Que Fazer?

Resultou das eleições uma dada composição parlamentar. Acerca da correlação de forças entre os grupos de mandatados, falar-se-á amiúde, durante os próximos dias, para não dizer meses. Acerca do jogo que se inicia, não terei muito a comentar. Ao longo da campanha, participei no debate, com a convicção possível – excessiva, para uns, escassa, no entender de outros. Ao contrário de muito boa gente, seguramente movida pelas melhores intenções, demito-me da problemática da governação. O dia só tem vinte e quatro horas e julgo ser mais urgente tomar outro caminho, em parte sugerido pelo apelo ao voto do Miguel Serras Pereira e pelo não-apelo do Ricardo Noronha. Haja vontade e poderemos todos retomar algumas das coisas debatidas, há cerca de dois anos, numa discussão que o Daniel fez, então, o favor de centralizar aqui no Arrastão. Entretanto, imagino que esta demissão da problemática do Poder possa ser considerada como atitude fácil, preguiçosa, cómoda. Mas não só não acho que a militância deva ser um martírio e um sacrifício, como também não creio que o poder seja apenas aquele que se nomeia com maiúscula. Jogos de poderes são coisa que não falta por aí, das relações domésticas às relações laborais, da sala de aulas à cena dos espectáculos, como bem nos recorda, saudavelmente desencantado, o Rui Bebiano. Em resumo, a nossa politicidade não dependerá dos timings em que somos convocados pelas instâncias supremas da República. Dito isto, é justo perguntar: o que me motivou a intervir nestas eleições?

Para além da camaradagem com alguns dos seus protagonistas, talvez tenha sido, sobretudo, a possibilidade de ir conversando com os demais mandantes. E, não tanto, a preocupação com o apuramento de potenciais mandatados. Fosse a democracia representativa o tempo de uma eterna campanha eleitoral, em que o sufrágio jamais veria a luz do dia, e eu seria o seu primeiro apologista. A análise política das eleições não deve ser restrita, a meu ver, aos seus efeitos institucionais e político-partidários. As eleições são, igualmente, um momento em queé possível medirmos – com todas as limitações inerentes ao método e à própria ideia de medição – o estado de alma do eleitorado, ou, se preferirem, as suas culturas políticas. E é nesse sentido que, a meu ver, os resultados de domingo são motivadores, denunciando o crescimento de uma predisposição para uma transformação à esquerda do centro, radical, revolucionária, reformista, o que seja. Esta predisposição – que deverá ser sobriamente contida pela predisposição para votar Paulo Portas – é diversa, e conterá, inclusivamente, muitas contradições, sendo que a pluralidade é intraduzível pelas representações parlamentares. Mas a impossibilidade da tradução, longe de ser um problema, é uma virtude. O gesto de quem optou por votar à esquerda do PS – num cenário em que o apelo ao “voto útil” era efectivo – deve ser considerado um dado de partida para uma vida política que exceda o campo político – circunscrito por debates parlamentares, comentário televisivo, decretos-lei, comícios partidários – e não um ponto de uma meada cujo fio será apenas retomado numa futura contagem de cabeças, a realizar aquando de uma próxima campanha eleitoral.

Animar este excesso da política é propósito que poderia ser assumido pelas direcções do BE e do PCP. Mas, infelizmente, duvido que tal aconteça. No caso do primeiro, tem-se caminhado no sentido de consagrar a esfera parlamentar como instância central de actividade, subordinando-a a uma lógica revolucionária ou reformista de simples tomada do poder. Faço minhas as palavras deixadas pelo Miguel Serras Pereira no post acima linkado: «Votaria no BE com mais convicção se este em vez de insistir tanto na conquista por dirigentes de lugares dirigentes na cena política estabelecida, insistisse na transformação dos modos e lugares de exercício do poder, apresentando a possibilidade de ter deputados na Assembleia da República como um passo não para virmos a ter Francisco Louçã (ou qualquer outro militante do BE) no lugar de primeiro-ministro, mas para avançarmos na construção de uma democracia que dispensasse esse cargo; não para virmos a ter o BE no governo, mas para transformarmos o modo de ser e a lógica hierárquica do governo; não para termos outras medidas políticas, mas outra maneira de fazer política». No caso do PCP, menor é a propensão para a subordinação da vida política à esfera parlamentar e institucional, mas a situação acaba por não ser mais favorável, porque, da parte da direcção do partido, há falta de vontade em alimentar processos políticos, culturais e sociais em que a posição do partido não seja a dominante. O PCP lida com “massas”, mas se aqui está presente a necessidade de alargar a ideia de política além de uma concepção elitista da política, está igualmente implicada a concepção do partido como uma elite alternativa às dominantes. E isto é mais do mesmo. Por isso, creio, nos próximos quatro anos, a quem votou à esquerda do PS, aqui incluindo muitos militantes partidários, restará… quem votou à esquerda do PS. Trata-se de um resto, mas, vejam, de um resto que não é escasso. A luta pela emancipação ou é um processo de auto-emancipação ou não é e deverá ser esse o sentido da ideia de autonomia. Resta, então, levarmo-nos a sério, isto é, ressuscitarmos a vontade de transformação que depositámos na urna sob a forma de voto. Quando escrevi, ali atrás, que os 19% de votos na esquerda radical eram, para mim, motivo de regozijo, pensava na possibilidade de ir excedendo o actual sistema de divisão do trabalho político e, não tanto, no novo arranjo político-institucional que viria pautar aquele velho sistema. Do meu ponto de vista, o mais importante é debater, já, de modo descentralizado, disseminado, quotidiano, comum, que projectos podem ser construídos, reforçados, renovados, “a partir de baixo”, mobilizados por alguns, poucos ou muitos daqueles que fazem parte dos 19%, mas, também, por outros tantos e tantas que votaram noutros partidos, e, é claro, por uma imensa abstenção, para nem falarmos acerca daqueles que nem recenseados estão, caso de muitos imigrantes. Os eleitores votaram. Terão os seus representantes parlamentares. Mas não se deverão confinar ao estatuto de representados durante quatro anos mais. Qualquer esquerda que procure alterar a forma da política e não apenas o seu conteúdo, qualquer esquerda que saiba que forma é conteúdo, deverá centrar a sua prioridade na procura daquilo que o Miguel Serras Pereira descreveu como sendo o horizonte da sua perspectiva política: “governo igualitário e regular dos cidadãos pelos cidadãos – ou, se quiseres, a cidadania governante contra o poder de Estado e o poder político por ele enquadrado que se exerce através e a coberto da esfera económica “despolitizada””. O ciclo eleitoral termina, abre-se uma nova época na esfera político-institucional, mas o mais importante é que os mandantes desbravem o seu caminho próprio, através de uma actividade política a nível do associativismo, de movimentos sociais, da questão laboral, da produção intelectual, da vida económica. Passamos demasiado tempo a comentar o lance polémico do último desafio que opôs governo e oposição, presidente e primeiro-ministro, assim esquecendo que há partidas que estão a ser disputadas todos os dias, a todas as horas, por todo o país, dos recreios das escolas às ruas dos bairros. Chamem-lhe política “a partir de baixo”, biopolítica, política popular, experiências plebeias – a verdade é que há uma vida política além do bolo-rei do presidente da república, do mau humor do primeiro-ministro ou da aritmética dos grupos parlamentares, e o poder não é uma coisa que seja mais determinada aqui do que ali.

Que fazer? As pistas que a História nos deixa são muitas. Cooperativas de produção, comissões de bairro, centros sociais, sindicalismos, universidades populares, batalhas do lazer, enfim, uma imensa constelação de experiências, em que a política é mais do que uma campanha de quinze dias, durante os quais um, dois, três, quatro, cinco líderes falam aos nossos ouvidos, nós escutamos, depois votamos, por fim acabamos a comentar durante quatro anos o que se faz ou deixa de fazer com os nossos votos. Não tem que ser assim. E apenas se assim não for é que alguma coisa mudará. Independentemente das vicissitudes – que não reputo de insignificantes – da vida político-institucional. A campanha eleitoral acabou. A campanha política só agora começa. Il faut que todos meixam a peida.

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21 respostas a Que Fazer?

  1. o Zé Neves parte sempre da premissa de que há um “excesso” de pessoas a votarem à esquerda do ps e que é visível uma tendência sustentada para esse crescimento. Mas será que contou bem os votos?

  2. Zé Neves diz:

    sim contei bem os votos. Dá perto dos 19%, a soma PCP, BE e MRPP. depois da queda do muro de berlim, isto é inédito. quais são as suas contas?

  3. Natália Santos diz:

    Penso que a sociedade pode evoluir para formas mais solidárias, mas não como organizações políticas, naquele sentido que há sempre alguém do partido a ditar regras..
    Tendo a instrução generalizada começado há tão pouco tempo ( em Portugal há 35 anos) as elites, vou dar de barato que o sejam, têm que dar tempo às pessoas para se reorganizarem face a um maior conhecimento de que dispõem. Ou seja, penso que alterações feitas e escolhidas pelas pessoas banais, baseadas no seu dia-a-dia , podem ser mais consistentes que as ideias pré-concebidas das elites sobre liberdade, felicidade, solidariedade, etc.

  4. Niet diz:

    Camarada José Neves: As contradições do seu discurso são, efectivamente, mais do que muitas…O PCP não está à esquerda de ninguém,acredite.Infelizmente, o caso parece perdido. E mais: pode ser um factor de contenção das massas em movimento! Eu fico siderado a ouvir/ver e ler o discurso de Jerónimo de Sousa. Lembra-me muito daquela frase-bomba do Sartre em Maio-68: ” Os comunistas têm medo da Revolução!”. Isso foi, já, há imenso tempo,convenhamos. Fala, o Zé Neves, e muito bem, da ânsia ” do Bloco em ” manipular “. Isso é um péssimo sintoma: pesem embora as imensas qualidades de Louçã! O PCP é o partido da ” Manipulação “, pura e dura. O Bloco, pelo lastro do Marxismo leninismo esclerosado, não sabe evitar essa pulsão…de morte! Se o José Neves vir bem, em filigrama, a mensagem do Serras Pereira, ilumina o árduo caminho da auto-libertação dos trabalhadores e intelectuais. Está lá concentrado, no discurso de M.Serras Pereira, o essencial. Tenho muita pena, aliàs já se começou a ver neste Blogue os coriféus do Marxismo de vulgata, de saldo, a fugir das questões estratégicas, como por exemplo, o papel da formação dos Sovietes e dos Conselhos Operários na Rússia de Lénine, 1917/22. Não sei se deram conta: houve impagáveis “bolcheviques-de-trazer-por-casa” que fugiram, é o termo, mal se tentou espevitar a discussão…Uma só solução: Acção Directa e fomento dos Conselhos Operários! Niet/ Durruti

  5. xatoo diz:

    Gabo-lhe o gosto de construir castelos no ar: PCP, BE e MRPP estarão todos virados para o mesmo lado?
    o que significa de facto na vida real a palavra “Politicidade”? a tese Sinatra (I did it my way) pensada por cada individuo é na realidade a divisão ideal com que os construtores do macropoder sonham. Contam carneiros nas estatisticas, extraem e privatizam as mais valias que haveriam de ser produto social. “Que Fazer”?
    Depois de ver a promessa de leitura das teses de Abril do Lenine a servir de cabeçalho a um post eruditíssimo confesso que fiquei com a mona um bocado fodida

  6. António Figueira diz:

    O MRPP é um erro, erro de casting, diz-se agora, erro sobre o motivo, dizia-se na FDL, onde eu andei e o MR nasceu: faça-se uma pequena análise que seja à geografia eleitoral e facilmente se perceberá que o dito medra à conta da permissão legal, obviamente tudo menos desinteressada, de dois partidos terem símbolos iguais: não acredito muito que haja razões outras para além desta que levem octogenários do Couço, por exemplo, a votar no Dr. Garcia Pereira.

  7. xatoo diz:

    os indios tinham um enorme respeito pelo saber acumulado dos seus anciãos. Mas a burrice não tem idade e o jovem antónio da Figueira encara um octogenário como sendo uma anormalidade: Aliás, anormal é a permanência do Figueira num blogue cada vez mais alavancado na discussão à esquerda.
    Este “velhote” também confunde os simbolos com a existência efectiva de um sistema:
    The grand old man of letters Gore Vidal claims America is ‘rotting away’ — and don’t expect Barack Obama to save it – Gore Vidal: ‘We’ll have a dictatorship soon in the US’

  8. viana diz:

    Concordo com o teor do texto, e a sua conclusão de que o envolvimento político não se deve resumir ao apoio partidário, mais intenso em tempo de eleições. E que a acção política deve extender-se a todos os foruns de decisão e acção colectiva, seja qual tenha sido a razão para a sua constituição. Infelizmente, apesar de tal ser necessário, não acho que seja suficiente. O facto é que uma fracção significativa da população, por todo o tipo de razões, não está interessada em mudar as estruturas societais de modo significativo. E nem me parece que sejam passíveis de serem convencidas, através da argumentação, tendo em conta o seu nível de “intoxicação”, suportado por um sistema mediático ao serviço das estruturas de Poder na sociedade. Uma revolução feita a partir de baixo é assim praticamente impossível, nas condições sócio-económicas
    actuais. Na minha opinião, nenhuma via de acção política deve ser descurada, nem desvalorizada, incluindo o jogo partidário. E o que é essencial é introduzir elementos de subversão do sistema em todos os níveis da acção política, nomeadamente medidas que tenham um efeito em cadeia de destabilização das relações de poder societais. O mesmo poderia dizer a propósito da linguagem, talvez o mais importante campo para acção política. Precisamos de construir memes que actuem como vírus da mente, capazes de pôr em causa a “evidência” que a um grande parte das pessoas aceita desde que nasceu. Em conclusão, a acção política deve se extender a todas as esferas da interacção colectiva, sem excepção, e deve ter como objectivo não tanto a mudança da decisão, mas sim do modo de decidir, não tanto a mudança da opinião dos outros, mas sim do modo como eles chegam a essa opinião.

  9. António Figueira diz:

    Xatoos,
    Anormais não são os octogenários, muito menos os do Couço; anormais são uns xatos duns comentadores, que não percebem o que lêem, e comentam o que não percebem.
    AF
    PS: “Alavancado”? Que expressão tão ridícula, parece “gestão de empresas”.

  10. _ diz:

    Zé Neves diz: sim contei bem os votos. Dá perto dos 19%, a soma PCP, BE e MRPP. depois da queda do muro de berlim, isto é inédito. quais são as suas contas?

    Não fossem 50% dos votantes do BE habitualmente votantes do PS ou mesmo do PSD. Desses 19% só os do PC e do MRPP e metade do Bloco tem em mente o socialismo. E só metade dos portugueses votam.

    Vê-se muito “wishful thinking” na blogosfera, é o que dá o activismo de sofá. Não há esperanças hoje, sem tumultos ou sintomas de revolução, a possibilidade de mudar nada de nada na AR.

  11. Natália Santos diz:

    Sr Viana:

    Quem é que vai desintoxicar a mente de quem ?! Quem é que arroga esses direito ? Quem é que vai decidir quem está intoxicado? Não pode estar mais intoxicado quem vai “ler a vida” em livros cujas teorias velhas em todos os sentidos, não deram em nada ? Vejo e ouço pessoas anónimas, com mais ou menos idade e até com pouca instrução com uma visão da vida mais fresca do que a dos nossos comentadores e intelectuais.

    Está-se intoxicado porque não se vota maioritariamente BE ou CDU , é isso.

    Boa Tarde

  12. xatoo diz:

    sr António Figueira, o sr. é um trapalhão: primeiro vem dizer que os octagenários do Couço não sabiam distinguir entre as siglas do PCP e do MRPP; depois vem dizer que não disse (um partido que seria “um erro de casting”) note bem: Casting, depois vem armado em virgem de língua insurgir-se contra um termo de gíria como “alavancar”

  13. António Figueira diz:

    Xatoo:
    Disse e repito que é minha convicção que uma boa quantidade dos votos do MRPP são votos por engano, que se devem ao facto (que me parece lamentável) de o MRPP ser autorizado a ter como símbolo eleitoral a foice e o martelo, que são o símbolo de um outro partido, mais antigo e que se registou primeiro, e ainda que essa confusão se verifica sobretudo junto do eleitorado mais idoso: percebido finalmente?
    Segunda coisa: casting é standard English, “alavancar” em lugar de to lever é um neologismo piroso (que só é gíria na terra dos xatoos).

  14. Justiniano diz:

    AF!
    “O MRPP é um erro, erro de casting, diz-se agora, erro sobre o motivo, dizia-se na FDL, onde eu andei e o MR nasceu:…” Queria dizer erro obstáculo, erro na declaração, referindo-se ao objecto da declaração, divergencia não intencional!!?? Pelo enredo é o que parecia e nesse caso talvez valesse a pena lá voltar, à FD, porque erro sobre o motivo, da vontade, é o que o Zé Neves vai experienciar depois de coligir toda aquela aritmetica.
    Cumps

  15. c diz:

    voltar às cidades estado , euroregiões ? a organização política em estado nação não deixa espaço para a auto governação. o poder central teria de ter um papel muito diferente. aliás , se continuarmos na ue , esse poder é cada vez mais dispensável. acho que só através do poder local se poderá chegar a isso a pouco e pouco , com relações de proximidade entre as pessoas da comunidade. tínhamos de reorganizar primeiro o território..aliás , nas autárquicas até me parece que é mais importante a pessoa que o partido.

  16. xatoo diz:

    A. Figueira: bardamerda mais a sua visão da ordem das marcas inscritas segundo a normalização constitucional burguesa. É o que lhe daria jeito! que a foice o martelo ficassem apenas associadas à obra degenerada do “comunismo” de Brezhnev. (e do reformismo “nacional” de Cunhal) Esquece-se que esses também usavam já ilegalmente a sigla, em relação ao “internacionalismo” que ela propunha cumprir em 1917, pelo que, seguindo a lógica batatóide figueirenta o PCUS e o PCP também nunca a deveriam ter usado.
    É como lhe digo. Tal como nunca se compreendeu muito bem o que andava ali a fazer o Brezhnev, também não se entende lá grande coisa do que anda a fazer o Figueira num blogue como o 5Dias

  17. António Figueira diz:

    Sim, Xatoo, falais sobremaneira verdade.

  18. Niet diz:

    Hello, Zé Neves, ponha ordem neste Albergue Espanhol, sem eira nem beira. Onde anda muita malandragem a esconder a sua(deles,claro) ignorância. Muito mais agora. meu caro , que vamos assistir ao streap-tesae total e fundamentalista dos émulos de Sócrates, o homem invisível da Esquerda. Toda a gente(?) está a ver/saber que o indigitado PM vai fazer um novo Governo de Direita eclética, que o vai liquidar… Niet/ Durruti

  19. Maria diz:

    Houve erro na contagem de votos em pelo menos uma das freguesias de torre de moncorvo!
    A quem recorrer?

  20. Maria diz:

    Consta que foi na freguesia de Maçores!

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