Ser português todos os dias cansa

El lector ya se ha dado cuenta de que, en realidad, Portugal es un país inviable. Siempre lo ha sido. No posee una individualidad geográfica; sus raíces más profundas las comparte con Galicia; su propio idioma es una evolución, una mundialización del gallego. La independencia portuguesa hay que crearla todos los días. Por eso, ser portugués cansa muchísimo. Se puede ser alemán, británico o francés tranquilamente, pero sólo se puede ser portugués en la intranquilidad.

A fúria nacionalista que se soltou nos comentários a este artigo*, com ameaças de atirar o autor (português) pela varanda por crime de lesa-pátria, dá razão à tese que lhe subjaz. Um inglês pode, com tranquilidade, praticar essa arte própria de nações confiantes que consiste em olhar-se a si próprio com ironia e distância, aquilo a que Sir T. chama humor “self-depilatory” e os dicionários registam, maçadores, como “self-deprecatory”; já um português tem de repetir todos os dias “o meu passado é maior que o teu” e torcer-se em palmadinhas nos nobres costados. Uma canseira, realmente, mas como diria Joseph Snow, seja tudo pelo nosso Benfica.

*encontrado aqui.

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20 respostas a Ser português todos os dias cansa

  1. É isso mesmo! Nós temos o Benfica! Evolução do galego… pfff!

  2. António Figueira diz:

    Snow in the highest peaks!

  3. Pedro diz:

    SOBRE A ESSÊNCIA DA ESTIRPE DO EXTREMO OCIDENTE HISPÂNICO

    http://gladio.blogspot.com/2009/09/sobre-essencia-da-estirpe-do-extremo.html

    questionar a identidade? normalmente só desenraizados de subúrbios, padecem de tal maleita …

  4. a diz:

    uma informação para quem queira utilizar.
    Há um novo blog colectivo nascido no Alentejo:

    http://acincotons.blogspot.com/

  5. LAM diz:

    Mas o facto do autor não ser espanhol contamina as conclusões.

    Não é nem pode ser lido como uma visão espanhola da cena portuguesa. É uma opinião, respeitável, de um português nascido em Luanda sobre a visão que tem da visão de terceiros.

  6. ezequiel diz:

    Ser x ou y… é um “algo” muito maleável

    um doc (4 partes) excelente…

    Part I

    http://www.documentary-film.net/…now.php?& ref=70

    ——–

    Part II

    http://www.documentary-film.net/…now.php?& ref=71
    ——

    Part III

    http://www.documentary-film.net/…now.php?& ref=72

    ——

    Part IV

    http://www.documentary-film.net/…now.php?& ref=73

  7. fernando antolin diz:

    Ainda não perceberam que um espanhol é um português, mas com orgulho…

  8. rui david diz:

    a generalidade dos comentários a esse artigo comprovam a inviabilidade de alguns portugueses

  9. Mariana diz:

    Que artigo mais “retorcido”.
    Este homem decide resumir o passado, o presente, e o futuro de Portugal numa página.

    E com cada “calinada”… Começa por afirmar que a língua portuguesa é a mundialização do galego, passa por uma apreciação comparativa da gastronomia portuguesa, e termina com a análise do perfil psicológico do português. Este homem sabe de tudo, e sobre tudo opina: faz-me lembrar o Marcelo Rebelo de Sousa.

    Portugal passa desapercebido aos espanhois? Nem por isso. Muitos visitam e recomendam. Muitos investem em Portugal.

    Trata-se de um País inviável? Nem por isso. Se bem que os politicos dos últimos anos bem se têm esforçado nesse sentido.
    Se este homem viveu em Espanha, não se apercebeu da enorme heterogenecidade que existe em Espanha? Da luta pelo País Basco e pela Catalunha pela independência? Que a Galiza preferiria estar junta a Portugal?

    Este artigo parece-me ter por objectivo chamar a atenção, para promover o seu livro em Espanha e talvez até em Portugal. Conseguiu chamar a atenção, mas pela negativa. De forma destrutiva.
    Retratou-se.

  10. antónio diz:

    Esse Gabriel Magalhães tem nível e humor, o que já dá jeito.

    Ah, eu não leio muito os comentários, só os posts, senão não fazia mais nada…
    :-]]

  11. rui david diz:

    pois, mas escreves comentários. sem ler, presumo. também dá jeito…

  12. Mariana,

    Não conhecia o Gabriel Magalhães até ter lido este artigo, e ignoro por isso as velhacas motivações que presidiram a este infame ataque à honra do homo lusitanus, que deve, claro, ser vingado sem demora pelos verdadeiros patriotas (a que eu me associarei mal acabe de trucidar um quarto de tortilha e uns pinchos que pedi para o almoço). Mas acho que fazer um julgamento de intenções para tentar desqualificar o autor e o retrato que fez dos portugueses (e a que eu e outros traidores achámos muitíssima graça) pode descambar em derrapagens (hesito em chamar-lhe calinadas) argumentativas.

  13. antónio diz:

    Roy, “touched by your presence”, e estás com mais que razão… 🙁
    Sometimes posso se um asshole…

    Agora em relação aos ‘nacionalistas’ daqui, pergunto: vcs. já deram por nós algo mais que garganta ?

    (Eu e o rui david sim, mas não há pormenores para ninguém, não queriam mais nada…)

    Têm ideia que o português do rei de Espanha é bem melhor que o de muitos de vós ? (pois, ele viveu anos a fio exilado em Cascais)

    Adoro “nacionalistas”, sobretudo aqueles do tipo ‘nunca fiz a ponta de um chavelho’…

  14. LAM diz:

    Morgada,
    por legítima que seja a opinião de gabriel Magalhães, a sua visão é um sucedâneo. Falta-lhe o principal, o ser espanhol, para dar legitimidade áquele texto.
    Assim é um texto de um português (ou angolano), a falar sobre o que acha que os espanhóis pensam dos portugueses. Uma opinião que, sendo respeitável, vale tanto como a sua ou a minha. Palpites, é o que é.

  15. LAM,
    Confesso que não tinha percebido o seu primeiro comentário, em que dizia que o texto “não é nem pode ser lido como uma visão espanhola da cena portuguesa” (mas quem é que disse que era?), e continuo sem perceber muito bem o que o leva a dizer isso. É que não me parece que seja “um texto de um português a falar sobre o que acha que os espanhóis pensam dos portugueses”, como diz: as raras ocasiões em que G.M. refere a opinião dos espanhóis sobre os portugueses é como recurso estilístico que lhe serve de pretexto para falar da sua (e não poderia deixar de ser a sua) visão dos portugueses. Percebo que talvez fosse mais curioso ler a opinião de um espanhol sobre nós, mas não vejo em que é isso legitimaria a opinião, que seria e será sempre, claro, opinião.

  16. LAM diz:

    Pois, era isso que eu queria dizer. Continuo a achar que o que poderia tornar a opinião mais interessante (note-se que concordo muitas coisas do texto), era ter sido apresentado por um espanhol que, aliás e em muitas partes, é assim que pretende ser apresentado. Apesar de que (também sabemos alguma coisinha), essa visão depende muito de que região de Espanha é proveniente. As relações de um catalão ou basco com o que se passa na Andaluzia por exemplo, não serão muito superiores ao seu conhecimento sobre Portugal.

  17. Mariana diz:

    Morgada,

    Disse apenas o que me parece. Porque não é lógico que uma pessoa que pensa tão mal dos portugueses, dos seus hábitos e costumes, que vai “cuspir” o seu desdém para o jornal do país vizinho, escolha viver precisamente em Portugal.
    O motivo mais óbvio é a procura de fama fácil: é dificil primar pela qualidade, é mais imediato sobressair através de uma polémica fácil.

    Nunca tinha ouvido falar deste senhor, pois não? Nem eu. E agora ouvimos, e até estamos aqui a perder tempo com ele. E se calhar agora até vai comprar o livro, certo?
    Parece-me que é isso que ele quer.

    Não me considero “nacionalista”, mas gosto muito de Portugal e das nossas gentes.
    Vivi vários anos na Catalunha, e também eu tenho uma visão do nosso cantinho Luso visto de fora. E não tem nada a ver com a visão esquizofrénica deste homem.

    Continuo a dizer que este homem me fez lembrar o Marcelo Rebelo de Sousa: que tudo sabe e sobre tudo opina.

    António:

    Conheci um médico muito sensato que dizia” um médico já é bom profissional quando não faz mal ao paciente”.

    O que é que eu (“nacionalista”) já fiz de por Portugal? Provavelmente pouco ou nada digno de assinalar.

    Mas o que lhe posso assegurar é que nunca fiz nada contra Portugal. Não fazer mal já é bom, é assim que andamos. É pedir pouco, eu sei, mas pelo vistos até mesmo isto custa a alguns.

    Quanto ao Rei Juan Carlos… pffff…. é um dos maiores troca-tintas espanhois da actualidade: apanhou a boleia de Franco para recuperar o trono. Apoiou o fascismo quando este fraquejava, depois quando o regime foi derrubado soube bem aproveitar o trampolim. No fundo foi um bom estratega, mas apenas em proveito próprio.
    Pode falar português, e quê? Não é coerente: antes foi fascista, agora é democrata. Nem bem educado, veja só o “porque no te callas” dirigido ao Chavez.
    Enfim, é outro tema.

    Portugueses podem ter muitos defeitos, mas também têm muitas qualidades. Tal e qual como os Espanhois.

  18. Mariana, eu acho a opinião de Gabriel Magalhães inofensiva e até ternurenta para com os portugueses, não vi que tenha “cuspi[do] o seu desdém” em lado nenhum. Também não acho que as graves obrigações patrióticas com que foi ungido no nascimento o devam impedir (a ele ou a qualquer um de nós), de ter uma opinião sobre Portugal e os portugueses, que além do mais deve ser lida, parece-me a mim, com humor e distância. Sobre as qualidades do rei Juan Carlos não me pronuncio, não percebo muito bem o que tem a ver com o caso.

  19. rui david diz:

    é estranho. Metade das crónicas que se lêem em jornais portugueses e respectivos comentários on line, descrevem-nos uma realidade catastrófica pontuada por “Pobre País”‘es , “Bateu no fundo”‘s, “à beira do abismo”‘s…
    Mas quando um sujeito escreve uma reflexão irónica num jornal espanhol é bombardeado por “patriotas” indignados.
    Em muitos casos não me admiraria que os loucos furiosos que asseguram diariamente que o País está nas últimas, sejam as mesmas padeiras de Aljubarrota, marinadas em LSD, que insultam quem acham que o ataca numa inofensiva crónica, apenas porque o fez num jornal espanhol.
    No Público ou no Expresso seria um patriota que denuncia os nossos presentes pretensos profundos e irremediáveis podres. Num jornal espanhol é um “traidor” português, ou mesmo… angolano…
    Nem me refiro a comentadores deste post, relativamente moderados, tirando o “cuspe” da ex-emigrante da Catalunha, refiro-me ao espectáculo dado por alguns dos que comentaram o original, não se dando conta da imagem infeliz que deram de si mesmos e que de algum modo nos contamina também, nos atira para um abismo, o abismo da estupidez comatosa.
    LAM, ali em cima, diz o óbvio lapalissiano sem tirar as devidas consequências: o artigo é uma opinião, válida como outras. Discuta-se então e deixem-se lado as indignações paroquiais.
    Se alguém quer brincar às padeiras de Aljubarrota, espere pelo Carnaval.
    António, “sometimes I’m a bit too slow”;)

  20. Caro ezequiel,

    Desapareceu um comentário seu, que sei que enviou porque recebi um email às 14h33 a avisar que tinha novo comentário neste post. Pois até agora nada de aparecer no blogue, e no backoffice tb não está, já o fui procurar. Não sei se a culpa é do jet lag, se do malvado do wordpress, mas não queria arriscar um remoque filosófico seu sobre a censura praticada no 5dias. Se quiser e puder, envie novamente, vi que tinha enviado uma série de links para um documentário que não consigo abrir no email.
    Grata,
    m.

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