plano da economia (política), a sua orientação é autogestionária e cooperativista, e implica, não a substituição do Estado ao mercado, mas uma democratização radical do mercado, segundo a lógica que encontramos no princípio que atribui a cada cidadão um voto de peso igual &#8211; ou seja, uma política de rendimentos essencialmente igualitária (mas sobre as implicações económicas da cidadania governante remeto para o que escrevi para o próximo número, a sair brevemente, da revista Trajectos, do ISCTE). Evidentemente, que, para além desta democratização do mercado, será necessário pôr fora deste bens essenciais e indivisíveis, a par daqueles que a serem objecto de distribuição individual mudam de natureza e se degradam em instrumentos ou emblemas de dominação hierárquica (diga-se de passagem que até mesmo as mais elaboradas tentativas liberais no plano da &#8220;justiça distributiva&#8221;, como a que vemos em John Rawls, interiorizam a concepção capitalista do que é um &#8220;bem&#8221; e a redução dos bens, que essa concepção postula, ao calculável).<br />
Finalmente, e abreviando muito, o liberalismo veicula uma concepção do indivíduo que tende a ser a-histórica e a descurar as condições sociais e políticas necessárias a qualquer afirmação da liberdade individual.<br />
2. O problema não está em substituirmos ao marxismo ou a outra &#8220;ciência da sociedade&#8221; uma doutrina melhor, a qual, bem aplicada, garantiria a democracia, o socialismo, o fim da história e da política. A política como exercício de cidadania e liberdade começa onde a ciência da sociedade acaba. As questões políticas não são questões científicas, nem relevam de uma competência tecno-científica. De resto, se houvesse uma doutrina que, devidamente formulada, resolvesse as questões da organização da sociedade, a cidadania democrática seria um absurdo. Isto não quer dizer &#8211; muito pelo contrário &#8211; que a cidadania democrática não exija a presença de traços culturais distintivos. Pressupõe a formação/produção social de indivíudos capazes de reflexão e responsabilidade, de argumentação e imaginação, de livre iniciativa e participação. E indivíduos assim não são coisas naturais, nem produtos da mão invisível de qualquer ordem económica. Dito isto, não creio que o projecto de autonomia seja uma &#8220;fantasia agradável&#8221;. De facto, é uma aposta e integra-se numa vontade de &#8220;emancipação&#8221;, que não espera da descoberta pelos especialistas competentes de uma lei divina, natural ou histórica a garantia dos seus desígnios. A aposta da cidadania governante é a instituição de uma ordem política em que os cidadãos governem e sejam governados pelas decisões (falíveis e revisíveis) que tomam a propósito da sua convivência &#8211; ou pelas leis que eles próprios se dão e podem reformular. É a ideia de uma doutrina política omnipotente, garantida, cientificamente aplicável que é uma fantasia, a meu ver bem pouco agradável.<br />
3. As desigualdades económicas crescentes são inaceitáveis porque são desigualdades políticas, porque são desigualdades no que se refere ao exercício e benefícios do poder. Não vejo que se possa combatê-las a não ser igualizando a participação no exercício do poder &#8211; &#8220;solução&#8221; a que tanto a forma hierárquica do Estado como a economia política dominante excluem e reprimem.<br />
4. O meu apelo ao voto no BE. Não, não vejo na organização do BE a prefiguração do espaço público formal de deliberação e decisão da cidadania governante. Vejo o BE como uma realidade contraditória, que opõe a lógica m-l cristalizada no PCP a tendências e impulsos democrático-libertários que não se deixaram até ao momento sufocar pela sacralização dos líderes ou pelo fetichismo &#8220;funcionarista&#8221; dos políticos profissionais (digam-se estes revolucionários, ou não). Mantenho no essencial sobre a natureza do BE as mesmas posições que há dez anos formulei num texto publicado na revista Finisterra e a que chamei &#8220;O Bloco de Esquerda na Encruzilhada&#8221;.  Compreendo perfeitamente que, a partir de posições fundamentalmente próximas das contidas na palavra de ordem da &#8220;cidadania governante&#8221;, haja quem, avaliando que as tendências burocráticas e hierárquicas presentes no BE pesam mais do que as pulsões participativas e igualitárias, rejeite o meu apelo. Mas, de momento, parece-me que o BE pode fornecer elementos e condições para a afirmação de corpos de intervenção política que ponham, cada vez mais, a &#8220;cidadania governante&#8221; na ordem do dia. No plano político, mantenho todas as razões que apresentei na polémica que me opôs a Francisco Louçã na altura em que este publicou A Maldição de Midas (é verdade que tanto ele como eu pessoalizámos a discussão mais do que seria necessário, mas, pelo que me toca, quanto à substância, Louçã nada reviu nas suas concepções, tendo quando muito passado a deixar na sombra parte do que então explicitava). De resto, o problema não está na sua pessoa, mas antes no que escrevi como comentário ao post do Zé Neves: &#8220;Votaria no BE com mais convicção se este em vez de insistir tanto na conquista por dirigentes de lugares dirigentes na cena política estabelecida, insistisse na transformação dos modos e lugares de exercício do poder, apresentando a possibilidade de ter deputados na Assembleia da República como um passo não para virmos a ter Francisco Louçã (ou qualquer outro militante do BE) no lugar de primeiro-ministro, mas para avançarmos na construção de uma democracia que dispensasse esse cargo; não para virmos a ter o BE no governo, mas para transformarmos o modo de ser e a lógica hierárquica do governo; não para termos outras medidas políticas, mas outra maneira de fazer política&#8221;.<br />
5. Não percebi se o comentário sobre o &#8220;blá-blá&#8221; e o &#8220;anti-comunismo&#8221;, o &#8220;chá dançante&#8221; e a &#8220;revolução&#8221; era comigo.  Uma das versões da Internacional rezava: &#8220;Não mais deveres sem direitos / Não mais direitos sem deveres&#8221;. Claro que o autor do comentário tem todo o direito de o fazer, mas parece-me que não lhe ficaria mal honrar um pouco mais o dever de se explicar &#8211; seja eu ou não o visado pelas suas palavras -, dando conta e razão das suas intenções.<br />
6. Peço desculpa pela extensão (insuficiente, apesar de tudo) da resposta. Saudações libertárias<br />
msp</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: viana</title>
		<link>http://5dias.net/2009/10/04/cidadania-governante/comment-page-1/#comment-108163</link>
		<dc:creator>viana</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 05 Oct 2009 16:10:23 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://5dias.net/?p=26253#comment-108163</guid>
		<description>Concordo com a análise do miguel serras pereira. Interessa-me por isso passar à discussão do que pode ser feito em concreto para assegurar uma cidadania governante. Porque não é apenas porque alguns, mesmo que muitos, afirmem que a pretendem, que tal cidadania passa a existir. São precisos instrumentos políticos para a implementar. O conceito de cidadania governante está intimamente ligado a dois outros conceitos, os quais pretende fundir: Democracia (cidadania) e Poder (governante). Portanto, a cidadania governante só existe se houver capacidade de governo, ou seja de capacidade de (Poder) implementar as decisões tomadas após deliberação democrática (independentemte de quão grande se ache que a maioria necessite de ser). Daqui decorre que a cidadania governante só é possível se houver estruturas de governo, ou seja um Estado, independente da sua estrutura e abrangência territorial. Acho portanto que a pergunta fundamental que necessita de ser respondida por quem quiser assegurar que uma cidadania governante alguma vez existe é: como podem os cidadãos (democraticamente) controlar o Poder investido num Estado? Há já alguns anos desenvolvi esta resposta, o qual se baseia no conceito de Júris de Cidadãos, aleatoriamente escolhidos, e que deixo aqui como contributo para a discussão:

Introdução

www.democraciadirecta.weblog.com.pt/arquivo/029636.html
www.democraciadirecta.weblog.com.pt/arquivo/030756.html

Desenvolvimento

www.democraciadirecta.weblog.com.pt/arquivo/031733.html
www.democraciadirecta.weblog.com.pt/arquivo/032509.html
www.democraciadirecta.weblog.com.pt/arquivo/034248.html</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Concordo com a análise do miguel serras pereira. Interessa-me por isso passar à discussão do que pode ser feito em concreto para assegurar uma cidadania governante. Porque não é apenas porque alguns, mesmo que muitos, afirmem que a pretendem, que tal cidadania passa a existir. São precisos instrumentos políticos para a implementar. O conceito de cidadania governante está intimamente ligado a dois outros conceitos, os quais pretende fundir: Democracia (cidadania) e Poder (governante). Portanto, a cidadania governante só existe se houver capacidade de governo, ou seja de capacidade de (Poder) implementar as decisões tomadas após deliberação democrática (independentemte de quão grande se ache que a maioria necessite de ser). Daqui decorre que a cidadania governante só é possível se houver estruturas de governo, ou seja um Estado, independente da sua estrutura e abrangência territorial. Acho portanto que a pergunta fundamental que necessita de ser respondida por quem quiser assegurar que uma cidadania governante alguma vez existe é: como podem os cidadãos (democraticamente) controlar o Poder investido num Estado? Há já alguns anos desenvolvi esta resposta, o qual se baseia no conceito de Júris de Cidadãos, aleatoriamente escolhidos, e que deixo aqui como contributo para a discussão:</p>
<p>Introdução</p>
<p><a href="http://www.democraciadirecta.weblog.com.pt/arquivo/029636.html" rel="nofollow">http://www.democraciadirecta.weblog.com.pt/arquivo/029636.html</a><br />
<a href="http://www.democraciadirecta.weblog.com.pt/arquivo/030756.html" rel="nofollow">http://www.democraciadirecta.weblog.com.pt/arquivo/030756.html</a></p>
<p>Desenvolvimento</p>
<p><a href="http://www.democraciadirecta.weblog.com.pt/arquivo/031733.html" rel="nofollow">http://www.democraciadirecta.weblog.com.pt/arquivo/031733.html</a><br />
<a href="http://www.democraciadirecta.weblog.com.pt/arquivo/032509.html" rel="nofollow">http://www.democraciadirecta.weblog.com.pt/arquivo/032509.html</a><br />
<a href="http://www.democraciadirecta.weblog.com.pt/arquivo/034248.html" rel="nofollow">http://www.democraciadirecta.weblog.com.pt/arquivo/034248.html</a></p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: nf</title>
		<link>http://5dias.net/2009/10/04/cidadania-governante/comment-page-1/#comment-108161</link>
		<dc:creator>nf</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 05 Oct 2009 15:55:08 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://5dias.net/?p=26253#comment-108161</guid>
		<description>Mas que autonomia é esta? Não foi a ‘autonomia’ da política a grande conquista da burguesia? Não foi em nome da ‘autonomia’ que o sistema formal e institucional da democracia liberal se constituiu?</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Mas que autonomia é esta? Não foi a ‘autonomia’ da política a grande conquista da burguesia? Não foi em nome da ‘autonomia’ que o sistema formal e institucional da democracia liberal se constituiu?</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: miguel serras pereira</title>
		<link>http://5dias.net/2009/10/04/cidadania-governante/comment-page-1/#comment-108159</link>
		<dc:creator>miguel serras pereira</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 05 Oct 2009 14:09:36 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://5dias.net/?p=26253#comment-108159</guid>
		<description>Assim que tiver uns minutos livres tentarei responder às questões levantadas. Até já a todos
mso</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Assim que tiver uns minutos livres tentarei responder às questões levantadas. Até já a todos<br />
mso</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: o Pedro que procura Inês</title>
		<link>http://5dias.net/2009/10/04/cidadania-governante/comment-page-1/#comment-108157</link>
		<dc:creator>o Pedro que procura Inês</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 05 Oct 2009 12:06:22 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://5dias.net/?p=26253#comment-108157</guid>
		<description>blá, blá, blá...
é só anti-comunismo
mas...

A revolução não é um chá dançante!
http://www.youtube.com/watch?v=aT16qEs0Fa0

o aikido das massas 
será bem mais útil 
que todo o vosso academismo</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>blá, blá, blá&#8230;<br />
é só anti-comunismo<br />
mas&#8230;</p>
<p>A revolução não é um chá dançante!<br />
<a href="http://www.youtube.com/watch?v=aT16qEs0Fa0" rel="nofollow">http://www.youtube.com/watch?v=aT16qEs0Fa0</a></p>
<p>o aikido das massas<br />
será bem mais útil<br />
que todo o vosso academismo</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: ruy</title>
		<link>http://5dias.net/2009/10/04/cidadania-governante/comment-page-1/#comment-108156</link>
		<dc:creator>ruy</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 05 Oct 2009 11:48:18 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://5dias.net/?p=26253#comment-108156</guid>
		<description>Caro  MSP,
Pois, aí residem todas as dificuldades. A falta de uma nova doutrina emancipadora capaz de se opor com eficácia ao neoliberalismo que se afirmou como pensamento único e que colhe a sua “representatividade” na democracia representativa que cada vez está mais longe das aspirações e sentido de justiça social dos homens. Têm aumentado as desigualdades sociais e diminuído o crescimento económico pelo menos desde 1960, ao contrário do que é propagandeado pelos arautos da “modernidade”.
O projecto de “auto-organização social” de que fala, tal como é apresentado, não passa de uma agradável fantasia. Será necessário indagar em primeiro lugar o que origina a falta de autonomia e decisão dos povos mascarada com eleições de quatro em quatro anos. Só conhecendo as suas causas se poderá partir para novas alternativas. O seu discurso, bem intencionado naturalmente, não acrescenta um milímetro para a concepção de um novo projecto doutrinário capaz de mobilizar os cidadãos.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Caro  MSP,<br />
Pois, aí residem todas as dificuldades. A falta de uma nova doutrina emancipadora capaz de se opor com eficácia ao neoliberalismo que se afirmou como pensamento único e que colhe a sua “representatividade” na democracia representativa que cada vez está mais longe das aspirações e sentido de justiça social dos homens. Têm aumentado as desigualdades sociais e diminuído o crescimento económico pelo menos desde 1960, ao contrário do que é propagandeado pelos arautos da “modernidade”.<br />
O projecto de “auto-organização social” de que fala, tal como é apresentado, não passa de uma agradável fantasia. Será necessário indagar em primeiro lugar o que origina a falta de autonomia e decisão dos povos mascarada com eleições de quatro em quatro anos. Só conhecendo as suas causas se poderá partir para novas alternativas. O seu discurso, bem intencionado naturalmente, não acrescenta um milímetro para a concepção de um novo projecto doutrinário capaz de mobilizar os cidadãos.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: zn</title>
		<link>http://5dias.net/2009/10/04/cidadania-governante/comment-page-1/#comment-108153</link>
		<dc:creator>zn</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 05 Oct 2009 10:34:34 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://5dias.net/?p=26253#comment-108153</guid>
		<description>&quot;é para mim evidente que, como organização partidária que actualiza uma forma de organização da sociedade nos antípodas da igualdade e da liberdade que a cidadania governante pressupõe, o PCP e a sua lógica se situam nos antípodas do que entendo pelo projecto de autonomia&quot;. 

Mas o que é que o leva a crer que o Bloco de Esquerda, partido que apoiou, promove a cidadania governante? Acha que a figura de Louçã,  que desde a sua origem ocupa a posição de líder, se coaduna com uma cidadania governante? Não acha que mais do que pregar, importa praticar?</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;é para mim evidente que, como organização partidária que actualiza uma forma de organização da sociedade nos antípodas da igualdade e da liberdade que a cidadania governante pressupõe, o PCP e a sua lógica se situam nos antípodas do que entendo pelo projecto de autonomia&#8221;. </p>
<p>Mas o que é que o leva a crer que o Bloco de Esquerda, partido que apoiou, promove a cidadania governante? Acha que a figura de Louçã,  que desde a sua origem ocupa a posição de líder, se coaduna com uma cidadania governante? Não acha que mais do que pregar, importa praticar?</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: miguel serras pereira</title>
		<link>http://5dias.net/2009/10/04/cidadania-governante/comment-page-1/#comment-108146</link>
		<dc:creator>miguel serras pereira</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 05 Oct 2009 09:52:48 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://5dias.net/?p=26253#comment-108146</guid>
		<description>1. Caro Ruy, tudo o que posso responder à sua questão é que, evidentemente, não podemos antecipar, a não ser sob a forma de indicações gerais, o que será a auto-organização democrática governante dos cidadãos, que o projecto de autonomia requer. Terão de ser os interessados a inventar ou criar, por conta e risco próprios, essas formas de poder político que permitam o auto-governo. Dito isto, nós somos parte dos &quot;interessados&quot;, e por isso na nossa actividade política - que inclui, entre outras coisas, a repolitização democrática e explícita da esfera económica -, trata-se de afirmarmos e desenvolvermos a nossa autonomia de cidadãos interpelando a autonomia dos demais implicados em cada assunto, luta ou problema. É mais ou menos neste pressuposto da potencialidade de autonomia (capacidade de se darem a sua própria lei e criarem a sua própria cidade ou modo de convivência ), activando a cidadania dos outros como condição do desenvolvimento da autonomia de cada um, que Castoriadis vê a nota distintiva da intervenção política efectivamente democrática. Significa isto que não basta que reivindiquemos direitos e garantias, mas que, ao fazê-lo, vamos conquistando também a participação igualitária no exercício do poder político que os garante, conquistando esse poder ao aparelho de Estado e aos aparelhos hierárquicos de decisão que comandam politicamente a economia. Saudações cordiais   


2. Caro Niet/Durruti, agradeço o encorajamento que as tuas palavras me transmitem. O que dizes responsabiliza-me e tentarei ir estando à altura - contribuir, até onde chegue a minha voz, para manter em aberto e na ordem do dia a questão da cidadania governante ou da auto-instituição democrática da sociedade. Até já e um abraço</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>1. Caro Ruy, tudo o que posso responder à sua questão é que, evidentemente, não podemos antecipar, a não ser sob a forma de indicações gerais, o que será a auto-organização democrática governante dos cidadãos, que o projecto de autonomia requer. Terão de ser os interessados a inventar ou criar, por conta e risco próprios, essas formas de poder político que permitam o auto-governo. Dito isto, nós somos parte dos &#8220;interessados&#8221;, e por isso na nossa actividade política &#8211; que inclui, entre outras coisas, a repolitização democrática e explícita da esfera económica -, trata-se de afirmarmos e desenvolvermos a nossa autonomia de cidadãos interpelando a autonomia dos demais implicados em cada assunto, luta ou problema. É mais ou menos neste pressuposto da potencialidade de autonomia (capacidade de se darem a sua própria lei e criarem a sua própria cidade ou modo de convivência ), activando a cidadania dos outros como condição do desenvolvimento da autonomia de cada um, que Castoriadis vê a nota distintiva da intervenção política efectivamente democrática. Significa isto que não basta que reivindiquemos direitos e garantias, mas que, ao fazê-lo, vamos conquistando também a participação igualitária no exercício do poder político que os garante, conquistando esse poder ao aparelho de Estado e aos aparelhos hierárquicos de decisão que comandam politicamente a economia. Saudações cordiais   </p>
<p>2. Caro Niet/Durruti, agradeço o encorajamento que as tuas palavras me transmitem. O que dizes responsabiliza-me e tentarei ir estando à altura &#8211; contribuir, até onde chegue a minha voz, para manter em aberto e na ordem do dia a questão da cidadania governante ou da auto-instituição democrática da sociedade. Até já e um abraço</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Justiniano</title>
		<link>http://5dias.net/2009/10/04/cidadania-governante/comment-page-1/#comment-108145</link>
		<dc:creator>Justiniano</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 05 Oct 2009 09:48:37 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://5dias.net/?p=26253#comment-108145</guid>
		<description>Caríssimo M. S. Pereira - 
Aproveitando a sua &quot;presença&quot; neste debate, que se tem desenvolvido por aqui, e por aí fora em todos os ninhos cultivares de esquerda, gostaria de lhe colocar, humildemente, se me for permitido, e lhe for possível comentário, que desde já agradeço, uma pequena questão comentário:
- Tenho-me permitido concordar que a hipótese Marxista sem Leninismo(sentido lato) não é sequer hipótese no campo da superação do capitalismo liberal (Por razões vastas que se prendem com a história, estrutura da economia, mais valias, menos valias, posse, propriedade ...que não poderia desenvolver aqui.)
- Tenho também, para mim, seguro que a proposta política onde se encontra MS Pereira (e de algum modo Zé Neves no caso aqui no 5 dias por exemplo) e de um modo geral a esquerda que se revê de alguma forma no Bloco, se insere dentro dos pressupostos legitimadores do Estado de Direito Liberal (Ou seja, longe da mundividencia Marxista), aceitando, de certo modo, os modos de formulação jurídica e económica do mundo liberal (mas de um modo um tanto jacobino) - Querei eu dizer que utilizando a legitimação liberal, o paradigma democrático e a manifestação social democrata o que verdadeiramente resulta desta hipótese política é o anti marxismo ou a superação do marxismo pela via liberal e social democrática, procurando, contudo e apesar, manter alguma relação remota com os marxistas-leninistas.
Será!?
Cordialmente, Justiniano</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Caríssimo M. S. Pereira &#8211;<br />
Aproveitando a sua &#8220;presença&#8221; neste debate, que se tem desenvolvido por aqui, e por aí fora em todos os ninhos cultivares de esquerda, gostaria de lhe colocar, humildemente, se me for permitido, e lhe for possível comentário, que desde já agradeço, uma pequena questão comentário:<br />
- Tenho-me permitido concordar que a hipótese Marxista sem Leninismo(sentido lato) não é sequer hipótese no campo da superação do capitalismo liberal (Por razões vastas que se prendem com a história, estrutura da economia, mais valias, menos valias, posse, propriedade &#8230;que não poderia desenvolver aqui.)<br />
- Tenho também, para mim, seguro que a proposta política onde se encontra MS Pereira (e de algum modo Zé Neves no caso aqui no 5 dias por exemplo) e de um modo geral a esquerda que se revê de alguma forma no Bloco, se insere dentro dos pressupostos legitimadores do Estado de Direito Liberal (Ou seja, longe da mundividencia Marxista), aceitando, de certo modo, os modos de formulação jurídica e económica do mundo liberal (mas de um modo um tanto jacobino) &#8211; Querei eu dizer que utilizando a legitimação liberal, o paradigma democrático e a manifestação social democrata o que verdadeiramente resulta desta hipótese política é o anti marxismo ou a superação do marxismo pela via liberal e social democrática, procurando, contudo e apesar, manter alguma relação remota com os marxistas-leninistas.<br />
Será!?<br />
Cordialmente, Justiniano</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Niet</title>
		<link>http://5dias.net/2009/10/04/cidadania-governante/comment-page-1/#comment-108131</link>
		<dc:creator>Niet</dc:creator>
		<pubDate>Sun, 04 Oct 2009 21:46:13 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://5dias.net/?p=26253#comment-108131</guid>
		<description>Caríssimo MS Pereira: Eu citei o Conh-Bendit, da sua fase castoridiana, isto é, coudray/chalieu, pseudónimos de C.Castoriadis, para evitar &quot; buscar&quot; um texto do  demiurgo autor da monumental série dos &quot; Les Carrefours du Labyrinthe &quot;, seis volumes, num dos quais o MS Pereira participa. Foi manobra irónica e histriónica, tão só!

   Eu estou viver a mais de três mil quilómetros ao Norte. Preocupa-me muito a situação portuguesa, onde as franjas radicais são de uma timidez e  indecisão brutais. Daí ter feito inúmeros apelos para que o MS Pereira intervenha e dissemine a ética e estética das suas admiráveis posições políticas. Até sempre! Niet/Durruti</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Caríssimo MS Pereira: Eu citei o Conh-Bendit, da sua fase castoridiana, isto é, coudray/chalieu, pseudónimos de C.Castoriadis, para evitar &#8221; buscar&#8221; um texto do  demiurgo autor da monumental série dos &#8221; Les Carrefours du Labyrinthe &#8220;, seis volumes, num dos quais o MS Pereira participa. Foi manobra irónica e histriónica, tão só!</p>
<p>   Eu estou viver a mais de três mil quilómetros ao Norte. Preocupa-me muito a situação portuguesa, onde as franjas radicais são de uma timidez e  indecisão brutais. Daí ter feito inúmeros apelos para que o MS Pereira intervenha e dissemine a ética e estética das suas admiráveis posições políticas. Até sempre! Niet/Durruti</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: ruy</title>
		<link>http://5dias.net/2009/10/04/cidadania-governante/comment-page-1/#comment-108129</link>
		<dc:creator>ruy</dc:creator>
		<pubDate>Sun, 04 Oct 2009 20:49:42 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://5dias.net/?p=26253#comment-108129</guid>
		<description>Ao MSP,
Na pratica como se materializam esses princípios de autonomia?</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Ao MSP,<br />
Na pratica como se materializam esses princípios de autonomia?</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: miguel serras pereira</title>
		<link>http://5dias.net/2009/10/04/cidadania-governante/comment-page-1/#comment-108128</link>
		<dc:creator>miguel serras pereira</dc:creator>
		<pubDate>Sun, 04 Oct 2009 20:47:59 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://5dias.net/?p=26253#comment-108128</guid>
		<description>Caro Niet/Durruti, o pensamento de Castoriadis está presente, de modo mais ou menos explícito, em tudo o que escrevi na resposta ao Carlos Vidal. A própria ideia de &quot;cidadania governante&quot;, termo que, tanto quanto sei, Castoriadis nunca usou, veicula uma concepção da democracia, da autonomia e da cidadania, que é a que encontramos nos seus escritos fundamentais (sobre &quot;o conteúdo do socialismo&quot; ou sobre &quot;a democracia como procedimento e como regime&quot;). O mesmo se poderia dizer da minha proposta de &quot;repolitização da economia política&quot; e dos termos em que a fundamento; ou da minha insistência na necessidade de imaginarmos &quot;instituintemente&quot; um poder político exercido, contra a divisão do trabalho político estabelecida e da lógica do Estado, pelo conjunto dos cidadãos“ etc. Estamos, portanto, perfeitamente de acordo, quando dizes que a sua obra é uma das críticas mais consistentes do marxismo-leninismo, e não só. Espero que o estejamos também em não restringir a importância de Castoriadis a essa crítica, a qual é, na realidade, inseparável do seu &quot;projecto de autonomia&quot; e ao seu modo de ver e pensar o &quot;social-histórico&quot; como &quot;criação&quot; que só a assunção da dimensão da política entendida como expressão e vontade de autonomia pode tornar responsável e livre. Cordialmente   msp</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Niet/Durruti, o pensamento de Castoriadis está presente, de modo mais ou menos explícito, em tudo o que escrevi na resposta ao Carlos Vidal. A própria ideia de &#8220;cidadania governante&#8221;, termo que, tanto quanto sei, Castoriadis nunca usou, veicula uma concepção da democracia, da autonomia e da cidadania, que é a que encontramos nos seus escritos fundamentais (sobre &#8220;o conteúdo do socialismo&#8221; ou sobre &#8220;a democracia como procedimento e como regime&#8221;). O mesmo se poderia dizer da minha proposta de &#8220;repolitização da economia política&#8221; e dos termos em que a fundamento; ou da minha insistência na necessidade de imaginarmos &#8220;instituintemente&#8221; um poder político exercido, contra a divisão do trabalho político estabelecida e da lógica do Estado, pelo conjunto dos cidadãos“ etc. Estamos, portanto, perfeitamente de acordo, quando dizes que a sua obra é uma das críticas mais consistentes do marxismo-leninismo, e não só. Espero que o estejamos também em não restringir a importância de Castoriadis a essa crítica, a qual é, na realidade, inseparável do seu &#8220;projecto de autonomia&#8221; e ao seu modo de ver e pensar o &#8220;social-histórico&#8221; como &#8220;criação&#8221; que só a assunção da dimensão da política entendida como expressão e vontade de autonomia pode tornar responsável e livre. Cordialmente   msp</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Niet</title>
		<link>http://5dias.net/2009/10/04/cidadania-governante/comment-page-1/#comment-108123</link>
		<dc:creator>Niet</dc:creator>
		<pubDate>Sun, 04 Oct 2009 19:11:05 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://5dias.net/?p=26253#comment-108123</guid>
		<description>&quot; Toda a moderna sociedade capitalista está dividida por uma contradição fundamental que deriva das oposições entre classes sociais: A exploração da população trabalhadora por uma minoria cria incessantemente uma oposição irredutível de interesses entre as classes. A gestão da produção e da sociedade por essa mesma minoria suscita, qualquer que seja a forma de regime político, uma anarquia e uma irracionalidade permanentes. O funcionamento do sistema capitalista está sempre, portanto, a ser posto em causa, quer pela luta aberta ou subterrânea contra a organização social, quer pela sua reserva, apatia e indiferença perante as actividades e as instituições que deviam incarnar a vida social como a empresa, a colectividade local, os partidos políticos, o sistema de governo e a própria ideologia. O sistema capitalista vê-se, pois, condenado a rolar de crise em crise e de conflito em conflito; porque em vez de integrar os homens na sociedade, força-os constantemente, e paralelamente, a lutar contra a organização social que relaxa à deriva &quot;. D.Cohn-Bendit, &quot; Le Gauchisme, remède à la maladie sénile du communisme &quot;, Editions Du Seuil,France,1968.

        No meu modesto entender, MS. Pereira volta a chamar a atenção para os vícios da burocracia pseudo-comunista, modelo universal que, em última instância, &quot; copia &quot; e amplia a exploração dos trabalhadores sob a capa de um Capitalismo de Estado, &quot; inumano e mollochiano. Ainda não entendi, no entanto, qual a razão pela qual( ele, M.S. Pereira) não se refere à  monumental obra de Castoriadis que, historicamente, representa uma das mais elaboradas e cerradas críticas ao Marxismo-Leninismo-Estalinismo. Niet/ Durruti</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>&#8221; Toda a moderna sociedade capitalista está dividida por uma contradição fundamental que deriva das oposições entre classes sociais: A exploração da população trabalhadora por uma minoria cria incessantemente uma oposição irredutível de interesses entre as classes. A gestão da produção e da sociedade por essa mesma minoria suscita, qualquer que seja a forma de regime político, uma anarquia e uma irracionalidade permanentes. O funcionamento do sistema capitalista está sempre, portanto, a ser posto em causa, quer pela luta aberta ou subterrânea contra a organização social, quer pela sua reserva, apatia e indiferença perante as actividades e as instituições que deviam incarnar a vida social como a empresa, a colectividade local, os partidos políticos, o sistema de governo e a própria ideologia. O sistema capitalista vê-se, pois, condenado a rolar de crise em crise e de conflito em conflito; porque em vez de integrar os homens na sociedade, força-os constantemente, e paralelamente, a lutar contra a organização social que relaxa à deriva &#8220;. D.Cohn-Bendit, &#8221; Le Gauchisme, remède à la maladie sénile du communisme &#8220;, Editions Du Seuil,France,1968.</p>
<p>        No meu modesto entender, MS. Pereira volta a chamar a atenção para os vícios da burocracia pseudo-comunista, modelo universal que, em última instância, &#8221; copia &#8221; e amplia a exploração dos trabalhadores sob a capa de um Capitalismo de Estado, &#8221; inumano e mollochiano. Ainda não entendi, no entanto, qual a razão pela qual( ele, M.S. Pereira) não se refere à  monumental obra de Castoriadis que, historicamente, representa uma das mais elaboradas e cerradas críticas ao Marxismo-Leninismo-Estalinismo. Niet/ Durruti</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: ezequiel</title>
		<link>http://5dias.net/2009/10/04/cidadania-governante/comment-page-1/#comment-108118</link>
		<dc:creator>ezequiel</dc:creator>
		<pubDate>Sun, 04 Oct 2009 18:10:38 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://5dias.net/?p=26253#comment-108118</guid>
		<description>&quot;pois só com cidadãos que ousem pensar por conta e risco próprios a liberdade colectiva é possível...&quot;

nem mais.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;pois só com cidadãos que ousem pensar por conta e risco próprios a liberdade colectiva é possível&#8230;&#8221;</p>
<p>nem mais.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
</channel>
</rss>
